Tenho notado nos últimos tempos muita contradição acerca de como deve ser praticada nossa religião. É impressionante o tanto de conhecimentos, práticas, certezas e origens que são demonstradas e até mesmo discutidas, as vezes de maneiras bem grosseiras.
    Todos têm suas razões, todos aprenderam de alguma forma. É visível, infelizmente, que muito do que se ouve resulta de interesses particulares, conhecimentos que parecem ter saídos de livros de ficção ou contos de fadas. No entanto, quando se aprofunda nestas discussões pode-se notar também, que as diferenças, na maioria das vezes, encontram-se no ambiente didático da questão, pois na verdade, as práticas muito se assemelham. 
    O Caboclo, o Preto-Velho, o Exu, ainda que diferenciados na semântica, assemelham-se bastante nos trabalhos nas diversas casas, banhadas pelos diversos conhecimentos.
    Isso demonstra de uma vez por todas que o mais importante não é a prática e sim o sentimento. Não é o conhecimento e sim o trabalho. Não é o prestígio e sim o alcance. 
    Por todas as coisas que foram mostradas, por tudo o que foi dito, rogo a todos que de agora em diante, cientes de algumas das belezas e ideais da Umbanda, tais como, caridade, evolução, paz e harmonia, tentemos todos entender nossa religião. É certo que não desejamos conversão em massa, nem monopólio religioso. Não é do nosso intento o reconhecimento incondicional, como se derrotássemos  todas as demais religiões. Nossa intenção deve ser apenas continuar praticando o bem por meio dos aprendizados que adquirimos, trabalhar sempre que solicitados pelos nossos irmãos, em suma: Dar a nossa contribuição para a evolução material e espiritual de todos nós. Erros e práticas mal realizadas sempre serão encontradas em todas as atividades nas quais a figura do homem se apresenta. Mas não podemos condenar a medicina, pelo mal procedimento do médico. A doença nunca será melhor do que os efeitos da omissão em procurar socorro, causados pela desconfiança num diagnóstico.
    Umbandistas! Unamo-nos! Se não em torno dos mesmos cultos, dos mesmos conhecimentos, pelo menos em torno da boa vontade, da boa intenção, do amor ao próximo!
    SARAVÁ UMBANDA!

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