Os negros que vieram, covardemente, trazidos para cá nos idos da escravidão, para que pudessem cultuar seus deuses, os Orixás, sem a interferência dos brancos, foram obrigados a confundi-los com as imagens dos santos católicos que lhes eram impostos. De acordo com algumas outras afirmações, já existia na África, alguns negros já evangelizados, mas sem abandonar completamente seus cultos aos ancestros, aqui no Brasil, guias, que já faziam o sincretismo de seus deuses, com os santos católicos. 
De qualquer forma vindo de fora ou nascido aqui, nas senzalas, era necessário que cada Orixá se aproximasse bastante das características desses santos. Assim sendo, Ogum, o grande Orixá das vitórias, das guerras, sincretizou-se com São Jorge, o santo guerreiro que vencera o dragão. Omolu o grande Orixá da peste, dono da doença e por conseguinte, conhecedor de todas as curas, associou-se a São Lázaro, por causa das feridas que ele demonstra em suas imagens. As Iabás facilmente foram associadas as santas católicas. Ficava faltando Exu. Nenhum santo católico tinha suas características. Ciumento, brincalhão, amigo, brigão, entre outras. O grande mensageiro foi então deturpado.
    Ele era o grande e único defensor dos negros, o socorro imediato em seus momentos de angústia e dor. E quem eram os causadores dessa dor? Os brancos! Quem então Exu estaria combatendo? Assim sendo associaram-no a imagem do diabo cristão. Infelizmente essa associação ainda persiste pelos dias de hoje. Pode-se ver facilmente nas lojas de artigos religiosos para Umbanda e Candomblé, as imagens de Exus na maioria das vezes com chifres e rabo. O comércio parece gostar bastante dessa associação!
    Entendo que o sincretismo se usado no passado por necessidade, hoje, principalmente nas nações do Candomblé, poderia tranqüilamente ser desprezado. Já na Umbanda, não vejo nenhum mal em que continue sua existência. Muitos dos que conhecem a Umbanda ou a seguem, mesmo sem envolverem-se profundamente em seus fundamentos, sentem como se um certo romantismo cercasse o sincretismo. Muitos não conseguiriam entender os Orixás do ponto de vista da Umbanda, sem a idéia sincrética a fortalecer sua fé. Já foi dito por um grande Babalorixá " - Por favor, não confundam Oxalá com Jesus Cristo! " Essa afirmação é uma grande verdade, e é muito importante que conheçamos essa diferença entre eles. Mas é lindo, olharmos um Gongá, bem iluminado, bem florido, com a imagem de Jesus, ao alto, sendo complementado o cenário, com as imagens dos demais santos que fazem parte dessa sincretização. Os Orixás, Africanos que são, e cientes exatamente de seu papel e importância na vida de seus filhos, com certeza, não se opõem a que tantos, os percebam de maneiras tão distintas. O mais importante é o amor que sentimos e não como este amor nos fala ao coração!
    Há que se reconhecer todavia, que muito do que difere no trato aos Orixás pela Umbanda em relação ao Candomblé, deve-se ao sincretismo. Pode-se notar algumas diferenças nas manifestações dos Orixás na Umbanda em relação a quando o mesmo Orixá manifesta-se nas religiões de nação.
    O sincretismo porém, se amolda a determinadas regiões, assim sendo muitas vezes um mesmo Orixá sincretiza-se com santos católicos diversos. Vejamos alguns exemplos:

Ogum  São Jorge - São Sebastião - Santo Antonio
Omolu São Lázaro - São Roque - São Sebastião
Oxóssi São Sebastião - São Jorge
Yemanjá Nossa Senhora da Glória - Nossa Senhora da Conceição
Oxum  Nossa Senhora da Conceição - Nossa Senhora do Carmo

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