A Profecia de Margarida – Primeira Parte

 

 

Apareceu a Margarida e salvou um município inteiro, trazendo o medo para os corruptos.

 

 

“Empadresópolis” é um município do estado dos “Catetes dos Bandeirantes” de um País chamado “Currópo”, que já teve o nome de “Salto do Tupiniquim Currado” logo em sua descoberta; depois foi batizado de “Ilha do Índio Traído” e, por fim, “Currópo”, nome eleito unânime pelo congresso político daquela Nação de curropanos, liderado por Ali Renan Lula Babá... Mas isso é outra história.

 

 

 

Vamos ao meu ‘continho’, quase verdadeiro:

 

“Porto” é um bairro do município de Empadresópolis. Foi o bairro dos poetas. De malandros que não matava e não roubavam. Não era assim como hoje, que tem bandidos que roubam até velhinhas e garotas, escondidos atrás de capacetes, montados em motos ou mesmo em bicicletas, de pegar a balde. E sem que o povo, sofrido por opção, reaja.

 

O bairro Porto tinha um clube com time de futebol; tinha uma grande Igreja Católica com padres de verdade e escolinhas de catecismo; tinha árvores, pindobas para enfeitar as festas juninas e banquinhos nas ruas e na praça de barro; tinha um cinema e até uma estação de trem. A garotada tinha quadrilhas de festa juninas, times de futebol e por ai afora.

 

A comunidade de Porto se reunia em alguns espaços públicos em todas as datas festivas, ou inventavam datas para festas; promoviam gincanas... Desfilavam no centro do Município de Empadresópolis com um bloco carnavalesco - em fevereiro ou marco - e com banddas de alunos (estudantis) de várias escolas - entre elas, duas escolas de nome PORTO: uma estadual e outra particular - em 25 de agosto (dia do soldado e do Duque de Caxias), em sete de setembro (independência do Currópo) e no dia 15 de novembro (proclamação da república).  Se deixassem, desfilavam até no dia da bandeira e da libertação dos escravos ou de Tiradentes...  Eles eram felizes e não sabiam.

 

Os salários do povo na economia privada, antes da tal anistia, eram pagos semanalmente, e religiosamente, às sextas-feiras. Com o cartão, contracheque, carteira de trabalho assinado ou com o carnê do de mensalidade do INPS pago, a população era tratada em clínicas particulares... E até no dentista...

 

Mas a vida da Nação Currópo mudou depois de 1982 quando um presidente, metido a general, anistiou todos os bandidos da Nação, dando-lhes direito de se candidatarem aos cargos públicos (eletivos). E assim, caras cassados por roubos em sindicatos, roubos em bancos, por corrupção, por estupros políticos através de guerrilhas e até por assassinatos, reaveram os seus direitos políticos cobrando indenizações da população pobre e danaram tudo, incluindo ai a vida da população do município de Empadresópolis e de seu bairro, Porto.

 

Com a liberdade dos bandidos, que numa jogada de estelionato político, fizeram surgir várias quadrilhas política (partidos), todo o povo quisera candidaturas - "Ora..." - pensaram - "Se bandidos que roubaram bancos e sindicatos, incendiaram e até mataram podem se candidatar, porque não um operário de verdade?" - E assim foi feito. O bairro Porto teve candidatos à Vereadores pra cacete!!! Todos cheirando Brizola ou o ku do Lulla Mulla ou do Mulaff... Apareceram siglas como as estrelas do céu: PDT, PT, PSD... Depois surgiu PRONA, P-SOL, CV, PCC, FV... No finalzinho numa mágica indecente aparece até a tal de CPMF, aumentam os descontos para o IOF, aumenta os descontos dos trabalhadores, lhe tirando direitos e cobram contribuições, para o INSS pagar anistiados (perdoados) políticos, tira dinheiro até dos velhinhos aposentados...

 

Com as mudanças no governo Federal para anistiar os bandidos que haviam fugidos (até de saia como uma mulherzinha ou dedurando outros que aqui ficaram e morreram lutando por nada, para receber o prêmio da delação premiada e ter, como prêmio, o exílio)... O bairro Porto também se fudeu! (claro). A educação em toda a Nação de Currópo foi a pique com os professores (as) se tornando fantasmas, à serviço das quadrilhas políticas que assumia a Nação - indiretamente através dos estados, municípios, empresas estatais, serviços públicos, dos conselhos de educação, de ONGs criados por eles e até das igrejas católicas.... E, por fim, o governo Federal -  a educação do bairro Porto não seeria exceção, ?

 

Assim, as escolas públicas e particulares do bairro Porto começaram a serem roubadas também: sumiram os instrumentos musicais (Acabaram com as bandas nas escolas e  com os desfiles dos alunos... - Hoje tem Passeata Gay); sumiram as formaturas e até o hino nacional cantado nas entradas das aulas; sumiram as aulas de educação físicas nas escolas públicas; não existe o ensino de um segundo idioma (que agora seria essencial para a globalização, se ministrado desde o ensino maternal); sumiram as aulas regulares e até comidas e carteiras... Os professores também passaram a faltar o serviço (sempre abonada por um (a) diretor (a) 'amigo') e a luta por ‘direitos’ passou a ser cada dia maior, sem ter quem defendesse os direitos dos alunos. A partir daí, as crianças passaram a ficar na rua em todas as greves que há, numa média de 90 dias parados por ano, fora as faltas individuais dos ‘profissionais de deseducação’ e da má vontade desses falsos mestres... Isso foi até a desanimação total acabando na tal evasão escolar.

 

Hoje, eles, os professores politiqueiros, matriculam muita gente para agradar a mulla presidencial (enganando o povo com ajuda da mídia comprada), mas não ministram aulas, deixando todos nas ruas, nas garras da criminalidade e ainda entregam algumas camisinhas que furam, para que os alunos façam sexo com o (a) coleguinha sem se importar que seja o tal de sexo homossexual, às vezes, até incentivando o ato mutante (sexo gay ou lésbico) pregando a tal aversão ao ‘homofobismo’, numa heterofobiamidiana’ e histérica. Não estão nem ai para a maternidade precoce provocada pela fragilidade ou má qualidade das tais camisinhas. Compradas com preços superfaturados com o dinheiro do erário que são distribuídos para os alunos sem aulas. Mesmo matriculando muita gente, sem ter onde colocar e jogando nas ruas, é mentira que o governo matriculou a 93% das crianças de Currópo, porque tem as ONGs que também dizem atender milhões de crianças - Só a Fundação Bradesco diz atender 800 mil crianças, mas tem ONGs que vai mais a frente e diz cuidar de três milhões de crianças carentes. Ora, juntando tanta dedicação com as matriculas das escolas particulares. O que sobra para as escolas públicas? Onde está a mentira dessas ‘esquerdas’ bandidas, constituídas por ex-bandidos perdoados (anistiados)?

 

A evolução dessa regressão social e educacional do bairro Porto teve até corrupção do alto escalão da quadrilha política que assumiu o poder do estado dos “Catetes dos Bandeirantes”, ainda em 1982, liderado por Brizola (aquele mesmo, que saiu vestido de mulher) que mandou construir um monte de monumentos mortos em forma de prédios monstruosos (sacanas e inúteis para qualquer coisa) arquitetados por um velho ultrapassado (Oscar Niemayer - um artista de monumentos), que rapidamente foram apelidados de ‘Brisolões’ (CIEP – Centro Integrados de Educação Pública), destinando a educação, cercando todo o bairro de Porto e enganando todo o povo, para dividir a grana entre as quadrilhas que governavam na época e ainda ter um monumento que lembraria o seu governo. Esqueceu-se de escolher um arquiteto de verdade para orientar o artista fabricador de monumentos. Assim os prédios perderam a utilidade um ano depois, pois a porra do prédio foi construída sem visar o futuro tecnológico da educação completa e informatizada.

 

Os governantes do município de Empadresópolis, liderado na época por um pipoqueiro corrupto, eleito pelo PDT tendo como vice um político do PT, e depois de cassado e fugido, governado pelo vice que era puxa saco da ‘mulla’ (PT), também devem ter ganhado com a corrupção para as construções dos tais ‘Brisolões’ no município, pois foram eles que indicaram os terrenos.

 

O povo do Bairro Porto só perdeu com a regressão social promovida por essa ‘esquerda’ bandida de 1982 pra cá: 

 

Perdeu o Clube que mantinha o time de futebol local e o bloco carnavalesco, que abrigava os poetas e bons malandros, por causa da inflação que também evoluiu chegando, em alguns meses, a até 198% ao mês...

 

Perdeu as áreas de lazer onde se armavam barraquinhas e treinavam as quadrilhas juninas da comunidade para o lixo, para o armazenamento de material de construção de uma igreja, e para uma barraca (quiosque mal feito) de mais um candidato a vereador, protegido pelo deputado de mentirinha, Marcelo Tião, que agora quer, porque quer ser prefeito de mentirinha.

 

Mesmo com a intervenção de algumas pessoas - saudosas do tempo de espaços públicos e da alegria no bairro - que lutaram para a desapropriação de dois terrenos para uma praça com playground e quadra poliesportiva para ter direito ao sol e a sombra das árvores, até hoje a praça não foi construída por causa de políticos de mentiras como o atual Marcelo Tião, que foi eleito vereador de mentirinha (não ficou nem dois anos, se candidatando outra vez para deputado, abandonando seus eleitores) e agora é um deputado de mentirinha (pensando em não cumprir o mandato de novo) tentando ser prefeito de mentirinha. Antes dele teve outros vereadores de mentirinha tentando vender a área para ONGs e até para igrejas protestantes e escolas, que o bairro já tem demais rodeando-o todo. As escolas fingindo que educa; os alunos fingindo que estuda e nas ruas namorando ou ‘ficando’ e ‘zoando’.

 

Porto só ganhou um monte de igrejas protestantes que assumiram o lugar da igreja católica, porque o Padre se transformou em celebridade acabando com a escolinha de catecismo para  transformar o local em comitê político do tal Partido de Traidores e central de Ongs políticas, arrecadadora de verbas públicas. Cada igreja protestante dessas (que são muitas) tomando 10 por cento dos ganhos de cada um freqüentador que vai lá rezar, querendo que Deus faça por ele o que tem preguiça de fazer... Num verdadeiro carnaval de regressão social.

 

A velha guarda do Bairro do Porto (que não é porto. Não tem nem rio, exceto quando chove e as ruas se enchem de água suja) e os poetas de outrora do bairro, hoje foram esquecidos e ou jogados no lixo. Até os grupos de Funks que levavam o nome do bairro em todos os bailes que existia no município, no estado e até fora dele, foram cassados em seus direitos à arte. Não tem patrocínio nem, sequer, financiamento.

 

O povo trabalhador perdeu o direito ao INPS e até o pagamento semanal de seus salários, ganhou aumento de impostos para o INSS e até pedágios em tudo que era estrada, Ganhou também o aumento das passagens dos trens, que antes era menos da metade dos cobrados no ônibus e hoje já é mais caro...

 

No meio a toda regressão social do bairro surge agora motoqueiros que roubam celulares e bolsas no bairro sem que alguém se prontifique apegá-los. Não discriminam, roubam todos: crianças, jovens, velhas, mulheres... Passam de motos e pegam o que querem... E não adianta denunciá-los na delegacia porque a vítima vai perder mais: perde dinheiro de passagem, que não é barato, indo várias vezes até a delegacia; perde tempo porque a polícia não vai atrás mesmo; e, pode perder a paciência com os policiais que são servidores públicos, xingá-los na hora da raiva e acabar sendo torturados, presos e roubados na delegacia, no lugar dos marginais... Assim a população vai às igrejas protestantes (?) reclamar com Deus, acreditando ser obra do Diabo e perdem mais dinheiro, sendo obrigados a pagar o tal dízimo mensalmente e ainda podem cair nos golpes de doações estranhas sugeridas pelos ‘pastores’.  QUE VIDA!!!

 

Assim, no meio de todo esse devaneio social (talvez até de alguns bacanais mutantes), aparece a Margarida e pode evitar um ataque divino como o que aconteceu em Sodoma e Gomorra nos idos anos de 2024 a.C.

 

Quem é a Margarida dessa ‘profecia’?

 

Margarida é uma moreninha linda (mestiça de verdade e orgulhosa de sua condição), filha de uma mãe precoce, de 12 anos, gerada através de estupro (não por Deus como foi a Maria, mãe de Jesus; e a Alcmena, mãe de Hércules), mas por dois motoqueiros de capacetes na Rua King Kong (antiga Tókio), que estava escura como todas as ruas do bairro fora das eleições que preservam (com votos obrigatórios) as quadrilhas políticas no poder através da enganação eleitoral com candidatos marcados, INDICADOS NOS PARTIDOS POR MEMBROS DA QUADRILHA. Margarida é abandonada pela mãe, nas mãos das tias, tios, avó, avó e vizinhança, antes mesmo de completar um ano, porque sua mãe aos 15 anos já tinha três outros filhos. Ela aprendeu cedo a se levantar quando caia; a rir em vez de chorar, sabendo dede cedo que não adiantava nada chorar. Aos quatro anos já dançava e cantarolava algumas canções ouvidas nos rádios, assistindo em programas de tevês e outras palhaçadas, que não fazia idéia aonde aprendeu, que fazia para os outros rirem. Aos sete anos Margarida aprendeu a se defender de ataques sexuais, quando alguém queria passar a mão em sua ‘xotinha’, dizendo para os tarados pedófilos: “Pra lá!!! Senão eu abro a boca. Que olhar? Olhe de longe. Não posso proibi de olhar... Tou sem calcinha mesmo...” (sua família não lhe comprava calcinhas. O dinheiro tinha que sobrar para a cerveja). E nessa idade já tentava ler, mesmo sem escola, pedindo um ou a outro para lhe matricular em uma das escolas do bairro. Sua família lhe registrou, para conseguir a ‘bolsa-esmola’ (R$ 25,00 por mês) oferecida pelo bandido mor (presidente Lulla Mulla), com a ajuda de um político que exigiu, em troca, os votos de toda a família mais ajudar nas eleições vestindo suas camisetas levando o nome do candidato corrupto à vereador e para distribuir ‘santinhos’ nas bocas das urnas, mas nada de querer enfrentar filas para matriculá-la na escola. E não adiantava ela reclamar que ganhava um ‘cascudão’ da mãe ou dos demais familiares.

 

Aos oito anos, uma vizinha metida a crente - e querendo o perdão de deus no julgamento final para entrar no céu - pegou o registro de nascimento de Margarida com suas tias e fez sua matricula na escola pública do bairro. Assim Margarida teve direito a educação e ainda ganhou o uniforme, grande demais com a propaganda do governo corrupto do estado, e ficou satisfeita...

 

Todos os dias ela mesma acordava aos 05h45min, se arrumava pra ir à escola e chegar antes das sete horas; chegava cedo à escola para tomar café, alimento necessário, que alguns dias faltavam. Dizia a diretora “que a escola tinha sido assaltada por moleques do bairro”, mas ela sabia que não era verdade. Ela morava ali. Quem levava a comida e até as panelas eram os servidores da escola mesmo. Ela mesma viu um dia a própria diretora colocar um fardo de carne seca na mala de seu carro. Mas mesmo sem comer, ela prestava atenção às aulas como gente grande. Aprendeu cedo que ela podia tirar mais dos maus professores se perguntasse. E que nenhum mestre do seu bairro inspirava o saber. Tinha que partir dela mesmo a busca pelo conhecimento.

 

Chegava a sua casa e às vezes não tinha comida também - como na escola, a mãe alegava alguma coisa, mas ela via sua mãe bebendo cervejas com suas tias, tios e namorados diversos nos botecos do bairro – E nesses dias ela tirava o uniforme, dobrava e guardava embaixo do colchão da cama da avó, que ninguém mexia, e ia pra rua tentar arrumar alguma coisa pra comer, sujeito a quase tudo. Tinha alguns vizinhos que lhe dava o que comer sem exigir nada, mas outros queriam vê-la levantando a saia e dançando sensualmente... Ela tinha oito anos, mas não era besta, sabia que desses caras ela tinha que se manter afastada para que não lhe passarem a mão aonde não devia. Chegar perto, só para pegar o trocado e correr para comer alguma coisa, porque a fome lhe consumia mais, quanto mais andava e dançava.

 

Aos nove anos sentiu os seus seios crescerem um pouquinho é o assédio dos pedófilos aumentou. Tinha que fugir até dos tios e primos. Assim passou a se cobrir mais e ser mais firme em manter os outros afastados. Tinha até mulheres que queriam lhe passar a mão. Ela sabia o que era sexo porque dormia no mesmo cômodo com seus familiares e os assistiam (sem querer, quando acordava) fazendo sexo, até sexo homossexual (de mulheres com mulheres e de homens com homens), pois tinha um tio gay e uma tia lésbica, todos dormindo na mesma meia água... Às vezes, durante a noite, alguém tentava encostar-se a ela, mas ela não deixava e repetia: “Chega pra lá!!! Senão eu abro a boca!!!” e ia dormir na cozinha. Assim ganhou o apelido de ‘mulher homem’, de ‘sapatona’ e de outros adjetivos esquisitos. Nessa idade, ela aprendeu a juntar dinheiro para comprar sacos de balas ou pacotes de bananadas e percorrer os trens à tarde para vender e ganhar alguma coisa sem precisar se mostrar. Aprendeu que quanto mais bonitinha e sensual ficasse, mais vendia seus produtos (balas, bananadas, etc...) dentro dos trens, em pontos de ônibus e bares no centro do município.

 

Aos dez anos já era conhecida entre os camelôs do município, dos trens do estado e até dos seguranças, tornando mais difícil o seu ofício de arrumar dinheiro de forma mais digna que pedir mostrando as calcinhas. Nessa idade também já levava alguma comida pra casa... E como chegava tarde, comia primeiro, à noite, e depois, na amanhã, antes de ir pra escola... Tinha sempre uns trocados escondido no quintal para comprar materiais (Pacotes de bananadas, caixas de chicletes ou sacos de balas) investindo na 'camelodragem'.  E por isso brigava muito com todos seus parentes que queriam o seu pouco e suado dinheirinho. Às vezes sua mãe lhe tomava tudo para beber cervejas e ela tinha que recomeçar pedindo e se mostrando para comprar os produtos necessários ao trabalho adotado. Sem dinheiro ela tinha que aturar os pedófilos que gostava de ver suas partes íntimas... Por isso, ela aprendeu a deixar pago os seus produtos numa loja, em Madureira, antes de vim pra casa, para o trabalho do dia seguinte.

 

Aos onze anos ela era bonita de matar, se vestia lindamente com roupas compradas na cidade, quando suas irmãs e primas não pegavam suas roupas. Nessa idade, ela já era ‘gostosa’ e sabia se cuidar. Era magrinha, moreninha, mas tinham os seios todo formado, a bunda roliça e bonita e pernas firmes de tanto andar no ofício que lhe sustentava em pé, mas se sentia digna e superior aos demais... Nessa idade também teve sua primeira menstruação e achou importante mudar alguma coisa. Passou a trabalhar a noite na orla marítima vendendo rosas e outras flores, sempre fugindo das cantadas com graça e firmeza. Trocou de escola, alterando o seu currículo com ajuda de uns gays que lhe comprava flores e pulou duas séries - da quarta série foi se matricular na sexta série do ensino fundamental. Achou certo pular duas séries que foi impedida de cursar por causa do atraso na matrícula - e aceitou ir morar com algumas ‘amigas’ que trabalhava nas ruas de outra maneira (na prostituição), dividindo o aluguel e despesas. Percebeu que as amigas tentavam falar o inglês que aprendiam com os turistas e começou a estudar esse idioma também.

 

Ela tinha se desenvolvido, era liberal, mas continuava virgem, não via nos paqueras ninguém interessante o suficiente para se 'entregar' sexualmente e não deixava ninguém lhe passar a mão, só podia olhar – Ela já tinha feito até strip-teaser, mas não aceitou sexo e não era mole lhe pegar a força, porque era dura na queda e na luta. Não tinha medo de ninguém. Os colegas camelôs, fregueses e até as amigas, na qual passou a morar, dividindo um apartamento no bairro do Catete, não acreditavam que ela era virgem... E ela não se abria pra eles a esse ponto, de escancarar a sua vagina pra provar nada. Ela não precisava provar nada pra míngüem! Acreditavam se quisessem! Ela mesma não acreditava em ninguém. Havia se tornado uma espécie de ateu não combatente aos 11 anos de idade, quando percebeu que esse deus, criado a semelhança dos homens, só ajudava os bandidos e espertos demais (políticos corruptos, donos de ONGs, falsos profetas, empresários desonestos...), que os pobres e necessitados serviam somente para manter esses ‘espertos’ no topo da cadeia da exploração social.

 

De vez enquando compareciam em seu bairro (Porto) e levava comida, dinheiro e presentes para os parentes e amigos, mas sem contar onde morava, porque sabia que iam lá e lhe tomava tudo que ela tinha conquistado, até com a polícia, se necessário. Ela conhecia seus parentes. Aos doze anos, quando precisava da representação de um maior (adulto), recorria as suas amigas de quarto, tinha medo da família.

 

Aos 12 anos, ainda virgem e intocada sexualmente, sem nem mesmo ter experimentado um beijo na boca, ela já tinha uma boa base financeira para uma garota de sua idade. Tinha parado de vender flores exclusivamente à noite e arrumado freguesia para entregar a domicilia, usava o telefone do apartamento comum... E assim conseguiu tirar uma amiga da prostituição para lhe alugar um apartamento melhor e maior, na Praia do Flamengo, para morar só as duas e trabalhar com flores...

 

Sua família, quando lhe procurava nas ruas, era pra pedir dinheiro emprestado, que nunca pagavam. Esses valores já tinha se tornado uma pensão para a mãe, que encontrava com ela todos os dias 20, as tardinhas... Quando ela lhe entregava R$ 400,00. Isso aos 13 anos.

 

Sua amiga, ex-prostituta, se tornou uma espécie de mãe. Ela era quem emprestava o nome adulto para os negócios da garota... Não pegava um tostão sem pedi, mesmo já tendo uma verdadeira fortuna no banco em seu nome, já que a Margarida não podia ter conta em banco e só pegava dinheiro nas caixas automáticas, com o cartão que sua amiga lhe deu. Sua amiga tinha também lhe ajudado a tirar todos os documentos e até lhe arrumou um cartão de Crédito. Nesta época a Margarida pede pra amiga alugar uma loja no Bairro das Laranjeiras e montam uma floricultura.

 

Aos 14 anos já é uma empresária de relativo sucesso, usando a amiga como ‘laranja’ e compra o primeiro carro para a amiga dirigir (um Tempra, 2.0) que também serviria para algumas entregas. Nesse ano consegue o seu primeiro diploma, o do ensino fundamental e sai toda ditosa dizendo pra todos. Assim, toda feliz, cisma de deixar a amiga na loja (tira o dia de licença) e vai procurar o passado. E aproveita pra levar o dinheiro da mãe. Vai de ônibus e trem, passando por todos os lugares que trabalhou, falando com todos de igual para igual. No trem fala com os camelôs, seus amigos, que continua fugindo dos guardas para venderem seus produtos. Chega ao seu antigo bairro, solta do trem num calorzão infernal, sobe o morro de onde morava, chega à rua da casa de seus familiares e encontra todos numa birosca bebendo cervejas, como se nada tivesse mudado. Mas pra ela tudo parecia somente alegria, beija todos, abraça a todos e entrega o dinheiro a mãe, que logo dar uma parte para o dono da birosca, porque comprava cervejas e outras bebidas fiado. Mostra o diploma toda feliz e diz "que já ‘arranha’ usualmente o idioma inglês".

 

Então, o pessoal a chama de ‘metida’ e começa uma discussão boba, com a participação da mãe... A mãe toma as dores das irmãs e, bêbada, diz “que ela não é nada e a deve por tê-la colocado no mundo”, o que é apoiado pelos outros alcoólatras que estão no bar e na rua bebendo cerveja, com sua mãe pagando com o dinheiro que recebeu de suas mãos. Sai agressão física.  E como ela não é fraquinha, revide; na luta, rasgam o seu diploma, some sua bolsa com documentos e dinheiro; fica com as roupas rasgada e a policia lhe leva presa para o juizado de menor, mas a deixa na delegacia. No percurso, dentro do patamo (veículo policial), um policial tenta lhe estuprar e ela é obrigada a lutar outra vez e apanha mais, mas não deixa nem tocar em suas partes íntimas, decidida a morrer defendendo sua intimidade e dignidade. Chega à delegacia toda machucada, mas sem ser estuprada. Fala mal dos policiais e é jogada numa cela cheia de gente, classificada como prostituta. Ali, na cela, tem um tratamento melhor do que tivera dos policiais e no bairro em que nasceu, pois algumas das mulheres da vida fácil lhe arrumam as roupas, toda rasgada, e tentam cuidar dos seus arranhões e marcas por todo o corpo, procurando aliviara as dores de seus ferimentos físicos e psicológicos com palavras de incentivos. 

 

A mesma vizinha, que havia lhe matriculado na escola quando tinha apenas oito anos de idade, liga para o apartamento onde ela mora e deixa recado na secretária eletrônica, porque não tem ninguém em casa. À noite quando a amiga chega ao apartamento, escuta a mensagem na secretária, sai correndo, desesperada, para a delegacia em socorro a amiga querida. Fala com um advogado próximo à delegacia e consegue tirá-la de lá pagando R$ 2 mil na delegacia e mais R$ 2 mil para o advogado. Em casa, sobre a proteção da amiga, Margarida percebe que perdeu mais do que o dinheiro. Telefona para a vizinha de sua mãe e agradece, chorando muito. Nunca tinha sofrido tanto psicologicamente.

 

No outro dia é levada ao médico e ao voltar à loja e a sua labuta normal, pede ao entregador da loja para levar R$ 200,00 para cada uma das sete mulheres que lhe ajudaram quando estava presa na cela, para que elas também pagassem a corrupção ao delegado para que pudessem sair.

 

Ela sacode a ‘poeira’ e continua a luta, sem amolecer. Encerra aquele ano tirando as 2º vias dos documentos que lhe foram roubados. E inicia o ano novo se matriculando para fazer o Ensino Médio e o curso profissionalizante de decoradora, pois sonha com o curso superior de arquitetura, de paisagismo e de decoradora de ambiente.

 

No ano seguinte, com 15 anos, sua lojinha já tem até um pick-up para as entregas de seus produtos. Contratou uma decoradora e já decora ambientes para festividades diversas (religiosas, política, feiras, convenções e eventos diversos.) e projeta, junto com a sua amiga, a aquisição de outras lojas e até uma oficina para não ficar terceirizando os serviços que precisa no seu negócio e que muitas vezes, terceirizando, não sai como ela quer.

 

Aos dezesseis anos, ela tira o seu título de eleitor e se filia em um partido político; Se sente perdida entre aqueles jovens idiotas ('Patricinhas' e 'Mauricinhos'), cabos eleitorais de alguém, e cisma de fazer um curso de oratória e passa a reclamar da situação política do seu estado, do país e do ‘puxa-saquismo’ político’ preservados por militantes convencidos e, portanto, vassalos de ‘merdalhões’ políticos (Jovens 'militantes' esses, filhinhos de políticos, que acusam o povo de votar errado quando são eles os errados por indicar bandidos nas convenções partidárias para o povo votar), sem ligar para opiniões de ninguém, se preparando para um futuro de combate aos corruptos na área política.

 

Aos 17 anos, se forma também no ensino médio e dessa vez foge de seus familiares e comemora com a amiga, com seus funcionários e clientes mais chegados numa churrascaria, já estudando para o vestibular. No final do mesmo ano, passa no vestibular para o curso de arquitetura em 5ª colocação.

 

No ano seguinte, começa a estudar já como universitária e, quando completa 18 anos, deixa o apartamento para a amiga morar só e poder conviver com o namorado na paz (sabe que a amiga precisa de um parceiro e que ela tem que continuar a luta que começou quando nasceu); assume parte de seus negócios e se muda para o centro do município de Empadresópolis, visando morar perto do bairro onde nasceu. Sofreu com os parentes, mas nunca deixou de mandar o dinheiro para a mãe, mesmo no mês que sofreu a agressão e foi mandada presa.

 

Passa a visitar o bairro, agora maior, com dinheiro, carro, casa própria e autonomia, pois agora ninguém ousa mexer com ela. Passam é a puxar seu saco. Transfere o seu título e sua filiação partidária para o município e começa a atuar politicamente, sem despregar os olhos de seus negócios, que a amiga e seus funcionários leva muito bem sobre sua orientação permanente. Vai a todas as reuniões do diretório municipal do seu partido e algumas reuniões no estado. E, por sua enérgica atuação política e sua artística oratória - mesmo ainda não tendo participado de nenhuma convenção partidária - é convidada até para representar o partido na capital federal, que sempre recusa, alegando trabalho e estudo.

 

No seu município, Empadresópolis, Margarida está sempre filiando pessoas amigas e conhecidas no partido, visando à primeira convenção municipal de sua vida.

 

Marcado as convenções ela lança uma chapa no partido com alguns militantes desgarrados do ‘puxa-saquismo’ político’ municipal e têm 26% dos votos dos filiados - E, como a eleição partidária é proporcional - ela é eleita delegada à convenção Regional e membro do diretório municipal. É indicada na Chapa da Executiva como vice-presidente do diretório Municipal, em chapa única, e é eleita. Próximo as eleições municipal, ela é indicada à vice-prefeita na chapa do partido e recusa para se lançar vereadora.

 

Lançada candidata à vereadora, após a convenção municipal para escolha dos candidatos, antes mesmo de ter o seu nome confirmado pelo TRE, ela sai à luta indo as reuniões das associações de bairros por todo o município de Empadresópolis, procurando descobrir as deficiências dos bairros e pregando contra as instituições falidas do município, do estado e da União. Fala do mau atendimento nos serviços públicos; dos direitos que tem os cidadãos, mesmo aquele que não contribui diretamente – afirmando: “que todos pagam impostos no consumo, recolhidas pelos empresários QUE SERVEM AOS GOVERNOS COMO COLHETORES DE IMPOSTOS sem contribuir com nada diretamente, somente, como todos, pagando no que consomem”. Afirma de maneira radical: “QUE OS EMPRESÁRIOS NÃO PAGAM NEM A PRÓPRIA CONTRIBUIÇÃO PARA O INSS, PORQUE RECOLHE INCLUÍDA NO VALOR DOS PRODUTOS QUE VENDEM AOS CONSUMIDORES” – Defende o direito dos idosos a um Centro de Atividade em cada bairro com, inclusive, atendimento médico preventivo e uma farmácia popular; defende a informatização das escolas públicas com liberação de patrocínios empresariais para os esportes, para a cultura e para o lazer, diretamente à escola sem passar pelas mãos dos políticos do executivo municipal ou estadual; Ela defende os ônibus escolares em cada escola, ACUSANDO DE CORRUPTOS OS POLÍTICOS QUE REPASSAM (com garantia de comissões) DINHEIRO DO ERÁRIO PARA AS EMPRESAS DE ÔNIBUS TRANSPORTAR ALUNOS SEM NENHUMA DIGNIDADE, E AINDA AUMENTANDO AS PASSAGENS PARA OS USUÁRIOS NA TABLITA DE CUSTOS ALEGANDO PREJUÍZO COM OS PASSES DE ALUNOS E IDOSOS, QUANDO RECEBEM DOS GOVERNOS DINHEIRO DAS PASSAGES OU DESCONTOS GENEROSOS NOS IMPOSTOS QUE RECOLHEM DOS USUÁRIOS E QUE DEVERIAM SER REPASSADO AO ERÁRIO; fala do direito dos bairros terem seu Centro de Administração Comunitária independentes, podendo terceirizar, com profissionais da comunidade, alguns serviços públicos e de empresas concessionárias, como correios, telefones, luz, etc.. Explica que a falta de área de lazer descampada é um castigo para as comunidades porque é uma necessidade em cada bairro - dando exemplo de alguns bairros de São Paulo que não tem mais o sol, prejudicando as crianças que são obrigadas a subirem em lages ou telhados até para brincar e acabam caindo sobrecarregando a saúde pública já tão deficiente: - “que cada bairro precisa de uma área de lazer aberta onde à população possa ter direito ao sol, à sombra e ao ar puro. DIREITO CONCEDIDO ATÉ MESMO AOS PRISIDIÁRIOS”...;  Fala um pouco em cada bairro e em todas as reuniões... Mas sem apresentar-se como salvadora da pátria. Não diz nem que é candidata, mas deixa seu nome marcado pela firmeza com que fala, conquistando alguns admiradores, que não lhe olha somente para sua beleza e simplicidade, mas com respeito e admiração.

 

Ela não gasta um tostão com propagandas durante quase toda a campanha. Nem com ‘santinhos’ ou cartões ou faixas, deixando tudo para o final da campanha, mas vai fazendo amigos por onde passa.

 

Mete o pau no valor dos salários de vereadores, tentando provar “que o salário do vereador não dar pra um chefe de família atuar politicamente sem roubar ou ser subjugado pela máfia política de cada município”. E arruma um monte de inimigos, inclusive dentro do próprio partido. Seu nome sai nos principais jornais do município, do estado e até no jornal nacional, como inimiga número um dos políticos corruptos: uma espécie de “Mister M” da política, revelando a mágica dos “VEREADORES DE MENTIRINHAS”!

 

Faltando 15 dias para eleições, ela manda imprimir seu material (quatro mil camisetas e quatro milhões de santinhos com seu retrato, seu nome e orientação de como votar, sem o nome do candidato a prefeito do próprio partido), começa a contatar seus amigos e admiradores, feito durante suas visitas aos bairros para distribuí-los, defendendo seus votos nos bairros. Paga alguns artigos nos jornais de maior circulação no município, falando dos direitos dos eleitores, dos idosos, das crianças e dos jovens... E volta a explicar como a política é podre. “E que ela vai entrar 'lambuzada' em óleo e protegida pelas leis constitucionais para não se misturar com as ralés que sobem na política enganando a população para usurpar o lugar dos cidadãos na Câmara Municipal, mostrando o exemplo DO EX-PRESIDENTE JOSÉ SARNEY QUE LARGOU A VAGA NO SENADO PELO MARANHÃO PARA A FILHA E COMPROU OUTRA NO AMAPÁ, USURPANDO O DIREITO DE UM AMAPAENSE REPRESENTAR O SEU ESTADO NO SENADO DA REPÚBLICA”.

 

Aceita a proteção de alguns admiradores, sobre a orientação de duas amigas da Polícia Militar de folga, para lhe dar segurança e possa percorrer os bairros no dia das eleições, lutando por seus votos nas urnas, contra o famoso golpe nas bocas de urnas.

 

Antes mesmo do encerramento das votações ela começa a percorrer os bairros do município agradecendo pelos votos e pelo apoio de seus amigos, prometendo, se eleita, “atuar com dignidade, austeridade e respeito à população e aos compromissos firmados nos vários discursos que fez... E que seu gabinete ficará aberto 24 horas por dia" E quando acaba de agradecer indo aos bairros, já sabe que foi eleita em primeiro lugar. Quando chega ao apartamento de sua amiga Márcia para dormir já são quase 06h00min do dia seguinte e esquece-se de tudo, caindo na cama da amiga que está saindo para loja.

 

Enquanto outros candidatos estão correndo as urnas, ao TRE para defender os votos, ela dorme despreocupadamente. Quando acorda já é tarde e encontra sua amiga do lado. Conversam sobre o serviço, sobre as eleições e sobre o que ela fará. Ela rir jovialmente e diz pra amiga – “Márcia, minha amiguinha querida... Tu ta ficando velha, minha amiga. Se preocupando demais com o futuro!” – Rir em tom alto, numa gargalhada alegre e abraça a amiga apertando-a com força, com amor e continua – Basta fazermos o certo. Não existe outro caminho... Planejar o futuro no estágio que estamos e tentar mudar as coisas! É inventar caminhos errados!... Eu tenho que estudar, tenho que trabalhar na política assumindo o papel que busquei e te ajudar aqui, se você precisar... Você é a mesma coisa: Tem que continuar trabalhando, gerenciando o nosso negócio com austeridade e honestidade como sempre fez e aprendeu... E amar o seu namorado quando poder...” –  Pára, olha os armários atrás de roupas de homens e pergunta– “Aonde ele está agora? Já se desfez? Assim vai morrer sozinha... E você já é viciada em sexo. Não é como eu.”

 

- “É...” – responde à amiga, enquanto prepara comida – “Mas ele quis mais do que eu posso oferecer e eu quis mais do que ele está capacitado a dar... Ele gosta de vadias e submissas. E eu optei por ser como você, forte e independente! Mas tem um carinha me paquerando e parece gostar de mim também... E o melhor: Ele trabalha no nosso ramo. É arquiteto e solteirão...” – Pára de falar um momento, faz carinha de boba e completa com a face corada - "Cometi até um erro, Margarida. Erro que eu  não cometeria se você estivesse aqui: Contratei-o para um serviço... Perdoa-me? 

 

- “Não tenho que perdoar, porque sei que você não contrataria um incompetente para o nosso negócio... Que seja feliz, minha amiga!!! Mas... Se ele for incompetente me chame que eu o demito na lata. Não vou deixar o nosso negócio ir a pique por causa de seu problema sexual!” – responde Margarida – “Mas você merece um homem bom e vale a pena tentar. Merece mesmo! Mas se não arrumar, nós ficamos juntas. Sozinha você não morrer... E eu um dia também vou arrumar um homem bonito e gostosão... E, como você é minha amiga do coração, quase outra metade, nós podemos dividi-lo também. Usá-lo sexualmente somente quando precisarmos... E pelo jeito você o usará mais do que eu. É viciada em sexo”. – cai na gargalhada e continua falando e comendo - “Mas fique tranqüila, que tudo se arrumará. Senão, juntamos dinheiro e compramos um homem bem bonito e submisso”

 

A amiga rir, porque já conversaram sobre dividir um homem comprado.

 

De um momento para o outro a amiga fica pensativa e pergunta – “Margarida, você está aqui... Não têm medo que alguém lhe roube os votos e você volte para Empadresópolis não estando mais eleita, como suplente?

 

- “Eu?... É ruim, hein! Podem roubar. Eu não tenho nenhuma tara por ser política. Só quero dar bons exemplos para esse povo submisso e roubado nos direitos básicos. Roubando os meus votos, eu lutarei para tê-los de volta, ora... E provarei que essa democracia é mais fajuta do que aparenta... NÃO TENHO MEDO, NÃO. ATÉ TORÇO PARA QUE ROUBEM!.. Eu gosto de viver a vida de modo radical, Márcia. Você me conhece...”

 

Nisso o telefone toca e é uma jornalista procurando pela Margarida, querendo marcar entrevista.

 

Margarida sabe que precisará da ajuda de muita gente no combate que aceitou e, assim, aceita a oferta da entrevista numa revista de grande circulação nacional, mas não tem idéia de como pode conseguir o apoio do pessoal que precisa através de propaganda, pois ela não planejou nada, não estava preparada e nem teve tempo de se orientar com profissionais, amigos da mídia. E resolve entrar de cabeça limpa e exige que a entrevista seja feita em duas etapas, uma andando em trajes esportes e de cabelo soltos nos trens que trabalhou na infância e que ainda tem muitos amiguinhos trabalhando, e a outra etapa num grande restaurante bonito da zona sul da Capital do estado, aonde tem muitos clientes e amigos de classe, quando pretende aparecer linda, de vestido de noite todo preto e com o cabelo feito por um grande cabeleireiro amigo, que aceita lhe acompanhar na entrevista e ser fotografada com ela.

 

 

 

A primeira entrevista da Margarida depois de eleita vereadora.

 

Primeira etapa:

 

Nos trens, rindo feliz e brincando com todos, Margarida é fotografada cumprimentando os camelôs que param para conversar, zoando-a, abraçando-a e ela feliz conversando com os eleitores que a viram muito nos trens, quando criança, vendendo doces e que votaram nela por seu valor: simplicidade, graciosidade e coragem, tudo incluindo numa mesma pessoa.

 

 

 Revista – “Você disse: “que assumiria 'lambuzada' em óleo e protegida pelas leis constitucionais para não se misturar com as ralés que sobem na política enganando a população para usurpar o lugar dos cidadãos na Câmara Municipal”. Lambuzar-se-á de óleo para ser diplomada vereadora? Acha que precisa de seguranças ou que alguém pode querer te agarrar?”

 

Margarida – “Não, sim e sim. Ou seja: Não. Eu não vou me lambuzar literalmente de óleo para receber o diploma que o povo me deu! Eu quis dizer que serei escorregadia.”

 

Margarida - “Sim. Eu preciso de proteção e usarei a lei orgânica do município, a constituição estadual e a Constituição Federal para defender o meu cargo e os direitos do povo em todas as áreas: educação, saúde, saneamento, arte, cultura... Porque tenho a procuração da metade dos eleitores de meu município e não vou decepcioná-los”.

 

Margarida - “E sim de novo. Eles, os corruptos de todos os escalões, políticos e empresarial, vão querer me agarrar na malha da corrupção. E se eu deixar, eles me agarrarão até de outra forma: fisicamente e indecente... Você sabe como são os homens... E eu sou bonita. Tenho certeza. Olho-me no espelho.”

 

 

Revista – “Margarida, o meu chefe e todos os nossos leitores estão querendo saber o que você quis dizer quando afirmou em vários discursos e em artigos nos jornais: “que o salário do vereador não dar pra um chefe de família atuar politicamente sem roubar ou ser subjugado pela máfia política de cada município”? Você pretende pedir aumento de salário para os vereadores do Brasil inteiro?”

 

Margarida – “Claro que não! Nenhum desses Vereadores de mentirinha da atualidade merece, sequer, salário. Eles merecem cadeias. Não existem vereadores em Currópo. São todos corruptos. Mal intencionados (estelionatários), ou incompetentes de doer (totalmente idiotas)! E eu não preciso do salário de vereador. Mas o cidadão, para ser um vereador de verdade, precisará, porque sua família precisará de segurança; precisará elevar o nível de vida de uma hora pra outra: novas escolas para os filhos, tirar a esposa ou marido do trabalho para não ser chantageado, melhorar a alimentação dos membros da família, melhorar os transportes dos filhos, filhas, netos e etc... Manter sua casa ou escritório aberto mais tempo do que o horário comercial; precisa de mais assessores precisa andar, investigar, fiscalizar (é dever dos vereadores: fiscalizar os atos dos executivos e de órgãos públicos dentro do município)... Ou eles vão continuar morando nos barracos, excluídos de habitação dignas e passivos como cordeirinhos?. O vereador não é como um senador ou deputado federal ou estadual que ficam conversando fiados nos gabinetes ou nos salões das casas legislativas a serviço do presidente da Repúblicas, dos governadores e do banditismo que já corrompeu até a população... O Vereador está na sua localidade, diretamente ligado ao povo e sentindo o mesmo desmando governamental em todas as áreas. O Vereador não tem pra onde fugir e nem deve comprar uma casa na capital com o dinheiro da corrupção e fugir de seu município como se ganhasse nas loterias.. Esses vereadores de mentirinha ficam pegando graninha aqui e ali e até do prefeito para aprovar uma mensagem ou o orçamento; compram uma mansão e fogem de seus bairros. Não merecem salários. Merecem cadeias mesmo! Fazem da Câmara Municipal um degrau para continuar explorando o povo através da política. Muitos atuam dois anos e se candidatam a deputado e depois a prefeito... Enganando o povo a vida toda...”

 

Revista - Você falou em aumentar os espaços nas escolas, colocar ônibus escolares, oferecer até um segundo idioma desde o ensino maternal; falou em melhorar bairros com área de lazer aberta, centro de atividade para idosos, para adolescentes e até um centro de administração comunitária... Todos acham que o seu programa está mais para um candidato a prefeito de uma cidade como New York... Como fará tudo isso, se nem pode fazer leis que mexa no orçamento do município?

 

Margarida – “VOCÊS ESTÃO ENGANADOS! Acostumados com os vereadores de mentirinha que afirmam nada pode fazer, exceto, oferecer cartinhas para emprego nas empresas de ônibus corruptas, colocar lâmpada em postes sem profissionais capacitados, arrancar árvores sem licença e sem respeito pelo meio ambiente, dar caronas, encaminhar para médicos corruptos até para abortos e para mutilações de úteros... Promovem bingos com objetos doados por empresários corruptos, traficantes e contraventores diversos... Mantêm centros comunitários atendendo doentes de forma ilegal e covarde, em vez de lutar pela abertura dos postos de saúdes... Um vereador de verdade é muito mais do que vocês estão acostumados a ver por ai. Aliás, a maioria das ações desses vereadores de mentirinha é caso de polícia. Basta denunciar à polícia Federal. Eu posso ser até presa em defesa da população que votou em mim, jamais por corrupção ou querendo cargos. Não preciso ser prefeito para lutar por aquilo que acho certo. Nem, sequer, do salário de vereadora. Não prometi fazer, prometi divulgar e lutar por minhas idéias e pelo povo. Se o teu filho está sem escola, venha a mim, que recorremos ao juizado para garantir os seus direitos. É direito e vou lutar pelos direito até na justiça. Meus assessores serão todos advogados. Vamos fazer o judiciário trabalhar para garantir os direitos da população que votou em mim. Se o prefeito é incompetente, pedimos sua prisão. Vou fiscalizar tudo mesmo! E se eu desconfiar que haja corrupção em algum lugar dentro do município, eu vou com a polícia, não importa que seja órgão estadual ou federal, se existe para atender o povo que votou em mim, então é de minha responsabilidade... Isso serve até para o delegado de polícia. Aproveito esta entrevista para passar um recado aos delegados incompetentes ou corruptos: Se, você leitor, é um delegado corrupto, não aceite vim pra cá enquanto eu for vereadora... No meu município NÃO VAI HAVER CORRUPÇÃO. E EU NÃO VOU MORRER, PODEM FICAR TRANQUILOS, POIS VOU CUMPRIR TODO O MANDATO E DAR UM EXEMPLO DO QUE É SER VEREADOR DE VERDADE, mesmo nesse mar de corrupção que é a Nação Currópo!

 

Revista – “Você prometeu que seu gabinete não se fechará. Como fará isso? Manterá a Câmara Municipal aberta dia e noite?”

 

Margarida – “Sim. Isto eu prometi. Vou manter o meu gabinete na Câmara durante o horário normal, mas quando a Câmara fechar o meu gabinete abre em outro local para atender a população. E sempre com a atenção de um assessor advogado para garantir o direito do cidadão até a noite. Mas não faremos nada errado: Não sou agência de emprego, não ligo trompas, não mato crianças no ventre das mães, não dou comida, não empresto dinheiro, não pago bebidas alcoólicas... E por ai afora. Mas lutarei para que em cada bairro, a Associação de Moradores mantenha um serviço de agenciamento de emprego e outros serviços que podem e deve manter, porque é direito do cidadão. Ainda mais quando todos estão reunidos. Os moradores não podem deixar que um ‘militantezinho’ corrupto de um partido qualquer (vassalo de algum político corrupto) explore a associação somente para conseguir um emprego público ou uma assessoria qualquer. A Associação de Moradores pode e deve fiscalizar as escolas do bairro para ver se a comida não está sumindo, para ver se as professoras estão faltando muito; para ver se os postos de saúde estão atendendo, com dignidade, os moradores; e até para investigar vereadores sacanas e corruptos... E denunciar... Até processar caso consiga manter um departamento jurídico”.

 

Revista – “Disseram que você gastou uma fortuna em sua campanha. Quanto você gastou na campanha?”

 

Margarida – “Gastei o valor de quatro mil camisetas e quatro milhões de santinhos com o meu nome, gastei com alguns artigos nos jornais e com gasolina em dois carros, mas tudo pago com dinheiro honesto e declarado nos órgãos competentes. Porém, percebi muito papeis de outros candidatos a prefeito com o meu nome, que não tiveram minha autorização.”

 

Revista – “Você não tem medo dos bandidos que tanto fala?”

 

Margarida – “Não. A vida é assim mesmo e eu gosto de viver intensamente e ou de forma radical, já que não tenho tempo de praticar esportes. Se tudo fosse um mar de rosas não seria vida, seria um paraíso sacana. Não tenho medo de lutar. Luto desde criança. Não vai ser alguns bandidinhos que me farão medo ou me matarão. Ninguém morre de véspera”.

 

Revista – “Você quase não falou de sua vida, pode nos contar alguma coisa?”

 

Margarida – “Minha vida é como o de todo povo de Currópo, só que um pouco melhor porque nasci com determinação e vontade de viver intensamente. Trabalho desde criança para não precisar vender a minha alma para grupos de religiosos ou o meu corpo para indivíduos. Abandonaram-me muito cedo. E hoje a única pessoa que amo de verdade é uma amiga que conheci aos 11 anos. Mas isso não quer dizer que não devo a ninguém. Se nós sobrevivemos é porque devemos isso a alguém e a outras pessoas que nos atenderam na hora de maior pendência. Eu devo como todos devem. Devo a minha vida em quem confiou em mim a minha labuta diária e devo a vida a todos que eu convivi. Devo até o cara que estuprou a minha mãe. Mas eu não quero saber dele. Pra mim, ele não foi mais que um calço que provocou a topada que me levou à frente”.

 

 Revista – “Tem marido, namorado ou namorada? Ama alguém?”

 

Margarida – “Não. Sou virgem. Ainda não tenho o vício do sexo. E sempre lutei pra manter-me intocada sexualmente, Arrisquei a minha vida para não ser estuprada vária vezes na vida, desde criança. Até presa dentro de camburão, policiais bandidos tentaram me estuprar, mas, mesmo me batendo muito, não conseguiram. Eu morreria defendendo a minha virgindade. Nunca aceitei submissão e não vai ser um ‘policialzinho’ bandido de merda que me faria dobrar. E quando eu os acusei na delegacia, aqui mesmo em nosso município, o delegado me jogou na cela me classificando como prostituta aos 14 anos de idade. Isso aconteceu quando eu comemorava a conclusão do Ensino Fundamental. Mas quero um amor de verdade, claro. QUERO ALGUÉM QUE SEJA REALMENTE UMA POSSIVEL METADE DE MIM”.

 

Revista – “O que você acha de nossa polícia: Polícia Militar, Polícia Civil e Policia Federal?”

 

Margarida – “Existe polícia em Currópo? Polícia, cara jornalista, é muito mais que isso. Eles são tudo, menos policia. A polícia deve garantir a lei. Essa policia garante as leis e proteger os cidadãos, seus patrimônios e as instituições? Eles se parecem com bandidos alguma horas e com soldados de algum império ditador em outra hora, pronto para ir contra o povo. Muito poucos policiais não ferem as leis: não abusam do poder, não corrompem ou são corrompidos, não chantageiam, não ameaçam... Não agride os cidadãos que pagam seus salários! Quantas crianças estão presas como adultos? Quantos cidadãos não estão presos sem um julgamento justo? Precisamos urgentemente eleger diretamente o Delegado de Polícia e um Procurador nos municípios para que possamos ter paz. Outro erro é a estabilidade desses servidores incompetentes e corruptos. O policial quando chega ao cidadão (a) sem um mandato judicial, sem que esse seja suspeito de alguma coisa (mesmo que o termo “suspeito” é suspeitíssimo) e sem flagrante de delito, humilha, bate, joga ele dentro da viatura e prende sem comunicar à família ou a um juiz. Na verdade eles estão cometendo uma série de crimes: abuso de poder, agressão, seqüestro e cárcere ilegal entre outros. São bandidos covardes e tem que ser processado, pagar indenização por danos diversos e demitidos. Um cara desse não pode ser servidor público, nem na China.”

 

Revista – “Margarida, você não prometeu muito para o cargo que postulou?”

 

Margarida – “Não. Aliás, eu só prometi lutar pelo que eu acho certo e pelos direitos do povo. No atual sistema político, o vereador tem que ser tudo, mas o apropriado seria que o sistema político de Currópo permitisse a eleição do Delegado de Polícia e do Procurador que vigiaria o respeito às leis. Ai, eu me candidataria à Promotoria, mesmo tendo de estudar mais seis anos, e prenderia muita gente, diminuiria a violência pública e a corrupção. Hoje a segurança pública está ligada diretamente ao Estado e ninguém é responsável por ela. Mas, quem sabe não mudemos a Constituição Federal para devolver esses PMS aos quartéis e para entregar a segurança pública aos municípios, deixando-a nas mãos de um Promotor e de um Delegado (Xerife), ambos eleitos diretamente pelo povo e demitido sempre que não cumprir o dever de diminuir a violência pública?

 

Segunda etapa da entrevista:

 

No restaurante, Margarida aparece linda, como uma verdadeira princesa dos contos de fadas, nos braços do cabeleireiro amigo e da Amiga mãe, conversa com muitos presentes, incluindo com o dono do restaurante para o qual também trabalha promovendo eventos. E é fotografada com várias pessoas de nomes, como se fosse uma verdadeira‘socialite’ Curropana.

 

Revista: “Estamos curiosos para saber como fará, como uma simples vereadora, para conter a violência, acabar com a corrupção política e institucional e desenvolver o seu município, se nem mesmo a ditadura militar, governadores e presidentes da república conseguiram. Pode nos adiantar alguma coisa desse seu projeto milagroso?”

 

Margarida – “Não tem nada de milagroso. Os militares conseguiram conter a violência. Não conseguiu o desenvolvimento porque esbarraram na corrupção, mas mesmo assim, quase todas as obras que nos orgulhamos foram feita pelos militares (hidrelétrica de Itaipu, de Tucuruí... Ponte Rio Niterói, Aeroportos, Rodovias e rodoviárias... Ferrovias... Metrôs...). Depois da anistia tudo que foi construído são monumentos imbecís, projetado por um fabricador de monumentos ‘comunista’. Tudo batizado pela corrupção. Os presidentes civis e governadores não quiseram nada, parecem que foram eleitos para representar quadrilhas de bandidos no topo do poder de Currópo e de seus estados e municípios. Danaram Currópo.

 

Eu não tenho projeto. Não existe caminho diferente que não o trabalho normal e honesto combatendo a desonestidade sem medo. Claro, que eu sei que precisarei de apoio. Ninguém é coisa alguma só. O povo não pode me ajudar mais do que já fez me elegendo. E eu nunca vou jogá-los contra as balas das armas de fogos das autoridades corruptas e autoritárias como fazem essa ‘esquerda’ bandida, que usa a população miserável (que eles sabem bem preservar), como escudo às balas e aos porretes dos policiais que combate as invasões sacanas de patrimônio públicos e privados, para recolherem os frutos dos saques pelo Currópo afora através de ONGs como o MST, MLST, MTST... Que arrastam pobres, andando a pé e descalço enquanto os líderes voam em aviões e helicópteros emprestados por empresários e fazendeiros, recolhendo os saques e tomando até os cartões de benefícios do povo arrastado, alegando “comprar comida” quando sabemos que fazendeiros chantageados e políticos aliados oferecem as despesas. Usam miseráveis esses, que são obrigados a deixarem suas terras no sertão para trás, para que os grileiros do próprio MST pegar e entregar para os ‘Valérios’ da vida usarem para conseguir financiamentos bancários para grupos de políticos aliados, alimentando ‘mensalhões’. Isso é o Currópo atualmente.

 

Eu, antes de bolar qualquer plano, vou visitar alguma autoridades que penso ser honesta ou que querem ser honesta. Vou visitar a OAC e tentar falar em sua reunião mensal em busca de apoio; vou falar com o governador do estado; falarei com alguns comandantes de batalhões da PM e com alguns delegados em busca de ajuda para ver quem aceita ser transferido para o meu município para formarmos uma força tarefa do bem e entregar pronto um exemplo para todo o povo de Currópo. Vou também procurar alguns professores universitários para armar um projeto de combate à corrupção no Município. Vou dar oportunidade à Currópo de testar uma ação contra corrupção para deixar escrito pro mundo. Comigo o bicho vai pegar!!! Pode acreditar!

 

Revista – “Você afirma acreditar que todos os políticos são bandidos ou incompetentes. Como conseguirá o apoio e até a contribuição do governador para ter a transferência de autoridades competente ou combatentes da corrupção para por na Delegacia e no Batalhão da Polícia Militar do seu município se não é nem mesmo a prefeita? Não é uma utopia?”

 

Margarida – Hahahahahaha!!! A vida é assim mesmo, cara jornalista.  Algumas vezes temos que ter jogo de cintura. Eu quando era criança, até para comer eu tinha que dar meus pulos sem me misturar ou me vender. Quantas vezes eu fui obrigado a dançar para pedófilos deixando aparecer a minha calcinha para ter algumas coisas? Mas nunca deixei que me encostasse a mão. Hoje eu tenho tudo. Sou rica de vida, de saúde, de dinheiro, de coragem, de personalidade, de conhecimento e até de votos, pois o povo me deu mais de cem e trinta mil votos no meu município... E depois dessa entrevista e do início de minha atuação política eu posso ter o apoio popular de toda a população do meu estado. Duvido que ele ousará me colocar como sua adversária! Eu irei me colocar como uma aliada. Ele escolhe! Eu já fiz a minha escolha. E eu tenho certeza que muitos políticos, juízes e policiais honestos estão escondidos (com medo), camuflados entre a marginalidade política e institucional, doidinhos para terem oportunidade para entrar no combate em defesa da própria dignidade.”

 

Revista  - “Mas se não te ajudarem. Não pode acontecer?”

 

Margarida – “Não! Não Pode. Vão me ajudar, sim. E eu fui vendedora, esqueceu? Por outro lado, muitas autoridades estão querendo trabalhar e recuperar a dignidade perdida para a corrupção que se alastrou em todos os setores de governo e o respeito da população. É uma oportunidade de mostrar que podem combater a corrupção nos governos e nas instituições e a marginalidade nas ruas. Claro, que eu nunca pretendi combater os traficantes nas bocas de fumo diretamente, pois tenho certeza que foi a corrupção que gerou essa danação em nossa Nação, quando abandonaram as crianças sem nada, excluída de tudo: habitação, educação, esporte, lazer, cultura, saúde... E conseqüentemente da dignidade de gente, empurrada-as para as favelas nos morros e manguezais, como animais... Mas se haver oportunidade e interesse das autoridades eu quero aproveitar, claro. Mas acredito que se enfraquecermos os corruptos dentro dos governos e no meio empresarial acabaremos com os traficantes, porque esses moleques que vendem drogas e defendem seus negócios como soldadinhos nos morros e mangues com a própria vida, não falam outro idioma, não tem conta nos bancos, não tem negócios legais para lavar seus dinheiros e não podem passear por ai carregando armas de diversos calibres, toneladas de drogas, e malas de dinheiros... Eles são alimentados e usados pelos mesmos corruptos que compram políticos e autoridades diversas”

 

Revista – “Pela tradição quem tem mais votos assume a presidência da Câmara Municipal. O que fará como presidente da casa?”

 

Margarida – “Eu ainda não pensei nisso, falta muito tempo para eu assumir e eu ainda tenho muito que estudar e conversar por ai, mas, não gostaria de assumir a responsabilidade de está gerenciando casa de políticos. Ainda não estou preparada para ser mãe, muito menos de barbados. E quero está no meio do povo. Esse sim! Eu sei que precisa de mim, mas eu ainda vou escutar muita gente, inclusive, os vereadores que foram eleitos com os meus votos... Se eu pudesse assumir e contratar um gestor de Câmara Municipal seria mais fácil decidir. Contrataria um entendido e sairia em campo. Como não posso, terei de ficar presa na casa atendendo vereadores, secretários e o próprio prefeito. Claro, que como presidente da casa poderia negociar mais e conseguir mais para a população, mas eu sou contra negociações políticas para garantir direitos. Direitos são direitos! Não se negocia, exige-se! Por que eu tenho que apoiar um orçamento irreal para o prefeito construir uma escola? È direito do povo. Ele se vire ou saia da prefeitura para que entre uma pessoa competente! Eu tenho certeza que vamos evoluir e pagar as divida do município nesse mandato. Vou ajudar o prefeito pedindo a população um esforço para pagar o IPTU atrasado; pedirei aos empresários para se esforçar também e cumprir com suas obrigações com o município; vou falar com o governador para repassar os valores que o município tem direito e vou até ao presidente com o mesmo pedido, mas vou cobrar muito, se necessário, na justiça o direito do povo à saúde, à educação, ao lazer, ao saneamento... e se possível até o direito à habitação digna, com ajuda municipal de várias maneiras, até nos projetos arquitetônicos para quem tem terrenos e pretende construir, para não ter casas caindo por falta de arquitetos e engenheiros que a prefeitura tem e que pode oferecer de graça para aqueles que pagam o IPTU em dia.

 

Como pode perceber, Cara Jornalista, eu não tenho a ambição de ser presidente da casa. Não sou como um senador bandido daquele país chamado Brasil. que traiu a mulher, arrumou fazendas, fez mágicas para aparecer gados e vendê-los pelo dobro do preço... E continuou agarrado ao poder para manipular os demais bandidos daquele Senado. Não preciso de presidência para lutar pela população que me elegeu.

 

Revista – “Para encerrar, vereadora: Sabemos que você trabalha desde criança e que conseguiu uma vida até folgada ainda na adolescência com o apoio da amiga, o que você espera das crianças de seu município?”

 

Margarida – “Espero muito, como sempre. Espero que elas exijam dos pais e ou responsáveis a sua matricula nas escolas públicas perto de sua casa. Se não houver vagas, espero que venha ao meu gabinete para que possamos garantir esse direito de estudar próximo à sua casa. Depois de iniciar as aulas, espero que elas se unam em uma Associação de Alunos para exigir uma educação melhor dos mestres e um atendimento digno por parte da direção da escola, até mesmo uma sala para a diretoria dessa Associação Estudantil e o direito de manifestar-se nas reuniões da instituição pública. Espero que elas aprendam a exigir os seus direitos à educação, à alimentação, às artes, à cultura, aos esportes, ao lazer... Quem sabe até uma olimpíada estudantil entre escolas municipais? Espaço para apresentação de trabalhos de artes diversas? E que não deixe de brincar, zoar e fazer tudo que é direito da criança... Não precisa ficar pensando no futuro se estudar. Porque o estudo é o futuro, sem ele não será nada. Depois dos estudos é só ser feliz.

 

“Dos pré-adolescentes e adolescentes eu espero muito mais: Que, além disso tudo, ainda pense no sexo como algo sério e que pode modificar a sua vida e a vida de outros inocentes. Não precisa continuar virgem como eu se não tem vontade, mas não precisa ir pela cabeça dos outros e sair satisfazendo outros (‘dando’ ou ‘comendo’) sem sentir nada (ter o prazer de direito), mas se gosta e quer, pense que precisa ser prevenir com pílulas prescrita por um médico de verdade (que deve ter no posto de saúde para atender aos adolescentes e onde vocês devem ir algumas vezes ao mês), com camisinhas (com cuidado também, porque a maioria das maternidade precoces tem acontecido porque essas furam – se furar procurem o médico que ele pode prescrever a pílula do dia seguinte – Não tenham vergonha e pense num meio de processar o fabricante da tal camisinha furona); se você, garota, for estuprada, vá à delegacia e registre a ocorrência sob sigilo de lei e vá ao médico e exija a prescrição do medicamento até no dia seguinte.  Se não quiser denunciar o agressor por N motivos, mesmo assim vá ao médico e exija a prescrição da pílula... Se não for atendida, venha ao meu gabinete que correremos atrás de seus direitos de maneira sigilosa.”.

 

Trabalho infantil sem uma capacitação digna é tortura. É escravidão. Exija essa preparação desde o ensino de base. Cada um tem um dom e não custa nada aproveita esse dom que trazemos conosco para o nosso desenvolvimento desde cedo para quando chegar a hora estarmos capacitados e firmem no que queremos.

 

Boa sorte a todos!!!”

 

Com o fim da entrevista ela passa a conversar com os amigos e até com a jornalista e seus fotógrafos. Diz: “que na verdade, ela queria esquecer tudo por uns dois dias e não sabe como. Que precisa se desligar de tudo para depois pensar melhor e entrar no trabalho de forma completa e descansada psicologicamente”. Recebe uma série de sugestões e até convite para sair do estado e até do país, mas ela volta a dizer: “que não é nada disso que precisa. Que viajando só vai ficar comparando as políticas e sociedade e aumentará o estresse”. Aí o cabeleireiro interrompe e confessa: “que quando ele está assim, querendo se isolar do estresse do cotidiano, ele entra na internet com um pseudônimo qualquer e brinca com os outros e até paquera e namora virtualmente”. Diz: “que se sente outro e acaba esquecendo-se de quem é realmente”

 

Margarida pega um taxi, já que veio trazida pela a amiga, e vai pra casa em Empadresópolis, chegando após uma hora da madrugada. Tira a roupa, toma um banho, veste uma camisola sem nada por baixo e resolve sentar no computador e tentar fazer o que o amigo sugeriu. Pensa num nome para o seu personagem e abre um e-mail para brincar com o nome de “bouvardia_estrelícia”, nome de duas flores e começa a procurar sala de bate papos.

 

Numa sala ela encontra um tal Charles Pinheiro que a chama de burra e o bate-papo se transforma em uma disputa de palavras de baixo calão, até que ele pergunta – “Você é gente, Bouvardia?”

 

- “E você é, Idiota Pinheiro?”

 

- “Sério... Você tem MSN ou algum outro programa no qual possamos conversar em particular para que você me peça desculpas por ser tão ignorante para comigo?”

 

- “Claro que tenho. Mas não quero conversar de maneira particular com um idiota profissional!”

 

- “Serio, minha linda Bouvardia. Eu gostei de você e sei que você não é burra, não. Conhece uma série de palavrões de invejar qualquer guri... E, em particular, podemos nos apresentar e até quem sabe nos entendermos... Hein? Diz: SIIIIIM. Vai?”

 

- “Ta... O meu e-mail é bouvardia_estrelicia@hotmail.com... Mas se começar de historinhas eu te excluo.

 

- “Ok... Vou te adicionar aqui... Me aceite ai...”

 

Ela o aceita, ele é adicionado em seu MSN e os dois passam a conversar. Depois de alguns minutos de brincadeira ele abre a webcam pra ela e quando ela vê aquele homem de uns 40 anos, forte, viril, sem barriga e sem camisa no seu monitor, exclama – “Vixi, Charles, como você é velho, cara!!! Hahahahahahahaha!”

 

- “Velha é sua vovozinha! Você está olhando para um homem de verdade nos seus 38 anos de vida, bem vivida e ainda solteirão, teclando da Argentina, quer que eu leve a webcam até a janela? Não minto... Agora abra a seu webcam, também!!! Quero te ver. Vai vê é um homem ou uma vovó teclando se passando por uma mulher nova, de 22 anos... Manda o convite!”

 

Ela havia dito que tinha 22 anos, quando não fez nem 19 e escondeu tudo. Agora fica pensativa um pouco e responde – “Está bem. Espere ai.” – Se arruma porque a camisola estava aberta, mostrando os seios, veste um short e manda o convite para assisti-la no webcam.

 

Quando a webcam abre pra ele, é agora ele que exclama – “Poxa, garota, você é uma menininha!!! E eu não posso ficar te olhando pra não ser processado como pedófilo!!!”

 

- “Ok. Eu desligo”

 

- “Não... Deixa ai como castigo para eu nunca pedi pra uma donzela abrir a webcam!”

 

- “Gracinha!!! Começa não, senão eu desligo! O que você faz na vida?”

 

- “Se eu responder, eu vou querer saber de você também... E pelo jeito vive as custa do papai”

 

- É ruim, hein. Vivo as minhas custa. Sou solteira e estou morando sozinha por uns tempos.

 

- “Está bem... Vou contar sobre a minha vida... Se quiser fale da sua, se não quiser, espere um tempo. Eu sou solteiro porque não precisei me casar, sempre tive muitas mulheres e dificuldade para escolher uma porque estava sempre viajando. Eu trabalho desde os dezenove anos no mercado financeiro; depois fui para a área internacional e não dava para eu manter compromisso com família e optei pelo meu trabalho. Moro no litoral do nordeste de Currópo... Penedo, em Alagoas, já ouviu falar?”

 

- “Já. Dizem que é linda”

 

- “É... É linda mesmo! E Eu estou montando uma casa de show, bar e restaurante lá. Por isso estou aqui em Buenos Aires. Vim conhecer algumas casas de shows para copiar alguma coisa. Quero criar algo diferente do que há no nordeste, pois acredito que lá é a região do futuro, se não virar mar... E você o que faz?

 

- “Não vou mentir, por isso não direi quase nada de minha vida. Vocês homens não são de confiança. Ainda mais homens velhos que nunca se casaram... Esqueceu que sou uma garotinha?... Posso dizer que sou empresária e que trabalho muito, portanto, sem tempo para ficar de bate-boca no internet... Posso contar que é a primeira vez que entro numa sala de bate-papo. Hoje que fiz o meu MSN... Um amigo que me sugeriu para acabar com o estresse”.

 

- “Que coisa, ? Conheço uma gata linda. Novinha, ainda de fraldas, mas uma gatinha. E não posso saber nada dela. Espero que possamos conversar mais outros dias...”

 

- “Poxa, Charles!!! Já são 04:20... As horas passaram muito rápido!!!”

 

- “O que tem? Vai trabalhar hoje? Eu não. Vou dormir até ao meio-dia... E depois de amanhã eu volto pro meu lugar...”

 

- “Eu também estou de licença. Deixei tudo com uma amiga que é quase a minha mãe. E muito competente e honesta”.

 

- “Posso te ver mais?”

 

- “Ver o que? Não está vendo?”

 

- “Ver o seu corpo, ora! Você viu o meu e deve está se deliciando com a visão!”

 

´- ”Gracinha!!!

 

- “Deixa, vai... Eu faço um strip-teaser pra você. Especialmente, se deixar eu te ver mais um pouco”

 

- “Não! Pensando que sou o que?”

 

- “Eu não estou pedindo pra te ver nua, minha menina. Quero te ver em pé... De corpo inteiro, ora... Vai! Deixa de babaquice!!!

 

- “Ta... Espera ai” – Ela se afasta do monitor e deixa lhe ver inteira... Faz um monte de caretas... Chega perto do computador e desliga a webcam dizendo – “Vamos dormir! Até amanhã!!! – E desligar o PC rindo muito, esquecida dos problemas e imaginando como é de verdade aquele cara cheio de artimanhas... Tem 20 anos a mais que ela. Deita quando já amanhece e dorme logo.

 

*                      *                         *                           *                     *

 

Quando a Margarida acorda já passa do meio dia e encontra a sua amiga cuidando de sua casa, na cozinha preparando o almoço. A amiga diz que telefonou abeca e como ninguém a atendeu ela veio correndo. Que já chegou a um tempão. Que já tinha ido à rua comprar mantimentos.  E que não quis acordá-la porque essa é a segunda vez que Margarida desperta depois da 7 horas e que merece acordar assim uns dias antes de começar tudo de novo. Margarida agradece abraça a amiga e entra no banheiro - a casa não tem suíte – do banheiro grita – “Márcia, eu preciso modificar toda esta casa: diminuir a cozinha, unindo-a a sala, separada somente por um belo balcão; aumentar a área de serviço, a sala, a varanda e a garagem; fazer do meu quarto uma suíte e construir uma suíte pra você. Pra você deixar o apartamento do Flamengo servindo exclusivamente como abatedouro”

 

- “Abatedouro?”

 

- “É...” – Margarida fala entre gargalhada jovial  e segue - “Pra você ‘abater’ os seus ‘gadinhos’....” - e continua rindo.

 

- “Sou assim não, Margarida. Eu não vivo atrás de homens. Acho que estou até ficando brocha como aqueles velhos na qual eu cuidei e que quero esquecer, ta?”

 

- “Mas... E o arquiteto?”

 

- “Esta lá, ainda na etapa de paquera. Trata-me como uma princesa...” – abre uma risada e continua -  “Quero ver depois que me possuir... Já me conquistou mesmo. Eu que ainda não confessei, mas estou doidinha para levá-lo para o 'abatedouro'... – Cai na risada também, por repetir ‘abatedouro’ no lugar de apartamento.

 

Márcia muda a conversa dizendo que ligou várias vezes porque conversou com o presidente da OAC do Estado para tentar agendar o convite à Vereadora Margarida para falar com os advogados da instituição em reunião. Afirma que o presidente ficou de avisar assim que convocar...

 

- “O Presidente da OAC me paquerou amiga. Queria marcar um jantar comigo. É mole?”

 

- “Você foi se oferecer para ele para tentar agendar a minha reunião? Não devia...”

 

- “Não! Não fui a ele. Ele que veio a mim querendo contratar nossos serviços para um congresso no Espírito Santos. E eu aproveitei e conversamos bastante...”

 

- “Cuidado com essas conversas, Márcia!!!

 

- “Nada comprometedor, Margarida. Ele disse que pode aproveitar a próxima assembléia para te convidar. Eu sugerir melhorar a decoração na sua visita e ele disse que, como sempre, a OAC vai pagar pelos nossos serviços, só que,  se nós quisermos algo especial no evento quem bancará o excesso seremos nós. E eu quero algo especial, Margarida. Você não vai falar num evento tão masculino como tem sido na OAC, sem nem algumas margaridas no ambiente.”

 

- “Márcia, minha amiguinha... Entenda que NOSSA EMPRESA NÃO PODE FICAR GASTANDO NOS EVENTOS POLÍTICOS QUE EU PARTICIPAR. Não é legal nem moral...”

 

- “Está legal. Não faço mais, me desculpe. Na próxima vez eu falo com você antes.”

 

- "Dessa vez eu vou deixar você fazer, já que conseguiu a reunião que eu quero, mas não gastará mais nada da empresa em minhas ações políticas. Entendeu?"

 

- “Ok...”

 

- “E outra coisa: Mande-me os recibos que eu pagarei. Não quero que a empresa pague.”

 

- “Eu não posso pagar?”

 

- “Você até pode. Nunca a empresa. Mas você ou mesmo eu não podemos gastar na política o que conquistamos com tanto trabalho. Tire como exemplo a história de nosso saudoso Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa): Ele entrou na vida política como um cidadão rico, em 1855 aproximadamente, e renunciou o mandato em 1873, quase falido e morreu pobre”

 

- “Têm tantos que entram pobres e saem ricos”

 

- “É... Mas são bandidos. Entram para lesar o patrimônio público e o povo, enganando, como fazem esses ‘Novos Senhores’ de Currópo que estão no poder atualmente. Eles nunca foram patriotas. Sempre exploraram os trabalhadores, primeiro nas associações, depois nos sindicatos, nos partidos, em estatais e em ONGs, e agora explora todo o povo nos governos! SÃO BANDIDOS MESMO!”

 

- “E o povo não enxerga...”

 

Durante o dia Margarida liga o computador e deixa seu MSN online e toda hora olha esperançosa do tal de Charles aparecer. À tardinha ela veste uma camiseta, uma calça de física, calça um par de tenis  e sai para correr pela cidade, cumprimentando todas as pessoas que passa pelas ruas da cidade, evitando o centro vai até o bairro de Éden, distante uns cinco quilômetros e volta. Gasta mais uma de hora no percurso e reclama consigo mesmo - “Será que eu passaria num teste de aptidão física com esse tempo?” – ela a mesmo responde - “Acho que não. Parece que o tempo mínimmmo é 12 minutos para 3 quilômetros e 900 metros e eu demorei mais de uma hora em 8 ou 10 quilômetros” – Mas logo conserta – “Mas na pista não tem ninguém na frente. Não tem carros nem buracos, alem de ter marcas com a metragem... Vou tentar colocar marcação para poder saber quantos correrei nas próximas vezes...” – Passa por uma casa que tem escrito na fechada: “Faixas” e pára para falar com o artistas das faixa -  >>“Você só faz faixas ou posso te contratar para pintar marcação daqui até em Éden, rodando a praça até o ponto de taxi?”

 

– “Eu não tenho trena... fita métrica grande para medir, senão eu marcaria mesmo. Não precisa de autorização da prefeitura?”

 

- “Deveria, não é? Mas se formos esperar a prefeitura ou sua autorização, nunca teremos a medição. E pra correr sem ela é ruim. Não sabemos quanto corremos. É bom sabermos para controlar o nosso tempo e testar a nossa resistência”.

 

- “Eu não tenho um fita grande, senão eu marcaria para você e cobraria somente a tinta e o dinheiro de dois ajudantes que me acompanharão...”

 

- “A trena eu te dou. Ligue-me amanhã que poderemos ir comprar o que for precisar: trena, tintas e pinceis... e te entrego o dinheiro para pagar os ajudantes... Mas eu quero uma marca de 100 em 100 metros até o outro lado da praça, em Éden. Dar uns 10 mil metros, aproximadamente. Acho... É o melhor lugar pra correr por aqui.”

 

- “Combinado. Dê-me o seu telefone que amanhã eu te ligo”

 

Margarida atravessa a rua, entra em casa e segue correndo para o computador já tirando a roupa para o banho. Percebe que o Charles está online e que ele já escreveu um monte de coisas. Sorrir e sente o coração bater forte.

 

- “Oiiiii!” – Tecla no computador – “Eu estava correndo. Tenho que manter minha forma e beldade”.

 

- “Hummmmm!!! E precisa me deixar esperando, amor mirim?”

 

- “Estou bem grandinha para ser considerado um amor mirim... Agora vou tomar banho. Espere um pouquinho ai”

 

- “Ligue a webcam, quero ver você fugir pro banho”

 

- “Pode não. Estou nua... Hahahahahahaha!!! Fica ai imaginando”

 

- “Faz isso, não! Liga ai. Prometo que amanhã eu corro aqui em Buenos Aires pra te contar. Mesmo que aqui seja difícil correr porque tem muitos prazeres: Existem excelentes restaurantes de cozinha internacional, alemã, inglesa, italiana, francesa, chinesa, japonesa, tailandesa, etc... Teatros, museus, exposições e eventos culturais diversos... Variadas as opções para se assistir a belos shows de tango, onde podemos escolher entre drinks ou jantar: Casablanca, Tango Mio, La Ventana,  El Querandi, Viejo Almacen... Duvido que você aqui fosse perder tempo correndo, mesmo vendo várias largas e arborizadas avenidas”

 

- “Ta... Se eu fosse ai também não perderia meu tempo correndo a não ser para percorrer tudo em poucos dias... Mas pra que quer me ver? Você já me viu.”

 

Ele liga a Webcam dele com som e quando abre pra ela, ele está ajoelhado, implorando - “abre ai, por Deus, minha deusa carrancuda!!!” – Fala no microfone com voz grave.

 

Ela rir, se enrola na toalha e lhe manda o convite para assisti-la pelo webcam com som e ele levanta da posição de louvação agradecendo – “Obrigado, Minha Deusa!!! Eu já te amo de montão e fiquei o dia todo esperando esse momento enquanto conversava com um monte de caras chatos. E por onde eu ia, só pensava em você. Ainda nem tomei banho te esperando. Olha, estou nu também e tiro a toalha. Não sou tão mal assim quanto você que me nega até sua visão”

 

Ela rindo muito dele que aparece peladão – “Você é muito abusado e gosta de ser mostrar...” – Percebe o ‘membro’ dele duro, cai na gargalhada e diz – “Vixxi, que coisa feia!!!” – Fala fingindo que tapa os olhos.

 

- “Ta... Doeu em mim e na vaidade dele” - fala segurando o membro – “Ele se acha lindo... Você é a primeira que o chama de feio. Poxa!!! Deixa cair a toalha ai.”

 

- “Não! Imagina ai. Pelo seu jeito você tem muita imaginação” – Fala andando pelo quarto e deitando na cama enrolada na toalha e com os cabelos soltos, fazendo várias posições que espera serem cômicas, mas que acaba sendo sensualíssima.

 

- “Pára, Margarida, tira a toalha um pouquinho. Deixa eu te ver direito!!!

 

- “Para você ficar pior? Olha o seu estado?”

 

- “Vai! Tira! Deixa de ser ruim, mulher! Complexada!... Poxa!... Ok... Pode me excluir... Vou dormir triste.”

 

-“Deixa de ser invocadinho! Mas, você fica lindo assim. Espere ai... Vou abrir um minutinho só... Aproveite bem, porque vou contar até dez e me enrolar de novo” – E assim ela faz. Deixa a toalha cair e o que ele ver é beleza pura. Quase tudo perfeito e novinho em folha.

 

Margarida tem aproximadamente 1,60 cm, pesa uns 50 quilos, têm músculos na barriga e pernas, seios durinhos, cor morena clara, olhos negros, rosto perfeito e uma cabeleira bem cuidada, parecem sedosos até os ombros. Só uma coisa ele não gostou.

 

- “Virgem Maria!!! Você é linda, amor!!! Mas tem a aparência de tão novinha...” – Pára, fixa o olhar admirado. Até perdeu o tezão sexual que é substituído, quase por encanto, por um profundo sentimento de amor, de carinho... Quase paterno – “Linda!!! Você é mais linda que um campo de margaridas, Margarida! Só em uma coisa que estraga esse lindo visual...”

 

- “Pode parar!” - Ela diz se cobrindo – “Pode parar mesmo!!! Não tem nada estragado aqui!!! Estragada deve está a sua mãezinha!!!”

 

- “Calma, meu amor!!! O que tem de errado eu conserto depois. Mas você pode ir acertando. Está com a xotinha muito mal tratada. Toda cabeluda, poxa! Eu detesto ver uma xotinha abandonada!!!”

 

- “Abandonada esta a senhora sua mãe!” – Fala olhando pra baixo, e, esquecendo que ele ver, passa a mão sobre os pentelhos de sua xotinha... – “Não tem nada abandonada aqui... Se começar assim eu desligo essa droga e não falo mais com você!”

 

- “Calma, Margarida!!! Eu não falo por falar nem para denegrir a Tininha!”

 

- “Tininha?”

 

- “É... A sua xotinha agora é “Tininha”. Eu a batizo em nome do futuro proprietário: EU! A partir de hoje ela é minha e ninguém tasca. E você vai ter de cuidá-la da minha maneira e sobre a minha orientação!”

 

- “Vai à merda!!! Vou tomar o meu banho. Tu é louco!” – Sai do quarto, bate a porta atrás de si, sumindo da visão do Charles. Mas não desliga o computador nem suspende o envio do webcam.

 

Charles observa esse detalhe e exclama – “Ainda bem, meu amor... Eu não quero te perder.”

 

Margarida não sabe por que está com tanta raiva daquele personagem virtual. Entra no banheiro jogando a toalha no cabide, entra embaixo da ducha de água fria e começa a pensar – “Que cara maluco!!! Colocou nome até em minha buceta!!! Que louco! E ainda diz que ela é feia” – passa a mão na xotinha, percebe que tem cabelos demais e no fundo lhe dar razão – “É Tininha, você está cabeluda!!! – Chama sua xotinha de Tininha e cai na risada, procurando o sabonete. Fecha os olhos passando sabão no rosto e lhe vem a sua mente aquele corpo musculoso, com um pintão duro, sem barriga e com a barba mal feito encostando em seu corpo e lhe beijando. – “Que doideira!!! Nem sei quem é esse cara...” – sacode a cabeça, mas não consegue  tirá-lo de sua mente – “Ih!!!– Volta a visão pra sua xaninha que está lubrificada, passa a mão nos pentelhos e o imagina depilando-lhe, tratando-a com carinho – “Estou ficando louca, Tininha!!!”

 

Margarida entra no quarto se enxugando sem perceber que a webcam está ligada. Passa a toalha entre as pernas, na bunda, nas costas, enrola a toalha nos cabelos e só ai percebe que a Webcam está ligada. Olha para o monitor e o ver vidrado nela. Ela se senta na cama fechando as pernas enquanto tira rápido a tolha da cabeça, enrola-a em corpo, vai ao computador e desliga o envio de webcam, furiosa. E ele de lá reclama falando no microfone, mas percebe que ela desligou o som e escreve – “É isso que quer? Ok. Fica ai com seus complexos!” – E desliga o MSN, cortando o contato com a Margarida.

 

Passa dois dias e ele não aparece nem fica online no MSN. Fica triste, nervosa... Não sabe o que fazer. Sente saudades de sua estupidez e na segunda noite chora se sentindo vazia.

 

 No dia seguinte ao seu choro pela falta do tal Charles, sai uma nota nos jornais dizendo “que a OAC (Ordem dos Advogados de Currópo) vai convidar a vereadora, recém eleita de Empadresópolis, para falar de seus projetos”. Que a OAC quer saber o que tem de realidade em suas propostas ou se trata somente de mais uma propaganda política sem tino. Informa que a reunião será no auditório da Universidade Federal do Estado Catetes dos Bandeirantes.

 

Um dia antes da realização da assembléia convocada pela OAC, a Margarida chega a sua casa triste e encontra um e-mal do Charles.

 

No e-mail ele diz assim:

 

Título: “O meu orgulho se foi. Falta ir a minha vida”.

 

Margarida, depois daquele dia que você me expulsou de sua vida com uma simples teclada, minha vida escureceu e hoje já estou em casa, em Penedo, tentando levar a vida adiante sem saber por onde começar. A única certeza que tenho agora é que colocarei o nome “MARGARIDA” em meu mercado de entretenimento. Também já não sei como ficará, pois tudo de bom em mim se foi quando você teclou ai dando fim ao nosso contato. Buenos Aires escureceu, o ar ficou mais frio, as ruas ficaram vazias, os sons se transformaram em ruídos esquisitos, as mulheres em coisas sujas e até os empresários, que gentilmente ma atenderam, começaram a falar distante. Tive que voltar pra casa para me tratar. Mas aqui não consigo fazer nada que não seja sonhar com você correndo comigo por essas praias, fazendo bagunça. Não tenho mais olho para mulheres. Até com o meu tesão você acabou.

 

EU TE AMO, MULHER. TE AMO MUITO E PRECISO DE VOCÊ! Faça alguma coisa para que esse feitiço se vá antes que acabe comigo, Por favor!

 

Eu não mentir pra você. Sou aquilo mesmo que você viu. Trabalhei no mercado financeiro a vida toda e andei por vários países: Comecei trabalhando num banco no Estado do Pará, depois fui enviado para Argentina, França, Inglaterra, Alemanha. Estados Unidos. E larguei tudo para voltar e investir num negócio aqui, em Currópo. Se você quiser eu entrego todos os telefones de onde passei para você averiguar.

 

Quero-te muito, mas ficarei agradecido se você tirar esse feitiço que me jogou quando teclou o fim.

 

Se não quiser perder tempo teclando, ligue pra mim pelos números que deixarei no pé da página. Pode ligar a cobrar mesmo. E se for para dizer que me ama, pode até contratar um taxi aéreo ai que eu pago aqui todas as despesa, mas não me deixe morrer assim, definhando dia a dia. Ama-me ou me deixe, mas sem feitiço, livre para continuar vivendo.

 

MARGARIIIIIIDA!!! POR FAVOR!

 

O coração de Margarida dispara e ela se enche de alegria. Levanta da cadeira e fica pulando por todo o quarto como um a doida, gritando um monte de sons. Para ofegante e volta num pulo para a cadeira e clica em responder, escrevendo a seguir:

 

“OBAAAA!!!!

 

Também estou louca de saudades de suas maluquices! Entre online urgente do seu jeito que eu lhe tiro o feitiço e te mando um mundo cheio de amor. Muito amor para te curar, meu velhote maluquinho!!!

 

Eu talvez esteja pior que você porque não tenho amigos na internet. Eu só tinha você.”

 

 E Clica em ‘enviar’.

 

Pega no telefone, mas resolve mandar somente um torpedo: “SE ME AMA DE VERDADE, ENTRE NO MSN AGORA E PROVE! QUE EU RETIRO O FEITIÇO”

 

 

*               *               *

 

 

O Charles está na obra de sua casa de show, restaurante e hotel conversando com os profissionais, quando o seu celular toca. Ele atende sem vontade, enquanto olha os desenhos da obra espalhados na mesa. Quando ler a mensagem, o seu coração dispara e ele sai pela porta da construção sem dizer nada, deixando todos sem entender. Roda um pouco andando de um lado para o outro, relendo a mensagem sem parar, volta correndo como um maluco para dentro da obra e se dirige ao engenheiro, ao arquiteto e ao decorador, dizendo: “Pode dispensar todo mundo por hoje. E amanhã eu só quero vocês três aqui. Nada de operário! Dê o dia de folga para eles. E remunerado.” – Vai saindo, mas volta e completa – “Deixa tudo como está! A minha musa chegou e vai me trazer inspiração”.-  E sai deixando todos sem entender nada.

 

Margarida aumenta e som do computador, para escutar de onde estiver na casa, tirando a roupa, veste um camisão e vai até a cozinha, prepara um prato de comida, coloca no forno de microondas e entra no banheiro para tomar banho. Quando está saindo do banho, escuta o som do computador e sai correndo sem se enxugar arrastado a toalha consigo e ver a mensagem do Charles – “Oi, boa tarde, meu amor!!! – E ela responde rápido – “Boa tarde!!! Que saudades! Faz mais isso comigo, não!

 

Ele manda o convite para seu webcam, pedido para ela mandar o dela. Ela aceita o convite dele e, de pronto, atende seu pedido sem nem perceber que está nua.

 

Quando as imagens se abrem. Ela ver ele de roupa, suado. Ele a ver nua com uma toalha nas costas olhando-o fixamente, com um sorriso lindo aberto no rosto. E sem se conter, exclama – “Você está muito oferecida hoje, o que houver?

 

Só ai ela percebe que está nua e puxa a toalha para se cobrir quando ele, antes dela dizer alguma coisa, volta a reclamar – Poxa!!! Se cobre não... Fica assim mesmo, eu já vi mesmo. E nós não podemos ter vergonha um do outro. Quer que eu tire a minha roupa também?- Fala já retirando a camisa – “Também vou para o banho. Eu estava na obra quando recebi o seu torpedo”.

 

- “Começa não, meu velhote! Eu estava no banheiro tomando banho quando você entrou e eu vim correndo para te atender, porque você é muito invocadinho e podia fugir de novo... nem me enxuguei...” – Fala se enxugando, agora sem presa de se cobrir. Fica em pé e passa a toalha na Tininha – E ele comenta já nu e de membro duro – “Nem ligou para a minha reclamação e a Tininha continua com todo esse pêlo ai...”

 

- “Cale a boca, velhote... Você também esta cabeludo no Robson... Assim se parece com uma vassoura de bruxa depois de muito usada!” – E cai na gargalhada – “A Tininha está muito mais bonita que o Robson”

 

- “Robson?” – Ele fala olhando e levantando o membro – “O nome dele é...”

 

- “É Robson! É Robson mesmo! Quando você batizou a minha princesinha me deu o direito de eu batizar o seu escovão... Nem adianta reclamar” – Corta ela.

 

- “Esta legal! Ele pode ser Robson, mas não é escovão nem feio. Olhe ele direito” - ele fica posicionando seu membro duro de todos os ângulos à frente da câmara para ela olhar.

 

Ela não sabe o que pensar nem o que dizer. Só percebe que gosta do jeito daquele homem que lhe passa confiança e medo. E que sente uma espécie e arrepio por todo o corpo indo desaguar na Tininha, deixando-a molhadinha por dentro.

 

- “Margarida, vou tomar banho, mas não foge nem vista roupa. Fique assim que quando eu voltar do banho, nós vamos depilá-la, a deixando sem essa mata ai.” – Ele fala e vai se encaminhando para o banheiro que na casa dele é no próprio quarto... E ela fica sem saber o que dizer e tecla um monte de interrogação - ?????????????????

 

Quando ele some na porta do banheiro, ela fica tremula com seu corpo todo esquisito e delirante. Afasta-se do computador até a cama e fica sem sabe se veste alguma coisa. Não esperava que ele fosse pedir para ela se depilar ali na frente dele e com tanta autoridade. Trêmula com a Tininha soltando água ela resolve se enrolar na toalha e fica tentando pensar. Esquece que tava com fome, esperando ali quieta ele sair do banho – “O que vai fazer?” - Não quer contradizê-lo e sente um montee de coisas no corpo só em si imaginar aberta ali pra ele. Nunca se abriu para homem algum. Deixar ver a calcinha normalmente e até tirar a roupa de longe tudo bem, mas se abrir toda, assim? Nem pra médico. Só para uma doutora que lhe examina de vez enquando, no exame ginecológico que faz duas vezes por ano. Mas o pior é que quer e já sente o arrepio gostoso, antes mesmo de começar... Pensa em exigir que ele também se raspe também, mas volta atrás. Detestaria vê-lo raspado, com jeito de afeminado. Gosta dele assim mesmo – “Cruzes!!!” – Afasta o pensamento, sacudindo a cabeça. Lembra-se que tem fome e que colocou o prato no forno e vai até o computador e tecla – “Fui procurar algo pra comer. Mantive-me só de toalha. Não vai me maltratar. Eu te amo, poxa!!!

 

Margarida pega o prato, o suco e volta pro quarto; senta na cama em posição de lótus e começa a comer enquanto vigia o monitor a espera do Charles que foi tomar banho. Sente o corpo tremulo numa mistura de sensação nunca experimentado antes. Sente uma falta danada daquele sujeito e fica se sentindo impotente diante dessa nova situação. Com ele ela não consegue se impor e já está disposta a ceder tudo que o seu paquera virtual exige de uma forma diferente. Ele aparece no vídeo saindo do banheiro e ela chega perto do monitor para assistir melhor. Ele sai nu, ainda de membro duro, se enxugando; olha para a câmara e sorrir bonito, fazendo gracinha com a toalha, bailando na frente da câmara... Manda-lhe beijos e mais beijos e ela rir alegre.

 

Ele chega perto com o membro ereto perto do webcam e pede – “Margaria, o seu Robson quer um beijinho... Dá um beijo nele!!!

 

Ela rindo, beija o monitor onde está vendo aquele pinto enorme e duro e diz – “Ele está muito pidão”

 

- “O que você está fazendo?”

 

- “Jantando. Estou cheia de fome. Mas já estou acabando. Você demorou no banho. O que tem lá dentro pra te prender tanto?”

 

- “Tomando banho e fazendo a barba. Gostou?”

 

- “Não. Preferia do jeito que estava com a barba mal feita” – sorrir gostoso.

 

- “Eu prefiro você com a barba feita. Como é, vamos arrancar os pêlos da Tininha?”

 

- “Ta... Mas não sei, tenho medo de me cortar...”

 

- “Vai me dizer que nunca cortou? Que nenhum namorado tentou cortar? Não demora e vai me dizer que é virgem também.”

 

- “Eu sou virgem. E gosto de ser assim.”

 

- “Brinca não, Margarida!!! Não começa!!!”

 

- “Não estou começando nada. Você que está tentando me rebaixa por que nunca me entreguei ao sexo, como sua mãezinha deve ter feito ainda adolescente!!!

 

- “Eu não estou tentando te rebaixar nada. Se for verdade você sobe ainda mais no meu conceito e meu amor por você aumentará a um ponto jamais sentido”

 

- “Eu nunca encontrei ninguém que me interessasse ou que me fizesse sentir desejo de amar... E trabalhei demais para pensar em sexo. Saia de manhã e chegava a noite cansada, doida pra dormir... Levantava na madrugada ainda cansada e ia trabalhar. Nunca tive tempo para sexo... Agora depois das eleições que parei um pouco...”.

 

- “Eleição? Eleição de que? Foi eleita a miss?”

 

Ela percebe que não falou nada de sua vida pra ele. Fica calada. Sobe um medo pelo corpo. O coração fica apertado. E ela murmura – “Eleição política. Fui eleita a vereadora agora, nas eleições passada...”

 

Charles se levanta da cadeira, vai até sua cama, deita, coloca a mão na cabeça e fica um tempo pensando.  Ela fica parada e calada olhando-o pelo monitor com o coração apertado.

 

Ele senta na cama e ela observa que o membro está caído. Ele levanta vem até o monitor e escreve – “Você devia ter me dito que era política. Eu detesto vocês e não quero nada com essa raça”

 

- “Você não perguntou e eu não sou como eles. Eu também os detesto. São todos ladrões!...”

 

- “Você é santinha? Se fosse teria me dito logo no início que era política e eu teria sumido. Você disse que era empresária. E não tem porte de política. Vai ver até a virgindade é mentira!!!

 

- “Mentirosa é a sua família!!! Eu também não conheço nada de você!”

 

Ele fecha a webcam e desliga o MSN e se vai, deixando-a chorando.

 

Charles se sente enganado e cheio de raiva anda pela bela e grande casa onde mora só, com os pais morando perto dali... Pensa em dar uma esticada até a casa de seus pais, mas a raiva não deixa, assim volta para o computador pronto para descobrir quem é ela e se vingar se der. Abre um site de busca e escreve “Vereadora Margarida”, pensando – “Será que até o nome que me deu é mentiroso?” Mas qdo clica em buscar aparece um monte de atalhos – “A vereadora mais nova e mais votada em seu estado”, “A mister M da política”, “A Caçadora de corrupto”... E começa a ler tudo e a admirá-la – “Será que ela é uma exceção”? – Ver as fotos e é ela mesma. Não mentiu – “Parece acreditar em tudo que diz” – Pensa. E fica triste de novo, agora achando que foi injusto com a mulher que conquistou o seu coração e sua cabeça a ponto de enlouquecer de amor e ódio.

 

Abre o MSN e não a acha. Ela parece está off-line ou te excluiu. Pega o telefone e liga para o número que no seu celular, de onde originou o torpedo. Escuta uma voz feminina chorosa – “O que foi?” – Ela sabe que é ele porque havia cadastrado o número dele no seu celular.

 

Ele fica mudo e gagueja quando fala – “Amor, me perdoe. Eu pesquisei e agora sei que você não é como eles. Perdoe-me! Vamos conversar.”

 

- “Você me chama de mentirosa, poxa!!! Pra mim esse é a pior ofensa que pode me fazer.”

 

- “Eu pensei que você tivesse me enganado. Detesto políticos. Pra mim, são todos bandidos! Mas eu estou voltando atrás, me perdoe! E te amo demais. Eu ia enlouquecer sem você.”

 

- “Eu também. Eu estava chorando. Está doendo demais. Nunca amei ninguém”.

 

- “É verdade que você não se considera política e que nem vai seguir carreira nesse ofício”

 

- “É verdade. Só quero oferecer um exemplo para o povo. Garanto!”

 

- “Há possibilidade de você largar tudo e vim morar comigo?”

 

- “Não agora. Eu já me comprometi com o povo e com amigos. E não largo por nada, nem por você. Mesmo que o meu coração exploda! Não sou de abandonar batalhas. Nunca desistir de nada e por nada. Não posso fazer isso agora... Desculpe-me.”

 

- “Ok... Mas vai se candidatar outras vezes?”

 

- “Não. Só essa vez. Não quero me viciar em nada. É só mesmo um exemplo que pretendo passar... E quero pegar alguns bandidos camuflados na política e nos governos nos roubando. E não quero misturar a minha vida amorosa e profissional com a política, por isso me licenciei de minha empresa deixando com minha amiga e meus funcionários na tarefa de mantê-la ativa e em desenvolvimento”

 

- “Margarida, como nós ficaremos? O que pretende da vida e de mim?”

 

- “Nós eu não sei. Não depende de mim, sou carente de você. Gosto de está com você e pensar que você é minha outra metade, alguém que eu posso confiar e me entregar até fisicamente... Da vida eu quero tudo, inclusive a paz num futuro próximo.”

 

- “Então quer que eu fique aqui sem você por todo o seu mandato de vereadora?”

 

- “Não. Espero que fiquemos junto assim por um tempo. Você me fazendo feliz, me ensinando e me deixando bobona em nossa intimidade por quatro anos... Depois poderemos nos encontrar e viver a nossa vida e nosso amor...”

 

- “E o meu ciúmes, minha necessidade sexual e de você? Eu já estou aqui doidinho para te possuir. Como agüentarei? Será um castigo...”

 

- “Se me amar de verdade, como eu acho que te amo. Agüentará sim. E porque não experimentar? Você não quer ser o meu dono virtual? Eu quero que você e o Robson sejam meus e quero mantê-los vigiados pela internet... Deixa, vai?”

 

- “E você vai ser só minha pra tudo? Tentará me satisfazer daí?”

 

- “Não sei... vou tentar se você me ensinar. Eu te amo muito. Doeu agora. Eu pensei que tinha te perdido e já não tinha vontade de nada. Agora já estou ficando feliz... Basta você me prometer fidelidade, da mesma forma que serei fiel a você, que eu pulo de alegria daqui...”

 

- “Sim! Sim! Sim!!!! Mesmo porque não tenho vontade de ter mais outras mulheres. Você me enfeitiçou. Liga o MSN ai para eu te ver. O Robson cresceu de novo... Te amo. Vou desligar aqui. Beijos na boca... Na Tininha não, porque ela ainda está cabeluda.”

 

Margarida liga o computador e o MSN delirante. Ligam as webcans e observa que ele ainda está nu, enquanto ela já tinha se vestido.

 

- “Margarida, meu amor, eu nunca vi uma mulher virgem. Não vai me enganar.” – Ele brinca, agora tem certeza que ela é isso mesmo, uma coisa de outro mundo feito sobre medida pra ele.

 

Ela responde – “Nem eu... Nunca fiquei olhando os outros nus, você ao contrário deve ter visto muitas por esse mundo afora... Detesta política, mas o mercado financeiro nacional ou internacional não passa de política e a corrupção está tanto lá como na política governamental...”

 

- É... É por isso que eu sair... Mas vamos deixar de conversa fiada e vamos arrancar os pêlos da Tininha, O Robson e eu estamos aqui para orientar, nos deliciarmos e ate  gozar observando a tarefa... Hummmmm! Tira essa montoeira de roupas!

 

- “Espere ai. Você está muito apressado... O que precisaremos?”

 

- “Primeiro a tesoura. Tem que apará-la primeiro... Mas tira a roupa de vagarzinho, amor... E de jeitinho sensual para os seus admiradores, Charles e Robson, apreciarem te louvando daqui!!! Ah! E liga o som, amor. Eu estou cansado de escrever”

 

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Margarida vem até o teclado, liga o som e vai tirando a roupa dançando e fazendo gracinhas com o corpo e com as expressões da face. Quando fica totalmente nua, dá uma banana para a câmara com os braços, se enrola na toalha, senta na cama de pernas aberta e vai aparando os cabelos da Tininha. Ele fica reclamando porque ela enrolou o tronco com a toalha e não dar pra ver seus seios, mas ela nem liga perdida na atenção a Tininha. Quando os pentelhos estão curtinhos e a xotinha já aparece, ela olha para o monitor e pergunta – “E agora?”

 

- “Eu tive uma namorada que arrancava com a pinça, mas era menos pelos, não sei se porque ela só vivia arrancando ou porque tinha menos mesmo. As outras vão às depiladoras e dizem usar cera e outros métodos... Como você tira das axilas?”

 

- “Com o barbeador, ora.”

 

- “Então, tente com o barbeador, mas cuidado, poxa! Não quero que machuque a Tininha...”

 

- “Espera ai... Vou tenta” – Fala saindo do quarto.

 

- “Ela sai e ele fica esperando sem tirar os olhos do monitor e maluco de excitação por dentro e por fora. Não pode nem encostar as mãos no próprio membro porque pode gozar, pois desde Buenos Aires não tivera relações amorosas com ninguém, porque, depois que ele a conheceu, as outras mulheres ficaram sem graça e ele só pensava nela.

 

Ela volta com  uma bacia pequena, pincel, barbeador e senta na cama de volta e começa a raspar de vez enquando olhando para ele sorrindo. E querendo ver o que ele faz pede _ “Se afasta daí! Quero ver o que você está e o que faz.”

 

Ele se afasta e ela ver o seu membro duro e ele abestalhado de olhos nos monitor, tentando ver mais do que ver.

 

Ela também sente uma sensação gostosa e sua Tininha está molhadinha, quase como se estivesse menstruada, mas uma molhada maravilhosa querendo engolir aquele membro duro e sentir aquele corpo sobre o seu, geme sem querer quando acaba de se depilar e passa a mão sobre o seu grelinho, abre as pernas, se deita se tocando e se largando pra trás, gemendo sem perceber.

 

Quando ela tira a toalha e deixa se tocando deliciosamente com as pernas aberta mostrando toda a Tininha ele tem a prova que ela é virgem mesmo e sem perceber se toca também e escuta ela dizer – “Isso. Se masturba pra mim que eu quero ver, amor”

 

Ele fricciona o membro e o dito cujo lateja forte e vai soltando líquidos leitosos como espirros. Ela imagina o Robson latejando dento dela e alimentando-a com o seu leitinho e também sente um orgasmo estranho mais maravilhoso. Encolhe-se toda e fica paradinha, enquanto ele tenta se limpar e limpar a sujeira que ela provocou, quando escuta ela sussurrando – “Eu não vou agüentar ficar longe de você muito tempo, não, amor”

 

- “Nem eu e o Robson, precisamos te possuir de verdade. Mas se a gente te possuir por um minuto não vamos querer te largar por um tempão e acabamos por te prejudicar. Você tem que escolher o que queres, Margarida”

 

- “Com você é tudo ou nada, não é? Por que é assim?”

 

- “Eu sou ciumento, possessivo, carente, carinhoso, zeloso, amoroso e estou apaixonado... Como te ter e não te querer mais e mais? Se eu te pegar não vou soltar e se você quiser ir vamos brigar e talvez encerrar o nosso relacionamento. Eu me conheço. Vou sofrer e fazer você sofrer também. Vamos cumprir o nosso acordo. E arrume um consolo...”

 

- “Não! Você está doido? Eu que não vou entrar numa casa de artigos de sexo e escolher um piru. É ruim, hein!!! E sou virgem. Guardei-me tanto e vou alargar a sua Tininha com uma coisa de plástico?”

 

Ele fica calado sem saber o que dizer e para deixar o tempo passar ele muda de assunto – “Ok... Deixa o tempo decidir. O que você vai fazer amanhã ou hoje, já que passa de zero hora?

 

 - “Amanhã eu vou sair cedo porque tenho uma assembléia para ir. Fui convidada para me explicar na OAC da capital do meu estado e quero está preparada. Como é a minha empresa que promove o evento, eu vou pedi para prepará-la à meu favor, claro. É num grande auditório de uma universidade e eu sei que os estudantes, militante de diversos partidos vai tentar me avacalhar... Quero ter algumas resposta prontas para combatê-los”

 

 - “Margarida, eu vou te ajudar a ganhar esta batalha, mas por causa de você, não pelo povo, pois esse não merece. Aliás, o povo curropano tem os governantes que merecem, em todas as áreas...”

 

- “Espere ai. Assim você me ofende.” – corta a Margarida – “Eu não mereço ter como governantes esses bandidos: Alguns Ali Babás e uma imensidão de ladrões!”

 

- “Calma. Você, eu e outros somos poucos perante os quase 200 milhões de pessoas que habitam Currópo e que vão defender a ‘esperteza’ e o ‘jeitinho curropano’. Eles preferem as esmolas que oportunidade que Currópo tem em demasia.”.

 

- “Ok... Mas como você pode me ajudar? Vai vim morar aqui em Empadresópolis e ser meu guardião?”

 

- “Não. Não quero me envolver em política nem com uma política. A firmação de nosso relacionamento (namoro, noivado, casamento..) fica trancado até o fim de seu mandato, mas sobre a proteção das regras de fidelidade e da responsabilidade de satisfazer um ao outro nas necessidade sexuais básica de forma íntima....”

 

- “Que isso? Está tentando trancar o nosso namoro, dar um tempo (trancar até a matrícula), mas sem deixar de usar a as dependências da mulher (minhas formas)?”

 

- “É... Até o final do seu mandato nós ficaremos separados às vistas de todos, mas sem deixarmos de nos relacionarmos de forma íntima; de sermos fiel um ao outro e responsável pela satisfação sexual do outro... Foi você que sugeriu, em outras palavras. Não foi?”

 

- “Ser responsável pela satisfação sexual do outro? Como eu vou te satisfazer sexualmente? Tenho que ir ai para você me possuir e voltar? Você está doido!!!

 

- “Não! Você vai ter que me satisfazer daí mesmo, pois a imprensa estará no seu pé e se te vires comigo irão infernizar a minha vida também. E eu não quero me envolver em escândalos Fui um investidor financeiro internacional e gestor de alguns grandes fundos internacionais. Não posso passar por isso. Mas te espero e serei fiel a você até o fim do seu mandato quando estarei lá, na despedida de sua vida pública, pronto pra trazer você pra mim”

 

- “Quer dizer que eu agora não presto?”

 

- “Não você é tudo que quero. Quer largar tudo e vim pra cá?”

 

- “Não posso! Sabe que não posso. Dei a minha palavra e não gosto de voltar atrás...”

 

- “Pode sim! Você não quer.” - Corta o Charles – “Mas não quero te perder, poxa! Aceite esta proposta que foi você mesmo que sugeriu. Esqueceu?”

 

- “Ok... Vou salvar este diálogo. Você vai se mantiver fiel e confiar em mim?”

 

-“Sim... Eu vou ser fiel, mesmo porque não precisarei de mais ninguém se você me oferecer um tempinho virtual todos os dias... E sei que será fiel. Se está virgem até agora pode esperar mais quatro anos, se não te cassarem, claro... Devemos estar preparado para tudo em Currópo”

 

- “Assim sim” – imita um personagem de seriado da tevê curropana sorrindo e continua – “Mas estou curiosa. Como irá me ajudar sem se envolver politicamente se não pode nem chegar perto de mim?”

 

- “Simples! Eu sou o dinheiro. E com dinheiro tudo fica mais fácil.”

 

- “Pode parar! Tão certinho e já vem com essa...”

 

- “Calma, Margarida, calma! É dinheiro legal e para uma justa causa. E não vai para ninguém. Posso arrumar um fundo para criar uma ONG de assistência jurídica e de proteção a família de Currópo, iniciando as atividades aí, em Empadresópolis.”

 

- “Uma Fundação?”

 

- “Não! Fundação não. Uma fundação depende da apreciação do Ministério Público, que em Currópo é cheio desses bandidos também. E eles podem até geri-lo intervindo; pode barrar a aplicação do fundo no mercado financeiro e assim falindo-lo em curto espaço de tempo. Isto é: se não cismarem de extingui-lo por qualquer motivo (artigo 30 do Código Civil e 1.204 do Cód. de Processo Civil).”

 

- “O Ministério Público está cheio de bandidos? Estão eu já entro perdendo, porque eu confiava no MP”

 

- “O que é o Ministério Público ou MP, Margarida?”

 

- “Ora... Estou preparada... Ou pensava está – Pára e sorrir. Olha para ele e vê-lo balançando a cabeça como se dissesse “E ai?”E ela continua – “O Ministério Público é a Advocacia do poder público, mantida por lei para defender os interesses da administração e de toda a população”.

 

- “E deveria ser, mas em Currópo quem acredita nisso? Hein? - Balança a cabeça e continua – “O Ministério Público são os Procuradores (federais, estaduais e municipais), os promotores de justiça, os procuradores do trabalho. A eles deveriam caber a tarefa de defender o interesse que não pertence a uma só pessoa, mas a toda a população. Mas fazem? Se cumprissem com suas obrigações de maneira ética e austera Currópo não estaria do jeito que está. A base da corrupção pode está ai, na MP, pois eles são indicados por políticos quadrilheiros, não são eleitos como você mesmo disse naquela entrevista”

 

- “Ok... Eu não posso ter uma fundação para me ajudar. Então o que poderei ter? E como você me ajudará? Ainda não matou a minha curiosidade.”

 

- “Simples: Uma ASSOCIAÇÃO BENEFICIÊNTE DE ASSITÊNCIA JURÍDICA E DE PROTEÇÃO ÀS FAMÍLIAS E AOS CIDADÃOS DE CURRÓPO. Gostou do nome?”

 

- “É... Mas estamos em janeiro e assumo em março. Não tenho tempo de ficar reunindo pessoas para criar uma associação da maneira certa...”

 

- “Deixa comigo. Você só vai se chamada para participar da fundação da entidade e de seu Conselho Diretor; para dar palpite no estatuto que já chegará pronto e que você conhecerá antecipadamente antes de todos, pois vou te mostrar antes. E é só aprová-lo. Já tenho em mente até a presidenta.”

 

- “Presidenta?”

 

-“É... Não é você, não. Pode ficar tranqüila. É uma ex-juíza durona que conheci tempos atrás. Tenho também outros amigos, acostumados às auditorias e investigações de corruptos, que poderão ser contratados ou convocados para participarem do executivo da Associação. Todos conhecem o mercado financeiro, são advogados e espertos na tarefa de caçar corruptos.”

 

- “Mas pode me ajudar em que?”

 

- “Pra começar contratará um exercito de advogados, estagiários de advocacia, investigadores diversos... Para fazer tudo que você anseia. E com bastante dinheiro que conseguirei de empresas e de fundos fora e dentro do Brasil. Você vai ver.”

 

- “E eu posso contar com isso pra quando?”

 

- “Desde já. Amanhã mesmo eu entro em contato com meus amigos e de tarde já tenho um parecer pra você. Que horas vai se a reunião?”

 

- “Às 17 horas em diante”

 

- “Cuidado ao se referir a uma agência assim, porque eles podem combatê-la, pois eles, da OAC, sabem que não cumprem o seu papel em Currópo... E, uma associação assim, poderá ser num curto espaço de tempo mais respeitado que eles.”

 

- “Meu amor, Charles... Vamos dormir, estou tonta de sono”

 

- “Ok. Boa note. Amo-te de montão, garotinha!

 

- “Beijossss! – Tecla ela e desliga.

 

Charles não dorme, aproveita a noite e o fuso horário diferente para começar a fazer contato com seus amigos atrás de apoio e de dinheiro para a criação da Associação Beneficente de Assistência Jurídica. Descobre que a juíza está morando em Minas Gerais e liga pra ela às cinco horas da madrugada.

 

- Ah... É você? Como me achou aqui?

 

- “Doutora, a senhora é a minha musa do direito. Não pode me abandonar...”

 

- “Você é gentil, Doutor Charles. Não tinha se aposentado precocemente?”

 

- “Não. Nunca vou me aposentar. Só estou tentando trocar de ofício. Estou montando um aglomerado de entretenimento em alagoas, no nordeste. Quero imitar algumas casas de show da Argentina...”

 

- “Hummm!!! Já está me convidando para a inauguração?”

 

- “Não! Ainda está longe a inauguração, mas você será convidada de honra... Quero você aqui, hospedada como convidada antes mesmo da inauguração. Você e todas as equipes que já trabalhei”

 

- “Então é muita gente. Vai ser divertido reunirmos sem discussão financeira e questões legais... Eu estou enjoada de ficar parada e de aturar vizinhas, mas também não quero conversar sobre política financeira internacional com um monte de trombadinhas pseudo-elitizados... Se o trabalho é aqui no Brasil, eu aceito; se for fora, me perdoe, mas não vou... E não adianta implorar nem vim me buscar que me amarro no tronco de umas de minhas árvores e jogo a chave no rio.”

 

- “Oba!!! É num estado colado ao seu. E pode começar hoje indo acompanhar uma amiga numa reunião na OAC... Pode? Lá você se informará e me dirás se vai aceitar a tarefa que reservei para você.”

 

- “Hoje? Você nunca vai mudar? Sempre vai fazer tudo a onda do impulso, Charles? Eu queria ir passear na orla do Catetes dos Bandeirantes, mas passear. Não a trabalho ainda mais para uma reunião chata com um monte de advogados iniciantes.”

 

- “Não é uma reunião com advogados, mas com muita gente num auditório de uma universidade. Se aceitar vai acompanhar e orientar uma vereadora amiga minha e iniciar a criação de uma Associação Beneficente de assistência Jurídica... Vamos conversar. Eu já comprei suas passagens e já reservei vagas para você no Copacabana Palace.”

 

- “Poxa!!! Você está muito abusado, mas sabe como me corromper... Está bem, eu vou, mas todas as despesas por sua conta... Que horas você marcou o meu vôo?”

 

- “Para as 10h30min... Comprei agora pela internet enquanto conversava com você. E não dá pra mudar porque o próximo vôo sai às 17h”.

 

Charles conversa com ela umas duas horas, explicando tudo e falando de Margarida, deixando a ex-juíza curiosa. Tão curiosa que ela liga para a Margarida logo assim que o Charles desliga e já arrumando sua mala. Estava doida para ter uma desculpa para sair e vadiar um pouquinho. Claro, que não confessou que a vida de aposentada é uma droga.

 

- “Alô, eu sou a doutora Carmem Capeli e quero falar com a Vereadora Margarida”

 

- “Oi, doutora! Eu sou a Margarida e acordei a pouco... Estava de saída para uma corrida na rua”

 

- “O Doutor Charles conversou comigo sobre você, sobre a reunião que vai ter hoje e com a possibilidade de criarmos uma Associação Jurídica para atuar ai e te auxiliar em alguma coisa... E eu estou arrumando minhas malas para ir à reunião com você. Posso?”

 

- “Será ótimo contar com a senhora, mas já? Poxa! Vocês não perdem tempo...”

 

- “O doutor Charles que é assim afoito. Quando quer uma coisa e na hora. Já reservou um quarto no Copacabana Palace e tudo o mais. Eu gostei, pois é uma oportunidade de sair um pouco de minha ociosidade punitiva”

 

- “Hummm! Que chique! Eu poderia hospedá-la aqui, em Empadresópolis, ou na Praia do Flamengo, mas não vou tirá-la do conforto do Copacabana Palace. Qual é o número do seu vôo para eu te pegar no aeroporto?

 

As duas conversam por mais uns 40 minutos, enquanto a doutora Carmem se arruma. E Margarida desiste de correr para ir ao encontro de sua amiga na empresa de eventos saber como andas os preparativos e dar algumas sugestões que acha necessário para se proteger dos ataques que normalmente deve receber de militantes políticos contrários a sua maneira de agir.

 

*                    *                     *

 

 

Margarida pega a doutora Carmem no aeroporto e segue com ela até o Hotel. Durante a viagem, ela vai contando sua história, e só ai que Dra. Carmem Capeli descobre que a menina não conhece de fato o doutor Charles. Fica admirado com a confiança que um tem no outro sem nem mesmo se conhecer e pensa  – “Poxa! Isso que são metades! Será que foram feitos um para o outro?”

 

No Hotel ela se decepciona com o tal COPACABANA PALECE e confessa sua decepção para sua nova amiga – “Pensei que este hotel fosse como se apresenta fora do Rio. Estou vendo que não é mais que propaganda enganosa. Com tanto espaço e morros no Rio de Janeiro, tomado por favelas, e a cidade sem um hotel a altura de sua fama. É triste”.

 

Entra e percebe a suntuosidade dos salões, bares e restaurantes... e balança com a cabeça, exclamando –“Tanto luxo num espaço tão raquítico. Está mais para cassino!”

 

Charles escolheu para ela uma belíssima e confortável suíte piscina com vista para o mar. Esta suíte mede aproximadamente 70 metros quadrados e foi decorada por Michel Jouanet, decorador Francês do Orient-Express. Sua suíte inclui uma confortável sala de estar, com varanda privativa adjacente e vista para a piscina e a praia de Copacabana.

 

 A cama possui travesseiros e colchões ortopédicos Sealy, especialmente confortáveis, e roupas de cama Trussardi. Além disso, a suíte oferece serviços especiais sob solicitação, tais como check-in expresso e check-out na suíte.

 

Todas as Suítes Piscina são equipadas com duas linhas telefônicas, acesso gratuito a internet banda larga, fax, serviço de secretária eletrônica, cofre eletrônico, roupões de banho, sandálias de diversos tamanhos para homens e mulheres e turndown.

 

Da suíte ela não reclama. Reclama da prisão luxuosa que é o hotel em si... E comenta para descontrair – Este hotel não podia está num espaço maior e mais bonito?

 

A Margarida não diz nada, esta maravilhada com o luxo e com a riqueza do ambiente, lendo o folheto e sussurra – “Tem até quadra de tênis no primeiro andar! salão de beleza... Vou vim te visitar mais vezes durante sua estadia... Ta?” - Fala rindo e colocando o folheto sobre uma enorme mesa de jacarandá no centro da sala de estar.

 

- Margarida, me deixa guarda meus trecos e vamos conversar um pouco. Eu vim trabalhar. Essas suítes são bem caras e o doutor Charles cobra mesmo. Ele não é tão bonzinho comigo como deve ser com você. Ele está acostumado a mandar. Não pense que porque é novo não sabe, porque eu o conheço bem. Ele é um dos maiores financistas do mundo e consegue se manter em sigilo. Isso é para você ver como ele tem poder, garota.

 

- “Poder? Ele me disse que estava trabalhando por conta própria e entrando no mundo do entretenimento”.

 

- “É. Ele está construindo um aglomerado de entretenimento (hotel, parques, boate, restaurante e etc) em Penedo, Alagoas, mas ainda tem muito poder no mercado financeiro internacional. Ele foi uma espécie de corregedor da economia mundial. Mandava nos bancos centrais de todos os países, no FMI e por ai afora. E conhece todo mundo... Quando ele convocava uma reunião, e chegava com duas pastinhas nas mãos, o pessoal tremia, sabia que vinha demissões para alguma equipe econômica do mundo. As duas pastinhas eram duas opções para a tal equipe: Uma pastinha com um relatório amigável e a outra continha processos e punições, para a equipe econômica escolher. E geralmente escolhiam a demissão e saiam de forma amigável.” – Faz uma cara assim, de brincadeira e continuou – “Mas deixa ele pra lá, você tem tempo e vai ter oportunidade de conhecê-lo bem... Vamos ao que interessa: O que você espera que aconteça na OAC? Vamos conversar enquanto almoçamos e testamos este restaurante... Não temos tempo a perder. Conte-me tudo”

 

- “Agora você me deixou me deixou preocupada, doutora Carmem... Se o Charles é assim, eu não sei se aceitarei a ajuda dele...” – Ela fala isso, enquanto a Doudora Carmem liga para reservar lugar no restaurante Pérgula, porque é próximo a piscina. E descobre que ela tem preferência e mandar reservar o lugar avisando que já está descendo.

 

- “Pode parar com essa preocupação, Margarida! Ele nem eu interviremos em sua vida. Vamos te ajudar e procurar te proteger, porque você nem imagina no covil que entrou” – Pega a mão dela, afaga e diz – “Vamos nos arrumarmos para o almoço... Limpe este rosto, tire essa preocupação do semblante e vamos descer para conversarmos diante da piscina, comendo, porque estou morta de fome.”

 

Margarida conta como conseguiu a convocação, dizendo que o convite para a reunião com a OAC é fruto de seu plano de tornar conhecida a sua luta e conseguir apoio. Conta até como arrumou a reunião, ajudada pela amiga e pelo acesso que tem aos advogados, porque trabalha para eles há muito templo preparando o local para todos os eventos na OAC.

 

- “Então, Margarida, eu vou pesquisar pela internet para saber mais de você, deles e vou está lá com você, sendo sua assessora jurídica nesta reunião... E você me apresente como tal, ok?”

 

Margarida concorda e sai dali quase às 15 horas. Pega seu carro, imaginando aquela montoeira de Patricinhas e Mauricinhos das tais “Juventudes Socialistas dos partidos”, junto com um monte de universitários curiosos e barulhentos e se treme, pensando alto – “Olha aonde eu fui me meter?!!!” – Segue para o escritório de sua empresa para se encontrar com a amiga que já lhe telefonou uma pá de vezes.

 

 

*                                 *                                  *

 

Doutora Carmem Capeli senta em frente ao computador e começa a pesquisar sobre a menina Margarida. Ler tudo que encontra de forma rápida comendo com a mente cada detalhe, limpando as vista e o óculo de vez enquando, por causa das lágrimas que escorre de seus olhos – “Gosto dessa garota, mas agora que sei que não terá futuro. Uma pena!” – Estava pensando alto quando o telefone toca. Ela atende já sabendo de quem se trata.

 

- “Charles... É besteira tentar ajudar essa garota. Ela não tem futuro. Desista, antes que sofra.”

 

- “De quem você está falando?”

 

- “Da Vereadora margarida”. De quem seria? Estive com ela até agora há pouco...”

 

- “Por que você acha isso, doutora? Está fugindo da luta? Admiro a senhora...”

 

- “Pode parar doutor. Você me conhece e sabe que não fujo de nada. Estou dizendo, porque gosto dela. Devia levar ela para junto de você, se a ama. Ninguém pode protegê-la. Ela é danada, forte, valente, sincera, guerreira... Mas é humana e não usa armadura. Aliás, nem segurança aceita, anda livre como um singelo passarinho”

 

- “Ela está em perigo ai?” – Pergunta preocupado o Charles.

 

- “Não! Por enquanto acho que não. Eu estive me informando sobre ela, lendo suas entrevistas, as notícias e andei dando uns telefonemas e não acredito que ela consiga, se quer, se empossada. Pode morrer antes, pois no ultimo mandato a câmara de vereadores de Empradesópolis perdeu quatro vereadores assassinados. E nenhum deles era tão guerreiro quanto ela.”

 

- “Mas ela está bem? Gostou dela?”

 

_ “Está ótima e eu a amei desde primeira vista. Fiquei apaixonada e não quero que nada de mal aconteça a ela. Vou providenciar segurança para ela. Ela querendo ou não.”

 

- “Deixa comigo, arrume para você e a proteja sem que ela perceba. Deixa-me arrumar proteção para ela. Não quero nada aparente, porque ela ficaria raivosa ou dispensaria todos os seguranças às paneladas”. – Rir e se despede dizendo – “Confio em você doutora. Não vá ficar falando de mim... Sei como você é...”

 

Charles pensa, começa a procurar em seus arquivos,  escolhe um nome e liga o telefone. Do outro lado toca, toca, toca e ninguém atende... Tenta várias vezes até atender uma voz que ele conhece bem, no meio de uma algazarra tremenda. – “Alô, Lúcio!!!

 

- “Quem liga tão insistentemente em meu horário de malhação? Estou na academia, poxa! Será que um trabalhador não tem direito a algum tempo para malhar?

 

- “Sou eu, porra! Não conhece mais a minha voz? Sou o Charles, porra!”

 

- “Você não trabalha mais. Ouvi dizer que estava na pátria de Miguel Del Barco Centenera, se deliciando com as mulheres sul americanas das terras de clima frio”.

 

- “Não. Estou em Currópo, tentando abrir um negócio e preciso de você em Catetes dos Bandeirantes... E urgente!”.

 

- “Posso ligar depois? Aqui eu não posso falar de mim nem de você...”

 

- “Ok... Estou esperando”.

 

 Charles desliga e volta para fiscalizar sua obra, que uma parte estar em fase da terraplanagem e outra em construção já pensando na decoração. Ele quer a construção em três níveis.

 

Enquanto isso, Margarida já está chegando à universidade de carro acompanhada por sua inseparável amiga, entra no estacionamento e encontra doutora Carmem já esperando.

 

- “Doutora, está é a minha amiga e parceira de vida” – Apresenta e pergunta – “Por que a senhora não entrou?”

 

Doutora Carmem rir porque ia dizer “Está louca?” - mas diz – “Esperava você. Estou aqui por sua causa, Sem você eu nem entraria. Tinha esperança que você desistisse e fosse morar em Alagoas com nosso amigo. Isso vai pegar fogo! A política e os políticos, de forma incoerente, desprezam as leis que eles mesmos fazem...”

 

Margarida a abraça e entram, sendo cumprimentada por um monte de gente que a reconhece.  No corredor encontra com advogados do conselho da Ordem, esses reconhecem a ex Juíza e ficam fascinados com tal visita. Só ai a Margarida percebe a importância da tua mais nova protetora.

 

Quando a mesa está pra ser formada, a Doutora Carmem Capeli é convidada a se sentar à mesa ao lado dos conselheiros da Ordem, mas só aceita a palavra para dizer-se impedida de participar da mesa porque veio como conselheira da convidada, Vereadora Margarida. E que pode ser obrigado a intervir se solicitada pela Vereadora para prestar esclarecimento sobre termos legais de seus projetos.

 

O auditório está realmente cheio, mas não dar para perceber nenhum movimento político de aversão a qualquer projeto, tanto da OAC quanto da vereadora convidada.

 

Depois das propagandas em formas de prestação de contas, o presidente da OAC pega a palavra e fala – “Devido à posição da Vereadora Margarida na mídia, falando contra a corrupção e, embalada por algumas denúncias, também de instituições brasileiras sérias como a própria OAC (que vim saber agora), da PM... E até dos governos: municipais, estaduais e do federal... Resolvemos convidá-la a explicar o seu milagroso projeto para “LIMPAR CORRÓPO” da imensa corrupção que somente ela enxerga neste nível...”

 

Margarida ainda na platéia tenta se levantar furiosa, mas é contida pela ex-juíza que cochicha – “Você tem que aprender a escutar primeiro, menina...”

 

E o presidente continua -  “Não estou aqui defendendo os corruptos curropanos ou para agredir nossa convidada, mas quero me antecipar e dizer que a OAC cumpre o seu papel de maneira impecável, defendendo nossas leis, a advocacia e a democracia. Lutamos também contra a corrupção, que não é tanto quanto afirma a vereadora...” - Vira para Margarida e convida – “Por favor Vereadora, esteja a vontade para se apresentar. Devo informar que a senhorita será inquirida por todos ou enquanto der... E que já existe muitas pessoas escrita para lhe dirigir a palavra. Informo ainda que não é obrigado a responder, mas que esperamos que replique ou explique de forma democrática e educada.”

 

 

Margarida sobe no pódio da universidade calada, ajeita o microfone, dá uma sapateada e faz toda a platéia rir. Volta para o microfone e diz – “Desculpe-me, não sapateei por nervosismo, mesmo estando nervosa, mas para espantar qualquer encosto. Eu não acredito em macumba, mas é melhor não arriscar, vai ver existe”. – Dar um tempo, respirando fundo e continua – “Bem eu não esperava ter que me apresentar, porque geralmente me apresentam: alguns falando bem outros mal, contudo, sou sempre apresentada. Mas já que tenho que me apresentar, vamos lá: Meu nome é Margarida da Silva; devo ter tido pai, mas não o conheço; sou solteira e tenho 18 anos; fui camelô de balas, de doces, de flores e hoje sou empresária do ramos de decoração; estudo arquitetura e fui eleita vereadora no pleito passado, no município de Empadresópolis, com 138 mil votos...”

 

Nisso um gaiato da platéia, corta gritando- “Tem namorado ou está desimpedida?” – Ai uma gaiata responde –  “Não!! Ela é virgem!!” – E toda a platéia cai na gargalhada a ponto do presidente da mesa intervir pedindo silêncio e respeito a convidada.

 

Margarida também rir e se dirige a mesa – “Posso responder?” – O presidente diz que “sim, se é complemento de sua apresentação”. E ela se dirige ao gaiato – “Bem, eu não tenho namorado físico, ainda, mas sou comprometida com alguém que aprendi a amar. Em relação a ser virgem, posso confirmar e dizer que não tenho vergonha de ser virgem. É sinal que ninguém me usou como objeto sexual, ainda. Já que não tive tempo de, sequer, pensar em sexo, trabalhando e estudando das 05h00min as 24 h e, às vezes, até mais tarde, durante toda a minha vida, desde nove anos de idade. Eu não tive família. Eu morava, praticamente, na rua, vendendo produtos que eu comprava para sobreviver. A minha história não é um biografia política armada em outra geração para usar com objetivo político, as testemunhas de minha lutar andam por ai e podem ser constatadas a qualquer hora.”

 

O mesmo gaiato levanta o braço e pergunta – “Você pode provar que é virgem” – provocando, outra vez, a gargalhada geral.

 

Margarida espera o auditório silenciar e responde – “Não sei” – Vira para a mesa e pergunta – “Posso provar, doutor presidente?”

 

A mesa rir e o Presidente chamam atenção da platéia e depois da própria vereadora – “Vereadora, você não está aqui para provar a sua vida intima. Isso não interessa a mesa nem a OAC. Continue”

 

Margarida volta para a platéia e continua – “Viu? Até a mesa riu. Os conceitos mudaram. Hoje a virgindade de uma garota é motivo de riso até para senhores que tem filhas adolescentes. Mas se o mundo não fosse assim, tão hipócrita, com tantos conceitos retrógrados baseado em falsos pudores, eu provaria. Convidaria algumas medicas, me dirigiria para um canto qualquer do auditório, com um muro feminino constituído por alunas de medicina, me mostrava e provaria. Não uso o pudor ou conceitos mesquinhos para fugir. Mas posso fazer isso por uma causa, nunca por dinheiro, nem para conseguir emprego ou por uma nota melhor em qualquer exame. Mesmo não tendo nada contra usar o corpo como objeto de troca, seja por qualquer motivo, já que todos usam o corpo para tudo, principalmente o artista das artes cênicas. Sou contra usar o corpo, entregando a virgindade para prender um moleque, que se acha gostoso, como namorado”.

 

Da platéia uma garota diz – “Mas você disse que já se mostrou quando criança para conseguir dinheiro para comer e para comprar balas e doces e vender. É mentira, então?”

 

- “Não é o que estou dizendo? Eu até quase aos 10 anos passei muita dificuldade e era obrigada a deixar que me olhassem para conseguir dinheiro, mas não me passar mão. Fui obrigado a isso porque a Nação Curropana não tem quem defenda a criança e o adolescente. Nos entregam camisinhas, que furam provocando a maternidade precoce, e nos usam para arrumarem contribuições de empresários e da população em geral. Mas isso é uma outra história. Depois dos onze anos eu aprendi a juntar dinheiro e subir de posto, vendendo flores e cresci socialmente assim. Porém, se hoje eu perdesse tudo e fosse obrigado a procurar emprego e tivesse de usar o meu corpo, eu usaria sem pudor imbecil ou conceitos retrógrados. No entanto, nunca me entregaria aos moleques para provar o meu amor ou para os prenderem à mim, porque não sou idiota”. – Volta para a mesa – “Senhores. Acho que já me apresentei e bem. Não tem nada de minha vida que eu não tenha falado” – Sorrir e continua – “Pode mandar as perguntas. Perdi o medo”

 

- “Pensei que você fosse ficar só na apresentação, discutindo com essa galera...” – Comenta rindo e continua – A mesa pede que você explique por que falou para um jornal que o MP e a OAC não cumpre o seu papel?

 

- “Bem... Desculpe-me, presidente, mas o senhor disse que minhas revelações foram “embaladas por algumas denúncias”. Algumas denúncias? Então, os senhores não lêem jornais. Não conhecem a situação prisional de Currópo onde a maioria está presa ilegalmente, de conformidade nossas leis. Os advogados têm que usar a corrupção para soltar alguém, porque as leis são ignoradas pelos policiais. Tem cidadão presos sem um julgamento e até sem inquéritos. Nossas cadeias são pior que os campos de concentração da Alemanha na 2º guerra mundial. Diz que minto?” - Olha para a mesa, não recebe resposta e continua – “Claro, que a OAC não tem culpa dos cidadãos estarem sendo presos ilegalmente, pois é uma associação de advogados, não é o Ministério Público. Mas é culpada pela fragilidade dos advogados e da advocacia em si; é culpada por existir advogados de portas de cadeia, de ruas, como advogados camelôs nas portas das juntas da justiça trabalhistas, pescando trabalhadores demitidos... Não consegue proteger os próprios advogados. Tem advogados sendo processados em tudo que é tribunal sem uma defesa digna; tem advogados sendo revistados em portas de delegacias, de presídios e até na entrada de bancos... Cadê a OAC nessa hora?  Está com medo de mexer em casa de marimbondo? Com medo da mídia? Com medo da opinião pública? Os advogados de Currópo têm que ser assistido em todos os campos pela Ordem, ou Não? Se existisse uma Ordem de Advogados atuante, não precisaria que uma mulher, VIRGEM, mal saída da adolescente, viesse defender advogados marginalizados pela própria Ordem. Mas será esse um de meus deveres? Creio que sim, pois serei, a partir de março, a vereadora de todos que votaram em mim, incluindo ai, os advogados de minha cidade, que estão abandonados pela Própria Ordem (OAC)”.

 

‘O custo da justiça no Brasil é muito grande por causa da demora promovida pela burocracia, pela incompetência,  displicência ou negligência dos servidores do judiciário... E por causa da corrupção e ou babação de saco aos poderosos... Assim os advogados que assistem as classes: ‘media’, ‘operária’ e ‘pobres’ não têm condição de arcar com esse custo e acabam se tornando advogados camelôs ou advogados mendigos ou advogados 171, sem respeito das autoridades arrogantes (corruptas), que passaram a respeitar mais o profissional influente que as leis. Hoje se uma pessoa é presa ilegalmente e não tem um advogado medalhão, desses influentes, não solta o seu cliente. Pode é até ser acusado de alguma coisa e preso num total desrespeito às leis, à profissão, ao profissional e à OAC, que se encolhe para não se ‘sujar’ á vista da opinião pública e se manter como um órgão elitista e sem compaixão ou sem dedicação a justiça’.

 

“Já em relação ao Ministério Público a coisa é mais complexa, porque os procuradores são indicados por políticos, eles não têm poderes morais sobre os seus padrinhos. Eu até entendo...”

 

“Eu pensei em propor a criação de uma fundação para me ajudar nessa luta contra a corrupção em Currópo, mas me fizeram desistir porque o MP poderia me tirar o apoio do Órgão com algumas canetadas e artimanhas, usando o artigo 30 do Código Civil e 1.204 do Cód. de Processo Civil. E o Ministério Público é a Advocacia do poder público, mantida por lei para defender os interesses da administração e de toda a população. Onde está? Vem servindo a quem? Ao povo não é senão ninguém seria preso sem assistência advocatícia. Serve aos políticos. Eu só disse “que o Ministério Público é os Procuradores (federais, estaduais e municipais), os promotores de justiça, os procuradores do trabalho. E que a eles deveriam caber a tarefa de defender o interesse que não pertence a uma só pessoa, mas a toda a população. Mas fazem? Se cumprissem com suas obrigações de maneira ética e austera,  Currópo não estaria do jeito que está” Disse mais: “que a base da corrupção pode está ai, na MP, pois eles são indicados por políticos quadrilheiros, não são eleitos diretamente pelo povo” O que eu disse de errado? Isso todo o povo de Currópo quer dizer, eu só traduzir a vontade de meus eleitores”.

 

A platéia silencia e a mesa fica desarrumada. A ex Juíza se remexe em sua cadeira e Margarida se cala olhando para a mesa. Um advogado a chama de abusada. O presidente da mesa toma a palavra e começa – “A OAC mantém seccional em quase todos os municípios de Currópo, pronto para atender os advogados e a quem procurá-las, portanto, não é verdade que a OAC não assiste seus advogados e o povo de uma maneira geral. Estamos de olho em todos os tribunais auxiliando as leis e até as casas legislativas em todos os níveis. Você Vereadora está começando mal, acusando uma instituição das mais sérias de Currópo. Mas sua reclamação ficará registrada para possível apreciação do conselho e daremos uma resposta em breve.” – finaliza – “Vamos ao próximo escrito. Você tem a palavra, doutor Geraldo”

 

Doutor Geraldo é o mesmo que a chamou de abusada.

 

- “Bem garota, vou te chamar assim porque você é uma menina... E uma menina abusada. Se estivesse numa CPI estaria presa...” 

 

- “Certamente doutor. E me sentiria privilegiada” – Corta Margarida.

 

- “Ainda não te dei a palavra” – Diz o advogado, e continua – “Respeitamos a sua falação agora respeite a minha palavra” – Pára, olha para ela e continua – “Minha pergunta nada tem a ver com a sua vida íntima, que você parece está muito segura e é bem desenrolada. Tem a ver com leis e com seu aparente desconhecimento de política, mesmo que pelo que observamos você vem bem assessorada juridicamente. Tenho pena da nossa amiga e ilustríssima jurista, Doutora Carmem Capeli, que é uma espécie de maga das leis, respeitadíssima no mundo inteiro. Ela vai passar um bom bocado com você e com essa sua rebeldia adolescente. Mas deixa para lá. Vamos a minha pergunta: Em sua cidade devem ter sido eleitos 21 vereadores e você não é mais que uma mesmo sendo a mais votada.  Pelo que pude perceber pesquisando agora aqui, é que você não tem apoio certo nem do seu partido porque não trabalhou com o seu candidato a prefeito; você tem prometido muito, e alguém disse que suas promessas são muitas até para uma cidade como New York. Sei também, pelo que você disse em suas entrevista, que pretende ameaçar e usar o poder dos votos recebidos e o apoio popular que pretende conseguir para forçar apoio, para conseguir o que quer... Dê uma palhinha para nós e explique o que pretende fazer? Saiba que nos nestes últimos 4 anos, em seu município, já morreram 4 vereadores, todos assassinados. Hein? Dê um palhinha?

 

 - “Doutor Geraldo, sei que o senhor já foi candidato. Sei também que teve 380 votos. Então, eu posso imaginar que o senhor não é um bom entendedor de política, não a ponto de valer-se de tanta arrogância política. O mundo político geralmente não é o que aparenta ou o que é visivelmente ostentado. A maioria dos políticos vive blefando como nos jogos de baralho e empurrando com a barriga o cargo, esperando ser reeleito ou eleito para um cargo mais em cima. Todos vivem atrás de dinheiro porque para eles se manter no cargo o custo é enorme. Não dar para pagar com o próprio salário, com o salário ridículo que recebem. Isso é de conhecimento público. Repito que não tenho medo de ser cassada. Eu já disse aqui e confirmo, que se isso acontecer eu me consideraria privilegiada, próximo a grandes vultos de nossa história. E não vou parar a lutar porque se me cassarem ou roubarem o meu cargo de vereadora a mim conferido pelo povo. Eu vou cumprir o meu mandato de quatro anos como vereadora, de qualquer maneira! Até como cassada!  Lutando com o poder das 138 mil procurações, em prol do povo. Talvez, cassada, eu tenha mais tempo para lutar. Não preciso de um palco na Câmara para lutar. O que eu precisava era os votos e isso eu tenho. Não entrei para a política para ganhar dinheiro ou para seguir carreira, entrei porque é um direito do cidadão,  eu sou uma cidadã,  Eu quis influir politicamente e mostrar minhas propostas. Claro,  que eu não precisaria do cargo de vereadora para lutar por meus direitos e pelos direitos do próximo, mas, com o aval da população, eu me colocaria ao nível dos políticos. Foi o que fiz: apresentei-me e a população me colocou no nível deles. Agora é só usar esse poder que o voto me confere. Não é o cargo de vereadora que me faz forte. São os votos. Tive mais votos que o prefeito! Creio que os senhores ainda não me compreenderam. São os votos que me faz ser forte e a assumir tanta responsabilidade. Não é o cargo ou o salário. AGORA, EU NÃO PRECISO SER EMPOSSADA PARA LUTAR. JÁ ESTOU ESCALADA PARA COMEÇAR A LUTAR A PARTIR DE MARÇO PRÓXIMO, QUE É QUANDO PASSA A VALER OS VOTOS QUE RECEBI. E ESTOU ME PREPARANDO PARA ESSA BATALHA. Como farei? Usarei as leis, que os senhores não usam. Se estiver na lei que a criança tem que ser assistida, eu vou lutar pela assistência à criança? Se tiver na lei que a criança tem que ser respeitada, eu vou lutar para que elas tenham respeito devido; se está na lei que a criança tem que ter escolas, eu vou lutar para que haja escola em cada bairro; Se as comunidades carecem de postos de saúde, eu vou lutar para que os postos de saúdes estejam lá para atender a comunidade... E assim atuarei no campo da habitação, do laser, dos esportes, da cultura... Buscando sempre a dignidade levada pela corrupção. Eu vou lutar os quatros anos por esses direitos. Se estiver na lei que é crime corrupção, eu vou lutar para que os corruptos saiam da vida pública, se possível, diretamente para a cadeia. Não vou fazer política. Vou trabalhar. E preciso da ajuda daqueles que querem lutar pela dignidade que se esfacela em nossa Pátria mãe. NÃO PRECISO DE MILAGRE, existem as leis. O bicho vai pegar mesmo!

 

Olha para a mesa, para a platéia e continua - ”Em relação às mortes dos vereadores, eu também estou consciente. Só que penso diferente. Não acredito que eles morreram porque lutava pelo povo, já que não temos visto políticos lutando pelo povo, mas sim pelos partidos e por seus pares nos grupos políticos.” – Dar um tempo, revirando os escritos que fez e se volta à mesa – “Antes de devolver a palavra à mesa, esclareço: que meu projeto não serve para New York, porque em New York não tem crianças se prostituindo nos bares, trabalhando como camelôs sem atuação das assistentes sociais das varas da infância. Não tem delegacias cheias de presos sem julgamento sendo torturados e comendo mal, não tem morros cheios de favelados e pessoas marginalizadas (sem casas, com banco público metendo a mão nos juros), Não tem uma Telemar cobrando taxas básicas de todos sem oferecer os créditos devidos, comprando filhos de políticos (até do presidente da República)... Não tem uma juventude e cidadãos fazendo biscates aqui e ali para sobreviver, não falta água, não existem gatos de luz por necessidade, não tem 20% de desempregados... Não tem dengue, febre amarela, 50 mil casos de câncer de mama, gente morrendo com a tuberculose... Não falta saneamento básico, escolas... Acho que esta mais para Serra Leoa, o pais mais pobre do mundo. Não?” – Encerra.

 

Doutor Geraldo, pega a palavra, exigindo direito de resposta e diz – “Garota, eu não fiz campanha política, entrei porque fui indicado pelo meu partido, e atuo em política desde antes de você nascer. Mas tenho que confessar que você tem um gogó de ambulante (mesmo!) e merece respeito. E isso me deixa na obrigação de te alerta para tomar cuidado com os verdadeiros bandidos!”

 

O Presidente da Mesa pede as pessoas para retirar perguntas repetidas, legando as horas, e sobram poucos escritos, entre eles, um advogado da mesa e uma jornalista – “Tem a palavra doutor Cleber”

 

Doutor Cleber é direto – “Vereadora, afinal, qual é a ajuda que espera de nós?”

 

- “Eu no início, ou seja: antes de pesquisar, eu queria que vocês fortalecessem a seccional da OAC de Empadresópolis com advogados respeitados que pudesse influir favoravelmente contra a corrupção no município, mas depois eu percebi que isso seria ruim para a classe de lá, pois isso equivaleria a uma intervenção branca. Percebi que os cânceres da OAC são, na verdade, essas influências ou círculos de influências que vem cassando os direitos e o respeito devido aos advogados da população menos assistidas e quem mais depende de advogados. E, percebi a tempo, que essa intervenção seria sacana não uma ajuda. Hoje eu quero que vocês valorizem a classe sem intervir, lutando com o povo para moralizar a justiça, ajudando o povo a ter uma justiça dentro de um prazo justo. A pior injustiça que há em Currópo é a falta de justiça devido à desmoralização do judiciário por causa de sua morosidade que beneficia os réus ricos. Peço que lute por rapidez na justiça, incluindo ai, leis severas contra o atraso de processos, com prazos pré-fixados para cada caso. Peço que usem a influência da instituição para a valorização dos advogados e da justiça. Peço que dê valor às  seccional dos municípios menores para que a justiça lá também ocorra, o que não tem acontecido. Vocês da Ordem não dão valor a seccional de Empadresópolis. Quem são os representantes de Empadresópolis na Ordem aqui ou no DF? Mas consciente do desprezo de vocês pelos pobres e menos influentes, eu optei por um plano B. Secreto, por enquanto.” – Ela falar e rir. – “E queria conhecer os senhores, como vereadora, porque como prestadora de serviço eu já conhecia muitos dos senhores... No geral só espero é o tratamento devido a todos, sem privilégios. Espero, por outro lado, não ter sido arrogante ou antipática a vista dos senhores.”

 

O Presidente da mesa pede a jornalista para fazer a ultima pergunta, para dar por encerrado a reunião... Mas ninguém se mexer na platéia.

 

- “Vereadora” – Começa a Jornalista – “Hoje soubemos que você esteve no Copacabana Palace que tem uma diária de R$ 1, 300,00 por dia, fora outras despesas podendo, chegar aos 2 mil reais por dia... Tem tanto dinheiro assim?

 

Margarida - “Quem dera eu pudesse me hospedar ali... Não pelo dinheiro, que hoje posso perder R$ 2.000,00 um dia ou outro, mas porque não tenho tanta classe ou estilo para aquele ambiente. É muito luxo para uma ex-camelô, mas adorei ir visitar uma amiga lá. Porém, não tenho coragem de trocar minha liberdade por regras imposta pelo luxo. Gosto de apreciar, mas não de me trancar num cofre forte. Não gostaria de ser presa a etiquetas sociais.”

 

Jornalista - “Você não disse quem foi visitar lá e o que queria?”

 

Margarida - “Nem vou contar. Não sou fofoqueira, mas não fui visitar nenhum político corrupto ou ladrões ou empresários sonegadores.”

 

Jornalista - “Observamos que existem três seguranças ai fora. Adotou seguranças?”

 

Margarida - “Não. Não tenho segurança. Não que eu saiba. E não sou tão importante. Nem preciso.”

 

Jornalista – “Espera ser protegida por deus?

 

Margarida – “Não! Quero que deus ajude os pobres, principalmente, as crianças usadas pelos pedófilos, as crianças que catam lixos nas ruas e nas lixeiras, algumas acompanhando os pais até a noite, nos centros das cidades, para pode ter o que comer... Estou cheia de ‘ver’ esse deus criado a semelhança do homem, ajudando políticos corruptos, donos de ONGs sacanas, empresários desonestos, padres pedófilos, falso profetas encarnados como pastores de igrejas... Não quero a ajuda desse cara, não! Quem se mistura com porcos farelos vai comer um dia”.

 

Jornalista – “Não acredita em deus?

 

Margarida – “Acredito, mas não nesse deus que ajuda ladrões, corruptos, sonegadores, falsos profetas e padres pedófilos a não serem presos e deixa as crianças abandonadas e sem nem mesmo direito de defesa. Na America do Norte a igreja católica pagou mais de dois bilhões de dólares de indenização, aqui a mídia defende os padres pedófilos e a igreja não paga nada. E se for processados a justiça vai demorar tanto, que toda a geração morrer e a igreja não paga”

 

 – “Vereadora qual o seu deus? – Sai uma voz da platéia?

 

- “Sabe que não sei. Não sou intimo d’Ele. Ele nem me dar bola, graças a Deus!!! – E rir.

 

A Jornalista que ainda tem a palavra, volta a perguntar - “A Ex Juíza, Dra Carmem Capeli, vai ser sua assessora?”

 

Margarida - “Não tenho tanto prestígio para isso. Ela é uma amiga e que luta contra a corrupção no mundo todo, e está aqui como observadora. Claro, que me ajuda muito estando ao meu lado.”

 

Jornalista - “Ultima pergunta, já que todos já estão cansados, você pretende provar que é virgem?”

 

Margarida - “Provar a quem e por quê?”

 

Jornalista - “Provar que é virgem ao povo, esse povo que você tanto enaltece e que vivem rindo de sua virgindade?”

 

Margarida - “Não vejo ninguém rindo de mim. Não na minha frente, mas até eu, às vezes, duvido de mim mesmo e rio de minha virgindade” – Rir e continua – “Talvez eu faça ou aceite ser examinada por uma junta médica gratuita, mas não para o exame ser publicado por revistas.”

 

Jornalista – “Agora é a ultima pergunta mesmo. Se você aceitar ser examinada, eu poderei te acompanhar para registrar a façanha?”

 

Margarida – “Não. Você é muito famosa não precisa de mim para nada. Eu procurarei uma jornalista iniciante e também valorosa que precisa da matéria. Todos têm que ter espaço.” – Cai numa risada alegre levando o auditório junto.

 

A Mesa passa a palavra para uma pessoa da platéia e essa olha um papel que carrega e diz – “Vereadora. Meu nome é Valéria, sou estudante de comunicação. Eu gosto do seu jeito de falar. Tomara que você realmente atue do mesmo modo que fala. Eu tenho duas perguntas para lhe fazer: Uma diz respeito à Telemar e o filho do presidente da república, até hoje não compreendi. Sabe mais que eu? Gostaria que você explicasse melhor. E a outra é a respeito da solução para a defesa de pobres na justiça, já que o pobre não pode pagar advogados como bem deve saber. Qual é seria a solução?”

 

Margarida – Vixxi!!! Espero as complicação daqui” - e aponta para mesa – “e vem daí. Suas perguntas, Valéria, se complementam. A solução para ambas as perguntas é diminuir o prazo da justiça. Que justiça é essa que demora uma vida e as vezes até mais de uma geração para solucionar um problema e punir alguém? A Telemar só abusa porque o povo não tem defesa (não temos advogados porque as despesas são caras, nem defensoria pública porque essa está nas mãos dos políticos bandidos, que aceitam que seus parentes sejam comprados até com contratos com generosas remunerações). Eu tenho em minha mãos algumas contas de telefones de pessoas que pagam a tal taxa de assinatura e não tem direito a crédito algum porque parcelaram as contas e pagam atrasado”.

 

“A pessoa paga todo mês mais de R$ 230,00 e seu telefone só funciona do dia 7, 8 ou 9 (dependendo dos dias úteis) ao dia 17 ou 18, no máximo. Isso tudo de conformidade com o contrato, porque essa pessoa parcelou uma conta em 10 vezes. Quer dizer que a Telemar ganha nos juros, atuando como banco, e nos pulsos negado ao assinante. Como pode acontecer? Simples: Essa paga atrasada todo mês. A conta vence dia 13 e ela paga no dia 1, 2, 3, 4 ou 5 do mês seguinte (dependendo do seu pagamento). Acontece que pelo contrato de financiamento, depois de 5 dias de atraso o telefone é cortado e só liga depois do quinto dia após o pagamento, podendo chegar a 7 dias se a conta for paga no sábado ou na sexta-feira a tarde. Porém, ela paga a taxa de assinatura básica que lhe dar direito a 100 minutos e pela razão não poderia ser desligado enquanto não usasse os seus créditos  devido pelo pagamento da assinatura básica (antes desse governo inventar o telefone para pobre, mais caro que os dos ricos, e ou do Lullinha começar a trabalhar para a Telemar, a assinatura básica oferecia era 100 pulsos que era igual a 400 minutos, pois cada pulso era durava 4 minutos, não de 100 minutos de hoje. Fomos roubados em 300 minutos em uma única canetada). Mas não é só isso. A Telemar, sem concorrência no Rio de Janeiro, cobra o que quer pela internet na Baixada Fluminense, que pode custar até R$ 174,00 a Velox de 1 MB... As injustiças provocadas pela Telemar, sem que alguém mexa com ela, são enormes. E o povo não tem advogados para ingressar com processos. As defensorias públicas exploram e humilha o pobre se este for procurá-los, fazendo o cidadão madrugar nas filas, no frio e sobre o risco da violência atual e somente depois das 8h distribui 20 números, sem a certeza atender o cidadão, porque causa da exigência, contrário as leis, de uma série de documentos autenticados e com firma reconhecida. São bandidos ou trabalham como bandidos! E eu vou fiscalizar isso também, e se encontrar erros eu vou processar procuradores, estagiários de advocacias e selecionadores de filas em defesa de meus eleitores. Eles não podem fazer isso com os cidadãos. Vamos brigar com a Telemar, que pode comprar, contratando filhos, até os ministros do STF e do STJ, que não vai adiantar”.

 

“Minha resposta: Eu estou como você sem saber o que aconteceu, de verdade, na transação da Telemar com o filho do presidente. Estou como você esperando um esclarecimento da Telemar, do Lullinha ou do Lullão, mas parece que nenhum deles (nem pai nem filho ou a Telemar) se sente na obrigação de esclarecer a opinião publica o que aconteceu. Acho que pra eles, não significamos nada. Só sei que depois dessa transação, apareceu o telefone para pobre onerando o público e tirando direitos, depois fizeram uma mágica e transformaram os pulsos de 4 minutos em um único minuto (majorando os custos em até 233%, além do aumento normal que já era grande: a assinatura básica subiu de R$ 18,00 para mais de R$ 42,00 nesse governo – mais que o salário mínimo). Por outro lado, eu não acredito que o Lulinha seja um menino prodígio das comunicações e ou da internet para a Telemar pagar tanto por ele. Pra mim, há muitos garotos realmente prodígios navegando na Net por esse Currópo afora”.

 

“Em respeito à defesa de pobres na justiça?  Posso garantir que há muitos serviços para advogados e dinheiro para todos, pois os pobres têm direitos a serem requeridos, acrescidos de indenizações e atrasados, suficiente para pagar os custos dos processos e os serviços advocatícios. Processos esses com total garantia de sucesso, pois são direitos constitucionais e pagam os custos quem perde.  E quem perderá serão aqueles que negam ou usurpam esses direitos (empresários governos...). Hoje em dia os usurpadores e exploradores do povo (governos e empresários), jogam com a morosidade dos processos (da justiça) para ganhar e fazer acordos com os lesados. Demora tanto uma causa que eles suspendem as reclamações em troca de mixarias. Outros nem entra com processo porque sabem que demorará uma vida sem solução para quem reclamou perdendo tempo, dinheiro e se estressando por um direito. Assim, os banco roubam um pouquinho de cada um, a Telemar rouba impulso enquanto der para eles roubar... As lojas vendem qualquer coisa sem qualidade (sabem que não vão indenizar ninguém), prometem e não cumprem, cedendo os direitos, os seguros não pagam as indenizações, as crianças não têm escolas, o povo não tem postos de saúde nem hospitais, as ruas estão cheias de buracos danificando os carros e provocando acidentes... Há propaganda claramente enganosas feitas com auxílio de celebridades, sem que ninguém reclame, colocam soda causticas nos leites e não indenizam ninguém... Quem esse povo vai recorrer se a morosidade da justiça é injusta e favorece os ricos bandidos ao mesmo tempo que aumenta os custos das reclamações?

 

Eu culpo a OAC que não olha pra nada, fazendo vista grossa a todas as injustiças que tem acontecido em Currópo.

 

O custo processual é grande mesmo. Não dar para o advogado bancar nem com a ajuda do pobre cliente. Veja:

 

O Advogado paga para estudar, depois paga o aluguel do escritório, IPTU, computadores, água, luz, taxa de condomínio, telefone, computadores, internet. Paga a secretárias e despesas com o escritório de um modo geral. Tem o custo cartorário. Tem que pagar ainda as passagens para a secretária ou outros auxiliares para investigar e o processo demora demais... Como manter essas despesas, por qualquer processo, por longo tempo? Tem que ser feito alguma coisa e urgente! Serviço os advogados têm e muitos, porque há muita injustiça e muitas empresas explorando os consumidores, os trabalhadores, e os políticos ricos nos governos explorando o público em geral, mas eles, esses advogados de pobres, não têm como trabalhar de forma correta e acabam perdendo a causa (processo) ou empurrando com a barriga também na espera de um milagre, ou aceitando acordos prejudiciais aos seus clientes, por não podem buscar provas com uma investigação séria sem dinheiro. Já os advogados que trabalham com os ricos podem correr atrás de equipes para forjar, investigar, analisar, vistoriar... Apostando na morosidade. E aparecem seus serviços. Não porque sejam melhores, mas porque tem recursos (dinheiro), podem ir atrás das provas e ou de documentos para complementar o processo e ainda tem a demora que lhe favorece. O Advogado pobre não pode pagar um cafezinho todos os dias porque o dinheiro tem que sobrar para a gasolina (passagens ou transportes) e para as despesas processuais mínimas”. -  Acaba de falar, olha para mesa e diz, encerrando – “ACORDE OAC! ACORDE PARA DEFENDER A POPULAÇÃO CURROPANA!!!” VAMOS LUTAR PARA A AGILIZAÇÃO DA JUSTIÇA! POIS DO JEITO QUE ESTÁ NÃO HÁ JUSTIÇA PARA POBRES EM CURRÓPO!”

 

 O Presidente da mesa olha as horas, quase meia noite, e diz - “Vereadora, antes de encerrar, explique como a OAC pode ajudar mais, na sua concepção, a população Curropana? Mas seja breve, você adora falar” – rir comentando – “Parece um velho caudilhos, porém saudoso, que conhecemos bem. E você é tão novinha...”

 

- “Vocês têm poder (dinheiro e acesso a mídia), porque não usam em defesa do povo buscando a agilização da justiça. Aliás, todos os delegados corruptos, todos os juízes, grande parte dos políticos são advogados...” – Pára olha para todos, tira o microfone do pódio e fica com ele não mão, chegando mais para a mesa. E continua – “Sugiro que a Ordem compre 30 minutos na rede Globo diariamente, antes do Jornal Nacional, e inicie uma campanha para esclarecer a população de seus direitos, criticando a morosidade da justiça, denunciando injustiça promovida por essa morosidade que é absurda e que prejudica tanta gente trancando direitos e dinheiros das indenizações nas mãos dos sonegadores e usurpadores. Pra se ter uma idéia, o povo não sabe que a constituição diz “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;” porque a polícia mete a mão, prende e até mata e a tortura física e  psicológica é usada constantemente em Currópo; que “a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;” que ninguém pode ficar sem a assistência de uma advogado: que “o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;” que “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;”... Se essas leis fossem respeitadas não existia tantos presos em delegacias e presídios sem assistência e até sem julgamento... Cadê os mutirões para vistorias nessas delegacias e presídios para ver quantos presos ilegais há? Desculpas, mas vocês, dirigentes de ONGs, não fazem quase nada. Vivem como reis e ganhando para isso. Não são diferentes dos senhores feudais dos impérios de outrora. Eu aqui encerro”. – Olha para a mesa e parece que ninguém ligou para o que ela disse devido o cansaço e a vontade de fugir dali e fala devolvendo o microfone ao pódio – “Espero não ter mais nenhuma pergunta, porque estou cansadinha. Só quero passar num barzinho para beber um chope e escutar uma música ao vivo. Aonde tem um local bem legal para irmos?

 

A platéia começa a descer e ir de encontro a ela para cumprimentá-la, com alguns perguntam se pode acompanhá-la no tal barzinho... E provocam uma enorme confusão... Ela rir, abraça, beija e diz: “que sim! Mas que nem sabe para onde vai. Que só tem certeza que vai a algum lugar porque precisa.” Num instante alguém sugere um local e vão à frente para organizar o local para a galera. Márcia, sua amiga, instrui seus funcionários, que limparão tudo, e segue com a galera na frente, incluída na bagunça. A Juíza fica com Margarida conversando com os conselheiros da Ordem e essa pede a doutora para fazer companhia aos conselheiros e explicar que seu modo de falar não é rebeldia. Rindo diz – “Aproveite, Doutora! Vamos dançar” – Uma turma entra no carro de Margarida para orientá-la no percurso até o bar fazendo a maior baderna.

 

No bar a maioria esquece-se de política, incluindo Margarida e Márcia. Márcia porque quer relembrar os tempos de gandaia e Margarida porque sempre esteve do lado de fora vendendo suas flores, doces, chicletes e balas; reúnem-se em mesas destacadas alguns grupos de jovens, a juíza e alguns advogados para discutir interesses políticos de grupos. Os jovens querendo aprender, ter apoio e opiniões daqueles juristas sobre suas ideologias verdes ainda; a ex-juíza interessada nas políticas da OAC e os conselheiros querendo saber da vida social e profissional na área internacional da qual a ex-Juíza é mestra.

 

Já são quase quatro horas da manhã quando as amigas se preparam para ir. A Juíza já tinha ido. Dividas ficou nas mesas, Márcia acerta as contas e duas seguem para o apartamento do Flamengo.

 

Às dez horas da Margarida já está em pé, fazendo exercícios quando a amiga acorda. Esta retorna os telefonemas para a empresa e sabe que está tudo bem tendo a frente o Raimundo, arquiteto que paquera lhe Márcia. Ela, ainda se queixando da ressaca começa a preparar um lanche rápido para ambas comerem e Margarida sai para correr dizendo que tem que jogar para fora, suando, o álcool consumido naquela madrugada.

 

Márcia adora tirar retratos, e com tantos fotógrafos e cinegrafistas na assembléia da OAC e no bar para onde foram não cabe inquietação e liga a tevê para saber das notícias gravando tudo que pode. Descobre que pouca coisa boa, da noite anterior, foi noticiada.

 

 

 

Continua...

 

 

 

 

              NÃO É O FIM DO CONTO. A HISTÓRIA DE MARGARIDA CONTINUA.

 

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