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Uma alteração aos olhos do nosso cão - devida a ferimento, doença ou infecção - é, normalmente, facilmente perceptível. E não fossem estes o principal meio de comunicação entre o cão e o homem!

As exsudações e as inflamações do olho são os problemas mais vulgares. No caso das irritações, os cães coçam os olhos com as patas, o que pode originar ferimentos acidentais à superfície do olho, na córnea, sobretudo nas raças com olhos protuberantes.
Quanto às modificações no interior do olho, estas são, na maioria dos casos, mais difíceis de se observarem. Algumas delas, como a atrofia progressiva da retina, têm carácter hereditário e podem levar à cegueira. Outras alterações internas podem ser um indício de qualquer doença noutras partes do corpo do cão.

As anomalias no olho devem ser imediatamente comunicadas ao veterinário com urgência. Este poderá examinar o olho do animal com um oftalmoscópio.



A imagem acima representa a estrutura do olho, como pode ser facilmente perceptível.

Para se produzir uma imagem, a luz passa através da córnea (a superfície do olho), e depois pelo cristalino dentro, que foca os raios nas células sensíveis à luz da retina.
Este fenómeno gera impulsos que são conduzidos ao cérebro através do nervo óptico, formando a imagem que o animal observa.
Existem também células diferentes na retina que auxiliam os cães a verem em ambientes pouco iluminados.


O quadro abaixo fornece informações importantes relativas aos problemas da vista e como combatê-los:


Problemas da Vista
Sinais e Distúrbios Descrição Procedimentos
Exsudação não purulenta

Infecção 

Irritação

Alergia

Olho poodle

As lágrimas escorrem normalmente por um canal até à porção posterior do nariz. Se devido a infecções o muco ou a inflamação obstruir os canais lacrimais, as lágrimas vertem escorregando pelo focinho. O excesso de lágrimas é por vezes produzido para acabar com irritações ou como reacção a uma alergia. O lacrimejamento constante pode manchar o focinho de castanho (olho poodle). Consulte um veterinário imediatamente, uma vez que o excesso de lágrimas é muitas vezes um sinal de outros problemas bem mais graves O veterinário pode lavar os canais lacrimais desobstruindo-os e tratar as infecções com antibióticos.
Exsudação purulenta

Olho seco

Se as glândulas lacrimais não conseguirem produzir lágrimas em número suficiente, o globo ocular aparecerá, inicialmente, baço e sem brilho. É então que a bactéria invade, causando uma tenaz exsudação amarela. Este distúrbio é bastante comum nos cães mais velhos, sendo considerado um problema grave. Consulte imediatamente um veterinário, visto que uma falta de lubrificação pode levar à infecção e à cegueira. O olho seco pode ser tratado com antibióticos e lágrimas artificiais, apesar de por vezes ser necessária uma correcção cirúrgica que passa pela transferência de um canal salivar para o olho.
Inflamação

Conjuntivite

Alergia

Distiquiases

Entrópio/Ectrópio

Ferimentos

Infecção da glândula da 3ª pálpebra

Glaucoma

Corpo estranho

As conjuntivites, as alergias ou a irritação somática devido ao pó, vento, pólen ou champô são todas elas causadoras da inflamação do olho. O mesmo acontece com as situações hereditárias, como as distiquiases (pestana que sai da glândula de meimóbio e se dirige à córnea no globo ocular) ou as pálpebras viradas para dentro ou para fora (entrópio e ectrópio). A inflamação é igualmente causada por lesões - infecção da glândula da terceira pálpebra - e pelo glaucoma, um aumento da pressão do líquido dentro do olho, devido a lesão ou doença. É urgentemente necessário tratamento veterinário. Se o olho não estiver ferido, os anti-inflamatórios podem ser usados em combinação com outros tratamentos. Os problemas hereditários podem precisar de correcçào cirúrgica, e tal como estes a glândula da terceira pálpebra quando excessivamente inflamada. O glaucoma necessita de um tratamento de redução da pressão para toda a vida; contudo se a dor for demasiada, é melhor que o olho seja removido cirurgicamente.
Perda da transparência (queratite)

Infecção ou lesão na córnea

Catarata

Problemas do cristalino

Envelhecimento

Olho azul

Quando a córnea é danificada através de lesão ou doença, retém líquido e torna-se turva, apresentando-se opaco ou com uma cor azul-acizentada (keratitis). Uma mudança semelhante de cor ocorre no cristalino quando se forma uma catarata, o que pode levar à cegueira, ou ainda, se o cristalino sair da sua posição normal (luxação). O envelhecimento produz uma opacidade gradual do cristalino (esclerose), sobretudo nos cães com mais de dez anos de idade. O olho azul é uma perda de transparência do globo ocular devido a uma profunda inflamação da córnea, por vezes relacionada com uma hepatite infecciosa. Os ferimentos córneos são graves e é necessário um diagnóstico veterinário preciso e imediato. Os resultados do tratamento são muitas vezes excelentes, mas dependem da extensão da lesão. As cataratas e os cristalinos luxados só podem ser removidos cirurgicamente quando a cirurgia redunda num melhoramento da visão. Por vezes, ao fazer uso de técnicas microcirúrgicas, o veterinário pode implantar lentes plásticas internas no olho afectado.
Hemorragias

Ferimentos

Prolapso do globo ocular

As pálpebras são muito frequentemente danificadas em lutas de cães. A hemorragia de sangue no olho acontece depois de um forte trauma originado por lutas ou por acidentes de viação. As raças com olhos protuberantes, como os pequineses, são propensas ao prolapso do globo ocular, situação esta em que o globo ocular é empurrado para fora da sua órbita. E necessária atenção veterinária imediata. As feridas devem ser limpas e suturadas. Um olho que sofra de prolapso pode ser de novo metido na sua órbita, sendo por isso necessário suturar as duas pálpebras por uma semana para o colocar no lugar. A medicamentação oral e tópica reduz o inchaço e a infecção.
Ausência de visão

Atrofia progressiva da retina (APR)

Apoplexia

Anomalia do olho collie (AOC)

Displasia da retina

Envelhecimento

A atrofia progressiva da retina, um problema hereditário em que a retina se deteriora, não é aparentemente notório, com excepção do cão afectado que passa a ficar confuso em ambientes que lhe sejam estranhos, começando a ir de encontro aos objectos. Pode ser difícil de detectar a perda de visão a partir de ataques apoplécticos, bem como de uma doença retinal hereditária da raça dos collie, conhecida como anomalia do olho collie. A displasia da retina é um defeito congênito que implica uma dobragem ou deslocação da retina e que pode originar cegueira. Um veterinário pode examinar o interior do olho com um oftalmoscópio. Por o APR, a AOC e a displasia da retina serem problemas da visão hereditários, os cães afectados e os seus parentes mais próximos não devem ser utilizados na procriação. Alguns dos cães afectados continuam a ver apesar da sua situação ocular; se a cegueira se desenvolver lentamente, muitos desses cães conseguem enfrentar bem a situação.
Tumefacções

Tumores da pálpebra

Quistos

Tumores do olho

 

Os tumores da pálpebra aparecem como uns aumentos protraídos, castanhos ou pretos, na extremidade da pálpebra, sendo muito comuns em cães com mais de seis anos de idade. Se o tumor roçar na superfície do olho, pode causar uma exsudação serosa e danificar a córnea. Os quistos também se podem desenvolver nesta zona, mas estes assemelham-se a tumefacções na pálpebra. Inicialmente, os tumores no olho causam protuberâncias às quais está associada uma inflamação. Os tumores da pálpebra são quase sempre benignos e podem ser removidos cirurgicamente com sucesso. Os quistos também devem ser extraídos se provocarem irritação. O único tratamento para tumores raros dentro do olho é a remoção total do mesmo. Com a extracção das extremidades das pálpebras, estas são suturadas sendo capazes de criar um bom resultado estético.

 



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