Simpósio Drogas e Álcool na
História do Brasil



Local:

ICHS - Instituto de Ciências Humanas e Sociais da
UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto

Mariana - Minas Gerais


Data:

25 a 27 de junho de 2003


Inscrições:

No local, dia 25, a partir das 9h
Taxa: R$ 10,00


Mais informações:

Apoio.

Veja a programação!


Renato Pinto Venâncio

Henrique Soares Carneiro

Comissão Organizadora

DEHIS/UFOP

Durante a Época Moderna, os europeus difundiram bebidas alcoólicas junto às populações indígenas do Novo Mundo. As inovações trazidas pelos colonizadores incidiram primeiramente nos padrões de consumo. De maneira geral, a ingestão dos vários tipos de bebidas indígenas era coletiva e regulamentada por um calendário religioso. Os invasores trouxeram o hábito do consumo individual e cotidiano. O aumento desse consumo foi acompanhado pelo crescimento da violência interna nas aldeias e pela diminuição do tempo dedicado à agricultura e à caça. As perturbações na dieta alimentar decorrentes dessas transformações levaram os grupos indígenas a se tornarem ainda mais frágeis frente às doenças difundidas pelos colonizadores.

A partir do século XVI, os padrões de consumo de drogas pré-coloniais também foram afetados. Antes da chegada dos europeus, além do tabaco e várias plantas alucinógenas, como a ayahuasca, a jurema, o peiote, eram consumidos diversos cogumelos e plantas excitantes, como a coca ou o guaraná. A maior parte destas substâncias foi perseguida durante a colonização, que proscreveu os seus usos sagrados, criou formas novas e mestiças, e ainda o uso clandestino de plantas psicoativas tradicionais.

Outra mudança importante, vinculada ao projeto colonial, foi a introdução de escravos africanos no Novo Mundo e, com eles, novas drogas, tais como a maconha. Ao mesmo tempo, o tráfico de escravos difunde no mundo africano a aguardente, transformação que altera profundamente os padrões de consumo de bebidas alcóolicas entre aqueles povos.

Um terceiro nível de transformação, registrado na Época Moderna, refere-se à alteração dos padrões de consumo de bebidas alcóolicas entre as populações de origem européia. Durante o século XVI, a difusão de bebidas destiladas era relativamente restrita. No século XVII e, principalmente, no século XVIII, esse padrão sofre uma profunda alteração: é dado início à produção de bebidas alcóolicas destiladas acessíveis às massas populares.

O simpósio Drogas e Álcool na História do Brasil, séculos XVI-XIX tem por objetivo discutir estes temas, assim como o mundo simbólico e os ritos que envolviam o consumo do álcool e das drogas; o uso farmacêutico da bebida alcóolica e das drogas; as formas de repressão ao consumo das mesmas e os sistemas de produção e comercialização a elas subjacentes.

Responsável pela página: Miguel Tadeu Vicentim

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