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Mediador
e expiação - A
aplicação do sangue expiatório durante o ministério mediatório
dos sacerdotes era também vista como uma forma de expiação (Levítico
4:35). Em inglês, o termo atonement (expiação)
implica reconciliação entre duas partes que se achavam rompidas.
Assim como a morte expiatória de Cristo reconciliou o mundo com
Deus, assim a Sua mediação, ou aplicação dos méritos de Sua
vida sem pecado e morte substitutiva, faz da reconciliação ou
expiação com Deus uma realidade pessoal para o crente. O
sacerdócio levítico ilustra o ministério redentor que Cristo tem
desempenhado desde a Sua morte. Nosso Sumo Sacerdote, que serve
"à destra do trono da Majestade nos Céus", trabalha como
"ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o
Senhor erigiu, não o homem" (Hebreus 8:1 e 2). O santuário
celestial é o grande centro de comando, de onde Cristo conduz Seu
ministério sacerdotal em favor de nossa salvação. Ele é capaz de
"salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo
sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:25). Portanto,
somos estimulados a nos aproximar "confiadamente, junto ao
trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça
para socorro em, ocasião oportuna" (Hebreus 4:16).
No
santuário terrestre, os sacerdotes desempenhavam dois ministérios
distintos - o ministério diário no lugar santo, ou primeiro
compartimento, e o ministério anual no lugar santíssimo, ou
segundo compartimento. Esses serviços ilustravam o ministério
sacerdotal de Cristo.
O
ministério no lugar santo
- O ministério sacerdotal no lugar santo do santuário poderia ser
caracterizado como um ministério de intercessão, perdão,
reconciliação e restauração. Sendo contínuo provia contínuo
acesso a Deus, através do sacerdote. Simbolizava a verdade de que o
pecador arrependido dispõe de imediato e contínuo acesso a Deus
através do ministério sacerdotal de Cristo como intercessor e
mediador (Efésios 2:18; Hebreus 4:14 a 16; Hebreus 6:20; Hebreus
9:24; Hebreus 10:19 a 22). Quando
o pecador penitente vinha ao santuário com um sacrifício, depunha
as mãos sobre a cabeça do inocente animal e confessava seus
pecados. Esse ato transferia simbolicamente seus pecados e
penalidade para a vítima. Como resultado, ele obtinha perdão de
suas transgressões. Assim estabelece The Jewish Encyclopedia:
O
sangue da oferta pelo pecado era aplicado de duas formas:
-
Se
ele fosse levado para o lugar santo, era aspergido diante do véu
interno e colocado nos cantos do altar de incenso (Levítico 4:5
a 7; Levítico 4:17 e 18).
-
Se
não era conduzido para o lugar santo, sua colocação era feita
nos cantos do altar de holocausto, no pátio (Levítico 4:25 e
30). Nesse caso, o sacerdote comia parte da carne do sacrifício
(Levítico 6:25, 26 e 30). Em ambos os casos, os participantes
entendiam que seus pecados e responsabilidades eram transferidos
ao santuário e seu sacerdócio.
"Nesta
parábola ritual o santuário assumia a culpa e a responsabilidade
do penitente - pelo menos durante certo tempo - quando o penitente
oferecia a oferta pelo pecado, confessando seus erros. Ele saía
dali perdoado, certo da aceitação divina. Assim, no serviço antítipo,
quando um pecador é levado pelo Espírito Santo a aceitar a Cristo
como seu Salvador e Senhor, Cristo assume seus pecados e
responsabilidade. Ele é perdoado graciosamente. Cristo é o Fiador
do crente, bem como o seu Substituto." Tanto no tipo quanto no
antítipo, o ministério do lugar santo centraliza-se primariamente
no indivíduo. O ministério sacerdotal de Cristo providencia o perdão
do pecador e sua reconciliação com Deus (Hebreus 7:25). "Em
consideração a Cristo, Deus perdoa o pecador arrependido,
imputa-lhe o reto caráter e a obediência de Seu Filho, perdoa seus
pecados, e registra seu nome no Livro da Vida, como um dos Seus
filhos (Efésios 4:32; I S. João 1:9; II Coríntios
5:21; Romanos 3:24; Lucas 10:20). E a medida que o crente permanece
em Cristo, a graça espiritual lhe é mediada através de nosso
Senhor, por meio do Espírito Santo, de modo que ele alcança
maturidade espiritual e desenvolve as virtudes e graças que
refletem o divino caráter (II Pedro 3:18; Gálatas 5:22 e
23)". O ministério no lugar santo efetua a justificação e
santificação do crente.
O
Julgamento Final. Os
eventos do Dia da Expiação ilustram as três fases do divino
julgamento final. São elas:
-
O
"julgamento pré-milenial" ou "juízo
investigativo", que também é conhecido como julgamento pré-Advento";
-
O
"julgamento milenial" e
-
O
"julgamento executivo", que ocorre ao final do milênio.
O
Ministério no Lugar Santíssimo. A
segunda divisão do ministério sacerdotal acha-se centralizada
primariamente no santuário, tendo a ver com a purificação do
santuário e do povo de Deus. Essa forma de ministério, que
focalizava o lugar santíssimo do santuário e que podia ser
desempenhada tão-somente pelo sumo sacerdote, limitava-se a um único
dia do calendário religioso.
A
purificação do santuário requeria dois bodes - o bode do
Senhor e o bode emissário (Azazel,
em hebraico). Ao sacrificar o bode do Senhor, o sumo sacerdote
efetuava a expiação pelo "santuário [na verdade, 'santuário'
em todo este capítulo refere-se ao lugar santíssimo], pela tenda
da congregação [o lugar santo], e pelo altar [o pátio]" (Levítico
16:15 a 21). Tomando o sangue do bode do Senhor, o qual representava
o sangue de Cristo, e levando-o para o interior do lugar santíssimo,
o sumo sacerdote aplicava-o diretamente, na própria presença de
Deus, ao propiciatório - a cobertura da arca, dentro da qual
estavam contidos os Dez Mandamentos - a fim de satisfazer as
exigências da santa Lei de Deus. Sua ação simbolizava o
imensurável preço que Cristo teria de pagar pelos nossos pecados,
revelando quão ansioso Deus Se sente por efetuar a reconciliação
de Seu povo consigo mesmo (II Coríntios 5:19). Então, o
sumo sacerdote aplicava esse sangue ao altar do incenso e ao altar
dos holocaustos, os quais haviam sido diariamente aspergidos com o
sangue que representava os pecados confessados. Dessa forma, o sumo
sacerdote efetuava a expiação pelo santuário, bem como pelo povo,
efetuando assim a purificação de ambos (Levítico 16:15 a 21; Levítico
16:30 a 33).
Passo
seguinte, representando a Cristo como mediador, o sumo sacerdote
assumia sobre si próprio os pecados que haviam poluído o santuário
e os transferia para o bode vivo, Azazel,
o qual era então conduzido para fora do acampamento do povo de
Deus. Este ato removia os pecados do povo, os quais a esta altura
haviam sido simbolicamente transferidos dos crentes arrependidos
para o santuário através do sangue ou da carne dos sacrifícios do
ministério diário de perdão. Desde modo o santuário era
purificado e preparado para mais um ano de atividade ministerial (Levítico
16:15 a 21; Levítico 30:37). E assim todas as coisas eram colocados
em ordem entre Deus e Seu povo. Vemos
assim que o dia da expiação ilustra o processo de julgamento que
lida com a erradicação do pecado. A expiação levada a efeito
nesse dia "prefigurava a aplicação final dos méritos de
Cristo a fim de banir a presença do pecado por toda a eternidade, e
para empreender plena reconciliação do Universo, sob o governo
harmonioso de Deus".
 

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