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A Reforma Amarniana no contexto da XVIIIª Dinastia Egípcia
Uma das características do Antigo Egito era a sua estabilidade. Portador de uma cultura que pouco se alterou ao longo de sua trajetória histórica, em determinado momento, mais especificamente durante a XVIIIª dinastia, foi cenário de uma revolução radical em seus fundamentos básicos. O faraó Amenhetep IV, também conhecido como Akhenaton, foi o principal protagonista desse acontecimento. Contrariando o poder do clero de Amon, institui um novo deus, Aton (*), alterando assim as formas de pensar as questões religiosa e artística, sob um ângulo até então inédito do ponto de vista do entendimento e da assimilação popular.
Apesar do isolamento geográfico do Egito, em decorrência de situar-se entre dois desertos, seu principal acesso era feito pelo delta do rio Nilo. Durante o Novo Império, mais especialmente na XVIIIª dinastia, esse país veio a abrir-se a novas influências estrangeiras, iniciando-se assim um processo de "internacionalização". Nesse contexto, somadas às inovações já inseridas em sua cultura pelos invasores hicsos, vieram as novidades decorrentes dos contatos estabelecidos com os povos subjugados e anexados ao seu território.
É nesse cenário que assume o trono o faraó Amenhetep IV, protagonista de uma revolução cultural nunca antes ocorrida na história egípcia. Trouxe como proposta a conclusão de uma série de reformas de cunho religioso e político que pouco a pouco vinham se consolidando, resgatando, assim, os poderes anteriormente perdidos em favor do poderoso clero do deus Amon, deidade que constituía a fonte de adoração da religião oficial de então.
Popularmente conhecida como uma revolução religiosa, essa reforma tem, antes de qualquer coisa, profundas raízes políticas de luta entre os dois poderes mais fortes do Antigo Egito: - o rei, que culturalmente corresponderia à representação do deus na terra. Entretanto, um movimento dos segmentos tradicionais da sociedade, detentores de poderes aos quais não desejavam abrir mão, levou ao retorno da situação anterior, numa flagrante reação às inovações que então estavam sendo inseridas naquela cultura que se mantinha por milênios praticamente inalterada. Numa mistura formada pela negação do “novo”, pela luta para manutenção de poderes instituídos e por um profundo sentimento religioso, entendemos tratar-se de um dos mais importantes momentos da história da terra de Kemet.
(*) Embora tenhamos conhecimento da existência, em momentos anteriores à XVIIIª Dinastia, de uma deidade conhecida como Aton, esta nunca chegou a ser reconhecida como deus principal do Egito.
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