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O quadro da pesquisa sobre o tema no exterior e no Brasil

por Regina Coeli Pinheiro da Silva

A informação mais antiga que temos do olhar de um estudioso em Amarna data de novembro de 1714, e diz respeito ao trabalho de cópia feita pelo jesuíta Claude Sicard de uma das estelas demarcatórias da antiga cidade de Akhetaton ( atual Tel el-Amarna).

Entretanto, é somente no século XIX que se iniciam os estudos referentes ao período amarniano. Em 1824, J. Gardner Wilkinson descobriu as tumbas dos oficiais de Akhenaton, fazendo cópias dos painéis existentes. Os resultados desses achados só vieram a ser publicados mais tarde.

O ano de 1842 foi o da realização de uma grande expedição originária da Prússia, financiada pelo rei Friedrich Wilhelm IV, sob a coordenação de Richard Lepsius, discípulo de Champollion. Nos anos de 1843 e 1845 realizaram um extenso levantamento da cidade de Amarna. Entretanto, de todas as descobertas que vieram à luz até o momento, aquela referente à tumba de Tutankhamon em 1922 por Howard Carter veio a se constituir no achado de maior impacto dentro e fora do meio acadêmico. Embora essa tumba não se localize na cidade de Amarna, esse rei viveu grande parte de sua vida nessa cidade, estando associado ao movimento amarniano. Podemos dizer que, do ponto de vista da literatura estrangeira, os estudos sobre esse período já apresentam uma boa síntese do que possivelmente possa ter ocorrido, embora alguns pontos ainda suscitem dúvidas, como é o caso da existência de uma possível corregência entre Akhenaton e seu pai Amenófis III, do papel desempenhado por Nefertiti na reforma empreendida por seu esposo, ou da sucessão após a morte do faraó.

Nomes com os de Champollion, Robert Hay, Nestor L’Hôte, Karl Richard, Wilkinson, Flinders Petrie, Norman de Garis Davies, Ludwig Borchardt, Teodore Davis, Weigall, Sir Leonard Wooley, John Pendlebury, Joachim Spiegel, Breasted, Cyril Aldred, Donald Redford, Nicholas Reeves, Erik Hornung, dentre outros, se revezam dentre aqueles que se destacaram e ainda se destacam por seus estudos e tentativas de entendimento e reconstrução do período Amarniano e do reinado do faraó Akhenaton. Alguns estudos mais recentes (REEVES, 2001) buscam trazer novas propostas de interpretação aos dados existentes, principalmente aqueles que dizem respeito a uma provável co-regência entre Akhenaton e Nefertiti, e a coroação desta como faraó do Alto e do Baixo Egito.

Destaque deve ser dado ao trabalho de compilação em dois volumes realizado por Geiffrey T. Martin, intitulado "The Royal Tomb at El-'Amarna - The Rock Tombs of El-'Amarna - part. VII" datado de 1974, em que são arrolados os objetos, textos e imagens da tumba real em Amarna.

Quanto às produções acadêmicas nacionais, podemos observar que os temas "Akhenaton" e "período amarniano" não têm sido contemplados conforme a sua importância na história do Antigo Egito assim exige. Entretanto, algumas poucas produções compõem o repertório acadêmico, dentro os quais citamos:

Ciro Flamarion Cardoso, em O Egito e o antigo Oriente Próximo na segunda metade do segundo milênio a.C., nos apresenta uma análise das "cartas de Amarna", documentos diplomáticos da XVIIIª dinastia egípcia; em Considerações Funcionais Acerca das Cidades Egípcias do Reino Novo (XVIIIª - XXª Dinastias), são discutidos os aspectos urbanos e rurais de três cidades egípcias do Reino Novo, dentre as quais Akhetaton, capital do Egito fundada por Akhenaton; em As práticas religiosas individuais no antigo Egito durante o 3º milênio a.C. e a 1ª metade do segundo: Um programa de pesquisa, este autor analisa a participação dos diplomatas estrangeiros nos cultos a Aton, realizados ao ar livre, sob o sol e considera a possibilidade de Akhenaton ter tido um comportamento fanático com relação ao seu culto; e, em Deuses, Múmias e Ziggurats – Uma comparação das religiões Antigas do Egito e da Mesopotâmia, Cardoso nos apresenta uma comparação entre as religiões do Antigo Egito e a Mesopotâmia, expondo seus princípios básicos, cosmologias e cosmogonias, as divindades, a vida após a morte, a religião funerária, análise dos cultos e templos. Na página 27, encontramos uma referência à reforma de Akhenaton, entendida como a forma mais próxima do monoteísmo que o Antigo Egito chegou a conhecer. Destaca a ausência de mitos na religião atoniana; outro ponto por ele colocado e que merece destaque, refere-se à sua opinião exposta em Antiguidade Oriental - Polítita e Religião, em que à página 11, observa que, na realidade, a mudança de culto empreendida pelo faraó não teve por base um possível aumento de riqueza por parte do clero de Amon, uma vez que, na realidade, "os templos eram parte integrante e inseparável do aparelho do estado. Ao entregar terras, rebanhos, barcos, homens e outros elementos produtivos à gestão templos e suas burocracias, o rei tomava uma medida administrativa, (...)" de gestão de tais bens. Ele não abria mão de servir-se deles, quando julgasse conveniente; em De Amarna a Ramsés, Cardoso, dentre outras colocações calcadas nos novos estudos sobre Akhenaton e seu período, e alegando total ausência de provas, questiona a existência de uma oposição feita à reforma atoniana por parte dos sacerdotes de Amon. Para esse autor, tal fato não passa de criação de romancistas e cineastas. Cláudio Prado Mello com seus estudos Sistema Mortuário Privado na XVIIIª Dinastia e A vida no Além: Concepções de Ressurreição e Imortalidade na XVIIIª Dinastia Egípcia, localiza sua atenção no período que inclui o episódio que pretendemos estudar, mas não entra em detalhes com relação aos acontecimentos ocorridos no período amarniano.

Marcio Luiz Ramos D’Albuquerque em sua dissertação de mestrado intitulada O faraó Akhenaton e a heresia amarniana - uma leitura historiográfica de Cyril Aldred, questiona a aplicação do termo "heresia" ao processo de reforma instaurado por Akhenaton. Publica na revista eletrônica do Instituto Uruguayo de Egyptologia o trabalho Heresia no Reinado de Akhenaton – um conceito revisitado, onde apresenta um resumo da sua dissertação de mestrado ;

Com Margareth Marchiori Bakos, em A cidade está na moda, há pouco tempo: reflexões gerais, a cidade de Akhetaton nos é apresentada como sendo o primeiro exemplo de construção de uma capital enquanto instrumento de reforma política-cultural; (1998:221-223)

Um outro título, porém fruto de estudos de caráter não acadêmico também merece ser citado. Referimo-nos ao livro de Fernando Monteiro, Akhenaton, Ascese e Revolução, em que o autor propõe um modelo de biografia desse faraó, acompanhado de observações de cunho particular.

Júlio Gralha, em seu livro (elaborado a partir da sua dissertação de mestrado) Deuses, Faraós e o Poder: Imagem e Legitimidade do Deus Dinástico e do Monarca no Antigo Egito – 1550 1070 a.C. apresenta um estudo onde podemos encontrar mais informações sobre Akhenaton e sobre a XVIIIª dinastia, especialmente nos capítulos I e IV, (parte Akhenaton; o Deus Vivo e a Dualidade da Teologia de Amarna), onde são considerados aspectos importantes sobre o período em questão.

Tais trabalhos, em sua maioria, não têm como enfoque principal o estudo específico do reinado de Akhenaton ou o episódio amarniano. Embora tratem eventualmente de pontos relacionados cronologicamente a esse período ou a ações diretas desse rei, seus focos de interesses encontram-se orientados para outros temas. As informações relacionadas ao nosso período de estudo servem apenas de meios, de complementos, aos seus objetivos teóricos, não se constituindo como tema principal dessas pesquisas.

Existem outros títulos que tratam do assunto especificamente, mas referem-se porém a reconstruções biográficas romanceadas, e que não serão considerados em nossos estudos.

Três obras que, embora não estejam dentro do quadro das produções nacionais por serem traduzidas, merecem ser citadas como fontes de pesquisa em língua portuguesa, uma vez permitirem o acesso às informações relacionadas a Akhenaton e ao período amarniano. São elas:

a) - Akhenaton e Nefertiti - o casal solar, de Christian Jack que trata estritamente do tema relacionado a este projeto;

b) – Nefertiti e Akhenaton - o casal solar, do mesmo autor, que, numa edição pela Bertrand Brasil no ano de 2002, apresenta uma nova obra, sem nenhuma relação com a anteriormente citada;

c)- As Religiões no Egito Antigo – deuses, mitos e rituais domésticos, onde, principalmente no artigo O Divino e as Divindades no Antigo Egito, David P. Silverman apresenta suas considerações sobre o faraó Akhenaton.

Novas informações serão anexadas a esse texto com o objetivo de sua atualização.

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