Entrevista dada para o suplemento infantil Clubinho, do jornal O Povo, do Ceará

O POVO CEARÄ 14-06

Ana Mary C. Cavalcante

     

Eles trouxeram uma cobra, um sapo, um mosquito e a Mãe Natureza. A peça é um musical feito para crianças e adolescentes e que fala sobre ecologia, vida e morte. Na história, Kayky é o Pedrinho (filho do guarda-florestal) e Sthefany se transforma no Mosquitinho medroso. Não deu para eu ir assistir porque estudo à noite. Mas duas crianças foram no meu lugar (melhor, né?) e contam o que acharam da história.

Kayky Brito, 14 anos, começou a trabalhar na novela Chiquititas (SBT). Ele tinha quase dez anos e o nome do seu personagem era Fabrício. Antes de fazer a peça É o Bicho..., ele atuou em Marcelo Marmelo Martelo (história escrita por Ana Maria Machado). Depois, virou o Zeca na novela O Beijo do Vampiro (Globo). Agora que a novela acabou, e antes que a outra comece, Kayky quer jogar muito futebol e video game.

A irmã do Kayky, Sthefany, estuda teatro desde 1995. Ela tem 15 anos (aliás, quase 16 porque o aniversário dela é dia 19, quinta-feira). Fez algumas peças no começo da carreira e participou de muitos desfiles e comerciais. Depois do sucesso de Chiquititas (Sthefanie era a Hannelore), ela não parou mais: fez a novela Um Anjo Caiu do Céu (em 2001), o filme As Vidas de Maria (em 2001), a novela O Clone (em 2002, quando foi a Samira) e está na novela Agora É que São Elas (com a personagem Elis, que namora o Hugo). Além de apresentar os desenhos da TV Globinho.

No dia da entrevista, você nem imagina quem o Clubinho encontrou também no hotel... (Outra surpresa!) A tia Nastácia! Ela veio do Sítio do Picapau Amarelo para participar da peça É o Bicho, a Ordem Natural das Coisas. Tia Nastácia foi convidada para fazer um papel especial, ao lado do Kayky e da Sthefany: ela é a Mãe Natureza, que toma conta das flores e dos bichos (inclusive, do bicho homem). Depois da conversa, tia Nastácia mandou duas coisas para você: um pote de doce de leite, feito na cozinha do Sítio, e um beijo bem gostoso. Mas só sobrou o beijo...

Por causa da Samira (de O Clone), Sthefany foi premiada ''atriz revelação'', ano passado, em São Paulo. A receita do sucesso? Rebeca Sapeca descobriu para nós, visitando o site da Sthefany na Internet (www.sthefany.kit.net/index2.htm): ''O sucesso é muito bom, você conhece pessoas legais, todo mundo te conhece, mas a gente nunca sabe o nosso dia de amanhã... Então acho que em todos os momentos da sua vida você tem que ter humildade. Esse é o principal segredo das pessoas que tem sucesso e sabem manter''

Mexendo na Internet, Rebeca Sapeca encontrou um texto que o Kayky escreveu sobre ele mesmo. E copiou para vocês (o texto está no site www.kaykystar.cjb.net, junto com um monte de fotos do Kayky):

''Com 6 anos eu era tão loirinho que meu apelido era alemão. Eu falava muito, sempre fui extrovertido e inquieto. Eu amava nadar. Também jogava futebol e judô. Vivia quebrado. Já quebrei o braço e no futebol um dedo da mão no judô. Também já me cortei a altura da sobrancelha.

Nunca fui um excelente aluno, mais também nunca tirei notas baixas. Fico na média. Foi no colégio que dei meu primeiro beijo, aos 7 anos. Estava no recreio e puxei a menina para trás da porta. A professora pegou e minha mãe foi chamada na secretaria''.

Você vai conhecer, agora, a Sthefany e o Kayky. E vai perceber que eles são iguais a você. Quer dizer: o Kayky mexe nas coisas da Sthefany, a Sthefany tira nota melhor do que o Kayky na escola, o Kayky enreda para os pais toda vez que a Sthefany arranja um namorado... Os dois brigam e fazem as pazes.

Quem conversou com eles, no hotel, foi a Rebeca Sapeca. A Rebeca é uma menina muito curiosa, que tem oito anos, e quer ser jornalista quando crescer. Sabe por que a Rebeca quer ser jornalista? ''Pra perguntar tudo o que eu tenho vontade'', ela diz. Com a Sthefany e o Kayky, foi assim:


Clubinho - Quando meu irmãozinho nasceu, eu queria que ele fosse uma menina, mas ele foi um menino. E quando o Kayky nasceu, Sthefany, você queria que ele fosse uma menina pra brincar com você?
Kayky Brito - Ela nem falava, nem pensava!
Sthefany Brito - (risos) Eu era muito pequenininha... Ô mãe, quando o Kayky nasceu, quantos meses eu tinha?
a mãe da Sthefany e do Kayky - Um ano e três meses.
Sthefany - É... Quando o Kayky nasceu, nem tinha essa preferência. E eu era uma ''mãe-irmã''. Cuidava dele, queria trocar fralda, dar comida na boca dele, queria ajudar minha mãe, sabe?

Clubinho - Você acha o Kayky legal? Quando ele é chato?
Sthefany - Chato quando ele quer mexer nas minhas coisas! Ele quer saber meus segredos... Como todo irmão, a gente, às vezes, briga, mas a gente se dá mais bem do que briga.

Clubinho - Sthefany, você já escreveu diário e o Kayky inventava de ler?
Sthefany - Sempre tive uma agenda, escrevia e tal, aí, uma vez, ele chegou para mim: ''Eu li toda a sua agenda''... Fiquei de-ses-pe-ra-da, né?! Porque você escreve dos meninos...

Clubinho - Ele ainda mexe nas suas coisas?
Sthefany - Agora, não!

Clubinho - O Kayky deixa você namorar em paz ou vai enredar pra sua mãe e pro seu pai toda vez que você arranja namorado?
Sthefany - (risos) Nunca ele deixa eu namorar em paz!

Clubinho - Você tem muito ciúme dela, Kayky?
Kayky - (fazendo que não estava ouvindo) Hã?

Clubinho - Você tem muito ciúme da Sthefany?
Kayky - Não, é só eu conhecer o cara, saber quem é...

Clubinho - Sthefany, quando você quer conversar ''assuntos de menina'', você conversa com quem?
Sthefany - Minha mãe, minhas amigas.

Clubinho - E você, Kayky, queria ter uma irmã menino ou menina?
Kayky - Menina, já tá ótimo! Mas eu queria ter um menino também, um garoto da minha idade, ou até mais novo.

Clubinho - Você toma conta da Sthefany?
Kayky - Tomo, tomo, sempre!

Clubinho - Quando é que a Sthefany é chata?
Kayky - Acho que nunca. Irmão nem sempre é chato... Existem brigas de irmãos, mas sempre por motivos bobinhos.

Clubinho - E na hora de jogar futebol, você joga com quem?
Kayky - Agora, não tenho mais tempo de jogar futebol! Isso era no século passado! (risos)

Clubinho - Sthefany, por que você quis ser atriz?
Sthefany - Desde pequenininha, eu já estava em frente ao espelho fazendo gracinha. Aí, minha mãe me colocou no teatro achando que era tudo brincadeira, sabe? E eu acabei gostando. Fiz curso de teatro sério, entrei pra uma agência. Comecei fazendo comerciais, fiz Chiquititas, fui pra Globo e foi ficando tudo muito sério...

Clubinho - Aí, o Kayky te imitou e quis ser ator...
Sthefany - Aí, o Kayky quis também, né, Kayky?
Kayky - É.

Clubinho - Kayky, você é muito calado...
Kayky - Sou, sou... Eu sou menino tímido! (risos)

Clubinho - Mas, agora, você vai falar: quando você começou a trabalhar na televisão, você só tinha dez anos. A Sthefany já trabalhava na novela. Vocês não acham que começaram a trabalhar muito cedo? Criança não é mais pra brincar?
Kayky - Pois é, eu acho. Todo mundo fala, mas, quando você está fazendo uma coisa que você gosta, não tem o que reclamar.
Sthefany - Sempre perguntam pra gente: ''Vocês não acham que perderam a infância? Em vez de estarem brincando, vocês estavam trabalhando.... Muito pelo contrário...
Kayky - Acho, acho! (morrendo de rir)
Sthefany - Não, eu não acho! Você foi obrigado a fazer isso?
Kayky - Não... Eu comecei muito tarde, ela que começou cedo.
Sthefany - Comecei mais cedo do que ele, mas porque eu quis. Enquanto o Kayky ainda estava brincando, eu estava no teatro. Mas se eu estava ali todo dia é porque gostava. A minha infância foi diferente, mas nunca me arrependo de ter começado cedo.

Clubinho - Dá pra estudar e trabalhar ao mesmo tempo?
Sthefany - Tem que ter muita força de vontade também, responsabilidade. Não é fácil...
Kayky - Saber administrar.
Sthefany - É. De manhã, a gente deixa pra escola e, à tarde, ou tá gravando a novela, ou ensaiando a peça.

Clubinho - E dá tempo brincar também, se divertir? Qual é a hora que vocês têm de folga?
Sthefany - O único horário que a gente tinha era final de semana, mas, agora, a gente tá com a peça. Então, a gente passeia nas viagens. Por exemplo: aqui em Fortaleza, a gente foi ao mercado, conheceu umas feirinhas, deu uma volta na praia.

Clubinho - O que vocês fazem com o dinheiro que vocês ganham? Seu pai e sua mãe pedem dinheiro pra vocês?
Sthefany - Não!
Kayky - Não tem essa de pedir dinheiro emprestado.
Sthefany - Por a gente ter começado muito cedo, eles que sempre administraram, continuam cuidando e vão continuar cuidando... Quando a gente precisa de alguma coisa, a gente pede.

Clubinho - Seu pai e sua mãe dizem o que é para vocês fazerem e não fazerem, como na casa da Sandy e do Júnior?
Kayky - Ah, todo pai - não só o pai que tem filhos no meio artístico, os pais normais - sempre querem mandar no filho.

Clubinho - Vocês já ficaram muito de castigo? Quem era mais danado?
Sthefany - Quando a gente era pequenininho, o Kayky era mais quietinho. Quando a gente cresceu, eu é que fiquei quietinha e o Kayky acabou fazendo as traquinagens dele!

Clubinho - É mais fácil decorar o texto de uma novela ou a matéria de História?
Sthefany - Mais fácil? Ah, o texto da novela!

Clubinho - Vocês já tiraram nota baixa na escola por causa da novela?
Kayky - Não porque, a partir do momento que você entra na novela, você tem que dobrar a sua responsabilidade de estudar. Agora, eu sempre procurei estudar pra passar, entendeu?
Sthefany - Eu sempre fui melhor aluna do que o Kayky, tenho que confessar isso, Kayky, sinto muito! (risos)

Clubinho - Qual é a melhor coisa de ser famoso?
Sthefany - Acho que é o carinho das fãs, né?

Clubinho - Do que vocês sentem mais saudades do tempo que ainda não eram famosos?
Kayky - Acho que dos amigos, os nossos primos...
Sthefany - É. E todos os primos têm quase a mesma idade: 14, 16, 17. A gente era muito unido. Hoje, a gente tá morando no Rio, eles continuam em São Paulo, a gente nunca se vê... A gente tem saudade da vó.

Clubinho - Como é que a gente faz pra ser famoso, pra trabalhar na televisão?
Kayky - É necessário gostar e ter responsabilidade. E o pai também apoiar. E nunca desistir dos sonhos... Todo mundo fala que essa é uma frase decorada, mas é sempre a verdade.

Clubinho - Como é o ''beijo de novela''? Eu ouvi falar que não é beijo de verdade...
Sthefany - ''Não é beijo de verdade''... O que é que você acha, Kayky?
Kayky - Beijo de novela... Ah, não! A partir que você beija, acho que não existe beijo técnico, essas coisas, não. Beijou, beijou! (risos)
Sthefany - Imagina a próxima que tiver que beijar o Kayky na novela! (muitos risos)

Clubinho - Que gosto tem esse beijo ''de mentirinha''?
Sthefany - Não tem gosto: é de mentirinha! (risos).

Fotos da peça

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