DE GRILOS E MARGARIDAS
J.J. Oliveira Gonçalves
(Para Tahyane Rangel!)
Irmã de Caminhada-em-Beleza:
No jardim da boa avó materna também viviam níveas e virginais margaridas...
Viviam, lá, tantas e tantas flores... Belas, formosas, mimosas, coloridas, perfumadas...
E, lá, naquele jardim Sagrado, naquele Santuário deste poeta - então fascinado e quieto curumim - também viviam grilos... com seus cri-cri gostosamente metálicos e misteriosos...
E viviam, ainda, pássaros coloridos, frágeis e canoros... Inocentes prolongamentos de minha própria e cálida inocência...
Lá, escuta, minha amiga, viviam, ainda, meus bichinhos de estimação... Companheiros de minha infância - tão infantis quanto eu... Mesmo o mais velhinho - que finalizava sua Passagem por este Plano da Existência - continuava criança e cotidiano companheiro de minhas brincadeiras... de meus Sonhos infantis...
Sim, lá, ainda, por certo viviam Elementais que me encantavam... E aquele "amiguinho imaginário"... Aquele Querubim... Aquela Fada...
Ah, minha amiga: foi lá - no jardim da boa avó materna - que conheci minha primeira namorada... pequeninha como eu... enigmática como eu... até de tez semelhante à minha.
.. Ah, e essa namoradinha até hoje me acompanha e sopra muitos versos em meu coração... e cicia muitas rimas em minh'Alma... Carochinha... é o nome dela... Ainda, hoje, quando caminho o Epílogo desta dolente e saudosa Andança, ela voa... cantarola... saltita para mim - em meu terreiro... Ah, um dia, sei: voarei com ela... para o Sempre... E gozarei da Liberdade do Infinito... E ficarei, para sempre, com ela... E, com ela, voltarei a ser aquele curumim, minha amiga... Aquele que jamais imaginou que Deus lhe dera - quem sabe, naquele encantado jardim - a Lira dolente e doce de poeta... e as obrigações (inadiáveis!) de homem-comum...
É isso... minha amiga... Disseste sobre grilos e margaridas, hoje...
E, hoje, ainda, é o que te posso dizer de margaridas e grilos...
Que florescem e cantam nos escaninhos de minh'Alma... no pote de Mel do coração... Esses compartimentos sensíveis e etéreos... Onde guardo as verdadeiras Relíquias que garimpei nos leitos poéticos e escabrosos da Existência: meus Eternos e Fiéis Amores!!
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