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Rosa
de Sarom
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"Sempre
que olhamos para o ser amado vemos em seu rosto, o reflexo
de Deus em cujo altar já rezamos" (Platão)
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Isso!
É pedra do teu santuário!
Embora a chama tenha se espalhado
Em labaredas de direções contrárias,
Aquilo que pulsa
Sacratíssimo - se não sacramentado
Haverá de cavalgar todas as vidas.
(E)leito
Sem mácula
Lucerna Una
Trina e peremptória.
Ela se recosta em teu peito
Onipresente, Onisciente,e Onipotente
Onirismo Sacrossanto.
Animus meminisse horret,corpo declínio
Inútil,remida uma única vez.
E então, n'outra hóstia (de crivos e kafís)
Bebendo de si - Raça-de-víbora
Sem o antídoto das cisternas de Jerusalém
Condenado para sempre,
À sua pele-kali - Amém!
Para Carlo Carotenuto Filho
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Adriana
Manarelli- Araçatuba - SP
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Esfinge
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Quem
é você
que brinca de bem-me-quer
medeia esfinge medusa
na hora em que me lambuza
quando finge que é mulher?
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Hoje
acordei em Teerã
o vermelho sangue da pitanga
foi o que você deixou em minha tanga
quando beijou meu sexo de manhã.
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Artur
Gomes - Rio de Janeiro - RJ
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Regras
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me
bates
me abates
com a promessa de quilates
sou inesquecível
sensível de combustível comestível
necessária de mim gim rim
me enfatizas o sentimento
ressentimento pouco-caso
sou formidável amável autêntica
insaciável de água potável
me aterrorizas
sou esquisita senhorita hermafrodita
quem dita as regras de chibata
tapa tropa
me sensibilizas
sou digna fidedigna franca
fiel de fortuna garotão garanhão
me cutucas
sou falsa fanhosa todo-poderosa
maluca
me incentivas
sou patriota poliglota poeta
avançada de prosa provérbio advérbio
me ocultas
sou bisbilhoteira solteira misteriosa
carinhosa urbana suburbana
me rejeitas
sou tola tarada tinhosa
desenfreada de massagista
motorista mordomo
me aceitas
sou teimosa tagarela turrona
com ojeriza de visita coriza carona
me cuidas
sou avarenta ciumenta chique
no chilique de garçom governanta garganta
sou risonha rica rude
abundante de saúde segredo sonho
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3º
lugar - 9º Concurso Literário do Servidor Público do Estado
do Rio de Janeiro - 2000
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Denise
Teixeira Viana - Rio de Janeiro - RJ
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Meu
Nome
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I
Antonio, menino, vamos conversar:
por que foges do castigo, se ele vai te alcançar?
Prá que tanta rebeldia, socando ponta de faca?
Aonde te levam estas pernas de caminhar
tantas fugas, recusas, tanto ensimesmar?
Antonio, menino, por que blasfemas?
Que te leva ao prazer do sofrimento
ao pensamento avesso ou travesso
a contradizer o sim e a reiterar sempre o não?
De onde vêm estas idéias de suicídio
enquanto amas saturado e satisfeito?
II
Tantas páginas escreves! Tantas leituras
apressadas, tanta angústia de ser
tantas perguntas impossíveis, desejos
sonhos absurdos, planos inconseqüentes!
Que amigos são esses que não voltarás a encontrar?
Que lugares tu buscas que deixarão de existir?
Que amores te queimam que se vão dissipar?
Que idéias te movem que logo vais superar?
Acaso essa birra vale o que a motiva?
III
Frente a frente, somos dois desconhecidos
que se negam, contradizem, se acusam.
Espelho maldito a revelar o nosso estranhamento.
Não me acuses do que não fostes capaz!
Nada sou daquilo que pretendias ser!
Nunca fui amado tanto quanto querias!
Nem amei tanto quanto querias que eu amasse...
IV
Antonio, por favor, reconheça o teu fracasso
e deixa espaço para eu existir
sem ter que justificar-me diante de ti!
Deixa eu ser feliz no meu conformismo
- de achar que tenho o que mereço
enquanto tu deliras e deliras!
Por que estragas o meu sossego tão frágil
azedas a minha felicidade tão precária?
A partir de hoje o meu nome é Outro.
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Antonio
Miranda - Brasília - DF
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Ursa
Maior
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andarilho
de estrelas
vasto como um átomo
humano e coisa indefinida
habitante do mistério e da luz
vou destruindo muros aos murros
e ouvindo berros de alegria
e cansaço nos cardumes
do aleatório vivo
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Lau
Siqueira - João Pessoa - PB
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Soneto
568 Nazaretado
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Uns
dizem que de índia tinha cara;
a outros parecia um rapazelho.
Famoso mesmo foi o seu joelho,
além da voz, que mais se aveludara.
Veludo, mas cortante, coisa rara:
quer fosse a Lindonéia nosso espelho
ou fosse o Carcará bordão vermelho,
o fato é que, no mapa, a nata é Nara.
Da Bossa Nova é musa mais bem-quista.
Tropicalista diva, brilha quieta.
Rebelde mais serena não se avista.
Foi ídolo, na luta, do poeta,
ao mesmo tempo olímpica e humanista,
pois Nara é nata, é nota, é gata, é neta.
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Glauco
Mattoso - São Paulo - SP
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