MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)


Uma das características da civilização chinesa é sua capacidade sincrética. Contrariamente ao ocidente, na China os novos conceitos não anulavam os anteriores e sim, conviviam ao mesmo tempo. Não havia um processo dialético de síntese e nem a substituição do paradigma antigo por um novo. Isto fez com que conceitos contraditórios fossem usados ao mesmo tempo para explicar um fenômeno. Desta forma, podemos encontrar os seguintes aspectos no que chamamos medicina chinesa:

A saúde e a harmonia seriam conseqüência de não haverem extravagâncias ou excessos, sejam alimentares, sexuais, climáticos ou morais.

A tradição atribui a três personagens míticos (Fu Hsi, Shen Nong e Huang Di) as origens da filosofia e medicina chinesas.

Fu Hsi (ou Fuxi - 2953 a.C.) teria sido o primeiro dos três imperadores mitológicos, teria vindo a terra ensinar os seres humanos a caçar, pescar, o cozimento dos alimentos, fazer o calendário, estruturar as instituições sociais e de governo. Teria também deduzido e ensinado os Guas, ou trigramas, utilizados posteriormente no I Ching, através da observação da Natureza. A primeira referência a esta figura lendária aparece nos comentários de Confúcio ao mesmo I Ching. Nota: Os antigos chineses foram, talvez, o único povo do mundo a não ter um mito universal de criação. Se o tiveram, era tão pouco importante que não fizeram nenhuma menção a sua existência. Somente na época dos Han é que um mito deste gênero virá fazer parte do folclore chinês, sendo importado provavelmente das áreas que haviam sido recentemente conquistadas no sul do território; e ainda assim, será deslocado da mitologia tradicional e não será comentado pelos grandes historiadores da época. A História chinesa já começa nos seres humanos.

Shen Nong (2838 a.C.), o Agricultor Divino, segundo dos imperadores mitológicos, teria sido o responsável por difundir os conhecimentos e segredos da agricultura e também das plantas que curam e assinalou as tóxicas. Foi, juntamente com Huang Di, um dos precursores da medicina chinesa.

Finalmente, Huang Di, o célebre Imperador Amarelo, teria sido o responsável pela autonomia da medicina chinesa e pela difusão da acupuntura. A ele está relacionado o mais importante clássico da medicina chinesa, o Huang Di Nei Ching, também conhecido como Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo, cujo surgimento remonta ao primeiro milênio a.C (770 -221 a.C). Huang Di teve dois auxiliares versados nas ciências médicas, Chi Po e Lei Gong. O primeiro era hábil em prescrever, e o segundo, profundo conhecedor de acupuntura e moxabustão.

Estes três primeiros patriarcas teriam corpos e atributos de animais, o que indica que sua fixação teria se dado num estágio de transição da religião chinesa das práticas zoomórficas para o antropozoomorfismo, sendo possivelmente uma sobrevivência xamânica.

O Huang Di Nei Ching é um texto escrito em forma de diálogos, onde o Imperador Amarelo obtém informações de seu Ministro Chi Po a respeito de todas as questões ligadas à saúde; principalmente à arte de curar. O livro é uma compilação sistemática dos conhecimentos acerca da Medicina Tradicional Chinesa, versando sobre: teorias básicas da MTC; elementos de fisiologia e fisiopatologia; princípios de diagnóstico; procedimentos terapêuticos; orientações sobre a prevenção e tratamento de doenças. Quase toda MTC se baseia no Nei Jing, o qual desfruta de grande autoridade, pela riqueza de observações que contém seus ensinamentos sobre prevenção e tratamento de doenças.

O Nan Ching, conhecido como o Clássico das Dificuldades, é posterior ao Nei Ching, e completa algumas lacunas e deficiências deste. Foi escrito por Bian Que, um dos médicos mais importantes da antiga China; aliás, o primeiro a ter sua vida registrada em um livro de história oficial. Sua biografia está contida nos Registros Históricos.



Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa


A Medicina Tradicional Chinesa se baseia em conceitos Taoístas e energéticos, os quais enfocam o indivíduo como um todo e como parte integrante do universo. Para ela, o indivíduo é constituído por um conjunto de energias, provenientes do céu e da terra, que fluem por todo o corpo, e que devem estar em constante equilíbrio; quando isso não ocorre, temos então a manifestação de Patologias. A terapêutica objetiva restabelecer o fluxo da energia vital pelo organismo.


A Medicina de Correspondência Sistemática

Correspondência sistemática, no caso da medicina Chinesa, significa o reconhecimento de um sistema no qual os fenômenos se qualificam segundo princípios, e fenômenos de igual qualificação teriam poder de influência mútua. Se A e B são classificados como yang, por exemplo, agir sobre A causaria um efeito similar em B, pois pertencem à mesma classificação sistemática. Na Medicina Chinesa os princípios básicos são "yin yang" e "Cinco Fases" (wu xing).

O caos existente na era "Estados em Guerra" motivou o surgimento da forma de pensar que caracteriza a medicina de correspondência, que tem como pontos principais: a crença mágica na unidade da natureza; o uso dos princípios "yin yang" e "cinco fases"; engloba alguns conceitos oriundos da medicina dos demônios.

Apesar de encontrarmos em várias citações o Taoísmo como sendo a base da medicina chinesa, o Confucionismo é o maior contribuinte em relação ao modo de pensar da Medicina de Correspondência Sistemática. O próprio Confucionismo adotou o "yin yang" e as "Cinco Fases" para explicar mudanças sociais e políticas.

A Medicina Tradicional Chinesa compreende várias ciências das quais podemos destacar as seguintes: a Acupuntura, o uso de ervas medicinais (farmacopéia), os chás, a dietética, a Moxabustão, a Auriculopuntura, o uso de ventosas, os exercícios de Tai Chi Chuan, o Qi Gong, as massagens do Do In, as massagens do Tui Na e a filosofia do Tao Yin.

Na República da China em Taiwan, o governo investiu grandes esforços em promover a modernização da Medicina Chinesa. Como resultado, há atualmente pessoas treinadas tanto em artes médicas tradicionais chinesas como na moderna Ocidental, que fez contribuições recomendáveis para o tratamento de hepatite, pressão alta, câncer e outras doenças que são de difícil tratamento. Na área da farmacologia, pesquisadores avaliaram efetividade, analisaram, testaram e formularam dosagens concentradas de produtos farmacêuticos chineses para venda comercial.

Muitas novas descobertas importantes foram feitas por combinações sem igual de ciência tradicional e moderna na República da China, o casamento da precisão científica moderna com a arte da tradicional medicina chinesa está no umbral de abertura para um novo mundo inteiro de diagnose médica e tratamento.


Tai Chi Chuan (Tai ji quan)

     

TAI = indicador de superlativo CHI = polaridade CHUAN = luta a mãos livres

As artes marciais chinesas são sabidas por seus movimentos circulares do braço e da mão. Os estilos do norte são famosos para retrocessos elevados, poderosos. Muitas artes chinesas imitam as táticas da luta de animais ferozes ou inteligentes, tais como o dragão, o tigre, o leopardo, louva-a-deus ou macaco.

Saber da sua origem é retornar ao misterioso cenário de luta. Reza a lenda que um monge taoísta chamada ZHANG SAN FENG, enquanto meditava começou a observar a luta entre uma garça e uma serpente. A garça, apesar de ser maior, mais forte e ter mais recursos, em nada amedrontava a serpente que se defendia muito bem, com seus movimentos circulares. A luta se repetia todos os dias e terminava sem vencedores. A partir daí o monge teria criado os primeiros movimentos do Tai Chi Chuan. Quanto a sua disseminação pelo mundo, teria sido por meio de um guerreiro, chamado YANG LUCHAN, que, após ter descoberto ser o Tai Chi Chuan o segredo que garantia à família CHEN, uma das mais poderosas milícias da China, a vitória em todas as batalhas, aprendeu sua técnica, derrotou o seu exército e espalhou o conhecimento adquirido além da aldeia.

Hoje sua prática é terapêutica e tem como princípio o 'DAO IN', que é a indução da energia vital através dos meridianos energéticos.

O Tai Chi Chuan é uma expressão corporal e uma arte marcial que derivou do pensamento do Tao e tem seu trabalho interior e energético baseado nos conceitos e técnicas da alquimia interna Taoísta - Nei Tan.

Definido modernamente como "a arte da meditação em movimento", os movimentos flexíveis e lentos do Tai Chi Chuan promovem a harmonização das energias Yin e Yang através da coordenação entre a consciência do movimento e a respiração, libera tensões corporais, e seu efeito terapêutico se faz sentir sobre a saúde física e mental.

No Tai Chi Chuan, vários movimentos são relacionados a natureza - a garça abre as asas, montar o tigre, brandir as mãos nas nuvens - que executadas de forma lenta, contínua e circular, garantem o fluxo da energia vital pelo corpo, revitalizando-o e equilibrando as funções dos órgãos. Seus movimentos têm por base o círculo e o Yin-Yang por utilização; ou seja, em todo movimento, a alternância do yin e do yang passa a ser um círculo. Durante a prática, as mãos são a parte do corpo que mais descreve os círculos. Essa idéia também se encontra no deslocamento dos passos. A última postura da seqüência de movimentos vai coincidir com o ponto de partida, simbolizando o retorno à origem. A idéia de círculo está ligada à de continuidade; os movimentos são encadeados e ligados sem interrupção. O princípio de um movimento é o fim do movimento precedente. Originalmente eram praticados 108 movimentos que poderiam ser reduzidos a 60 como método síntese. Provavelmente cada movimento objetiva, no físico, estimular um ponto de Acupuntura.

Os movimentos circulares e a continuidade favorecem a economia e a mobilização da energia, pois só assim, aproveita-se a energia de um movimento para se criar um outro sem esforço ou desgaste.

Para que estes benefícios sejam alcançados, é fundamental que a respiração esteja em harmonia com o movimento. Por isto é necessário aprender a ouvir o corpo e estar com a atenção totalmente voltada para o movimento que está sendo executado.

Para que o movimento alcance a harmonia perfeita é necessário seguir três fundamentos:

  1. o eixo que é o alinhamento vertical do corpo.
  2. a base que se localiza nos pés, que deve oferecer estabilidade para o eixo.
  3. o cheio e o vazio que é a alternância das polaridades que mobiliza o eixo e a base criando o movimento.

Com a mente concentrada, o praticante de Tai Chi Chuan passa da consciência corporal para a emocional. Com o tempo, a pessoa sente-se mais serena, mais tranqüila, e percebe que no próprio dia a dia pode agir com mais calma, com mais equilíbrio.

Com a consciência emocional desperta, os adeptos do Tai Chi Chuan abrem portas para o processo de meditação onde o autoconhecimento é aprofundado e o desenvolvimento espiritual é despertado.

Seus princípios são:

  1. buscar a união dos opostos.
  2. esvaziar a mente sem pensar em nada.
  3. usar energia em lugar da pura força física.
  4. fazer do movimento um meio de transmutação.

Quem estiver preocupado com os benefícios físicos da prática vai notar que os músculos estarão mais alongados, as articulações mais flexíveis, a respiração mais profunda e seu corpo mais resistente.


Referência para consulta: Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan à
http://www.sbtcc.org.br/novo/ranking.htm



Chi Kun ou Qi Gong

O Chi Kun (ou Qi Gong) é derivado da alquimia taoísta e foi introduzido em diversas artes marciais e na medicina oriental como prática preventiva e curativa. A prática do Chi Kun vem sendo experimentada há mais de cinco mil anos e sua origem está relatada no Nei-Ching que é o primeiro texto sobre Medicina Taoista.

O Chi Kun é um ramo milenar da medicina chinesa, que reúne mais de 260 combinações de posições para diferentes tratamentos. Lembra o Tai Chi Chuan, com a diferença de incluir também meditação. O Chi Kun foi criado há três mil anos, na China, por Hwa-T'o, um cirurgião que vivia na corte do imperador Huang-T'i Para o médico, o ser humano não relaxa tanto quanto os animais porque não respira plenamente. Partindo desse princípio, ele inventou os primeiros exercícios do Chi Kun, que imitam os movimentos dos animais.

Na China, o método se chama Qi Gong (que significa prática de energia). No Ocidente, foi batizado de Chi Kun (respiração benéfica da terra). A palavra Chi significa sopro vital, ar, ou ainda energia. Kun significa exercício ou treinamento. Assim, Chi Kun pode ser entendido como exercício respiratório e energético, ou seja, exercícios respiratórios que estimulam a estrutura energética. Com tal prática, desenvolve-se os centros, os canais (Jing luo) e o campo energético.

A respiração ajuda a trazer mais energia, através do ar, para dentro do nosso corpo. A movimentação auxilia no deslocamento dessa energia para os locais onde se necessite. A mentalização, além de prover uma maior captação da energia externa para dentro do corpo, também auxilia a sua movimentação interna, podendo tanto aumentar a saúde corporal como desenvolver certas aptidões marciais, como é o caso da camisa e palma de ferro, e outras técnicas que conseguem reforçar o corpo de tal maneira, que se pode envergar barras de aço em diversas regiões do corpo (costelas, braços, abdômen e pescoço) e até evitar penetrações de objetos metálicos pontiagudos.

O Chi Kun é uma ginástica energética hoje em dia praticada por cerca de 20% da população chinesa (como manutenção diária) e pelos convalescentes de grande parte dos hospitais chineses (como complemento terapêutico plenamente integrado pelo corpo médico).

Tal como acontece com outras técnicas da MTC, o objetivo do Chi Kun é desfazer ou prevenir os bloqueamentos de energia, para que esta flua plenamente e nas direções convenientes - com isso evitando a doença ou contribuindo para curá-la.

Há exercícios de Chi Kun sentado, em pé ou em movimento. A respiração controlada desempenha um papel de relevo, bem como a concentração num ponto que é considerado o centro da energia: o Tantien, cerca de quatro dedos abaixo do umbigo.

O movimento constante e fluido do Chi Kun estimula os sistemas circulatório e respiratório, além de dar ao corpo grande flexibilidade; beneficia o metabolismo e previne (ou atenua) a maior parte das doenças típicas da meia idade, como o endurecimento das artérias e articulações.

Pode-se dividir o Chi Kun em 02 tipos: para saúde e marciais. Os Chi Kun's para saúde geralmente são suaves.

Os Chi Kun's para desenvolvimento de aptidões marciais são executados de uma forma mais forte, exigindo maior reserva energética do praticante. No T'ai Chi o praticante deve desenvolver a energia interna, o que é feito através do treinamento de Chi Kun.

Por isto que muitos praticantes quando terminam sua prática, mesmo que sejam suaves, sentem-se cansados e esgotados. Sua técnica não está correta e não está conseguindo absorver e potencializar o Chi, enquanto outros praticam arduamente durante horas e sentem-se cada vez com mais disposição. Esta é uma das diferenças entre a técnica certa e a errada no T'ai Chi.

Um ponto a ser detalhado: o Chi Kun "marcial" também amplia a saúde do praticante, inclusive a um nível superior do que o específico para saúde.

Outros efeitos do Chi Kun, quando praticado regularmente:

  1. Melhora o autoconhecimento do corpo.
  2. Corrige a postura.
  3. Produz um progressivo relaxamento das zonas em tensão.
  4. Beneficia o sistema nervoso central.
  5. Desenvolve a capacidade de concentração.
  6. Regulariza o apetite.
  7. Torna a pele mais macia.
  8. Aumenta a energia e reduz o número de horas de sono necessárias.
  9. Torna a mente mais perspicaz e acalma o espírito.
  10. Reduz significativamente o stress.


Dietética

É uma das especialidades médicas das mais antigas na China, a qual classifica os alimentos como Yin ou Yang, segundo sua cor, forma e teor de água. Os taoístas consideravam o regime alimentar muito importante para manutenção da saúde.

Os alimentos e a forma de os cozinhar são no fundo uma forma de Fitoterapia, muitas vezes decisiva na aceleração do processo de cura.

Quando o diagnóstico pede uma dieta particular, o Especialista de MTC considera os alimentos de forma semelhante à que olha para as plantas (aliás, grande parte dos alimentos são plantas). E, em complemento da Acupuntura e da Fitoterapia, prescreve uma dieta específica.

Há alimentos considerados Quentes: a manteiga, o café, a cebola, por exemplo; Há alimentos considerados Mornos: como a carne de vaca, o açúcar amarelo, ou o nabo; Há alimentos considerados Neutros: como a beterraba, a couve, o leite; Há alimentos considerados Frescos: maçã, peixe, cogumelos; Há alimentos considerados Frios: como a banana, o pato, ou o tomate. Numa dieta comum estes alimentos devem ter entre si um certo equilíbrio, mas um diagnóstico apurado pode recomendar incidir mais num ou noutro, conforme os meridianos e órgãos sobre que convém incidir.

Gengibre e pimenta são Yang, quentes. Tratam a depressão e a sonolência. Melancia é Yin, fira, e acalma.

Um bom princípio geral é preferir os cozinhados aos crus e evitar temperaturas extremas, sobretudo o muito frio, pelo esforço que exigem ao estômago e ao Baço-Pâncreas. Também ao nível dos sabores uma classificação se encontra:

O sabor Amargo relaciona-se, sobretudo, com o Coração e o Intestino Delgado (espargos, cerveja, alface...); O sabor Doce relaciona-se, sobretudo, com o Estômago e o Baço (maçã, cevada, queijo...); O sabor Acre está ligado ao Pulmão e Intestino Grosso (cominhos, pimentos verdes, agrião...); O sabor Salgado associa-se ao Rim e à Bexiga (caranguejo, pato, carne de porco...); O sabor Ácido relaciona-se com o Fígado e a Vesícula Biliar (queijo, uvas, azeitona...).

Se um sabor é ingerido na quantidade certa vai alimentar a forma e a função do órgão; se pelo contrário a dose for excessiva vai lesá-lo. É em particular pela escolha e ordem de introdução dos sabores, das consistências, das temperaturas, e até das cores, que são determinadas uma série de reações psico-fisiológicas cujo efeito pode ser tonificante, dispersante ou ainda reequilibrante das diferentes funções orgânicas. Um regime equilibrado é aquele que garante uma parte igual para cada sabor.

Um grande erro cometido pela maioria das pessoas ao se alimentar é o hábito de tomar líquidos, principalmente gelados, durante ou logo após as refeições. Observe o que acontece quando se comete esse erro. A princípio ocorre uma reação chamada choque térmico, que é o esfriamento do organismo de forma brusca. Nesse caso, será necessária muito mais energia para reaquecê-lo. Isso faz com que os órgãos passem por um processo de "febre gastrintestinal". Esse calor febril chega ao coração, acelera seu ritmo e, assim, aumenta a freqüência da onda sangüínea para os pulmões. Dessa forma se congestionam progressivamente seus tecidos, o espaço destinado ao ar neles contido se estreita e, como decorrência, diminui a capacidade de trabalho dos órgãos respiratórios. A pele, que funciona como segundo pulmão e rim, também fica incapacitada de desempenhar suas funções por falta de uma irrigação sangüínea na superfície do corpo, devido à congestão das vísceras febris.

Outra conseqüência causada pela ingestão de líquidos durante e logo após as refeições é que o bolo alimentar se torna macio demais, o que dificulta seu trajeto e pode provocar prisão de ventre, que resulta em mais toxinas para o organismo. As frutas também devem ser evitadas, pois causam os mesmos transtornos que os líquidos. O ideal é ingerir frutas ou líquidos no máximo quinze minutos antes e no mínimo duas horas depois de cada refeição.


A Farmacopéia Chinesa

Visitar uma farmácia na República Chinesa é como estar dentro de um museu em miniatura de ciência natural. Comprimidos em filas em gavetas limpas estão produtos animais, vegetais e minerais, cada um com propósito particular. Entre o sortimento de curiosidades está o âmbar, para relaxar os nervos, pêssego descaroçado e flores para melhorar a circulação de sangue, efedra chinesa (mahuang) para induzir a transpiração, e ginseng para fortalecer a função cardíaca.

O país com mais longa e ininterrupta tradição nas ervas é a China. Um dos trabalhos médicos chineses mais conhecidos é a "Matéria Médica" (Pen Ts'ao Kang Mu), copiado na Dinastia Ming (1368-1644 d.C.) por Li Shih-chen. Este trabalho enciclopédico anunciou uma nova era na história mundial da farmacologia, inclui descrições de 1.892 tipos diferentes de medicamentos. Nessa obra, foram descritas as plantas mais importantes para os chineses. Dentre elas, o arroz, o trigo, a cevada, o milheto e a soja eram considerados "os cinco grãos sagrados", por serem essenciais à estabilidade da civilização chinesa.

Quando morreu em 2698 a.C., o lendário imperador Shen Nung já provara 100 ervas ; menciona em seu "Cânone das Ervas" 252 plantas, muitas ainda em uso. Cem anos mais tarde, o Imperador Amarelo, Huang Ti, formalizou a Teoria Médica no Nei Ching. No século VII, o governo da dinastia Tang imprimiu e distribuiu pela China uma Revisão do Cânone de Ervas. Em 1578, Li Shizhen completou seu "Compêndio de Matéria Médica", onde listou 1800 substâncias medicinais e 11.000 receitas de compostos. Seu Compêndio Geral da Matéria Médica compreende 56 capítulos dos quais um é índice dos remédios e 3 estão reservados às ilustrações em número de 1.100. Cerca de 12 mil receitas e fórmulas estão consignadas nesta obra e muitas foram recolhidas ao longo de suas andanças pelo Império. Mil e setenta e quatro substâncias vegetais, 443 animais e 354 minerais são especialmente estudadas tendo sido tirado o restante de tratados semelhantes.

Segundo a tradição, SHEN NUNG era considerado o pai da Medicina e da Agricultura, o que o destacou, posteriormente, no panteão dos deuses populares. Como o povo era nômade, ensinou-lhes as técnicas mais adequadas para a se arar e a semeadura. Dava o exemplo a seus súditos, semeando o arroz com suas próprias mãos, como parte do programa de importante solenidade. Aos príncipes da casa real cabia a honra de cultivar as outras quatro espécies sagradas.

De acordo com a lenda chinesa, Shen Nung, testou em si mesmo, uma por uma, centenas de plantas diferentes para descobrir suas propriedades nutricionais e medicinais. Muitas destas revelaram-se venenosas aos humanos. Por milênios, os chineses se fizeram de cobaias para continuar testando plantas por suas propriedades de induzir frio (han), calor (jeh), quentura (wen), e frieza (liang).

Há milhares de ervas medicinais, algumas com eficiência comprovada, como a ma huang (Ephedra sinica), de onde vem a efedrina, que combate a asma, e a qian ceng ta (Huperzia serrata), base da droga Huperzina A, usada contra o mal de Alzheimer.

Uma prescrição fitoterápica na maioria das vezes engloba 6 ou mais componentes, sendo um ou dois deles os agentes principais contra a causa do mal mas tendo os restantes papéis não menos essenciais, como de impedir um efeito colateral indesejado ou "encaminhar" o agente principal ao locus da doença. As prescrições levam em conta a preponderância do Yin e do Yang e, através da ação de cada produto sobre os meridianos, a circulação de energia em relação às estações.

A Fitoterapia chinesa classifica as plantas em:

5 sabores

4 naturezas

Além de conhecer estas características energéticas da planta, cumpre ainda ao Especialista de MTC ter o conhecimento dos meridianos onde cada planta (ou fórmula) atua, bem como a direção energética com que o faz.

É ainda necessário ter em conta a toxicidade de algumas plantas e a dosagem, bem como a eventual necessidade de aplicar fórmulas.

No que respeita à toxicidade, a farmacologia chinesa apresenta a vantagem de ter efeitos secundários extremamente reduzidos (algumas plantas de efeito ligeiramente tóxico têm o seu efeito controlado por outras, que o anulam).

A Fitoterapia é complemento ideal da Acupunctura.


Massagem Tui Na

A massagem Tuina é uma das mais antigas que se conhecem, com cerca de 4000 anos de existência, sendo considerada a "mãe" da maioria dos tipos de massagem orientais que são conhecidos. O termo "Tuina" significa "empurrar e agarrar". A massagem Tuina é uma técnica específica da MTC, e não se confunde com a massagem comum: Só é executada depois de um diagnóstico. Visa restabelecer desequilíbrios energéticos e não apenas um relaxamento muscular (ou seja, visa curar, ou contribuir para curar doenças). Inclui técnicas de manipulação capazes de corrigir quadros patológicos caracterizados por incorreta posição articular.

A massagem Tuina é aplicada nos mesmos pontos e ao longo dos mesmos meridianos da Acupunctura, embora o terapeuta possa também julgar conveniente massagear toda uma zona do corpo.

Há também uma longa tradição de massagem Tuina específica para crianças - o que é bastante útil como substituto da Acupunctura. Como a energia das crianças é particularmente forte e vibrante, elas costumam reagir ao tratamento mais rapidamente que os adultos. Os efeitos são especialmente benéficos com crianças até aos cinco anos. Nas crianças a Tuina pode tratar mesmo doenças como asma ou diarreia. Depois de uma pequena aprendizagem, os próprios pais podem aplicar a massagem em casa.


Tao Yin (Yoga Taoista)

Tao Yin é uma forma sutil de exercícios de alongamento e fortalecimento do corpo praticado na China por milhares de anos. È uma combinação do que há de melhor na Yoga Indiana e no Chi Kun taoista. Tao Yin é um método poderoso de meditação com movimento que abre os canais de energia do corpo, revitaliza e energiza os meridianos, e é também uma forma excelente de controle do stress e liberação das tensões. Esta técnica é uma combinação dos movimentos forte do Chi Kun com posturas Yoguis, respiração profunda e exercícios de fortalecimento da musculatura abdominal.



Observando estas regras simples, tomando refeições nas horas certas, dormindo o número de horas exigido por seu corpo, fazendo exercícios regularmente, evitando bebidas alcoólicas e fumo e trabalhando não mais do que manda o bom senso, as chances de você ter boa saúde serão enormes. Na eventualidade de um desequilíbrio, porém, o tratamento com certeza será bem mais simples e rápido. O lugar em que vivemos, o tipo de alimento que ingerimos, a qualidade do ar e até a forma de respirar influenciam diretamente na qualidade de nossas energias. Viver da forma mais natural possível e praticar exercícios que ajudem a melhorar a circulação física e energética, como o Tai Chi Chuan ou o Chi Kun, pode melhorar em muito nossa qualidade de vida. Lembre-se de que a energia que você produz hoje virá a ser a energia vital de seu filho.
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