BIOGRAFIA 


 Iconoclasta e rebelde, a banda teve suas raízes na cena musical “No Wave” 
Nova Iorquina, em 1981, no início da era Reagan.

Era uma banda que utilizava o que sobrou do punk e o que era encontrado nas galerias de arte da cidade. 
O começo era barulho puro. Basta ouvir o EP Sonic Youth (82) 
ou Sonic Death: Sonic Youth Live (de 84, mas que contém gravações ao vivo da banda de 81 a 83) 
para perceber que eles estavam interessados em ser bem menos comerciais do que o PIL, por exemplo. 
Até os fãs mais radicais vão dizer, depois de alguma resistência, que esses álbums são... inaudíveis
Mas que têm seu valor histórico, que representavam uma resistência, que eram experimentais, etc.

Os membros originais eram Thurston Moore, Kim Gordon,  Ann DeMarinis e Richard Edson. 
Antes de lançarem seu álbum de estréia, o EP Sonic Youth, Ann saiu, mas Lee Ranaldo juntou-se a banda. 
Após o primeiro álbum, Richard Edson largou a banda para seguir carreira com o Konk. 

Então, por um curto período, Jim Sclavunos tornou-se o baterista da banda 
e podemos conferir seu trabalho no álbum Confusion is Sex
De 1982 até 1985, Bob Bert  foi o baterista. Ele tocou na maior parte das gravações do álbum Bad Moon Rising
Desde então, Steve Shelley, tem sido o batera do Sonic Youth.

Apesar dessa tumultuada troca de integrantes, problemas com gravadoras e, posteriormente, 
a polêmica associação com o  suicídio de um fã, a banda sobreviveu para se tornar 
uma das mais improváveis estórias de sucesso da última década.


barulhentos e experimentais, lançaram, em 1983, Confusion Is Sex, mostrando que toda a experimentação e todo radicalismo musical começavam a dar certo, a tomar forma. 
O álbum traz uma cover de "I Wanna Be Your Dog", que chega a ser tão boa quanto a original. 
"(She's In A) Bad Mood" chega a ser pop, apesar de estar dentro de uma dinâmica sonora totalmente diferente. 
No mesmo ano sai outro EP:Kill Yr Idols, e o título começa a virar frase de efeito, uma atitude.

Em 1985, já acompanhados pelo baterista Steve Shelley, o Sonic Youth assinou com a SST Records. 
A união, porém,  teve vida curta. Em 1986, após discutir com a gravadora por causa de pagamento de royalties, a banda resolveu passar a distribuir seus trabalhos, através da Enigma Records. 
 
Lee Ranaldo e Thurston Moore já conseguem controlar suas guitarras em Bad Moon Rising (85) - um álbum de texturas, quase ambient-music. Os três "líderes" da banda alternam os vocais, cada um com uma característica própria. 
Mas o primeiro clássico é lançado em 86: EVOL, uma coleção de "love songs" (ou "evol songs") viajantes, cheias de feedback de guitarra. Álbum que traz obras-primas como "Madonna, Sean & Me", "Secret Girl" e a belíssima "Expressway To Your Skull", com sua violência explícita e ao mesmo tempo delicada. 
O álbum seguinte, Sister (87), é um banquete de neuroses cravado na metade dos anos oitenta, 
com clássicos como "Schizophrenia" e "Catholic Block", e uma das melhores músicas-de-estrada de todos os tempos, "Pacific Coast Highway".


A partir de EVOL, o Sonic Youth já tinha um baterista definitivo, Steve Shelley, 
e pela primeira vez realizavam dois álbums com a mesma formação. 
Esses dois clássicos (EVOL e Sister) foram uma espécie de preparação para o que viria a seguir, 
a obra-prima da banda: o álbum duplo Daydream Nation (88). 
Tão perfeito que até um fã do New Order adoraria "Teenage Riot", com seu groove sinuoso. 
E sem "Teenage Riot", Kurt Cobain jamais teria tido a inspiração para se rebelar contra o tédio profundo. 
"The Sprawl"
modelou a noção do espaço cibernético, criada três anos antes por William Gibson, 
em seu livro Neuromancer
É impossível dizer o que é melhor em Daydream Nation, se é a conversa distorcida ao telefone entre Thurston Moore e Mike Watt (em "Providence") ou a melancólica "Candle".

Foi nesta época que o termo "alternativo" começou a se popularizar. 
Até então, o que existia era o "indie" (independent) britânico, criado pelo semanário NME (New Musical Express), 
e que se restringia mais às bandas inglesas independentes da época, 
musicalmente bem diferentes do "alternativo" norte-americano (Sonic Youth, R.E.M., Pixies). 

Ainda em 88, junto com Mike Watt, o Sonic Youth grava The Whitey Album (título tirado do clássico álbum duplo dos Beatles) sob o pseudônimo de Ciccone Youth (88), com uma versão de "Into The Groovey" e outra de "Addicted To Love", tudo em "homenagem" à blondie Madonna Louise Ciccone.

A partir de Daydream Nation, a noção de rock "alternativo" passou a ser assimilada pelas grandes gravadoras, 
que finalmente perceberam que um novo tipo de música estava sendo produzido fora dos seus domínios. 
E assim começou o que muitos chamam de "sellout" (ou "vender-se") e que outros acham inevitável. 
O Sonic Youth passa para a Geffen e, em 1990, lançam Goo, 
o primeiro álbum da banda distribuído por uma grande gravadora. 
A grande surpresa é que Goo tem todos os ingredientes de um bom álbum feito pelo Sonic Youth, 
trazendo clássicos como "Dirty Boots", "Disappearer" e "Cinderella's Big Score".

No começo dos anos 90, excursionaram ao lado de  grupos como Public Enemy, Mudhoney e Nirvana
Eles abriram shows para a turnê do álbum Ragged Glory de Neil Young no ano de 1991, 
alicerçando sua entrada no mundo pop. Young classificou a canção Expressway to Yr Skull como 
uma das melhores guitar-songs já escritas.  

Em 92, é lançado Dirty, outro álbum duplo, complexo e muito bem produzido (por Butch Vig, hoje líder do Garbage). 
É a chamada fase MTV do Sonic Youth, que popularizou os vídeos das singles do álbum: "100%", "Drunken Butterfly" e "SugarKane". E em solidaridade ao mundo "alternativo", a banda traz a participação de Ian MacKaye (Fugazi
em "Youth Against Fascism" e o vinil vem com uma faixa extra, "Stalker"
Dois anos mais tarde, com o fim do grunge, a morte de Kurt Cobain, e o inevitável esgotamento 
de tudo que era "alternativo", a banda retorna à produção mais simplificada, mesmo estando dentro de uma gravadora grande, e lança Experimental Jet Set, Trash And No Star (94), que tem a (relativamente) simples 
e até comercial "Bull In The Heather" e coisas mais experimentais como "Waist".

Mas, nesta época, 8 entre 10 bandas ditas "alternativas" nos EUA tocavam a música que o Sonic Youth e Cia. inventaram, e a palavra redundância começa a ter um significado cada vez maior. 

Em 1995 vem Washing Machine e, apesar da bela "The Diamond Sea", mesmo os fãs mais dedicados têm que se esforçar para dizer que esse é um bom álbum. Kim Deal (do Pixies, depois Breeders, depois The Amps
participa em "Little Trouble Girl" - um sonho antigo dos fãs dessas bandas. 
Porém parece que agora já é tarde, e a colaboração soa puramente comercial...

A seguir, criam o selo SYR e lançam 3 álbuns em menos de dois anos. SYR1, SYR2 e SYR3, 
onde eles voltaram a exibir experimentalismos em boas canções como "Anagrama" e "Slaapkamers met Slagroom" 
e perólas barulhentas como "Mieux de Corrosion" e Improvisation Ajoutée"..

Em 1998, sai Thousand Leaves, um disco cheio de possíveis hits 
(se as músicas da banda pudessem transitar pelas rádios sem chocar os ouvintes)

Em 1999, Sonic Youth lançou Goodbye 20th Century, um CD duplo de peças, 
criadas por compositores clássicos modernos e de vanguarda como John Cage e Steve Reich. 

O trabalho mais recente da banda, NYC Ghosts And Flowers, foi lançado em 2000
e possibilitou uma passagem pelo Brasil durante o Free Jazz Festival em duas apresentações.

A Banda:

                       

                             Kim Gordon             Thurston Moore            Lee Ranaldo               Steve Sheley
                           (Baixo/Vocais)          (Guitarra/Vocais)        (Guitarra/Vocais)              (Bateria)

    

    Kim Gordon
 
    Baixista. A verdadeira "Bad Girl" do rock. Seus vocais podem ser         
    suaves num momento e insuportavelmente esurdecedores noutro. 
    Leva tempo pra se  acostumar.





   

    Thurston Moore
   
Guitarra. Vocal na maioria das canções. 
    Compôs mais da metade do repertório do Sonic Youth.
    Aparenta ser, mais ou menos, o líder da banda.








    Lee Ranaldo
   
Guitarra. Tem um forte sotaque nova-iorquino. Sua voz é melhor que a de          
    Thurston, mas não canta muitas canções. 
    Parece preferir declamar peças de poesia abstrata, geralmente sob um fundo     
    musical de barulho e microfonia  selvagem.





   

    Steve Shelley

    Baterista, ingressou na banda em 1986 substituindo Bob Bert, que substituiu 
    Jim Sclavunos, que substituiu Bob Bert (!),que substituiu Richard Edson.






Organizado por: Mário Silva
Última atualização : sexta-feira, 09 de novembro de 2001.

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