
DISCOGRAFIA
![]()
![]()
Sonic Youth - EP (1982)
Álbum de estréia da banda, lançado em vinil, chamou a atenção pela urgência dos acordes dissonantes e experimentalismos. O festival de distorções e microfonias começa em "The Burning Spear". "I dreamed i dream" é minimalista, climática, barométrica, pressionando o sangue a abandonar os tímpanos. "She is not alone" tem uma bateria soando estranhamente seca ao longo de toda a canção, uma guitarra cujos acordes pontuam economicamente, ruídos indistinguíveis e um vocal repetitivo, morto de sono finalizando. "I don't want to push it" tem guitarras sobrepostas gerando riffs complexos que se estendem discretamente pela canção, dando-lhe uma estrutura espectral. Fechando temos a instrumental "The good and the bad", um exercício de transformação de harmonia em sujeira sonora e retorno quase improvável à harmonia.
![]()
Confusion is sex (1983)
Bad Moon Rising (1985)
![]()
Evol (1986)As tempestades de guitarras
distorcidas começam a ser mescladas à doces melodias, como a envolvente "Starpower",
a melancólica "Tom Violence" e "Shadow of a doubt".
Mas há lugar para coisas saborosamente caóticas e pdoemos encontrá-las na
instrumental "Death to our freinds" (não está escrito errado,
não! é FREINDS mesmo) e "Secret Girl" que chamou a
atenção de Ken Friedman, diretor de cinema, resultando no álbum Made in
USA, trilha sonora do filme homônimo.
Neste álbum , também se iniciam os temas
ligados à Madonna, com a bela e melodiosa "Expressway to
yr skull/Madonna, Sean and Me/The crucification of Sean Penn" (É!! É uma
música só!).
![]()
Sister (1986)
![]()
Daydream Nation (1988)
Considerada uma das obras-primas da banda,
este álbum é o ápice da simbiose noise/melodia.
Lançado em vinil num álbum duplo e posteriormente editado em um cd único
(para
alegria dos fãs), Daydream Nation abre de forma magistral com o Rock-Power-Pop de "Teenage
Riot", exibe Kim em ótima forma, cantando deliciosamente em "The Sprawl" e quase rugindo em
"´Cross the Breeze". Um riff de guitarra pegajoso, em "Total
Trash", que aos poucos transforma-se em... lixo total (não deu
pra resistir ao trocadilho).
A banda flerta com o pop adocicado de refrão repetitivo em "Candle", passando para o experimentalismo de "Providence",
onde se houve uma conversa ao telefone, o som de um piano ao fundo e o noise
pontuando e mesclando os ruídos desconexos.
Finalizando, temos a cataclísmica "Trilogy" (uma pérola dividida em três movimentos:
a perturbadora "a)The Wonder", a melodiosa " b)Hiperstation"
e a atorodoante "z)Eliminator
Jr"). A transição do primeiro para o segundo movimento é um dos momentos mais
inebriantes do álbum.
Whitey Album (1988)Trabalho paralelo da banda, sob a alcunha
de Ciccone Youth. Uma paródia/homenagem à Madonna
e à cultura pop. J. Mascis Jr, da extinta Dinosaur Jr, toca guitarra em
algumas das faixas.
"Needle-Gun", abre o cd com uma batida metálica cercada por
sons que lembram uma tempestade e em seguida temos "Silence".
"G-force" é puro experimentalismo. "Platoon II" é
etérea, entrecortada por guitarras intrusas e tem um desfecho inesperado. A
instrumental "Macbeth" tem um rítmo contagiante, guitarras
incisivas e merece uma audição mais cuidadosa. Steve Shelley exibe sua voz em "Hi!
Everybody"
Destaque para as covers transmutadas nas cações "Burnin' Up",
"Into the Groovey" e "Addicted to Love" recheadas
de samplers e a releitura Rap de "Making the Nature Scene".
Goo (1990)
Mais um petardo sonoro de Mr.
Thurston e companhia. Neste álbum, tudo que havia sido feito nos álbuns
anteriores é lapidado, resultando num bloco de canções montadas de forma
quase geométrica. Partindo de "Dirty Boots", um rock-pop para dançar
com os pés no teto, passamos por "Tunic (Song for Karen)"
gostosamente cantada pela baixista, que detona na linha de baixo da faixa
seguinte "Mary-Christ". "Kool Thing" tem participação do
rapper Chuck D (Public Enemy), "Mote" utiliza metalofone distorcendo
os vocais, "My Friend Goo" tem outra performance digna de nota da
baixista, "Mildred Pierce" tem um final apocalíptico fechando uma
atuação instrumental hipnótica. O melhor ficou para o final com as canções
"Cinderella's Big Score"(A melhor), "Scooter And Jinx" e "Titanium
Exposé", onde a banda busca a fusão perfeita entre a melodia e o ruído
(e consegue).
Enfim, um clássico.
![]()
Dirty (1990)
Álbum de estréia da banda no
milionário selo de David Geffen, sendo dedicado a um amigo pessoal dos
integrantes, que foi assassinado durante uma tentativa de assalto. Apesar do
receio dos fãs, pelo fato da banda assinar com uma Major, o som não foi
drasticamente alterado. Isso pode ser comprovado em canções como a imunda "Orange
Rolls, Angel's Spit", a catártica "Drunken Butterfly" e "Swimsuit Issue".
A banda retoma sua paixão pelas blondes na magistral canção "Sugar Kane"
(apelido de Marilyn Monroe), grava a ultra-hiper-punk "NIC FIT",
um esporro sórdido de guitarras untado com vocal obscuro. Melódica, "Chapel Hill"
se destca , quase em relevo. A canção mais cativante do álbum é
"Theresa's Sound-world", uma balada permeada por riffs convulsivos de guitarras
distorcidas e momentos de calmaria pontuados por versos psicodélicos.
A faixa "Stalker" só foi lançada em vinil
(álbum duplo) e na versão japonesa do cd.
![]()
Experimental Jet Set Trash and No Star (1994)
Um pouco fora de seus padrões , este álbum
contém algumas canções de melodia fácil, porém, nada que abale a
integridade musical da banda. Encontramos, sem muito esforço, preciosidades como
a claustrofóbica "Bull in the heather", o barulho
espasmódico de "Screaming Skull",
o power-rock de "Waist"
e a singela "Sweet Shine".
"Self-obsessed and Sexxee" merece destaque por sua
estrutura melódica bem elaborada.
![]()
Made in USA
(1995)
Trilha sonora composta para o filme homônimo. Desfila uma torrente de faixas de curta duração, indo do pop convencional (?!?) ao trash-purulento-escatológico-podreira. Inclui a faixa "Secret Girl", que praticamente foi a responsável pelo convite para a gravação deste álbum.
![]()
Washing Machine (1995)
Um dos mais fracos
trabalhos dos nova-iorquinos do SY. Canções pop descartáveis como "Becuz",
"Saucer-like" e "Panty Lies" dão a falsa
impressão de que a criatividade de Thurston e companhia está no fim.
Entretanto, o dueto de Kim Gordon/Kim
Deal (integrante das breeders) na delicada "Little Trouble Girl", a
boa "Junkie's Promise", a melancólica e agri-doce
"Unwind", a experimental faixa-título e a transgressiva coesão harmônica na
quilométrica "Diamond Sea", provam o contrário.
Como curiosidade temos a
nona faixa, sem título e não creditada no encarte do cd.
![]()
Anagrama (1997)
Primeiro de uma série de
trabalhos do SY, lançado através de seu próprio selo (segundo boatos, serão 15
álbuns), onde toda a bagagem musical da banda é despida, livre de amarras
estéticas.
A faixa título, é envolvente e melodiosa, ascende, de forma gradativa, a
níveis sonoros assustadores, sem que
percebamos e quando parece prestes a explodir, retorna ao fosso etéreo de
onde surgiu. Já "Improvisation Ajoutée" é a própria personificação
do caos. "Tremens" é levemente melancólica, quebrando o clima de
desordem que retorna avassalador em "Mieux: De Corrosion".
![]()
Slaapkamers Met Slagroom (1997)
Segundo trabalho pelo selo SYR,seguindo o rastro deixado pelo anterior.
Iniciando
temos "Slaapkamers met Slagroom", quase 18 minutos de delírios
gerados por guitarras insanas, beirando ora a melancolia, ora o desespero. "Still",
a faixa seguinte, poderia muito bem ser usada como trilha sonora para o fim do
mundo. "Herinneringen", fecha o cd e traz palavras e frases
desconexas, escorrendo dos lábios da baixista, enquanto mãos preguiçosas,
arrancam dos instrumentos notas
ainda mais desconexas.
![]()
Invito Al Cielo (1997)
Jim O'Rourke produz e toca guitarras adicionais neste terceiro trabalho da banda pelo selo SYR. O Álbum começa com os vinte agonizantes minutos de "Invito Al Cielo" (com acento circunflexo no "C"- desculpem-me, mas não consegui reproduzir), dissolvendo as mínimas incursões de voz da baixista. "Hungara Vivo" traz reverberações e acordes trêmulos dispersos, formando um pano de fundo exótico. "Radio-Amatoroj", ludibria o ouvinte, exibindo nuances de estrutura melódica convencional, perdidos entre o caos.
A Thousand Leaves (1998)
Retornando à boa forma,
a banda agracia os ouvintes com ótimas canções.
Kim Gordon descreve paisagens bucólicas em "Contre le sexysme".
A radiofônica "Sunday" vibra, cintilante num pedestal, entre as mais belas
canções feitas pela banda. Instrumental rascante, com um intervalo
monocórdico em "Female Mechanic Now on Duty". Estética
exuberante e atraente em "Wild Flower
Soul" margeando uma ilha de ruídos dissonantes, onde podemos ouvir
algo parecido com um modem estabelcendo uma conexão. "Hoarfrost"
é poesia musicada. "French Tickler" não fáz cócegas(desculpem pelo trocadilho).
É cáustica e deixa uma cicatriz indelével nos tímpanos. "Hits of
Sunshine"(for Allen Ginsberg) é quase um blues."Karen Koltrane"
é minimalista e ao mesmo tempo tempestuosa. Interpretação visceral da
banda em "The Ineffable
Me", com um intervalo instrumental de pura catalepsia. "Snare, Girl" melancólica
e, fechando o álbum, a exótica "Heather Angel".
Silver Session - for Jason Knuth (1998)
Homenagem póstuma feita à Jason
Knuth, um fã ardoroso (era chamado de 'Sonic Knuth' pelos amigos)
que se suicidou. A arrecadação da venda deste cd foi revertida para a
'San Francisco Suicide Prevention Hotline (415-781-0550)'.
Foi produzido e distribuído pela 'Revolver', uma companhia que tinha ligações
pessoais com Jason.
Nota sobre a música deste cd: Em uma tarde, quando SY fazia overdubs de voz
para o álbum Thousand Leaves (a banda martelava notas mas não conseguia cantar
apropriadamente(?!) ), decidiram incendiar o momento com lava derretida e
ligaram todos os amplificadores em 10+ e apoiaram baixos e guitarras, tantos
quantos podiam ser plugados. Os amplificadores rugiram e uivaram como
aviões queimando sobre o Pacífico. Não era possível entrar na sala, sem
pressionar com força os ouvidos e, mesmo assim, era fisicamente atordoante.
Desnecessário dizer que eles gravaram a coisa toda e, meses depois, mixaram
este material em seções. Essas seções tornaram-se as Sessões Prateadas.
Goodbye 20Th Century
(2000)
A banda interpreta aqui
composições de vanguarda, com a participação de alguns dos compositores das
mesmas.
Sy e Willian Winant, Jim O'Rourke, Takehisa Kosugi, Christian Wolff, Coco Hayley
Gordon Moore, Christian Marclay e Wharton Tiers tocam peças de Wolff, Kosugi,
John Cage, Pauline Oliveros, Yoko Ono, Steve Reich, James Tenney, George
Maciunas, Nicolas Slonimsky e Cornelius Cardew.
![]()
Àlbum que
trouxe o SY às terras brazucas, através do Free Jazz (?!?) Festival .
Lembra o EP de estréia da banda. Canções minimalistas, com inserções de
devaneios guitarrísticos e experimentalismos. A primeira faixa, "Free
City Rhymes" é perfeita para mergulhar na alma, olhando para o nada,
enquanto as notas passeiam pelo córtez cerebral. "Renegade Princess"
começa sonolenta e transmuta-se numa fenomenal explosão de energia
sonora. Algo semelhante acontece em "Nevermind (What Was It
Anyway)", mas aqui a explosão é contida e desvanece no final. "Small
Flowers Crack Concrete" é, novamente, poesia acompanhada por um belo
arranjo musical pontilhando as palavras. Aqui o destaque vai para a faixa
título, NYC Ghosts & Flowers, um caleidoscópio sonoro girando eternamente,
instável, catártico, implodindo e explodindo os alicerces do silêncio e da
monotonia. Divino.
Organizado por: Mário
Silva
Última atualização : terça-feira, 06 de novembro de 2001.