DISCOGRAFIA

    Sonic Youth - EP (1982)

Álbum de estréia da banda, lançado em vinil, chamou a atenção pela urgência dos acordes dissonantes e experimentalismos. O festival de distorções e microfonias começa em "The Burning Spear". "I dreamed i dream" é minimalista, climática, barométrica, pressionando o sangue a abandonar os tímpanos. "She is not alone" tem uma bateria soando estranhamente seca ao longo de toda a canção, uma guitarra cujos acordes pontuam economicamente, ruídos indistinguíveis e um vocal repetitivo, morto de sono finalizando. "I don't want to push it" tem guitarras sobrepostas gerando riffs complexos que se estendem discretamente pela canção, dando-lhe uma estrutura espectral. Fechando temos a instrumental "The good and the bad", um exercício de transformação de harmonia em sujeira sonora e retorno quase improvável à harmonia.

      Confusion is sex (1983)

Neste primeiro álbum oficial, a banda continua com os experimentalismos, que chamaram a atençao no EP de estréia. Vocais soturnos em "(She´s in a) bad mood" seguidos de guitarras fantasmagóricas; A voz hipnótica de Kim em "Protect me you", onde ela é uma criança crescendo e pedindo proteção conta os demônios que a assombram nas noites escuras; "Inhuman" é uma avalanche sonora que já começa no meio da montanha, com a voz urgente de Thurston e de quebra uma versão arrasa-quarteirão de "I wanna be your dog" dos Stooges. 
Em edições importadas está incluido o EP Kill your Idols que traz a pérola, "Brother James", numa interpretação feroz de Kim e a faixa título,"Kill yr idols", um líbelo iconoclasta proto-punk, do tipo que muita banda conhecida por aí, deveria ouvir (e aprender) antes de se aventurar no punk-rock. 

    Bad Moon Rising (1985)

A banda ressurge com mais experimentalismos. Destaque para as distorções de "Echo Canyon", para a (inicialmente) estranha, porém belíssima, canção de amor,"I love her all the time", para o power-rock 
"Death Valley ´69" (sobre o lunático Charles Manson) e para a sinistra "Satan is boring".

      Evol (1986)

As tempestades de guitarras distorcidas começam a ser mescladas à doces melodias, como a envolvente "Starpower", a melancólica "Tom Violence" e "Shadow of a doubt". Mas há lugar para coisas saborosamente caóticas e pdoemos encontrá-las na instrumental "Death to our freinds" (não está escrito errado, não! é FREINDS mesmo) e "Secret Girl" que chamou a atenção de Ken Friedman, diretor de cinema,  resultando no álbum Made in USA, trilha sonora do filme homônimo. 
Neste álbum , também se iniciam os temas ligados à Madonna, com a bela e melodiosa "Expressway to yr skull/Madonna, Sean and Me/The crucification of Sean Penn" (É!! É uma música só!).

    Sister (1986)

Este álbum beira a perfeição. Antecessor de Daydream Nation, este álbum dá uma prévia do que vai ser feito a seguir, resultando em preciosidades sonoras de beleza irretocável. Vale a pena conferir "Pacific Coast Highway", uma parede de guitarras quase intransponível mesclada à voz dilacerante de Kim, aprisionando um solo de guitarra angelical. Temos também, as faixas-protesto contra o poder da religião,  "Stereo Sanctity" e "Catholic Block", a devastadora "White Kross" (ouça no volume máximo) que remete à Bad Moon Rising, o non-sense de "Master-Dik", além de ouvir Kim Gordon, lânguida, em "Cotton Crown", homenageando a cidade de Nova York e  os efeitos alcançados com as sobreposições de guitarras em "Schizophrenia", "Pipeline/Kill Time" e "Tuff Gnarl", cujo final é apocalíptico e deixa o ouvinte em transe.
De quebra um cover da banda Crime: "Hot Wire My Heart"
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    Daydream Nation (1988)

Considerada uma das obras-primas da banda, este álbum é o ápice da simbiose noise/melodia.
Lançado em vinil num álbum duplo e posteriormente editado em um cd único (para alegria dos fãs), Daydream Nation abre de forma magistral com o Rock-Power-Pop de "Teenage Riot", exibe Kim em ótima forma, cantando deliciosamente em "The Sprawl" e quase rugindo em "´Cross the Breeze". Um riff de guitarra pegajoso, em "Total Trash", que aos poucos transforma-se em... lixo total (não deu pra resistir ao trocadilho).
A banda flerta com o pop adocicado de refrão repetitivo em "Candle", passando para o experimentalismo de "Providence", onde se houve uma conversa ao telefone, o som de um piano ao fundo e o noise pontuando e mesclando os ruídos desconexos. 
Finalizando, temos a cataclísmica "Trilogy" (uma pérola dividida em três movimentos: a perturbadora "a)The Wonder", a melodiosa " b)Hiperstation" e a atorodoante "z)Eliminator Jr"). A transição do primeiro para o segundo movimento é um dos momentos mais inebriantes do álbum.

    Whitey Album (1988)

Trabalho paralelo da banda, sob a alcunha de Ciccone Youth. Uma paródia/homenagem à Madonna 
e à cultura pop. J. Mascis Jr, da extinta Dinosaur Jr, toca guitarra em algumas das faixas.
"Needle-Gun", abre o cd com uma batida metálica cercada por sons que lembram uma tempestade e em seguida temos "Silence". "G-force" é puro experimentalismo. "Platoon II" é etérea, entrecortada por guitarras intrusas e tem um desfecho inesperado. A instrumental "Macbeth" tem um rítmo contagiante, guitarras incisivas e merece uma audição mais cuidadosa. Steve Shelley exibe sua voz em "Hi! Everybody"
Destaque para as covers transmutadas nas cações "Burnin' Up", "Into the Groovey" e "Addicted to Love" recheadas de samplers e a releitura Rap de "Making the Nature Scene".
 

    Goo (1990)

Mais um petardo sonoro de Mr. Thurston e companhia. Neste álbum, tudo que havia sido feito nos álbuns anteriores é lapidado, resultando num bloco de canções montadas de forma quase geométrica. Partindo de "Dirty Boots", um rock-pop para dançar com os pés no teto, passamos por "Tunic (Song for Karen)" gostosamente cantada pela baixista, que detona na linha de baixo da faixa seguinte "Mary-Christ". "Kool Thing" tem participação do rapper Chuck D (Public Enemy), "Mote" utiliza metalofone distorcendo os vocais, "My Friend Goo" tem outra performance digna de nota da baixista, "Mildred Pierce" tem um final apocalíptico fechando uma atuação instrumental hipnótica. O melhor ficou para o final com as canções "Cinderella's Big Score"(A melhor), "Scooter And Jinx" e "Titanium Exposé", onde a banda busca a fusão perfeita entre a melodia e o ruído 
(e consegue). 
Enfim, um clássico.

    Dirty (1990)

Álbum de estréia da banda no milionário selo de David Geffen, sendo dedicado a um amigo pessoal dos integrantes, que foi assassinado durante uma tentativa de assalto. Apesar do receio dos fãs, pelo fato da banda assinar com uma Major, o som não foi drasticamente alterado. Isso pode ser comprovado em canções como a imunda "Orange Rolls, Angel's Spit", a catártica "Drunken Butterfly" e "Swimsuit Issue". A banda retoma sua paixão pelas blondes na magistral canção "Sugar Kane" (apelido de Marilyn Monroe), grava a ultra-hiper-punk "NIC FIT", um esporro sórdido de guitarras untado com vocal obscuro. Melódica, "Chapel Hill" se destca , quase em relevo. A canção mais cativante do álbum é "Theresa's Sound-world", uma balada permeada por riffs convulsivos de guitarras distorcidas e momentos de calmaria pontuados por versos psicodélicos. 
A faixa "Stalker" só foi lançada em vinil (álbum duplo) e na versão japonesa do cd.

    Experimental Jet Set Trash and No Star (1994)

Um pouco fora de seus padrões , este álbum contém algumas canções de melodia fácil, porém, nada que abale a integridade musical da banda. Encontramos, sem muito esforço, preciosidades como a claustrofóbica "Bull in the heather", o barulho espasmódico de "Screaming Skull", o power-rock de "Waist" e a singela "Sweet Shine".
"Self-obsessed and Sexxee"  merece destaque por sua estrutura melódica bem elaborada.

    Made in USA (1995)

Trilha sonora composta para o filme homônimo. Desfila uma torrente de faixas de curta duração, indo do pop convencional (?!?) ao trash-purulento-escatológico-podreira. Inclui a faixa "Secret Girl", que praticamente foi a responsável pelo convite para a gravação deste álbum.

    Washing Machine (1995)

Um dos mais fracos trabalhos dos nova-iorquinos do SY. Canções pop descartáveis como "Becuz", "Saucer-like" e "Panty Lies" dão a falsa impressão de que a criatividade de Thurston e companhia está no fim. 
Entretanto, o dueto de Kim Gordon/Kim Deal (integrante das breeders) na delicada "Little Trouble Girl", a boa "Junkie's Promise", a melancólica e agri-doce "Unwind", a experimental faixa-título e a transgressiva coesão harmônica na quilométrica "Diamond Sea", provam o contrário.
 
Como curiosidade temos a nona faixa, sem título e não creditada no encarte do cd.


 
    Anagrama (1997)

Primeiro de uma série de trabalhos do SY, lançado através de seu próprio selo (segundo boatos, serão 15 álbuns), onde toda a bagagem musical da banda é despida, livre de amarras estéticas. 
A faixa título, é envolvente e melodiosa, ascende, de forma gradativa, a níveis sonoros assustadores, sem que percebamos e quando parece prestes a explodir, retorna ao fosso etéreo de onde surgiu. Já "Improvisation Ajoutée" é a própria personificação do caos. "Tremens" é levemente melancólica, quebrando o clima de desordem que retorna avassalador em "Mieux: De Corrosion".


 
    Slaapkamers Met Slagroom (1997)

Segundo trabalho pelo selo SYR,seguindo o rastro deixado pelo anterior. 
Iniciando temos "Slaapkamers met Slagroom", quase 18 minutos de delírios gerados por guitarras insanas, beirando ora a melancolia, ora o desespero. "Still", a faixa seguinte, poderia muito bem ser usada como trilha sonora para o fim do mundo. "Herinneringen", fecha o cd e traz palavras e frases desconexas, escorrendo dos lábios da baixista, enquanto mãos preguiçosas, arrancam
dos instrumentos notas ainda mais desconexas.

    Invito Al Cielo (1997)

Jim O'Rourke produz e toca guitarras adicionais neste terceiro trabalho da banda pelo selo SYR. O Álbum começa com os vinte agonizantes minutos de "Invito Al Cielo" (com acento circunflexo no "C"- desculpem-me, mas não consegui reproduzir), dissolvendo as mínimas incursões de voz da  baixista. "Hungara Vivo" traz reverberações e acordes trêmulos dispersos, formando um pano de fundo exótico. "Radio-Amatoroj", ludibria o ouvinte, exibindo nuances de estrutura melódica convencional, perdidos entre o caos.

    A Thousand Leaves (1998)

Retornando à boa forma, a banda agracia os ouvintes com ótimas canções.
Kim Gordon descreve paisagens bucólicas em "Contre le sexysme".
A radiofônica "Sunday" vibra, cintilante  num pedestal, entre as mais belas canções feitas pela banda. Instrumental rascante, com um intervalo monocórdico em  "Female Mechanic Now on Duty". Estética exuberante e atraente em  "Wild Flower Soul" margeando uma ilha de ruídos dissonantes, onde podemos ouvir algo parecido com  um modem estabelcendo uma conexão. "Hoarfrost" é poesia musicada. "French Tickler" não fáz cócegas(desculpem pelo trocadilho). É cáustica e deixa uma cicatriz indelével nos tímpanos. "Hits of Sunshine"(for Allen Ginsberg) é quase um blues."Karen Koltrane" é minimalista e ao mesmo tempo tempestuosa. Interpretação visceral da banda em "The Ineffable Me", com um intervalo instrumental de pura catalepsia. "Snare, Girl" melancólica  e, fechando o álbum, a exótica "Heather Angel".

  Silver Session - for Jason Knuth (1998)

Homenagem póstuma feita à Jason Knuth, um fã ardoroso (era chamado de 'Sonic Knuth'  pelos amigos) 
que se suicidou. A arrecadação da venda deste cd foi revertida para a 
'San Francisco Suicide Prevention Hotline (415-781-0550)'. 
Foi produzido e distribuído pela 'Revolver', uma companhia que tinha ligações pessoais com Jason.

Nota sobre a música deste cd: Em uma tarde, quando SY fazia overdubs de voz para o álbum Thousand Leaves (a banda martelava notas mas não conseguia cantar apropriadamente(?!) ), decidiram incendiar o momento com lava derretida e ligaram todos os amplificadores em 10+ e apoiaram baixos e guitarras, tantos quantos podiam ser plugados. Os amplificadores rugiram e  uivaram como aviões queimando sobre o Pacífico. Não era possível entrar na sala, sem pressionar com força os ouvidos e, mesmo assim, era fisicamente atordoante. Desnecessário dizer que eles gravaram a coisa toda e, meses depois, mixaram este material em seções. Essas seções tornaram-se as Sessões Prateadas.

    Goodbye 20Th Century (2000)

A banda interpreta aqui composições de vanguarda, com a participação de alguns dos compositores das mesmas.
Sy e Willian Winant, Jim O'Rourke, Takehisa Kosugi, Christian Wolff, Coco Hayley Gordon Moore, Christian Marclay e Wharton Tiers tocam peças de Wolff, Kosugi, John Cage, Pauline Oliveros, Yoko Ono, Steve Reich, James Tenney, George Maciunas, Nicolas Slonimsky e Cornelius Cardew.
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Não dá para descrever em palavras o que se ouve neste álbum. 
B
izarro, até mesmo para os fãs.

    NYC Ghosts & Flowers (2000)

Àlbum que trouxe o SY às terras brazucas, através do Free Jazz (?!?) Festival .
Lembra o EP de estréia da banda. Canções minimalistas, com inserções de devaneios guitarrísticos e experimentalismos. A primeira faixa, "Free City Rhymes" é perfeita para mergulhar na alma, olhando para o nada, enquanto as notas passeiam pelo córtez cerebral. "Renegade Princess" começa sonolenta e transmuta-se numa fenomenal explosão de energia sonora.   Algo semelhante acontece em "Nevermind (What Was It Anyway)", mas aqui a explosão é contida e desvanece no final. "Small Flowers Crack Concrete" é, novamente, poesia acompanhada por um belo arranjo musical pontilhando as palavras. Aqui o destaque vai para a faixa título, NYC Ghosts & Flowers, um caleidoscópio sonoro girando eternamente, instável, catártico, implodindo e explodindo os alicerces do silêncio e da monotonia. Divino. 

Organizado por: Mário Silva
Última atualização : terça-feira, 06 de novembro de 2001.

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