Síndrome  do  Pânico

  

Os sintomas mais comuns nas crises de Pânico são:

Sensação de falta de ar, taquicardia, dificuldade de respirar, formigamentos, vertigem, tontura, dor ou desconforto no peito, despersonalização, sensação de irrealidade, medo de perder o controle e de enlouquecer, sudorese, tremores,  desmaios, sensação de iminência da morte, náusea ou desconforto abdominal, calafrios ou ondas de calor, boca seca e perda do foco visual.

Podemos dizer que, as causas do processo que leva ao pânico são sentimentos e experiências internas não assimiladas. O individuo não consegue identificar o que está vindo junto com as crises, todas as experiências de vida que foram negadas, excluídas de seu mundo, e assim, acaba tendo crises de pânico frente ao desconhecido que o invade por dentro.

Frente a essas experiências internas não assimiladas dentro de si, o individuo reage com uma desconexão cognição-soma, o que leva às crises de pânico.

Este processo de crise que está na base do Pânico geralmente não é consciente e o surgimento do pânico sempre parece ser "sem motivo". Caso fosse consciente a pessoa não chegaria ao Pânico. A identificação dos motivos que desencadearam o pânico é fundamental para a cura e este deve ser um dos objetivos básicos do tratamento.

A característica mais importante da Síndrome do Pânico é uma desconexão entre o corpo e a mente ou seja entre a dimensão somática e a dimensão cognitiva. Esta desconexão explica como uma pessoa pode chegar a viver um enorme "estranhamento" em relação ao seu  próprio corpo, e as  relações das  sensações vividas intrafisicas.

A maioria delas que têm pânico freqüentemente se "desligam", "ausenta-se" da situação presente pouco antes das crises começarem. Elas se desconectam de seus corpos e aí a crise se instaura, com um grande susto em relação ao próprio corpo.

Os indivíduos com Pânico fazem constantemente interpretações equivocadas e catastróficas de suas sensações corporais. Isto indica   falta de confiança em si mesmo. A pessoa vive uma profunda desconfiança do funcionamento do organismo e das sensações que dele derivam.

Algumas delas têm maior facilidade de desconectar a experiência mental (cognitiva) da experiência corporal (somática).

A desconexão está relacionada a experiências emocionais muito intensas. Observa-se também uma tendência a essa desconexão em pessoas que tiveram experiências traumáticas muito precoces, nos primeiros meses de vida, quando o mecanismo de “desconexão” psique-soma tinha poucos recursos de proteção disponíveis frente a experiências excessivas. Esses indivíduos parecem ter mais chances de desenvolver Pânico ao longo da vida.

Aspectos  Relevantes

Nas Fobias, a pessoa fica ansiosa frente a objetos e situações; no (TOC) Transtorno Obsessivo-Compulsivo, ela reage aos pensamentos que invadem sua mente e às compulsões para aliviá-los; já no Pânico, ela se desespera por aquilo que está agindo em seu corpo, produzindo aquelas reações "estranhas". 

No Pânico o organismo responde a um "alarme falso", o corpo reage como se estivesse frente a um perigo extremo porém não há nada visível que possa justificar esta reação.

A primeira classificação diagnóstica oficial de Síndrome do Pânico ocorreu em 1980, com a publicação, pela Associação Americana de Psiquiatria, do DSM III (Diagnostic and Statistical of Mental Disorders, 3rd Edition), atualmente em sua quarta edição DSM IV.

O Transtorno do Pânico é reconhecido também pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sendo listado na sua Classificação Internacional de Doenças (CID 10).

 

O TRATAMENTO

Existem três aspectos consideráveis no tratamento da Síndrome do Pânico:

1 - Controlar os sintomas, diminuindo a incidência das crises de pânico, no qual esse deve ter um acompanhamento Medico.

2 - Melhorar a relação interpessoal com as sensações do próprio corpo e as reações  psicofísicas.(Acompanhamento Psicológico).

3 - Chegar às causas não elaboradas que levaram ao Pânico, onde deveram ser trabalhados os elementos causais responsáveis pela desordem emocional.(Tratamento psicoterápico).

Vencer a Síndrome do Pânico é possível quando o individuo pode se reconectar com os fatores que a precipitaram no Pânico e pode lidar com eles de um modo mais assertiva, formando outros modos de sentir, de perceber e de agir. 

A elaboração das desordens do estado de pânico é possível com a modificação dos modelos somáticos que levaram e mantém a pessoa com Pânico, pela aquisição de maior capacidade de lidar com as emoções intrínseca e pela criação de caminhos pessoais, corporais e psíquicos mais satisfatórios.

Superar as crises do Pânico pode ser também uma grande oportunidade de crescimento pessoal; uma retomada assertiva  do processo de desenvolvimento da vida de cada indivíduo.

Vejamos as etapas importantes para o tratamento da Síndrome do Pânico:

v     Atuar sobre a questão central do pânico, do processo de  integração corpo-mente  (consciência-corpo). 

v     Levar a resultados muito significativos ao controle das crises e do equilíbrio da ansiedade. 

v     Realizar uma Educação Psicossomática, ensinando e orientando um modo da pessoa participar ativamente de seu tratamento, aprendendo mecanismos de ação sobre si mesma e modos de se operacionalizar na vida que serão elementos utilizados pela vida afora no seu dia-a-dia.

Os paradigmas do estresse e do distresse

São modelos e posturas, adquiridos, respiratórios e perceptivos; que não se desfazem sozinhos. A organização destes modelos ao longo da vida é que preparou o caminho para se chegar ao pânico. 

A dificuldade de relaxar a contração  diafragmática juntamente com a dificuldade da autopercepção Por exemplo, a contração crônica do diafragma e a desorganização da autopercepção que se caracteriza pelo (distanciamento e estranhamento do próprio corpo, desconexão psique-soma) são modelos que mantém a pessoa em estado de prontidão para continuar a ter crises.

Para a real superação do estado de Pânico é necessária a mudança nestes modelos psicofísicos organizados, que funcionam  como um gatilho armado que pode facilmente disparar uma nova crise a cada nova situação internamente excessiva.

Precisamos desarmar estes gatilhos, desorganizar estes modelos que deixam as pessoas freqüentemente ansiosas, em estado critico e sem outro recurso para controlá-las, além da desconexão psique-soma que leva às crises ou em alguns casos, da depressão. A depressão, muitas vezes funciona como uma tentativa de proteção frente ao Pânico, por restringir a excitação interna; porém uma alternativa com muito sofrimento.

Uma pessoa com Pânico que deprime, pode estar lançando mão de um recurso de proteção, pois limitando sua vitalidade, encontra um modo de diminuir a excitação e assim evitar o Pânico. A depressão pode ser um modo de se proteger contra o Pânico.(citação de alguns aspectos por Artur Scarpatu).

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