Exus e Bombogiras
Exus
e Bombogiras/Pombogiras (Compadres e Comadres) e Exu Orixá (o “verdadeiro”
Exu)
No
tempo da escravidão, os escravos faziam muitas oferendas ao Orixá Exu, para
que este abrisse os caminhos dos escravos que tanto sofriam. Mas a igreja católica,
junta com os senhores de engenho, que obrigava os escravos a seguirem o
catolicismo, descobriram este Orixá, e, o associaram ao Demônio da igreja católica.
Sendo que depois disso, a imagem de Exu ficou bastante deturpada, onde hoje,
aqui no Brasil, Ele, o Orixá Exu, ainda é associado a um Demônio que não
existe.
Quanto
aos espíritos que são comparados com Exu, hoje em dia, não são Orixás, e
sim, espíritos em desenvolvimento, que se bem doutrinados, podem ajudar muito,
como se fosse o próprio Exu Orixá; pois estes, passaram a agir sob o comando
do Exu Orixá que, é o “verdadeiro” Exu. Este Exu Orixá, é o Orixá mais
próximo dos homens, pois este, devido ao seu grande senso de humor, segundo a
lenda, foi expulso do reino dos Orixás, e, mesmo continuando a ser o Orixá do
movimento (mais uma coisa para aproximar-lhe dos homens), das encruzilhadas e
dos caminhos tortuosos, passou a viver em um mundo que fica entre os homens e os
Orixás, ficando assim, como o mensageiro de todos os Orixás, servo de todos os
outros Orixás, sendo que mesmo assim, é respeitado por todos, pois todos
conhecem o seu poder e a sua capacidade de enganar. Exu Orixá, como os demais
Orixás, fez parte da criação do Ayié (mundo), pois Ele é o princípio ativo
de tudo, é a própria ação, junto com o seu irmão Ogum, que é o seu
companheiro, que é quem expande o poder de Exu. Pois o mundo, sem Exu, seria
como uma pintura: bonita e estática.
Os
espíritos hoje associados a Exu no Brasil, em muitos casos, são espíritos de
assassinos, punguístas, malandros etc., pois devido a ser comparado com o Demônio
dos católicos, passou a carregar o tridente, sendo que o seu símbolo é o Ogò
(porrete). Estes outros espíritos, podem ser acentados como guardiões secundários,
pois já estão começando a ter mais esclarecimento, e, por causa da fé das
pessoas neles, passaram a ser monitorados pelo Exu Orixá, sendo que, o Exu Orixá
deve ser acentado em primeiro lugar. Mas existe um grande problema, que são as
pessoas que são feitas nestes Exus Compadres, que não são Orixás, e, como
conseqüência, não podem assumir o ori (cabeça) de ninguém, pois não
possuem axé para isso. E é por isso que muitos terreiros sem nenhum
fundamento, acabam tendo vários tipos de problemas com seus médiuns, por
fazerem estes mesmos em Compadres e até em Comadres. Ninguém pode ter um Exu
Compadre de frente, como por exemplo: o seu Zé Pelintra, que é o Exu da
malandragem, da boemia... podendo levar a pessoa para um buraco sem fim, se esse
Exu não for coroado. Estes Compadres e Comadres, por serem espíritos em
desenvolvimento, recebem pedidos para o mal e para o bem, mas, quem executa os
pedidos negativos, não são eles, e sim, os Kiúmbas, espíritos no mais baixo
escalão do mundo espiritual, que não querem nada, a não ser, diversão com o
sofrimento dos outros. O Exu Orixá, assim como os Compadres, deve ser
despachado da mesma forma, pois dizem que Ele é muito brincalhão, e, pode
atrapalhar o xirê (culto, festa dos Orixás...), se não for bem tratado; pois
este, adora brincar e é muito vaidoso e vingativo. Sendo esta, a explicação
mais constante, mas
é falsa! Sendo esta, uma explicação, sobre os Compadres e as Comadres
(não coroados), e, não sobre o verdadeiro Exu cultuado na África. Na verdade,
Exu é servido primeiro, devido a uma lenda que diz que: Exu, certa vez, devorou
tudo que havia no mundo, depois devolveu tudo multiplicado, e isso quer dizer
que, Exu devolve tudo que recebe em oferendas para a humanidade, e, dobrado. Por
isso é tratado primeiro, para que haja maior proteção e pedidos de graças
alcançadas com mais rapidez. Deve-se lembrar que na maioria dos Ilês, Exu é
cultuado em primeiro e em último lugar, para que este, movimente as energias
dos Orixás por todo o tempo, dando proteção a todos os assistentes. Por isso
Ele deve permanecer no ambiente por todo tempo.
Como
se pode ver, deve-se tomar o máximo de cuidado quando se fala de Exu, pois não
se deve confundir o Exu Orixá com os Exus Compadres e Comadres do Brasil.
Lembrando que as Comadres, são de igual forma, Exus na forma feminina, aqui no
Brasil, e que na África, mais precisamente em Angola, que é uma grande influência
na Umbanda, são cultuadas como espíritos da própria sedução, são as
mensageiras das Orixás femininas, e no Brasil, assim como o Exu Orixá, foram
totalmente deturpadas. Pois na África, as Bombogiras/Pombogiras são entidades
que ajudam, são positivas. E é por isso que, não se fazem filhos (as) de
Bombogira, pois não são Orixás, são de uma forma ou de outra, Eguns (ver
mais à frente). Elas são mensageiras das Orixás da sedução na África, e
por isso, ficaram aqui no Brasil como se fossem espíritos de prostitutas, mais
uma vez, graças a igreja católica, que julga tudo sem compreender nada, e que,
todas as pessoas sem opinião própria acabam aceitando e acreditando. Lembrando
que, os terreiros de Umbanda que não conhecem esta diferença, não devem fazer
os seus filhos em Exu, pois, estariam fazendo em Compadres ou Comadres, e isso
é totalmente errado. No caso de não se entender esta diferença, deve-se virar
a linha do médium para Ogum. Lembrando que o Exu Orixá, não recebe trabalhos
para o mal, pois este é um Orixá, Ele apenas pune a quem mereçe, a pedido dos
Orixás; podendo pedir a Ele, somente que ele cumpra com mais rapidez o que já
é realmente certo de se acontecer (não confundir com pedidos negativos).
Deve-se lembrar também que, o Exu Orixá, possui varias qualidades (Vodus). Uma
observação que julgo importante, é sobre o tridente que Exu passou a carregar
no Brasil, que foi colocado com os Compadres, e que passou a ser carregado, também,
pelo Exu Orixá, pois tem muito a ver. O tridente representa o inconsciente, o
subconsciente e o consciente do homem, demonstrando que tanto o Exu Compadre
como o Exu Orixá, são conhecedores
dos sentimentos e desejos mais profundos dos seres humanos.
É
muitíssimo importante salientar que despachar Exu quer dizer: pedir para que
Ele abra os caminhos no decorrer dos trabalhos, ou seja, que não deixe os maus
espíritos se aproximarem; e quando se diz que Exu é brincalhão e vingativo,
deve-se entender que, se Exu não for tratado, deixa que os maus espíritos
perturbem o bom andamento do xirê, por não ter sido lembrado, ou seja, por
ninguém ter pedido a Ele que afastasse os maus espíritos, pois tudo que Exu
recebe em oferendas, Ele devolve em dobro.
Nota:
Este é um assunto muito complexo para ser explicado em poucas linhas, recomendo
a quem estiver com dúvidas, que procure um Babalorixá ou Ialorixá com competência
comprovada para sanar-lhe as dúvidas.
Exus
pagão, batizado e coroado.
É muito importante
saber a diferença entre estes três tipos de Exu, pois muitas pessoas vivem
discutindo se Exu é negativo ou positivo. Na verdade Exu é o equilíbrio entre
os dois polos, mas, deve ser entendido que, cada um desses tipos de Exu é mais
voltado para um dos lados (+ -).
Exu
pagão:
é o Exu que está acabando de sair da linha de Kiúmba, por isso, tem preferência
em receber pedidos negativos, pois estes, aparentemente, são mais lucrativos.
Fazem o mal e algumas vezes o bem, mas, não sabem diferenciar um do outro, como
já dito, apenas estão interessados no pagamento.
Exu
batizado:
são os Exus que já conseguem diferenciar o bem do mal, mas fazem os dois, pois
também, ainda se interessam no pagamento. Sendo que, por já serem batizados,
trabalham para os Exus coroados carregando o mal tirado das pessoas.
Exu
coroado:
são os Exus que além de saberem distinguir o mal do bem, dão preferência e,
só trabalham para ajudar as pessoas. Estes Exus por já possuírem
esclarecimento suficiente, já comessam a trabalhar em outras linhas (Caboclos,
Pretos-velhos etc.), geralmente na linha virada (Quimbanda) para poderem
melhorar ainda mais o seu esclarecimento para que em um certo tempo, possam
trabalhar na linha branca (Umbanda).
Nota:
Quando
cito Exu aqui, também cito as Pombogiras, pois são Exus da mesma forma, só
que na forma feminina.