Construção do Partido Revolucionário Anarquista
Chamado aos militantes revolucionários para a
construção nacional da União Popular Anarquista (UNIPA)
Comunicado
Nº 21 da União Popular Anarquista - UNIPA
Maio de 2007
1 - A
necessidade de uma Organização Política Nacional
O processo revolucionário se dá pela combinação de diversos
fatores. O primeiro é a luta de classes ou os conflitos político-econômicos
entre burguesia e proletariado; o segundo é o desenvolvimento da força coletiva
do proletariado, materializado nas suas organizações e lutas. A construção das
organizações políticas revolucionárias é um momento fundamental da luta de
classes.
Dessa maneira, a construção de um partido político revolucionário
é então uma necessidade para os revolucionários anarquistas ou bakuninistas. Nesse sentido, a construção do anarquismo
enquanto força política proletária passa pela construção de um partido
revolucionário.
Mas o anarquismo hoje no conjunto das organizações e movimentos
da classe trabalhadora não é senão um fenômeno muito secundário. Para tornar o
anarquismo uma força real, será preciso dar início a um sério trabalho de
propaganda e organização nos movimentos de massa.
Para isso, antes de termos a capacidade de convocar a construção
de um Partido (que implica um salto quantitativo, alcançando os milhares de
militantes, e qualitativo, a representatividade dentro da classe e grande poder
de mobilização e pressão), é preciso um trabalho preliminar. Um trabalho que
agrupe os militantes existentes na base de uma teoria, estratégia e programa
revolucionários. Um trabalho que não pode esperar mais.
Esse trabalho preliminar é caracterizado pela construção de um
grupo político nacional, bakuninista, que será o
embrião do partido revolucionário. A tarefa então do atual momento é agrupar
militantes sob a bandeira revolucionária do anarquismo, trabalhando na
construção da União Popular Anarquista (UNIPA) como grupo político nacional que
irá atuar nas organizações do proletariado.
As principais tarefas desse grupo nacional serão: 1) desenvolver
a teoria revolucionária bakuninista, que orientará a
intervenção e luta político-ideológica no movimento
de massas, e permitirá que o anarquismo se torne uma direção política para
muitas lutas e organizações da classe; 2) aumentar a presença de massas do
anarquismo, através da defesa de uma linha de massas que permita o
desenvolvimento da força coletiva do proletariado.
2 - O Trabalho
de Propagada, Agitação e Organização.
A luta teórica é realizada de forma combinada com o trabalho de
agitação, propaganda e organização entre as massas - a luta político-ideológica.
A principal tarefa desse trabalho político será a difusão do programa
reivindicativo e revolucionário da organização.
O programa reivindicativo compreende a luta por melhores
condições de trabalho e vida (melhores salários, redução da jornada de
trabalho, defesa dos direitos sociais, trabalhistas e etc) e visa animar a luta
da classe sob as condições objetivas da sociedade capitalista. O programa
revolucionário aponta a direção final e de longo prazo do trabalho da
organização ? a destruição do Estado, do Capitalismo e a construção do
Socialismo ? e marca a tônica de sua intervenção numa situação revolucionária,
que ela ajuda a preparar, com o protagonismo da
classe trabalhadora e de suas organizações.
O programa reivindicativo permitirá o aumento da influência dos
anarquistas nas organizações e lutas da classe trabalhadora; o programa
revolucionário irá marcar a direção política de longo prazo, permitindo o
agrupamento da militância de vanguarda.
A intervenção dos revolucionários anarquistas nos sindicatos,
organizações estudantis e populares é parte essencial do trabalho de construção
do grupo político nacional, de orientação bakuninista,
embrião do partido revolucionário.
Por outro lado, a construção de um grupo nacional com uma linha
realmente revolucionária e uma linha de massas classista e combativa irá
imediatamente repercutir nas próprias organizações e luta dos trabalhadores.
Por isso, a construção da organização através da luta teórica e político-ideológica é uma tarefa essencial do momento, de
interesse tanto para os revolucionários quanto para os trabalhadores em geral.
3 - As tarefas urgentes dos revolucionários e do proletariado
A atual situação política no Brasil é caracterizada por um
processo fundamental: a crise e reorganização do movimento sindical-popular,
que burocratizado e dominado pelo PT (Partido dos Trabalhadores) não consegue
atender às necessidades das lutas dos trabalhadores. Essa crise ao mesmo tempo
em que impõe dificuldades, cria possibilidades.
De outro lado, há o avanço das reformas neoliberais e da
reestruturação produtiva que corta direitos trabalhistas, elimina empregos e
aumenta a exploração. Por isso, é preciso que os revolucionários anarquistas
tenham uma linha política e de massas que permita uma correta intervenção na
atual conjuntura de ofensiva burguesa e colaboracionismo das principais
entidades do movimento sindical-popular.
Do ponto de vista da classe trabalhadora, a principal tarefa é a
ruptura com a burocracia sindical e com o modelo corporativista de organização
e luta. Do ponto de vista dos revolucionários, é necessário que essa luta seja
encaminhada numa direção de ruptura não somente com o governismo, mas com a
própria estrutura corporativista e pelega, rumo à construção do sindicalismo de
tipo revolucionário.
Isto implica uma luta intransigente contra todos os setores
governistas do movimento, e uma linha de ação clara e coerente. Então, a
primeira tarefa fundamental é combater o Governismo através da ruptura com a
CUT e demais entidades governistas. A segunda tarefa é a unificação das lutas
setoriais das diversas categorias profissionais e a articulação da luta dos
trabalhadores do campo com a cidade, bem como dos setores do proletariado
marginal.
O trabalho de construção nacional do partido revolucionário
anarquista está associado à intervenção nessa conjuntura concreta. E ela pode
possibilitar um importante avanço do anarquismo no movimento sindical-popular.
Portanto, a construção de um grupo anarquista nacional é uma tarefa urgente.
Para que os revolucionários anarquistas possam se apresentar já com uma
proposta, uma linha política e programática.
Por isso essa construção não pode esperar. Por isso é preciso ter
uma base teórica mínima que será desenvolvida e aprofundada. Por isso é preciso
ter um programa, uma estratégia e uma linha política e de massas. Porque a
dinâmica da luta de classes exige.
4 - Uma Linha de Massas Classista e Combativa.
A intervenção nas lutas de resistência (econômicas e políticas)
da classe trabalhadora deve seguir uma linha. A linha de massas revolucionária
anarquista materializa na tática a diferença estratégica e teórica para com as
forças reformistas.
Em primeiro lugar, devemos caracterizar que a crise do movimento
sindical-popular se dá não em razão da mera traição de ?direções?, mas tem
origem na própria estrutura sindical e concepção dominante: o sindicalismo
corporativista ou sindicalismo de Estado. Essa estrutura sindical
corporativista cria condições materiais para o peleguismo,
que sempre se torna a tendência dominante.
Por outro lado, as estratégias de luta das correntes reformistas
se ajustam normalmente a essa estrutura e a reforçam. O ?sindicalismo de
resultados? é apenas a expressão orgânica dessa política. Favorecer as greves e
luta por empresa, reforça o corporativismo e impede o desenvolvimento da
consciência de classe. Impede que o proletariado lance mão de uma das suas
principais armas: a greve geral.
Nesse sentido, a nossa linha de massas para a atual conjuntura
coloca exatamente a necessidade da destruição do sindicalismo de Estado e do
sindicalismo de resultados. Isso significa defender a ação direta da classe
trabalhadora, as greves unificadas e a greve geral como modelos de ação e
mobilização política da classe trabalhadora. Essa linha cria as condições
necessárias para o desenvolvimento do sindicalismo revolucionário, único capaz
de derrubar o Estado e a burguesia. Não basta combater as direções pelegas,
temos que criar as condições para animar um amplo processo de superação do fracionismo de classe, organizando na base todas as frações
do proletariado do campo e da cidade nos sindicatos e nos movimentos combativos
e classistas (desempregados, sem-terra, sem-teto, trabalhadores rurais em
geral, etc).
5 - Construção do Anarquismo e formação de núcleos da
UNIPA.
Conclamamos todas as companheiras e companheiros que concordem
com as bases teóricas, programáticas, estratégicas e a linha política e de
massas da UNIPA a se somarem na construção do anarquismo no Brasil. Isso se
dará pela formação de núcleos da UNIPA nos diferentes estados e regiões do
Brasil.
É uma tarefa necessária e urgente. Convocamos todos os
companheiros que tenham como objetivo a construção da Revolução Social a se
somarem neste processo.
Anarquismo é Luta!
Contra o Estado e o Capital!
Construir a Revolução
Social!