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Novo Mille Fire

 

Em fevereiro de 2004, a Fiat apresentou o Novo Mille Fire (foto do site oficial). Ele mantém o mesmo motor (e demais partes mecânicas) do antigo Mille Fire, mas vem com "aperfeiçoamentos" estéticos: Novos faróis e pára-choques (que agora podem vir pintados na cor da carroceria), novas lanternas e nova tampa do porta-malas. A versão cinco portas perdeu os vincos que acompanhavam a linha do capô. O interior recebeu novos encostos de cabeça. Coloquei o "aperfeiçoamentos" entre aspas porque as mudanças não foram vistas com bons olhos por todos...

 

Fui fazer o Test-Drive e na minha opinião, a grade ficou muito grande e terrivelmente desproporcional. Os faróis voltaram a ter perfil alto, e a traseira ficou muito sem graça. Chega a lembrar os antigos Peugeot 106 Soleil, uma tristeza, se considerarmos que o Uno é um Giugiaro. A antiga frente era ultrapassada, todos nós sabemos. Mas pelo menos era harmoniosa. O Fiorino se adequou melhor à essa "grade do Doblò", confesso que quando o vi tive saudades da Fiorino 1.6. Seria uma boa oportunidade de relançar o Fiorino com motor mais forte (quase impossível, considerando as vendas da Strada). Quando entrei no carro, parecia ter subido num jipe, pois o Uno parece ter ficado ainda mais alto com essa frente.

Os retrovisores do Palio, já usados desde o "antigo" Fire, não me agradaram. Eles cobrem uma área maior, mas na hora de estacionar em vagas apertadas não ajudam quase nada. Não sei se a Fiat mexeu na suspensão, mas o Fire que andei estava mais macio que o normal (para um Uno, claro!). Os engates do câmbio foram sempre justos e suaves, e o motor é muito silencioso: Apesar de não ter quase nenhum isolamento acústico, mal se ouve o ruído de seu funcionamento. Mesmo nas esticadas de marcha -- onde o Mille com motor Fiasa soltava aquele "barulho de abelha" -- ele tem um ronquinho bem suave.

A direção continua leve (mesmo sem ter assistência hidráulica, agora também disponível nas concessionárias), mas com a troca da coluna de direção pela do Palio (já usada desde o primeiro Fire também), a posição de dirigir (irretocável no Uno antigo) perdeu alguns pontos: Se estava bom para as mãos, não estava para os pés, e vice-versa.

O material plástico usado no interior é de qualidade duvidosa: Fiquei com medo de baixar os vidros e ficar com a manivela na mão. O plástico do console parece ser tão fino que se pode enxergar através dele. Até os cintos de segurança parecem ser mais estreitos que os do meu Uno. A forração interna também parece barata, e é monótona, tudo é "cinza-deprê"... Prefiro a padronagem colorida usada nos Mille ELX há dez anos atrás (credo, já faz tanto tempo!!!).

Eu disse "forração interna" por força do hábito, pois não há forração nas demais partes do carro. Porta-malas, colunas, etc, tudo fica com o metal à mostra.

Concluindo, eu acho que se a Fiat queria atualizar o Mille e fortalecê-lo diante de Celta e Ka, deveria dar um banho de loja: Forração em mais partes da carroceria, materiais de melhor qualidade, antigos opcionais oferecidos como equipamento de série. Enfim, reeditar o ELX, mas com o mesmo preço do Mille Fire.

Ultimamente, até me acostumei com o "Doblozinho", e há alguns que conseguem até ser bonitos ( como o preto com rodas do Stilo que eu vi)... O Novo Mille causou um efeito parecido com o que o Ford Ka causou alguns anos atrás: Muita gente adorou, muitos odiaram, mas todos acabaram se acostumando.

Eu não trocaria o meu 1.6R por esse "Novo" Mille de maneira alguma. Posso até comprar um desses como segundo carro, mas nunca como veículo principal. Não por ter motor 1000, mas pelo acabamento. Passo muito tempo dentro do carro, e mais do que desempenho, o mínimo que preciso é me sentir bem lá dentro.

Abaixo, seguem alguns desenhos meus. Nas duas primeiras figuras, têm-se o Mille com a grade estreitada, sendo que na segunda figura, grade e faróis foram estreitados. Na última figura, um Mille levemente "tunado", com pára-choques modificados, rodas mais largas e  levemente rebaixado.

                             


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