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CAOS COMUM DE TRANSITO
Um significativo
número de canções da jovem guarda têm os carros como cenário ou objeto de atenção.
Erasmo Carlos dizia que seu "carro é vermelho" e não usa "espelho pra me
pentear". Os irmãos Valie falam da "tensão social" que não permite e
não quer vê-los andando a pé. Roberto Carlos saia pelas ruas com o seu famoso
"calhambeque", ou descortinando as famosas, "Curvas da estrada de
Santos".
Somos uma sociedade que cresceu embalada por sonhos
automotivos e se vê às portas de um pesadelo, em razão do trânsito caótico das
grandes cidades e do número indiscriminado de acidentes por todo o País.
Enquanto isso, Celso Fontenelle, Presidente da Seccional da
OAB do Rio de Janeiro, corta a "Cidade maravilhosa" em sua motocicleta.
Jocosamente, os colegas do foro carioca acostumaram-se a
perguntar pelo selvagem da motocicleta, referindo-se ao impertigado senhor de cabelos
brancos e terno: Celso Fontenelle. Acerca de seu meio de transporte ele diz: "E um
meio de transporte sério, útil". E em seguida lembra: "Nunca fui de
correr".
Aos 83 anos, Celso Fontenelle sofreu um acidente, quando um
,carro o desequilibrou, fazendo-o cair e quebrar o fêmur. Ficou dois meses sem andar de
moto. Seis meses depois, foi "atropelado" por outro carro. Mais 45 dias parado.
Em 66 anos de experiência, dois acidentes e nenhuma multa é um saldo mais do que
satisfatório" OB, 28/08/99/Carro e Moto, p. 1).
Infelizmente, o exemplo de Celso Fontenelle não vem sendo
seguido por motoristas, motoqueiros, ciclistas e pedestres. Falta cortesia, aquilo que nos
ensinaram a chamar de urbanidade. predomina o chamado "efeito animal" - numa
clara referência às atitudes do jogador Edmundo quando ao volante.
Segundo dados recentes "o trânsito mata 30.000 brasileiros por
ano. Com a metade da frota de carros da Alemanha, o Brasil tem um número de mortos no
trânsito três vezes maior". No Brasil ocorre uma morte para cada 900 carros, nos
EUA uma morte para cada 5.300 carros e na Suécia, uma morte para cada 6.900 veículos
(VEJA, 13/10/99, p. 111).
Mais do que punição, necessitamos de educação para o
trânsito.
Saber atravessar a rua; respeitar a faixa de pedestre; usar
o sentido correto - no caso dos ciclistas; evitar congestionamentos utilizando ruas
paralelas; não jogar objetos na rua - do papel às embalagens em geral; não fazer
ultrapassagens bruscas ou ilegais. Estes são alguns pequenos zelos que poderiam começar
a pacificar o trânsito.
Passamos muito rápido da carroça à bicicleta, do bonde
ao ônibus. do Volks ao Toyota. Inflamos nosso ego dentro dos nossos veiculos possantes ou
desafiamos a destreza dos outros em patins, skates, bicicletas e mobiletes
"envenenadas". No fundo, tudo o que conseguimos é envenenar a vida - pondo fim
à possibilidade de exercitarmos qualidade de vida.
Pense nisso. Edite a "Paz no Trânsito".
"Seja um construtor da cultura de paz". "Pratique a VIOLENCIA ZERO".
Senão, como no titulo da canção de Belchior, você pode virar um "Caso comum de
trânsito". |
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