Uma estorinha ecológica

 

Wagner B. Compodonio

 

Numa ilha das Antilhas grassou uma epidemia de malária e os especialistas identificaram com facilidade a causa: um mosquito, tipo do nosso pernilongo.
Fizeram, então, seus planos para a cura dos doentes mas resolveram, também, atacar de frente a cau-sa: eliminar totalmente a praga causadora. A solução não deixou por menos na ação: dedetizar, por avião, toda a ilha.

Passaram rapidamente à decisão tomada: aviões em todas as direções pulverizaram todos os recantos da dita ilha. Não sobrou um mosquito para contar a estória.
Passado algum tempo, os nativos começaram a notar dois fatos: os lagartos que existiam na ilha, em número razoável, apresentavam um aspecto de sonolência, como se estivessem bêbados e não reagiam com rapidez à aproximação do homem, como era natural, e ainda que, o número deles começava a rarear.

Novamente devido àquele fato estranho, reuniram-se os especialistas e chegaram à conclusão, após observarem em paralelo, também um número exagerado de "óbitos" na população de gatos: os gatos comem os lagartos; como esses lagartos estão sem sua reação de autodefesa, os gatos os pegam com facilidade, e se os gatos estão morrendo é porque os lagartos estão envenenados, e se estão envenenados é porque o seu ali-mento natural (os mosquitos) estavam envenenados com o DDT.

Enquanto os luminares da terra conjecturavam da importância desses fatos,começaram a notar que seus celeiros de grãos e suas casas estavam sofrendo ataques ferozes de ratos. A população de ratos na ilha crescia assustadoramente, porque faltava, agora, na ilha, seu predador natural, o gato.

Novamente, as cabeças pensantes se reuniram e decidiram que a solução seria colocar em toda a ilha iscas para os ratos. Aí, alguém de bom senso se levantou e pediu a palavra: Alto lá! Se fizermos isso não saberemos as conseqüências, poderemos estar envolvendo outros animais, inclusive porcos, galinhas etc. e com isso, nós mesmos sofreremos na pele. Todos concordaram e a idéia morreu. Que fazer então? Brilhante conclusão: vamos importar gatos! E como importaram! Navios vinham apinhados de bichanos e a ilha, finalmente, readquiriu sus população "gatal". Não demorou muito, a população de ratos começou a não inco-modar.

Passado um ano, começou-se a notar um outro fenômeno diferente: as choupanas dos habitantes, feitas de madeira e palha, começavam a desabar. Fácil ver, era cupim que não acabava mais. Por que tanto cupim? Indagavam-se os habitantes da ilha. Alguém, brilhantemente, concluiu: falta o seu predador natural, o lagarto.

Conclusão: começaram a importar lagartos em larga escala.
Moral da estória: O ciclo natural pode ser quebrado pelo homem, mas a  Natureza dá o troco.

 

Nota do autor: essa estória foi adaptada por mim de um fato contado em um congresso de defesa do Meio Ambiente.

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