Samhain 16

 

P@po Cultur@l

 

Samhain - Wagner Bacciotti Campodonio. Quem está por trás deste nome?

Wagner - Sou um micronacionalista que já pode se considerar experiente, que já exerceu diversos trabalhos na República de Marajó, desde janeiro de 1999, nas mais diferentes áreas, como política, ensino, jornalismo, empresarial, ambientalista, esportivo, governamental e por aí vai...
Em todos trabalhos que desempenhei, cada um tinha uma peculiaridade, uma dificuldade a ser vencida e um prazer a ser usufruido, sempre formando novos amigos e procurando ajudar em tudo que está ao meu alcance.

 

Samhain - Você já desempenhou diversos "cargos" no mundo micronacional e em especial aqueles ligados a área da educação e cidadania. Como definiria a atual conjuntura micronacional em termos de educação e exercício de cidadania comparando com sua vivência nestes três anos de micronacionalismo?

Wagner - O processo educacional no micronacionalismo sempre teve muitas dificuldades ao longo de sua história para manter uma organização e continuidade de projetos. Muitas pessoas se comprometem a dedicar-se a projetos nesta área, montam uma estrutura que logo é aplaudida pelos demais cidadãos e semanas após é tudo esquecido. Isto tem sido uma constante ao longo dos anos. Falta uma continuidade, uma maior comunicação entre os micronacionalistas interessados no desenvolvimento através da educação. Mas a esperança em trabalhos em conjunto, com qualidade e seriedade ainda está em vigor, pois podemos notar que nos últimos meses muitas instituições culturais e educacionais tem sido criadas, faltando, ao meu modo de ver, apenas um intercâmbio maior entre todos os interessados.

 

Samhain - Como você vê a construção deste processo de "despertar" não apenas o interesse pela cultura dentro do micronacionalismo, mas também o de romper com esta imagem totalmente equivocada de que "estudar é chato" - já que se trata de um processo de crescimento, e portanto de ganho, de cada um enquanto indivíduo e cidadão micro e macro?
Wagner - Realmente estudar é muito chato se for feito com métodos pedagógicos não relacionados ao cotidiano dos alunos, ao seu ritmo de aprendizagem e a estrutura oferecida. O que deve ser feito no nosso meio virtual é explorar a vasta oferta de informações e imagens associadas ao uso da tecnologia que a Internet nos oferece. Aulas monótonas, com quilômetros de textos e mais textos e sem o uso da tecnologia que nos é possível utilizar, com certeza afasta aqueles que num certo momento interessam-se pelos estudos.


Samhain - Sabemos que a gramática ciberespacial é ancorada, antes de mais nada, em html. No entanto, sabemos que mesmo havendo cursos específicos deste, poucos parecem se interessar pelo assunto e procurar aprender ou aprimorar seus conhecimentos na área para depois aplica-lo dentro deste hobby. Que razões você vê para isto e como, enquanto micronacionalistas, poderiamos reverter este quadro?

Wagner - Muitos não se interessam em aprender a trabalhar com HTML pois existe os FrontPages da vida, que, de certa forma, boa ou ruim, desempenham o papel básico de construir um site simples e passar a informação que deseja. Mesmo assim, há um grande número de pessoas que nem mesmo através destes recursos simples tentam aprender a construir sites, tão fundamentais para o dia-a-dia das micronações. Os cursos criados a fim de ensinar o HTML geralmente atraem um número de alunos que considero acima da média. Mas percebo que faltam cursos em nossas micronações sobre as outras linguagens, como o Flash, por exemplo, que também podem ser considerados fundamentais ao nosso crescimento e ao aprimoramento dos sites micronacionais.

Samhain - Ecologia e redes de computadores (natureza e tecnologia), dois pólos, a princípio, opostos. Uma parceria que pode dar certo?

Wagner - Esta parceria pode dar certo no momento em que houver, pelo menos, uma pessoa interessada. Basta uma pessoa para que haja a possibilidade do sucesso, pois a partir dela, outras passarão a conhecer o fantástico mundo na natureza. Os estudos realizados na área de biologia e ecologia não podem ficar confinados apenas nos meios acadêmicos, sendo motivo de debates apenas entre os estudantes da área, professores e profissionais. Deve ser expandida, popularizada, ser conhecida pela população em geral, pois é um assunto que interessa a todos nós. A internet é uma grande ferramente de divulgação da informação, e porque não utilizar-se deste grande potencial tecnológico com o intuito de divulgar mais as ciências, como a biologia, ecologia e todas as demais? Já conhecemos diversos sites de ONG's macronacionais, muito visitados, e que são relacionados ao meio ambiente. Podemos citar o SOS Mata Atlântica, Projeto Tamar, Projeto Baleia Franca, Greenpeace e muito mais. No micronacionalismo não poderia ser diferente, embora observe que a "força verde" nas micronações está sendo um fenômeno que tem ganhado forças muito recentemente. Eu posso me considerar um dos "desbravadores" deste assunto nas micronações, e fico feliz em constatar que projetos ambientais vêm sendo desenvolvidos, como a criação de Zoológicos, Expedições Oceanográficas e até mesmo informativos ecológicos, como o Oikos Logos, da minha amiga Waleska Fernandez Paris, que por um bom tempo foi minha companheira nos trabalhos do MEC e Jornal do Meio Ambiente em Marajó.

Samhain - Sabemos que a gramática ciberespacial é ancorada, antes de mais nada, em html. No entanto, sabemos que mesmo havendo cursos específicos deste, poucos parecem se interessar pelo assunto e procurar aprender ou aprimorar seus conhecimentos na área para depois aplica-lo dentro deste hobby. Que razões você vê para isto e como, enquanto micronacionalistas, poderiamos reverter este quadro?

Wagner - Muitos não se interessam em aprender a trabalhar com HTML pois existe os FrontPages da vida, que, de certa forma, boa ou ruim, desempenham o papel básico de construir um site simples e passar a informação que deseja. Mesmo assim, há um grande número de pessoas que nem mesmo através destes recursos simples tentam aprender a construir sites, tão fundamentais para o dia-a-dia das micronações. Os cursos criados a fim de ensinar o HTML geralmente atraem um número de alunos que considero acima da média. Mas percebo que faltam cursos em nossas micronações sobre as outras linguagens, como o Flash, por exemplo, que também podem ser considerados fundamentais ao nosso crescimento e ao aprimoramento dos sites micronacionais.

 

Samhain - Ser ligado a área da pesquisa acadêmica faz com que tenha um certo natural desembaraço dentro de "universidades" mesmo neste suporte. Até onde esta experiência macro influencia sua atividade micro?

Wagner - Com certeza, os trabalhos que venho desenvolvendo no micronacionalismo tem forte influência das minhas atividades macronacionais, onde sou estudante (mas já considero-me profissional) de Bacharelado em Biologia, com ênfase em Ecologia, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS - http://www.uefs.br), e desempenho trabalhos de educação ambiental com comunidades carentes e acadêmicas, pesquisas científicas em ecologia de lagoas urbanas, ornitologia e botânica floral, além de trabalhos de planejamento participativo levando-se em consideração o desenvolvimento sustentável. Desde que "nasci" em Marajó eu direcionei grande parte do meu tempo micronacional a atividades relacionadas ao meio ambiente ou ensino.
Criei logo no início da minha cidadania marajoara o Jornal do Meio Ambiente, que chegou a 9ª edição, mas encerrei suas atividades, e logo depois a Funvive - Fundação Vida Verde (primeira ONG micronacional sobre meio ambiente), que atualmente é responsável pela edição da Revista SuperExpert, ligada a ciências em geral. No campo da educação, já fui Ministro da Educação e Cultura e sou o fundador da Universidade de Jaruara, em Marajó, sendo que já fui Reitor desta universidade em duas oportunidades e auxilio, sempre que posso, ao atual Reitor, Sr. Adilson Soares. Além disto, atualmente sou professor, na Universidade de Jaruara, de 02 cursos: Zoologia das Aves (formou 1 turma e está iniciando mais uma nesta semana) e Planejamento Participativo Micronacional (turma aberta ainda). Acho que tenho contribuido na medida do possível pela "popularização" da ecologia no micronacionalismo e com o ensino micronacional, de certa forma, apesar de não ser muito valorizada pela grande maioria dos cidadãos virtuais.
Talvez este seja o meu grande desafio: Despertar o interesse pelo meio ambiente, de formar grupos de pessoas interessadas em debates produtivos, e valorizar cada vez mais a educação como forma de crescimento pelo conhecimento dentro das diversas micronações existentes.

 

Samhain - A que credita este maior interesse despertado pela questão ecológica no micronacionalismo nos últimos tempos (que tem suas peculiaridades e preferências ainda que atuantes, por vezes, de forma subjetiva) com o surgimento de tantas iniciativas na área? Moda ou conscientização micro?

Wagner - O surgimento de tantas iniciativas na área ecológica micronacional deve-se ao despertar de muitas pessoas, não ao tema em questão, mas sim, da possibilidade de discussão deste assunto aqui no mundo virtual. Mas, assim como a educação, a área ambiental deve ser conduzida de forma mais integrada, com a união das pessoas interessadas neste assunto, independentemente da micronação a qual pertence cada um.

SITES RECOMENDADOS

República de Marajó - http://www.repmarajo.cjb.net

Funvive - Fundação Vida Verde - http://www.geocities.com/bacciotti/fvv.html

Revista SuperExpert - http://www.geocities.com/bacciotti/superexpert.html

UniJaru - Universidade de Jaruara - http://homepage.mac.com/unijaru

(Curso Zoologia das Aves e  Planejamento Participativo Micronacional)

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