P@po Cultur@l
Samhain - Wagner Bacciotti
Campodonio. Quem está por trás deste nome?
Wagner - Sou
um micronacionalista que já pode se considerar experiente, que já exerceu
diversos trabalhos na República de Marajó, desde janeiro de 1999, nas mais
diferentes áreas, como política, ensino, jornalismo, empresarial,
ambientalista, esportivo, governamental e por aí vai...
Em todos trabalhos que desempenhei, cada um tinha uma
peculiaridade, uma dificuldade a ser vencida e um prazer a ser usufruido, sempre
formando novos amigos e procurando ajudar em tudo que está ao meu alcance.
Samhain - Você já desempenhou
diversos "cargos" no mundo micronacional e em especial aqueles
ligados a área da educação e cidadania. Como definiria a atual conjuntura
micronacional em termos de educação e exercício de cidadania comparando com sua
vivência nestes três anos de micronacionalismo?
Wagner - O
processo educacional no micronacionalismo sempre teve muitas dificuldades ao
longo de sua história para manter uma organização e continuidade de projetos.
Muitas pessoas se comprometem a dedicar-se a projetos nesta área, montam uma
estrutura que logo é aplaudida pelos demais cidadãos e semanas após é tudo
esquecido. Isto tem sido uma constante ao longo dos anos. Falta uma continuidade,
uma maior comunicação entre os micronacionalistas interessados no
desenvolvimento através da educação. Mas a esperança em trabalhos em conjunto,
com qualidade e seriedade ainda está em vigor, pois podemos notar que nos
últimos meses muitas instituições culturais e educacionais tem sido criadas,
faltando, ao meu modo de ver, apenas um intercâmbio maior entre todos os
interessados.
Samhain - Como você vê a
construção deste processo de "despertar" não apenas o interesse pela
cultura dentro do micronacionalismo, mas também o de romper com esta imagem
totalmente equivocada de que "estudar é chato" - já que se trata de
um processo de crescimento, e portanto de ganho, de cada um enquanto indivíduo
e cidadão micro e macro?
Wagner -
Realmente estudar é muito chato se for feito com métodos pedagógicos não
relacionados ao cotidiano dos alunos, ao seu ritmo de aprendizagem e a
estrutura oferecida. O que deve ser feito no nosso meio virtual é explorar a
vasta oferta de informações e imagens associadas ao uso da tecnologia que a
Internet nos oferece. Aulas monótonas, com quilômetros de textos e mais textos
e sem o uso da tecnologia que nos é possível utilizar, com certeza afasta
aqueles que num certo momento interessam-se pelos estudos.
Samhain - Sabemos que a
gramática ciberespacial é ancorada, antes de mais nada, em html. No entanto,
sabemos que mesmo havendo cursos específicos deste, poucos parecem se
interessar pelo assunto e procurar aprender ou aprimorar seus conhecimentos na
área para depois aplica-lo dentro deste hobby. Que razões você vê para isto e
como, enquanto micronacionalistas, poderiamos reverter este quadro?
Wagner - Muitos não se
interessam em aprender a trabalhar com HTML pois existe os FrontPages da vida,
que, de certa forma, boa ou ruim, desempenham o papel básico de construir um
site simples e passar a informação que deseja. Mesmo assim, há um grande número
de pessoas que nem mesmo através destes recursos simples tentam aprender a
construir sites, tão fundamentais para o dia-a-dia das micronações. Os cursos
criados a fim de ensinar o HTML geralmente atraem um número de alunos que
considero acima da média. Mas percebo que faltam cursos em nossas micronações
sobre as outras linguagens, como o Flash, por exemplo, que também podem ser
considerados fundamentais ao nosso crescimento e ao aprimoramento dos sites
micronacionais.
Samhain - Ecologia e
redes de computadores (natureza e tecnologia), dois pólos, a princípio,
opostos. Uma parceria que pode dar certo?
Wagner - Esta
parceria pode dar certo no momento em que houver, pelo menos, uma pessoa
interessada. Basta uma pessoa para que haja a possibilidade do sucesso, pois a
partir dela, outras passarão a conhecer o fantástico mundo na natureza. Os
estudos realizados na área de biologia e ecologia não podem ficar confinados
apenas nos meios acadêmicos, sendo motivo de debates apenas entre os estudantes
da área, professores e profissionais. Deve ser expandida, popularizada, ser
conhecida pela população em geral, pois é um assunto que interessa a todos nós.
A internet é uma grande ferramente de divulgação da informação, e porque não
utilizar-se deste grande potencial tecnológico com o intuito de divulgar mais
as ciências, como a biologia, ecologia e todas as demais? Já conhecemos
diversos sites de ONG's macronacionais, muito visitados, e que são relacionados
ao meio ambiente. Podemos citar o SOS Mata Atlântica, Projeto Tamar, Projeto
Baleia Franca, Greenpeace e muito mais. No micronacionalismo não poderia ser
diferente, embora observe que a "força verde" nas micronações
está sendo um fenômeno que tem ganhado forças muito recentemente. Eu posso me
considerar um dos "desbravadores" deste assunto nas micronações, e
fico feliz em constatar que projetos ambientais vêm sendo desenvolvidos, como a
criação de Zoológicos, Expedições Oceanográficas e até mesmo informativos
ecológicos, como o Oikos Logos, da minha amiga Waleska Fernandez Paris, que por
um bom tempo foi minha companheira nos trabalhos do MEC e Jornal do Meio
Ambiente em Marajó.
Samhain - Sabemos que a gramática
ciberespacial é ancorada, antes de mais nada, em html. No entanto, sabemos que
mesmo havendo cursos específicos deste, poucos parecem se interessar pelo
assunto e procurar aprender ou aprimorar seus conhecimentos na área para depois
aplica-lo dentro deste hobby. Que razões você vê para isto e como, enquanto
micronacionalistas, poderiamos reverter este quadro?
Wagner - Muitos
não se interessam em aprender a trabalhar com HTML pois existe os FrontPages da
vida, que, de certa forma, boa ou ruim, desempenham o papel básico de construir
um site simples e passar a informação que deseja. Mesmo assim, há um grande
número de pessoas que nem mesmo através destes recursos simples tentam aprender
a construir sites, tão fundamentais para o dia-a-dia das micronações. Os cursos
criados a fim de ensinar o HTML geralmente atraem um número de alunos que
considero acima da média. Mas percebo que faltam cursos em nossas micronações
sobre as outras linguagens, como o Flash, por exemplo, que também podem ser
considerados fundamentais ao nosso crescimento e ao aprimoramento dos sites
micronacionais.
Samhain - Ser ligado a área da
pesquisa acadêmica faz com que tenha um certo natural desembaraço dentro de
"universidades" mesmo neste suporte. Até onde esta experiência macro
influencia sua atividade micro?
Wagner - Com
certeza, os trabalhos que venho desenvolvendo no micronacionalismo tem forte
influência das minhas atividades macronacionais, onde sou estudante (mas já
considero-me profissional) de Bacharelado em Biologia, com ênfase em Ecologia,
na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS - http://www.uefs.br), e
desempenho trabalhos de educação ambiental com comunidades carentes e
acadêmicas, pesquisas científicas em ecologia de lagoas urbanas, ornitologia e
botânica floral, além de trabalhos de planejamento participativo levando-se em
consideração o desenvolvimento sustentável. Desde que "nasci" em
Marajó eu direcionei grande parte do meu tempo micronacional a atividades
relacionadas ao meio ambiente ou ensino.
Criei logo no início da minha cidadania marajoara o Jornal
do Meio Ambiente, que chegou a 9ª edição, mas encerrei suas atividades, e logo
depois a Funvive - Fundação Vida Verde (primeira ONG micronacional sobre meio
ambiente), que atualmente é responsável pela edição da Revista SuperExpert,
ligada a ciências em geral. No campo da educação, já fui Ministro da Educação e
Cultura e sou o fundador da Universidade de Jaruara, em Marajó, sendo que já
fui Reitor desta universidade em duas oportunidades e auxilio, sempre que posso,
ao atual Reitor, Sr. Adilson Soares. Além disto, atualmente sou professor, na
Universidade de Jaruara, de 02 cursos: Zoologia das Aves (formou 1 turma e está
iniciando mais uma nesta semana) e Planejamento Participativo Micronacional
(turma aberta ainda). Acho que tenho contribuido na medida do possível pela
"popularização" da ecologia no micronacionalismo e com o ensino
micronacional, de certa forma, apesar de não ser muito valorizada pela grande
maioria dos cidadãos virtuais.
Talvez este seja o meu grande desafio: Despertar o interesse
pelo meio ambiente, de formar grupos de pessoas interessadas em debates
produtivos, e valorizar cada vez mais a educação como forma de crescimento pelo
conhecimento dentro das diversas micronações existentes.
Samhain - A que credita este
maior interesse despertado pela questão ecológica no micronacionalismo nos
últimos tempos (que tem suas peculiaridades e preferências ainda que atuantes,
por vezes, de forma subjetiva) com o surgimento de tantas iniciativas na área?
Moda ou conscientização micro?
Wagner - O surgimento de
tantas iniciativas na área ecológica micronacional deve-se ao despertar de
muitas pessoas, não ao tema em questão, mas sim, da possibilidade de discussão
deste assunto aqui no mundo virtual. Mas, assim como a educação, a área
ambiental deve ser conduzida de forma mais integrada, com a união das pessoas
interessadas neste assunto, independentemente da micronação a qual pertence
cada um.
SITES RECOMENDADOS
República de Marajó - http://www.repmarajo.cjb.net
Funvive - Fundação Vida Verde - http://www.geocities.com/bacciotti/fvv.html
Revista SuperExpert - http://www.geocities.com/bacciotti/superexpert.html
UniJaru - Universidade de Jaruara - http://homepage.mac.com/unijaru
(Curso Zoologia das Aves e Planejamento Participativo Micronacional)