
Paixão e Ódio
nos Açores
PARTE QUATRO
(E VAMOS QUE VAMOS...)
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Depois do misterioso assassinato de Nilton Pitombeira, o caso caiu
nas mão do delegado Janjão Durão. Na noite do crime, estranhamente muitos
cidadãos e turistas estavam na cena do crime, ou muito próximos dela. E olha
que já era praticamente meia-noite... Pura coincidência? Plano grupal? Ou um
deles realmente era o asqueroso assasino?
Que segredos terá descoberto o jornalista Pitombeira? E quem
será que foi o autor dessa brutalidade?

Janjão Durão agora vai começar a caçada a este criminoso, e para
isto, ele já disse que vai colocar todos contra a parede...
* * *
Depois da
movimentada noite de quarta-feira, dia 14, o dia seguinte à morte de Pitombeira
foi também muito agitado. O clima no ar era de mistério, tristesa e ao
mesmo tempo de alívio pela morte do jornalista. Todos os que estavam no local
foram dissipados pela polícia, para evitar mais tumulto. Alguns voltaram para
casa, outros preferiram ficar pela cidade...
D. Vicente
não conseguiu dormir após voltar do local onde Pitombeira foi morto. Passou a
noite em claro próximo ao cais, andando de um lado para outro... Sua
preocupação era tanta que nem reparou, na rua acima, o delegado Janjão
Durão passando por ele assim que D. Vicente jogou algo na água.
O delegado parou a viatura
imediatamente, deu marcha a ré, ligou a sirene e foi interrogar D. Vicente. D.
Vicente que já estava estranho nos últimos dias, irritadiço, ficou bastante
trêmulo com a presença do policial:
- O-oi
se-seu delegado. Bom dia pro senhor.
- Bom
dia senhor Córdova. Uma hora dessas ainda pela rua? Passou a noite em claro? (Janjão sorri de sua própria
pergunta capciosa)
- Pois
é senhor Durão.
- O que
te atraiu tanto aqui pro cais? Resolveu lançar garrafinhas com mensagens?
- Não,
não.... estou só espairecendo a mente... depois de tudo o que aconteceu, qq um
ficaria assim.... eu não tenho nada a ver com tudo isso, só est...
-
Calma, calma...
- EU
ESOTU CALMO!!!!! PORQUE, NÃO PARECE???
-
Hmm... OK... (Delegado
Janjão prefere não irritar ainda mais sr. Vicente...)
- Então
me ajude com uma coisa, Sr. Vicente. Se fosse fosse eu, quem vc acha que eu
deveria logo dar uma prensa e descobrir o assassino?
-
Olha... vou ser direto!!! Se eu fosse o senhor eu daria uma prensa em Dom
Eduardo...donos de bar geralmente sabem de tudo, vide milhares de filmes
policiais norte-americanos.
- Ok...
vou pensar nessa possibilidade... agora, Sr. Vicente, eu também gostaria de
conversar melhor contigo, mas vejo que vc está suando muito... deve ser o calor
dessa manhã, não é??? Vc está realmente muito abatido... tenso... façamos o
seguinte... compareça hoje a tarde na delegacia as 17:00h.
- Sim,
senhor, não faltarei, não faltarei, pode confiar em minha pessoa, que sou
íntegro, não tenho nada a dever, só que eu era muito criticado, e não tem quem
aguente, sou uma pessoa pacata, um cidadão exemplar, tenho minha fazenda, sou
guia de turismo, só ajudo, mas as vezes fico magoado, fico estressado, mas sou
gente boa, pode perguntar a quem o senhor quiser, aliás, o senhor sabe quem sou
eu, que sou gente de bom caráter, que sou gente fina, não mato nem mesmo uma
mosca, que todos gostam de mim..
- Sim,
sim... claro sr. Vicente.... até mais tarde!
Depois que
o delegado saiu, Vicente sentou-se na beira d´água e começou a chorar...
Janjão
Durão ficou muito intrigado com a inquietação de D. Vicente, e anotou tudo em
sua agenda... inclusive, de se lembrar em perguntar sobre o que ele jogou na
água, e tentou disfarçar quando percebeu que ele se aproximava... Janjão não
deixa escapar nenhum detalhe...

O delegado
Janjão Durão também muito cansado, e abatido com a morte de seu grande amigo.
Mas mesmo assim, emendando a noite com o dia, o delegado resolveu ir questionar
Eduardo Levante. Eduardo estava no Bar Lusitânia, onde trabalha como garçon.
- Bom
dia sr. Levante.
Eduardo se
assustou com a presença do delegado, em pleno Bar Lusitânia.
- Bom
dia - respondeu
Eduardo, com voz vacilante
- Pois
bem, estou cansado e não quero perder tempo... vamos direto ao assunto. O que o
senhor fazia com a srta. Analice e o sr. Lucas na redação do jornal Humorista,
no horário da morte de Pitombeira?
-
Se-seu delegado....
- Vamos
rapaz, não precisa gaguejar... uma pergunta simples, quero resposta simples!
- Ok.
E-eu estava só acompanhando a srta. Analice, que pre-precisava falar com o
Pitombeira. Não sei o que era, mas como ela tem medo de escuro, ela me-me
chamou.
-
Hmm... certo... e o sr. Lucas, foi com vc ou já estava com ela?
- O
Lucas já estava com ela, mas eu nem sabia que ele estaria com ela. Eu juro!
- Sr.
Levante, ao questionar um cidadão que esteve presente nesta noite, ele indicou
que eu deveria começar minha investigação pelo senhor. Pq vc acha que ele me
disse isso?
- Oras!
O Waldir está maluco! Eu não sei de nada!
- Mas
eu não disse que foi o Waldir... - Disse o delegado
-
Ah, entendi que o senhor tivesse dito.... Pois é... esta sobrando pra todo
mundo, até para mim que estava me mantendo afastado deste misterio...
-
Senhor Levante, o senhor não poderá sair da cidade enquanto continuo com as
investigações, entendido? Agora, uma última pergunta. Percebi que assim que eu
cheguei, o senhor não parecia estar triste com a morte de Ptombeira, e pelo
contrário, a sua alegria me chamou a atenção, inapropriada para um momento como
aquele. Qual era a sua relação com Pitombeira?
- Bem..
eu não gostava do que ele escrevia, mas como pessoa, nada contra. Aliás, senhor
delegado, acho que o sr. Campodonio seria uma pessoa que poderia lhe
ajudar melhor, não? É que agora estou no meio do trabalho e... sabe como é...
Ah, o sr. aceita uma bebida?
-
Hmm... até que seria uma boa... mas sabe como é... tenho um canalha pra colocar
em cana!!! Pois bem sr. Eduardo... compareça hoje a tarde as 17:30h para um
interrogatório, sem falta, ok?
Janjão se
despediu e resolveu ir até o jornal Humorista novamente...
Janjão
Durão estava achando tudo muito estranho... porque será que todos estavam tão
nervosos, e ao mesmo tempo aparentavam uma felicidade incontida com a morte do
Pitombeira?
A próxima
pessoa que Durão foi ter uma conversa mais particular foi o sr. Campodonio,
editor do jornal.
- Olá Sr. Wagner.
- Oi
seu Janjão... ehehehe :-P
- Está
alegre, hein....
- Ah, a
vendagem do jornal está excelente!!! :-)
- Pois
é... vi que a notícia da morte de Pitombeira foi bem explorada... para quem
estava atrasado, até que tudo foi escrito bem rápido, não? Vamos, sr. Wagner,
me responda uma coisa... O que o senhor fazia entre 23:00 e 24:00 nesta noite?
- Eu?
Estava trabalhando!!! Oxe!!! Vc acha que é fácil fazer um jornal onde um de
seus funcionários falta pq ficou bêbado e o outro falta pq morreu? ahahahhah
Assim é difícil!!! ehehehhe Pow, deixasse pra morrer depois... mas nããõoo...
parece que só pra sacanear mais uma vez, o miserável resolve morrer bem na hora
de fechar a edição.... se ele estivesse vivo, eu despediria ele agora! :-P
- Sr.
Wagner, o sr. bebeu?
- Sr.
delegado, o sr. está procurando a pessoa errada. É sério... Sei que eu seria
suspeito pela briga que tive com o Pitombeira, mas não sou nenhum assassino.
Motivos é que não me faltariam, mas sou uma pessoa pacata. Aliás, conversando
com o Eduardo hoje cedo, ele estava desconfiado de D. Vicente.... eu não estou
dizendo nada, mas ele realmente está muito estranho esses dias, não reparou?
- Sr.
Wagner, não vamos mudar de assunto. O senhor estava com mais alguém neste
horário que eu perguntei?
- Não,
ué! -
responde Wagner, desconcertado.
- O
escritório do senhor fica no mesmo andar do escritório de Nilton Pitombeira,
mais precisamente, AO LADO DA SALA DELE, confere, SENHOR WAGNER?
- Sim
senhor... mas.... er... :-(
- E o
senhor não viu nenhum movimento, e nenhum barulho neste meio tempo, CONFERE
SENHOR WAGNER?????
-
Nã-não senhor delegado... eu-eu... :-/
-
RESPONDA!!!!
- Seu
delegado.... é o seguinte... vou falar o que sei... vai... senta aí que a
conversa vai ser longa...
- OK.
- Foi o
seguinte... ontem a noite recebi um telefonema muito estranho, com uma voz
feminina cochichando, e eu nada entendia... isso foi lá pras 22:30h...
desliguei pensando que era trote... o mesmo telefonema se repetiu por mais 3
vezes... se não estou enganado, a voz era da srta. Lilith, a turista normanda,
ou da srta. Analice... mas são muito parecidas, nada posso afirmar... bom...
não entendia nada, e desliguei... um tempo depois, ouvi o telefone de novo, mas
dessa vez na sala do sr. Pitombeira. Estranhamente o telefone tocou 2 vezes só,
pensei que a pessoa que tivesse ligado tinha desistido, mas aí ouvi o gancho do
telefone desligar o mesmo... achei estranho, mas imaginei comigo que deveria
ser o Nilton. Como não falava diretamente como ele, nem procurei saber quem
era...
-
Continue, continue...
-
Então... depois ouvi o barulho de alguma coisa quebrando, aí resolvi sair pq
não estava consegiuindo me concentrar... tempos depois é que fiquei sabendo da
infelicidade com o sr. Nilton Pitombeira...
- Para
onde o sr. foi?
- Eu?
-
Não... minha tia.... CLARO QUE É O SENHOR!!!
- Er...
ehehehhe desculpe... er.... fui tomar .... er... fui tomar um café... voltei
uns 30 minutos depois, desliguei as luzes e fui embora... tava com sono,
oras...
- sr.
Wagner, obrigado... acho que já basta... gostaria que o senhor fosse até a
delegacia hoje, as 18:00 h. Tenho algumas perguntas ainda, mas preciso de mais
conversas com um de seus amigos...
- Ok,
seu delegado... até.
(ufa! pensou Wagner)
Ao sair
da sala de Wagner, Janjão Durão foi novamente ao local do crime,
e vasculhou melhor desde a sala de Pitombeira até a escadaria e o local onde o
corpo foi encontrado. Encontrou na sala um chiclete ("O Mascado"), de
produção portuguesa & algarvia, além de uma caixa de fósforos da marca
"Phuosphorescentes", também de produção portuguesa.
-
Estranho... até parece que estou em Portugal com tantos objetos assim... pensou em volz alta o
delegado.
O delegado
continuou matutando: O fósforo deve ter sido usado para queimar alguns
documentos, como os que foram encontrados queimados na lata de lixo.
Na
escadaria, nada foi encontrado. E no local do corpo, foi achado apenas o pano
com resquícios de veneno, que janjão coletou e levou para análise.
Algumas
horas depois, já na delegacia e depois de ter analisado melhor os depoimentos e
algumas provas, o delegado resolveu questionar Giancarlo von Zeni, amigo
mais chegado de Pitombeira.

Giancarlo
estava muito calmo, fazendo exercícios no quintal de sua casa... e nem
parecia que houvera uma morte a poucas horas... Janjão foi direto, mais uma
vez:
- Bom
dia sr. Giancarlo. Estou investigando sobre o assassinato de seu grande
amig.....
- Meu
grande amigo? Vc está brincando... éramos sócios apenas nos negócios. nada mais
que isso!!!
-
Hmm... e que negócios vcs tinham em conjunto?
- É
a criação de gado... infelizmente ele morreu, e agora vou ter que tomar conta
de tudo sozinho... realmente ficou complicado para mim...
-
Entendo, sr. Giancarlo... e qtas são as cabeças de gado de vcs?
- 790
minhas, 480 dele... o sr. Buendia também tem uma participação em cerca de 80
cabeças de gado...

- E
agora, como fica o gado do sr. Pitombeira?
-
Deveria ir para a futura esposa dele, a miss Ilha Bela, mas como não chegaram a
se casar, ficará com a nossa empresa.
- Ou
seja, para vc e para o sr. Buendia...
- Sim,
é verdade, não tenho como negar isso...
- Ok,
sr. Giancarlo... mas me responda uma coisa.... quem vc acha que teria motivos
para matar nosso amigo Pitombeira?
-
Sinceramente, sr. Durão, acho que 99% das pessoas que moram ou passam alguns
dias aqui nos Açores... Mas, cá entre nós... pelos comentários que vi por
aí..... mas cá entre nós, hein!!!! Acho que quem matou ele foi D. Waldir, por
motivos políticos e amorosos. Aliás, mandou matar. Mandou dona Lilith Marise
matar Pitombeira, dando-lhe uma soma em dinheiro e prometendo-lhe o casamento.
- Mas
pq?
-
Porque o sr. Waldir é apaixonado pela miss Ilha Bela, e como a srta. Lilith não
larga o pé dele, seria uma forma de se livrar de Pitombeira, pois ele estaria
morto, e ainda se livrar da Lilith, pois ela estria presa...
- E vc,
onde estava entre 23:00 e 24:00 desta noite?
- Eu
estava com Analice...
- âh?
Mas ela estava com Eduardo e Lucas, lá no local do crime...
- Não,
não... eu estava com a Analice e o Lucas, dei carona a eles, e depois voltei
para casa...
-
Hmm... Ok. sr. Giancarlo... Compareça na delegacia as 18:30h, ok? Temos muita
coisa a conversar ainda...
- Irei
com certeza, Sr. Durão.
O
delegado Janjão Durão já teve conversas meio que informais com alguns suspeitos
do crime... D. Vicente pareceu meio nervoso, mas lhe deu 2 pistas super importantes...
Já o sr. Levante pareceu se esquivar das perguntar, e estava muito estranho...
mesmo assim, o delegado conseguiu 1 pista fundamental, que indica bem quem
poderia ter sido o assassino... Conversando com o patrão de Pitombeira, sr.
Campodonio, Janjão descobriu mais 1 pista importante, mesmo com o Wagner
ficando reticente em colaborar no início... Ao vasculhar a área do crime, mais
2 pistas de relevância, que unidas a outros fatores, direcionam a algumas
pessoas... Conversando com Giancarlo, uma revelação intrigante foi obtida, e
foi juntada as demais pistas coletadas neste meio dia de trabalho...
Depois
dessas 4 conversas, Janjão começou a esclarecer o que realmente havia ocorrido
naquela noite. Alguns suspeitos ainda estão por ser interrogados, e o alerta
geral está dado! Ninguém escapará da investigação!!!
