PAINEL ECONÔMICO


Comunidade Livre de Pasárgada

Icária, sábado, 06 de março de 2004

Edição 01 - Ano I


Editorial


 

Implantar uma economia no dia-a-dia de uma micronação é um sonho ainda não alcançado com total êxito pelos micronacionalistas. Os problemas técnicos, conflitos conceituais e procedimentais, e a abrangência da economia se constituem em um gigantesco desafio.

 

E para complicar ainda mais, muitas vezes barrando ainda no nascedouro os inúmeros projetos de equipes econômicas das mais diversas micronações, há o peso da opinião popular. Muitas vezes, a população acaba entendendo que implantar uma economia numa micronação será trazer a parte ruim do mundo macronacional para o cotidiano do nosso hobby.

 

Como se percebe, argumentos contrários a implantação de uma economia é que não faltam, mas mesmo assim, os defensores da economia micronacional se empenham cada vez mais. Estes formam grupos de estudo, conselhos de desenvolvimento econômico, criam ministérios especialmente para tratar desse assunto, e muito mais. A expectativa é que, com um sistema econômico implantado, o mundo micronacional se tornaria uma simulação ainda mais perfeita de uma sociedade, com incontáveis variáveis sendo inseridas no já complexo contexto atual.

 

Diante de tantas incógnitas, não seria um exagero em dizer que os entusiastas da economia se esforçam tanto, nem que seja para dizer: "pelo menos tentamos".

 

O jornal Painel Econômico vem com uma proposta de mostrar os "dois lados da moeda". Sem trocadilhos... Aqui, opiniões contrárias se farão presente da mesma forma que opiniões favoráveis a implantação de um sistema econômico. Afinal, todas as opiniões devem ser divulgadas e refletidas, visando um maior amadurecimento de todos nós.

 

Não viemos para fazer uma apologia cega a economia micronacional, mas sim, tentar mostrar como se deu o desenvolvimento de antigos sistemas econômicos, e tentar explicar o porquê de não terem dado certo. Assim como mostraremos como estão os atuais projetos, acompanhando no dia-a-dia o andamento dos projetos, com destaque para Pasárgada, Sofia, Normandia e Porto Claro, assim como de outras  micronações que estão empenhadas nisso.

 


Aconteceu em Pasárgada


  • Sérgio Harris renuncia ao cargo de ministro da Economia, e quem assume é Roberto Barreto.
  • O ministro Roberto Barreto decidiu reorganizar a estrutura administrativa do MEcon (Ministério da Economia), que agora está com uma Secretaria do Desenvolvimento Econômico, um Comissariado de Desenvolvimento Econômico e uma Secretaria de Relações Públicas.
  • A única secretaria ocupada até o momento é a de Relações Públicas, que é chefiada pelo secretário Henrique de Siqueira Guida. Para os demais cargos, o MTA (Ministério do Trabalho e Atividade) já está atrás de interessados para compor a equipe econômica.
  • No MEcon, o Primeiro-Ministro Bernardo de Alvarenga lança algumas sugestões para a equipe econômica, relacionadas com a implantação de um "projeto-piloto" do sistema econômico, que envolveria apenas empresas interessadas. Mais detalhes na próxima edição.
  • No CDE (Conselho de Desenvolvimento Econômico), quem assume a Presidência é José Paulo de Siqueira.
  • A pauta de trabalho do CDE, divulgada hoje, prioriza a revisão do Regimento Interno do próprio Conselho, além da discussão do cronograma de monetarização, que será montado por todo o Conselho. Neste cronograma, entrarão itens a serem debatidos, tais como a discussão sobre a conversibilidade monetária e a obrigatoriedade em aderir ao sistema econômico. Itens bastante polêmicos.

Tour MicroEconômico


 

Principado de Sofia

  • O Príncipe SAR Jorge Casagrande Delli I, no dia 27 de fevereiro, anunciou sua idéia de organizar uma semana de debates sobre Política x Economia, em solo sofista. Seriam convidados cidadãos de outras micronações, interessados na temática, e especialistas no assunto.
  • Essa semana de debates, inclusive, parece que já tem nome definido: 1º Fórum Social Econômico de Bona.
  • Segundo Casagrande I, essa semana de debates "seria um excelente exercício político para os sofistas, nossos partidos poderiam “refrescar-se” e atualizar-se com idéias novas de partidos de outras micronações e todos poderíamos falar sobre a organização social de Sofia e sua economia."

 

República de Porto Claro

  • Segundo o publicado no Jornal do Executivo (edição 03/2004.1), de Porto Claro, quem está á frente da organização do debate sobre o sistema monetário em Porto Claro é o próprio Presidente da República, Ricardo Jr.
  • A data para realização do evento ainda não foi definida, devido a problemas técnicos encontrados na organização do evento e um espaço adequado para a realização dos debates.
  • Ainda segundo o Jornal do Executivo, há vários meios de comunicação portoclarenses interessados em fazer uma cobertura no evento, mostrando que o assunto "economia" em Porto Claro atrai bem a atenção da mídia e da população de forma geral.

 

Reino da Normandia

  • De acordo com a mais recente edição do jornal Normandia Hoje, a economista e ministra do Desenvolvimento Shayla Vianna Motta está comandando a formação inicial do sistema econômico normando.
  • Shayla Vianna está recebendo colaboração especial da jurista Margallyne Adamatti e do contador e ministro do COREN Danilo Marques Adamatti, entre outros participantes.
  • Uma lista de discussão já foi criada, e a entrada de cidadãos normandos nesta lista é incentivada. Assim, quando os trabalhos estiverem adiantados, as dúvidas serão menores para quem já vier acompanhando o processo desde o princípio.
  • Pelo que se vê, o sistema econômico normando promete ser rico em detalhes, mantendo uma vasta amplitude e realidade condizente com o micronacionalismo.

Artigo


Banco Imobiliário ou porque Economia?

Escrito por Raphael Stone Garcia

 

Muitas perguntas surgem quando falamos em Economia aplicada no micromundo: Isso não criaria Classes Sociais? Não causaria êxodo de cidadãos? não nos transformaríamos em um joguinho de Banco Imobiliário? O Micromundo não seria Mercantilizado? E a principal, porque Economia?

 

Bem, as Classes Sociais de fato existem, mas no micromundo estas se dão pelo poder que cada um tem, ou seja, quem é mais ativo, debate mais, tem maiores contatos e participação representa uma classe mais elevada, que não participa tanto pertence à uma classe inferior mas, com a monetarização, é possível que este sistema de poder permaneça e ainda chegue mais um, o das Classes Sociais com viés Monetário, explicando: Classe Social é uma conseqüência das desigualdades não naturais existentes na sociedade.

 

No sentido Marxista de classe poderia dizer que as classes são reflexos do modo de produzir da sociedade pois este se define pelas relações entre as classes ou seja, no modo Capitalista que entrará em voga em Pasárgada ou em qualquer outra micro que busque a monetarização, haverá aqueles que serão detentores do meio de produção e aqueles que não terão meio de produção algum, fazendo com a surja uma luta de classes igual à que temos no macromundo, criando Burguesia e Proletariado (tenhamos uma visão mais aberta sobre os termos).

 

Atrelado à esse "novo" sistema - o da Luta de Classes - teríamos a Mais-Valia surgindo também, quem não detiver meios de produção será obrigado à trabalhar para quem tem estando sujeito à explorações diversas, baixos salários e etc... Não nos esqueçamos da Mercantilização subsequente, todos terão que, obrigatoriamente, arranjar empregos na micro que possam remunera-lo mas, de repente, aquele trabalho que te interessa não tem mais vagas, precisando de dinheiro terás que trabalhar de qualquer forma, logo, irás buscar um emprego que não lhe é tão interessante assim e isso pode levar o cidadão à abandonar a Micro ou a tirar completamente o prazer deste de estar no Micronacionalismo. O trabalho, segundo Marx, é uma busca por prazer, o homem só se faz homem trabalhando mas, no Socialismo, busca trabalhar por prazer e por diferenciação em uma sociedade coletivizada - no micromundo vejo da mesma forma-, com a Economia apresentada ao micromundo, o trabalho seria apenas mais uma obrigação e não um motor de diferenciação e prazer.

 

Outro ponto importante é a questão é a do valor-trabalho e o valor-utilidade, dentro de uma micro como classificar se um trabalho é útil ou não, ou se este é mais útil que aquele outro? Como agregar valores à um trabalho (deveríamos, sim, agregar valores a mercadorias mas com uma monetarização o trabalhador passa a ser uma mercadoria visto que, de fato, não produz nada palpável exceto em casos especiais que não englobam o todo da micro-sociedade), como dar um valor específico ao trabalho de um cidadão, como saber qual tem mais utilidade que o outro? É impossível, não se pode dizer que alguém que trabalhe como Ministro de uma função específica deva receber mais que um outro ministro ou não podemos comparar o trabalho, a utilidade do serviço de um Chanceler com a do Primeiro Ministro! Porque, também, o dono de uma empresa deve ganhar mais que seus empregados, visto que, quem de fato trabalha são os empregados? É arbitrário, injusto!

 

Questão recorrente também é a de que a Economia micro apresentada possui muito da Economia clássica pré-Keynesiana onde toda oferta encontra demanda específica, aonde houver oferta (micronacionalistas), haverá demanda (trabalho), o que é falso, a Economia Clássica caiu e a Economia micro ruma para o mesmo lugar, o esquecimento ou a menção do que não deu certo. Como esperar que exista, invariavelmente emprego para todos? A não ser que o Estado crie vagas e mais vagas apenas para empregar e não realmente produzir algo (produzir não no sentido de produzir mercadorias, coisa inexistente ou quase por aqui, e sim no de produzir resultados) mas daí teríamos inflação, dívidas públicas e tudo mais que, com uma economia de verdade aplicada à nós, existiria. Sem falar que seriam criados subempregos ou empregos contingenciais, isso é por demais humilhante para um micronacionalista sério.

 

Uma das boas desculpas usadas pelos entusiastas da Economia Micro é a de que Sofia possui economia e é um dos fatores que mais atrai cidadãos, pode até ser verdade mas, se Sofia atrai tanta gente é porque é única, não existe concorrente ou comparação possível na Lusofonia mas se outra micro surge com a idéia de Economia será sempre "mais uma", isso poderia até prejudicar Sofia que perderia seu posto de única micro com Economia. Quando há somente uma micro com alguma determinada característica significa que essa atrairá aqueles que se identificam com a tal característica mas, surgindo outra, acaba o encanto.... Boa parte do Micromundo é contra a economia, isso esvaziaria as micros quando ou se várias adotassem o sistema econômico.

 

Olhando ainda mais pra frente podemos vislumbrar fraudes eleitorais, corrupção, roubalheiras e etc... Temos "bugs" no sistema de futebol que são amplamente explorados,  o que deteria um ou vários oportunistas de procurar possíveis "bugs" no sistema bancário e transferirem dinheiro para suas contas? O que os impediria de jogar com esse dinheiro ou de corromper cidadãos em épocas eleitorais para que votassem em seus candidatos em troca de "algum"? Nada impediria, é  perigoso mas, se em nações macro com força policial coercitiva (não entrando no mérito de se funcionam ou não) existe corrupção generalizada, porque seria diferente no micromundo que é um reflexo e simulação do macro? Estaríamos criando um Banco Imobiliário da Corrupção!

 

Por fim chegamos ao ponto, em minha opinião, mais importante, o êxodo e até a expulsão de cidadãos insatisfeitos/falidos... Quem não se interessar por economia irá, obviamente, evitar as micros com este sistema ou até sairão de suas micros quando o sistema passasse a valer, isso não é novidade e não necessita de análise mais profunda mas - e isto é de fato importante - o que seria feito com aqueles - ou daqueles - que falissem? Qual o destino dos cidadãos que porventura perdessem tudo, que não soubessem administrar seu dinheiro ou que não arranjassem um bom emprego (bem remunerado, caímos novamente na questão valor-trabalho/utilidade) e, pagando imposto, comprando jornais e tudo mais que fosse possível, perdesse tudo? Seria expulso da micro por não ser bom economista? Seria obrigado e porventura humilhado, à sair da micro por isso? Será que a economia é uma boa saída para o marasmo atual do Micronacionalismo? Seria esta uma boa solução para se "animar" os micronacionalistas? Ou acabaria de vez com nosso hobby? As perguntas estão no ar... Porque Economia?

 


CONVITE

 

 

Participe do jornal Painel Econômico você também!!!

 

Escreva um artigo sobre economia micronacional

e mande para nós: robertobarreto77@yahoo.com.br

 


História da Economia Micronacional


 

EM BREVE!

 


Está na Lei


 

Pasárgada possui duas Leis de imenso valor para os interessados na implantação de um sistema econômico eficiente, amplo e democrático. A Lei 05.2001 - da Organização Econômica, e a Lei 05.2001/01 - do Desenvolvimento Econômico.

 

O Painel Econômico irá trazer alguns itens interessantes presentes nessas Leis, para auxiliar na formação de opinião dos leitores. Mas vale ressaltar que não iremos fazer uma análise seguindo uma linguagem técnica, mas sim, tentar explicar, ou pelo menos apresentar, alguns tópicos tidos como imprescindíveis para o sucesso na implantação do sistema econômico

 

LEI 05.2001/01 - LEI DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

 

É interessante notar que a Lei do Desenvolvimento Econômico de Pasárgada foi elaborada em 2001, porém, só teve sua publicação no dia 22 de agosto de 2003, sendo constituída por 8 artigos. Na edição de hoje, destacaremos o Art. 1º.

 

No Art. 1º, os princípios fundamentais citados vão desde a curiosa subordinação do poder econômico ao poder político democrático, já se precavendo da existência desse problema comum no mundo macronacional no micronacionalismo, até a coexistência harmoniosa do setor público e do setor privado de produção. Fundamental para um sistema econômico viável e pretensiosamente justo. Outros princípios são: incentivo ao empreendedorismo, à livre iniciativa, à concorrência justa e à organização empresarial, servir como utilidade à atividade micronacional, combate aos monopólios e cartéis, promoção da integração e coesão nacionais e monetarização.

 

Assim, com o prosseguimento da implantação do sistema econômico, ao observar a viabilidade do mesmo na nossa sociedade micronacional, esses são bons parâmetros a serem observados.

 


Fala você!


 

Entrevistado: S.A.R. Leandro Van Pelt Sansoni Martins, do Alto-Reino

 

Painel Econômico - Obrigado por conceder essa entrevista ao nosso jornal, caro Leandro. Pra começar, por quê o Alto-Reino tem interesse em implantar um sistema econômico no país?

Leandro Martins - Um sistema econômico micronacional é mais um incentivo para todo o trabalho que é realizado pelos cidadãos. E partindo-se do pressuposto que o micronacionalismo tem como objetivo desenvolver conceitos de cidadania entre seus participantes, incluir esse tipo de simulação é válido. É possível através de um sistema econômico trabalhar com conceitos bastante válidos entre os cidadãos. É algo a complementar o que já é realizado nas micronações.

 

PE - Mas, a estrutura do Alto-reino suporta um sistema econômico viável, sem a interferência constante do Estado?

LM - Na verdade em toda micronação tem que ser feito um trabalho paralelo de estruturação econômica e estímulo às empresas privadas. A circulação de dinheiro na micronação não pode ficar restrita ao pagamento de salários do funcionalismo público e cobrança de impostos. O setor privado é fundamental. Por isso a implantação de um sistema econômico é algo que tem que ser feito com bastante cautela e cuidado. É isso que estamos fazendo no Alto-Reino. Com discussões ainda internas, que serão abertas aos cidadãos em breve. Se não for bem feito, é um projeto fadado ao fracasso.

 

PE - Já foi feita alguma pesquisa de opinião para saber se os cidadãos altoreinenses são favoráveis a implantação da economia na micronação?

LM - Na verdade a discussão sobre a participação do Alto-Reino em um projeto de economia não é nova. A nação faz parte do projeto Mercom (Mercado Comum Micronacional), capitaneado pelo Principado de Sofia. A participação popular efetiva se dará quando tivermos uma estrutura mínima para apresentar a toda a população. Tudo será feito de maneira popular e democrática. Desde se optar pelo sistema econômico ou não, passando pelo nome da moeda nacional e questões mais complexas.

 

PE - O que é, quem faz parte, e qual a importância do Mercom?

LM - o Mercom é um projeto entre Sofia e Alto-Reino, cujo objetivo principal é a criação de um Mercado Comum. Unir a questão econômica a uma integração entre Nações. É um projeto que não tem autonomia do Alto-Reino e portanto não tenho e não posso dar mais informações sobre o mesmo.

 

PE - O Alto-reino tem interesse em participar de discussões sobre uma economia ampla, envolvendo várias micronações, ou pretende se limitar ao Mercom?

LM - Na verdade nosso objetivo atual é implantar uma base e estrutura para um sistema interno. Como estamos trabalhando e como eu disse no início dessa conversa. Algo integrado entre Nações é sempre complexo e principalmente neste setor de economia, eu acredito que todas as Nações envolvidas tem que já possuir uma estrutura interna equivalente para poder dar certo. Entretanto, projetos intermicronacionais sempre tem conceitos positivos, principalmente no que tange à integração.

 

PM - Mais uma vez, obrigado pela entrevista e boa sorte nos trabalhos da equipe econômica do Alto-Reino.

 


Painel Econômico

Edição 01 - Ano I

 

Alvará de funcionamento: Ic/03.003

 

Editor: Roberto Barreto (robertobarreto77@yahoo.com.br)

 

Artigo: Raphael Stone Garcia (tsavkko@hotmail.com)

Entrevistado: Leandro Van Pelt Sansoni Martins (leandromartins@altoreino.pro.br)

 

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