PAINEL ECONÔMICO
Comunidade Livre de Pasárgada
Icária, domingo, 17 de abril
de 2004
Edição 04 - Ano I
Editorial
Artigo: A MicroEconomia e a CL (João Paulo
Vergueiro - Mallorca)
Artigo: As teorias do valor e o
micronacionalismo (Shayla Vianna Motta - Normandia)
O Leitor Comentou
Artigo: A Conversibilidade (Yuri Ghenov - Pasárgada)
Editorial
Numa despedida de Pasárgada, escrevo
esta edição do Painel Econômico. Agradeço muito a todo o apoio que tive ao
fazer as edições e peço desculpas pelos erros que foram cometidos porventura
nesta, e nas edições anteriores.
Espero que o próximo editor consiga
realizar um bom trabalho, e que o Painel continue exercendo um importante papel
na sociedade pasárgada.
Uma boa leitura à todos!
Artigo
A MicroEconomia e a CL
O texto acima foi
retirado do primeiro parágrafo do Tratado de Constituição da Comunidade
Lusófona e exprime um dos ideais que guiaram os seus fundadores há quase
dois anos e meio: o desenvolvimento de um regime econômico e monetário único.
Os que tiverem
curiosidade de ler com mais atenção o Tratado (www.comunidadelusofona.tk) poderão observar
que, quando a Comunidade Livre de Pasárgada e a República Federativa de
Mallorca criaram a CL - Avalon viria a se unir mais tarde - já tinham em mente
a preocupação acima levantada e por tal motivo há no texto um Título inteiro
sobre o assunto.
Entre os dispositivos
previstos e acordados pelos três Estados-Membro está a existência de uma moeda
única e de sistema cambial integrado, e a instituição do Banco Central da
Comunidade Lusófona, subordinado ao Conselho-Gestor.
O mais importante,
porém, é o dispositivo que entende as políticas econômicas de cada nação como
uma questão de interesse comum e que devem ser coordenadas no sentido de
contribuir para a realização dos objetivos da própria Comunidade Lusófona.
Dentro do contexto até
aqui apresentando é que defendo que os países membros da CL passem a considerar
a integração de seus projetos econômicos, deixando de lado a criação de
possíveis “pesetas mallorquinas” ou “liras pasárgadas” e iniciando debates em
conjunto para o desenvolvimento de uma única proposta que possa ser apresentada
para plebiscito nas respectivas nações e aprovada (ou rejeitada) por cada
população.
Conforme desenvolvi em
meu primeiro artigo para este periódico, se cada país buscar seu próprio
sistema, a tendência é criarmos uma grande “torre de babel econômica”, onde
ninguém se entenda. O custo (trabalho humano, organizacional, etc.) para a
integração internacional no futuro seria gigantesco, justificando, portanto,
deixarmos nosso nacionalismo um pouco de lado e partirmos em direção ao
trabalho conjunto, respeitoso e harmônico, que satisfaça a todas as visões e
seja aprovado pela maioria.
Artigo
As Teorias do Valor e o Micronacionalismo
Escrito por Shayla Vianna Motta - Normandia
Em várias
conversas com cidadãos de todas as partes da lusofonia, eu estive percebendo
que algumas preocupações no que diz respeito à economia se repetem, e que as
mesmas geralmente têm origens semelhantes. Uma das principais, predominante
especialmente na hora de se executar o início de todo o sistema ou na hora de
planejar leis, é gerada pelo desconhecimento de uma das principais teorias das
Ciências Econômicas: a Teoria do Valor. É sobre ela que vou explanar, no
entanto sem o intuito de ensiná-la, mas apenas mostrar um pouco de sua
importância.
Na apelidada
"Bíblia da Economia Política" chamada O Capital, cujo autor é o
reconhecido (geralmente por outros motivos) Karl Marx, diversos pontos, de
diversos capítulos, são destinados a esclarecer a aplicação desta teoria (sendo
que os primeiros capítulos são exatamente para formalizá-la). Ela tem
"apenas" a tarefa de padronizar e analisar a origem de tudo: os
preços. Uma das perguntas que já me fizeram, e é muitíssimo interessante,
é como estimar o preço de um site (atenção para as palavras preço e valor, que
são completamente diferentes). A primeira vista parece bem simples, mas
não é.
Fazendo uma
análise bem superficial, apenas para mostrar a complexidade, primeiro
precisamos dividir os tipos de valor existentes: valor de uso, valor de troca e
valor abstrato. A grosso modo, valor de uso é quanto aquela mercadoria vale
para quem a possui (conceito de utilidade), valor de troca é o quanto aquela
mercadoria vale em transações econômicas, e o valor abstrato é o valor real da
mercadoria, baseado no que é chamado de tempo de trabalho socialmente
necessário (t.t.s.n). Depende dele a formação do valor e, por
conseqüência, uma de suas mais conhecidas manifestações - que é justamente o
preço.
Não
conseguiria em uma coluna ensinar a ninguém como se designar um preço para um
bem (especialmente porque é possível que eu mesma tenha dificuldades com isso),
mas o que devemos ter em mente é: um valor de determinado bem deve ser dividido
em três partes distintas, que são o capital constante (meios de produção e
custos fixos), capital variável (produzido pela força de trabalho) e mais valia
(excedente sobre o valor real do bem).
Indo direto
ao micronacionalismo, o capital constante pode ser definido de várias formas.
Pode ser tabelado através de lei, LDBEs, decretos ou similares, através de uma
estimativa de preço-base, ou pode ser definido por uma Bolsa de Mercadorias e
Futuros adaptada (pessoalmente é a opção que mais me agrada e a que a Normandia
deverá utilizar, mas mercados e bolsas é assunto para, quem sabe, uma próxima
coluna). Tendo um capital constante mais ou menos equilibrado no mercado
onde se trabalha, o diferencial numa economia de mercado passa a ser
basicamente os dois restantes: o capital variável e a mais valia.
O capital
variável é o dispêndio (sobretudo financeiro) realizado com a mão-de-obra, esta
assalariada e responsável pela produção da mercadoria. É o quanto você
gasta com sua força de trabalho. A mais valia é justamente o excedente, a
diferença entre o preço final que chega ao consumidor e o valor de troca do
bem.
Se existe um
capital constante definido e a problemática do preço recair no capital variável
e na mais valia, o produtor terá duas opções para ter maior lucro: ou baixa
o salário da mão-de-obra ou baixa o excedente econômico que ele
obtém. Como assim?
Vamos
exemplificar com um site. Um site, numa BM&F micronacional, está avaliado
em (digamos) três dinheiros por kb. Se quero um site simples, de 200kb, o
preço-base (preço de mercado) dele estaria avaliado em 600 dinheiros. Esse é o
preço base dele, a cotação de venda incluindo Cc, Cv e mais valia. Daí
digamos que é aberta uma licitação para este site e que três empresas estão
interessadas na concorrência para pegar o contrato de construção. Sabendo que
(suposição) o Cc dele seja 300 dinheiros, o Cv dele seja 200 dinheiros e a mais
valia 100 dinheiros, o construtor vai ter que baixar seu lucro ou o salário
para poder oferecer preço competitivo no mercado. No entanto, se ele baixar
demais o Cv dele, seus funcionários podem se recusar a realizar o serviço ou
fazer greve (não esqueçam que a mão-de-obra micronacional não é abundante)...
então ele vai precisar reduzir seu excedente, sua mais valia, para poder
competir com as demais empresas.
Como podem
ver, tendo estes três itens na formação do valor bem delineados e definida a
política a ser adotada no país, fica bem mais fácil visualizar os preços,
analisar os mercados, planejar e, principalmente, elaborar as políticas
econômica, fiscal e monetária do sistema em questão - já que o papel
principal do show é justamente do preço.
O Leitor Comentou
"Mto interessante o painel
econömico e acredito que ele ajuda a pensar sobre outras formas de se fazer
economia ou noticia-las que não só as informações ligadas a existëncia de uma
moeda e de uma troca delas.
Parabéns.
Trabalho jornalístico profissional.
Abraços.
Ferdinando Saguinet Delle Rovere.
República de Porto Claro"
(24/3)
Artigo
A Conversibilidade
Escrito por Yuri Ghenov
"Excias.
Oradores,
Demais autoridades presentes,
Irmãos e cidadãos,
S.E. Bruno Cava tocou no cerne da
questão e eu o agradeço por isso. Talvez, minha incapacidade de ser tão
objetivo tenha me traído, eu não sei, mas ao ler tão belas palavras,
transmitidas do fundo de seu coração pasárgado, fez-me ver o quão importante
será o desenvolvimento desse projeto. Para que todos possam analisar friamente
a questão, pretendo resumi-la sucintamente. Mas antes, eu gostaria que V.E.
Oradores transmitissem esta mensagem aos seus eleitores, em cada cantão, para
que todos possam, de uma vez por todas, conhecerem profundamente o que estamos
discutindo e analisando, pois isto irá refletir na condução de suas vidas em
nossa sociedade. Esta mensagem, também, irá servir para que nós, Oradores, possamos
ouvir e interpretar o anseio popular, e com isso representar nossos irmãos
nesta Magna Casa Legislativa: o Parlamento.
Há duas propostas em discussão: um
modelo econômico virtualista, sem a "conversibilidade", e outro modelo
"realista", com a "conversibilidade". Para que todos possam
analisá-los friamente, e com responsabilidade, temos que conceituar certos
pontos necessários para o seu entendimento. Lembro, mais uma vez, que todos
deveriam ler esta mensagem integralmente, pois lhes será muito útil para quando
chegar a hora de se manifestarem a respeito. Um dos primeiros conceitos que
iremos tratar é o conceito de ECONOMIA. Alijando-nos da definição acadêmica,
economia nada mais é que o conjunto de fatos sociais (relações entre os
indivíduos) relacionados com fenômenos econômicos, como a produção de serviços,
a troca de serviços, o acúmulo e geração de riquezas e outros fatos tão
corriqueiros em nosso meio que, às vezes, tornam-se quase imperceptíveis, pois
já estão em nossas vidas desde o nosso nascimento. Um dos outros fatores que a
economia se preocupa é com a escassez e suas influências no processo produtivo
de uma sociedade. Afirmar que não existe escassez em Pasárgada é leviano, pois
todos sabemos que a limitações em nossa sociedade, como o espaço de
armazenamento do servidor, os espaços de armazenamento dos computadores de cada
cidadão, turista ou embaixador, os espaços de armazenamento das Listas Oficiais
de Mensagens Eletrônicas, e qualquer outro fator que possa limitar a nossa
atuação, como o tempo, a quantidade de capital humano, etc...
Nestes casos, então, percebemos que já
existem no seio da nossa comunidade, assim como em Sofia, Reunião, Marajó,
Mallorca, Avalon, Havana, etc..., diversos fatos relacionados com a
economia, o que nos traz a analisar um outro conceito: MONETARIZAÇÃO. A
monetarização de uma economia se dá quando se cria um padrão monetário, isto é,
uma moeda que será aceita em todas as trocas de serviços, aquisição de bens,
acúmulo de riquezas, etc... Também, através da monetarização, que se torna
possível quantificar o volume de riquezas que determinada sociedade produz,
troca ou acumula. A monetarização, também, é necessária para se determinar onde
será melhor investir, determinar quais políticas governamentais estão sendo
ineficazes, obter dados para um planejamento mais eficiente e efetivo, ou seja,
tornar a nossa comunidade muito mais produtiva e mais avançada
sócio-economicamente.
Finalmente, antes que discorramos sobre
os modelos econômicos, cumpre-nos a tarefa de comentar sobre a
CONVERSIBILIDADE. Uma moeda é conversível quando esta pode ser trocada por uma
outra moeda, isto é, quando existe um valor de troca entre diferentes moedas.
Neste caso, a conversibilidade seria útil quando nossa comunidade necessitasse
em realizar transações econômicas entre diferentes comunidades, ou seja, quando
precisássemos trocar serviços que produzimos por uma quantia em moeda que não
possui valor em Pasárgada, mas que tem valor reconhecido intermicronacionalmente.
Atualmente, somente certos padrões monetários possuem valor reconhecidos, como
o US$ ou o R$. Então, a conversibilidade torna-se necessária para se
estabelecer os valores de troca entre os mais diferentes padrões monetários,
plantando e garantindo os meios para que a nossa comunidade possa, num futuro
próximo, realizar diversas transações entre as mais variadas comunidades, como
Sofia, Reunião, Orange, Marajó, Mallorca, Avalon, etc...
Após a conceituação sobre Economia,
Monetarização e Conversibilidade, iremos tratar, agora, da distinção entre os
dois modelos econômicos propostos para a nossa sociedade. Iremos chamar um
deles de MODELO VIRTUALISTA, por se tratar de uma simulação econômica sem
vínculo algum com a realidade. Esse modelo visa proporcionar uma simulação
financeira de nossa economia, utilizando dos dois primeiros conceitos que
discutimos: ECONOMIA e MONETARIZAÇÃO. Sendo assim, este modelo iria contribuir
de maneira única para todos nós, incrementando nossas atividades e trazendo a
todos outras possibilidades e conhecimentos que iriam enriquecer pessoal e
profissionalmente cada um de nós. Entretanto, há alguns problemas irreversíveis
neste modelo. Uma vez adotado, iremos trazer para Pasárgada um conceito que
extirpamos há um certo tempo: o VIRTUALISMO. Esse danoso preceito que só traz
prejuízos e que, se o adotarmos, estaremos patinando em nosso próprio
desenvolvimento, ou seja, cometendo o mesmo erro que Reunião, Sofia, Westerland
e muitas outras já cometeram.
O outro modelo, que iremos definir como
MODELO REALISTA, utiliza-se dos três conceitos ora definidos: ECONOMIA,
MONETARIZAÇÃO e CONVERSIBILIDADE. A única sutil diferença entre eles é a
conversão do padrão monetário adotado por Pasárgada (L$P) em outros padrões
monetários (US$ ou R$). Todas as outras vantagens são as mesmas e implicam em
dinamizar a nossa comunidade. Entretanto, este modelo nos traz outras possíveis
realizações, como as transações econômicas entre as mais diferentes
comunidades, o que só iria dignificar todo o nosso desenvolvimento e
compromisso com a liberdade, respeito entre os povos, etc...
Praticamente, o grande entrave em adotar
o MODELO REALISTA seja o receio infundado em utilizar padrões monetários cujos
valores são utilizados externamente em Pasárgada. Entretanto, essa prática já
existe e é muito difundida na Internet. Quem nunca ouviu falar (ler) sobre os
"DOTs" das Lojas Americanas, ou sobre os "ESCUDOS" do
Terravista. Todos esses padrões monetários são conversíveis em dinheiro (R$ ou
US$), ou podem ser trocados por produtos, serviços. Não há nada de tão
mirabolante em utilizar um padrão monetário que só tem valor em Pasárgada e que
seja conversível em R$, ou US$. Talvez, o grande receio seja em como esses
recursos serão gerenciados. Há várias soluções, e a mais inovadora seria fundar
a Associação Mundial de Micronacionalistas, que seria responsável, dentre
outras finalidades, em movimentar esses recursos. Um dos objetivos da AMM é o
de garantir o pleno funcionamento dessas comunidades, custeando os servidores e
os domínios de cada uma das comunidades afiliadas, através de seus membros
associados, ou beneméritos (empresários, autoridades, políticos, etc...).
Agora, iremos tratar da única diferença
entre os dois modelos econômicos: a CONVERSIBILIDADE. Na prática, a
conversibilidade iria proporcionar uma real condição de medição do desempenho
das economias que adotarem esse modelo, isto é, a contínua medição do fluxo de
capitais que entram e saem de determinada comunidade iria definir a saúde
financeira e a competência de uma economia. Então, como iria funcionar essa
conversibilidade? Internamente, em Pasárgada, só iriam circular as L$P, aqueles
que desejarem contribuir com as obrigações externas de Pasárgada (domínio,
servidor, títulos, etc...) iriam receber L$P em troca, como se estivessem
comprando essas L$P numa loja de câmbio. É claro que ele poderá negociar essas
L$P livremente com qualquer um, ou utilizá-las em suas despesas dentro de Pasárgada.
Um dos motivos em adotar-se a CONVERSIBILIDADE é a de valorizar aqueles que
estão contribuindo com a manutenção dos custos e despesas da comunidade, como
se estivéssemos num condomínio. Essa idéia visa, tão somente, estimular essas
contribuições e, assim, viabilizar financeiramente a Comunidade Livre de
Pasárgada. Futuramente, será informado a todos em como proceder para realizar
essas contribuições (investimentos), por ora estamos tentando aprovar esse
modelo, principalmente.
Concluindo, e não esgotando o assunto.
Independente do modelo que escolhermos temos a certeza que um dos dois será
adotado e que haverá diversas transformações em nossa sociedade, por isso temos
que continuar discutindo, até que todos possam decidir, individualmente, qual modelo
iremos adotar. Então, após a manifestação popular, os Oradores poderão refletir
e ponderar sobre qual será o melhor caminho a seguirmos, com a melhor solução a
adotar e qual as implicações que tal decisão irá infligir em nossas vidas.
Respeitosamente,
Yuri Ghenov
Orador - Éfaté
Coração Pasárgado
Por que meu Coração
é Pasárgado"
* Publicado originalmente na lista pasargada@yahoogrupos.com.br no dia 21/08/2002
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Editor: Roberto Barreto (robertobarreto77@yahoo.com.br)
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