REVISTA SUPEREXPERT

 Edição 01 - Ano I - 23 de Outubro de 2001

Cidade de Jaruara - Região de Cassiporé - República de Marajó

Editor: Wagner Bacciotti Campodonio


Textos desta edição: 

:: Meio Ambiente em alta!!!

:: Coluna do Sapolino

:: Natureza Recuperada. Quando???

:: O Futuro

:: Educação Ambiental na Empresa e na Escola

:: Natureza em SuperDestaque

   

 


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I MICROCON

27 de Outubro de 2001

Na Assembléia Legislativa de São Paulo

Av. Pedro Álvares Cabral, 201  (Em frente ao Parque do Ibirapuera)

Auditório Franco Montoro

 

Meio Ambiente em alta!!!


Falar sobre Meio Ambiente no micronacionalismo nunca foi muito comum, e poderia dizer também que nunca foi valorizado como deveria ser. Afirmo isto no tempo passado, porque já podemos notar em Marajó e em outras micronações uma mudança de mentalidade muito saudável... Em 1999, quando tinha acabado de entrar em Marajó, estudante naquela época do 3º semestre de Biologia na faculdade, eu criava a Fundação Vida Verde - Funvive. Mas devido a falta de valorização/interesse dos meus amigos micronacionais, e quem sabe também por falta de um empenho maior meu e surgimento de outros trabalhos em Marajó, a idéia acabou sendo abandonada, ficando apenas como resultado um site nunca atualizado. Meses depois criei o Jornal do Meio Ambiente (JMA), que chegou até a 9ª edição (!!!), mas por motivos semelhantes, também foi abandonado. Desde aquela época, até o início de 2001, eu não tive conhecimento sobre alguma iniciativa neste "micromundo" sobre meio ambiente. Quando Waleska Fernandez Dias, ex-marajoara e agora cidadã de Sofia, tinha acabado de entrar em Marajó, eu entrei em contato com ela e ofereci serviço na reabertura do JMA. Ela aceitou, apesar de relutar um pouquinho no início e depois de muitas conversas comigo, e fez um trabalho muito bom, o que nos levou a criar a Secretaria de Meio Ambiente. Com sua saída de Marajó, o JMA acabou de vez, mas ela continua a trabalhar com a área ambiental em Sofia, onde é Ministra da Saúde e Meio Ambiente e editora do jornal Oikos Logos, do qual sou colunista. Tenho notícia que lá em Sofia também está havendo uma expedição marítima, que visa catalogar diversas espécies de peixes. Muito legal, apesar de extremamente virtualista, mas vale porque está mantendo um assunto muito importante sempre em foco. Agora, em outubro de 2001, reinaugurei a Fundação Vida Verde (muito bem recebida, por sinal) e estou lançando esta revista, com uma proposta ambientalista. Nota-se, com isto, que o micronacionalismo está valorizando sim a área ambiental, e espero que muitas iniciativas como esta de Marajó e aquelas de Sofia sejam "copiadas" em outras micronações, pelo bem da vida e continuidade da consciência verde que cresce a cada dia entre as micronações.

 

COLUNA DO SAPOLINO


Muitos são os MITOS que fazem parte do nosso relacionamento cotidiano com o Meio Ambiente. Tais situações prejudicam o nosso relacionamento com a natureza e impedem-nos de rever nossas atitudes. Acompanhe as REFLEXÕES do nosso amigo Sapolino em cima dos MITOS populares:

 

MITO

...os que defendem o meio ambiente são pessoas radicais, fanáticas, poetas, efeminados, inocentes-úteis que se mantêm alienadas da realidade, sonhadores com um paraíso inexistente. Tais pessoas ignoram as necessidades para manter o desenvolvimento e defendem posições que só perturbam quem realmente produz.

REFLEXÃO

...é consenso entre os ambientalistas a necessidade de se promover um desenvolvimento sustentável. Por certo, os que defendem o meio ambiente se preocupam com o modelo de desenvolvimento, com o crescimento econômico, mas, principalmente, com a exploração racional e responsável dos recursos naturais, de forma a garantir a sobrevivência das futuras gerações. Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente saudável, respirar ar puro, beber água limpa, enfim, ter uma qualidade de vida saudável. Defender esses direitos é dever de todos e não uma questão de privilégio.  

 

Natureza Recuperada.

Quando???


A natureza só deverá se recuperar dos estragos causados pelo homem após 10 milhões de anos. Essa é a conclusão de um estudo que estimou o tempo de recuperação do meio ambiente após extinções causadas por desastres naturais ou pela ação humana.

 

A pesquisa, divulgada na revista "Nature", indica também que os homens podem causar um estrago que se equipara às extinções em massa, que acabaram, por exemplo, com os dinossauros, há 65 milhões de anos. "Alguns biólogos acreditam que podemos eliminar de 20% a 50% de todas as espécies da Terra nos próximos 50 ou 100 anos. Se fizermos isso, iremos rivalizar com as grandes extinções que constam dos registros geológicos", disse à Folha James Kirchner, um dos autores do estudo, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

 

A recuperação a que o pesquisador se refere não é o reaparecimento de uma espécie extinta, e sim a ocupação de um certo nicho que estava "vago" após o desaparecimento dos seres vivos. "Uma espécie extinta nunca vai reaparecer. Ela pode ser substituída por algo que não tenha nenhuma semelhança", disse Kirchner. "Pense nos dinossauros, que foram substituídos praticamente pelos mamíferos."

 

Segundo o cientista, o período de milhões de anos se refere ao intervalo entre casos de extinção e períodos em que há uma maior diversificação dos organismos.

 

(Autor: Marcelo Ferroni, editor-assistente de "Ciência" da Folha de São Paulo)

 

 

 Acessando "click árvore" da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Vidágua pode-se doar árvores para recuperar a Mata Atlântica. Uma nova doação pode ser feita a cada 24 horas e o plantio será financiado pelos patrocinadores.

 

 

http://www.clickarvore.com.br

 

LUTE CONTRA O DESMATAMENTO!!!  

 

 

COLABORE COM A

SOS MATA-ATLÂNTICA 

 

http://www.sosmatatlantica.org.br

 

O    F U T U R O 


Discurso de Severn Suzuki na ECO 92 - Rio de Janeiro - Brasil 

 

"Olá, eu sou Severn Suzuki. Represento aqui na ECO, a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir. Vanessa Sultie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu. Foi através de muito empenho e dedicação que conseguimos o dinheiro necessário para virmos de tão longe, para dizer a vocês adultos que, têm que mudar o seu modo de agir.

Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo, estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão pôr vir. Eu estou aqui para defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o Planeta, porque já não têm mais aonde ir. Não podemos mais permanecer ignorados!

Eu tenho medo de tomar sol, pôr causa dos buracos na camada de ozônio. Eu tenho medo de respirar este Ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar em Vancouver, com meu pai, até que recentemente pescamos um peixe com câncer... e agora temos o conhecimento que animais e plantas estão sendo destruídos e extintos dia após dia...

Eu sempre sonhei em ver grandes manadas de animais selvagens, selvas e florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas e hoje eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso... Vocês se preocuvam com essas coisas quando tinham a minha idade???

Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e mesmo assim continuamos agindo como se tivessemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções, mas quero que saibam, que vocês também não tem...

Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio...

Vocês não sabem como salvar os peixes das águas poluídas...

Vocês não podem ressuscitar os animais extintos...

E vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram e onde hoje é um deserto...

SE VOCÊS NÃO PODEM RECUPERAR NADA DISSO,

PÔR FAVOR PAREM DE DESTRUIR!!!

Aqui vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas na verdade vocês são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios e todos também são filhos...

Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas (1992) e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade.

Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atinge a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Eu estou com raiva, eu não estou cega, e eu não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto.

No meu país geramos tanto desperdício, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora e nós, países do norte, não compartilhamos com os que precisam, mesmo quando temos mais que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las. No Canadá temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.

Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou:

"Eu gostaria de ser rica, e se fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho...".

Se uma criança de rua que não tem nada, ainda deseja compartilhar, pôr que nós, que temos tudo, somos ainda tão mesquinhos???

Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio, eu poderia ser uma criança faminta da Somália ou uma vítima da guerra no Oriente Médio ou ainda uma mendiga na Índia...

Sou apenas uma criança mas ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso que a Terra seria.

Na escola, desde o jardim da infância, vocês nos ensinaram a sermos bem comportados. Vocês nos ensinaram a não brigar com as outras crianças, resolver as coisas da melhor maneira, respeitar os outros, arrumar nossas bagunças, não maltratar outras criaturas, dividir e não sermos mesquinhos... 

ENTÃO PÔR QUE VOCÊS FAZEM JUSTAMENTE

O QUE NOS ENSINARAM A NÃO FAZER???

Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências e para quem vocês estão fazendo isso.

Nos vejam como seus próprios filhos, vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer.

Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes "Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo...", mas não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades???

Meu pai sempre diz:

"Você é aquilo que faz, não o que você diz".

Bem, o que vocês fazem, nos faz chorar à noite...

Vocês adultos dizem que nos amam...

Eu desafio vocês, pôr favor façam com que suas ações reflitam as sua palavras...

Obrigada

Severn Suzuki"

 

Educação Ambiental

na Empresa e na Escola


É possível conciliar o desenvolvimento econômico de uma empresa sem prejudicar o meio ambiente? Respondemos que sim. Respondemos que a única via é a Educação. É mais além: é este o imperativo de nossos dias. Usar sem abusar dos recursos naturais. Promovendo a aliança vigilante do homem com a natureza, harmonizar o Homo Sapiens com o Homo Faber, o que significa manter nossa vocação de "fazedores" até o limite em que nossa consciência diga: "Parar!" E ''' Parar" é uma ordem invocada para todos os povos em nome da sobrevivência da espécie. Jamais só por uma nação, mas para todos os povos do mundo.

Quando se pensa, fala e vive o problema de mudança de mentalidade, de EDUCAR o indivíduo, não há com separar o ensino sistemático ministrado por uma escola de ensino informal dado pela comunidade. Um sistema depende do outro. A comunidade cria sua escola e a escola forma a comunidade. Dessa interligação é que resulta o estado de consciência vigilante que sempre foi alvo de procura dos pioneiros de preservação ambiental.

De onde saem os cientistas para as grandes descobertas? Da inspiração em banco escolar, da pequena experiência estimulada em modesto laboratório.

O círculo se fecha novamente, tendo a comunidade por seus líderes e liderados criado a sua escola.

Esta é a Ética Ecológica em que o homem dá à vida o seu real sentido. A Vida em si é mais importante do que a vida de um de nós isoladamente. Mas no querer de todos, ensino formal e ensino informal fundem-se e podemos criar algo maior do que nós. É na ordem imponderável, indescritível que nos tornamos capazes de idéias e por isso mesmo superiores e responsáveis a todas as formas criadas.

Esta é, a nosso ver, a responsabilidade da Educação: alertar e preparar o homem para o seu papel na eterna criação do mundo pela Escola e pela comunidade.

Propiciar ao educando a oportunidade de se conhecer a si mesmo, como ser dinâmico que produz mudança e ao fazê-lo sentir a responsabilidade da ação do homem sobre os seus meio. Indiscutivelmente, a educação nunca foi tão necessária para o estudo do sentido da existência humana na Terra.

Maria Ribeiro Pires

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Governo Rodolfo Winotz / Antônio Álvarez Azevedo - 2001.3
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