.:: Tradição Marajoara ::.


República de Marajó, 23 de Agosto de 2003

Edição 12


 

.:: Editorial ::.

 

        A vantagem de fazer esta revista é a possibilidade de sempre estar fazendo contato com pessoas marcantes para Marajó, e que muitas vezes fazem parte de minha própria história micronacional. Edward Wood, ou simplesmente Ed, é uma daquelas pessoas que a gente nunca esquece pela forte amizade e caráter.

        Marajoara de nascença, este cineasta e jornalista, nos tempos iniciais de micronacionalismo, tornou-se um Rei. Assim como inúmeros outros marajoaras saíram daqui e acabaram tornando-se grandes celebridades em outras micros, Ed tornou-se Rei do Reino Teocentrista de Valquíria, que é, com certeza, sua maior e melhor contribuição para o micronacionalismo.

        Em Marajó, depois que Ed saiu, nunca mais pudemos experimentar as deliciosas pizzas do Tio Wood, a maior pizzaria micronacional da época. Só quem viveu estes momentos únicos é que neste momento está com água na boca...

        Mas para quem não viveu, o Tradição nesta entrevista conta mais um pouco sobre nosso passado, e sobre a vida deste grande ex-marajoara. Para quem viveu aquela época, vale pelas boas recordações...

 

.:: Entrevista ::.

 

Tradição Marajoara - Olá Edward, obrigado por colaborar com a revista Tradição Marajoara. Você esteve em Marajó em que período? E agora, em que micronação você está?

Edward Wood - Cheguei a República de Marajó em agosto de 2000, após ler uma matéria extremamente interessante sobre a micronação no Jornal da Tarde. Creio que nessa época houve um pequeno 'BOOM' na nação, muita gente boa chegou no mesmo período. Deixei a ilha logo após o estouro do caso Pretória e migrei para Aquitânia, onde pude viver a fusão com Açores, formando o Império Ultramarino de Sinon. Permaneci no país até novembro de 2001, quando foi fundado o Reino Teocentrista de Valquíria, nação a qual governo como Avaltar.

 

TM - Quais foram os seus cargos ou empresas mais importantes em Marajó?

EW - Durante meu período em Marajó, trabalhei mais no setor privado. Inicialmente, realizando o sonho que me trouxe ao micromundo, comecei a escrever sobre cinema para a saudosa Revista Recreio. Nesse mesmo período, auxiliando meu irmão com o seu time de futebol (esporte recém-criado no micronacionalismo pelo até então mallorquino Bruno Costel) e administrando juntamente o Dois Irmãos Soccer Club, criei um símbolo, os uniformes e um site para a equipe. Os pedidos de outros técnicos surgiram e fundei a KAPA Marketing Esportivo, uma empresa pioneira no seu ramo e que foi conhecida internacionalmente. Para resumir a história, os outros cargos foram: chargista do IMOPEgol e da Tribuna de Marajó, colunista do MNN, proprietário do woodStudio e da Pizzaria do Tio Ed, representante de Marajó na CMF e um dos maiores incentivadores da Confederação desde o início, organizador da Liga Marajoara de Futebol, membro-fundador da FrePASo e finalmente, um cargo no governo, Secretário dos Esportes e Lazer. Por falar nisso, tornar-me referência de futebol micronacional foi uma mudança realmente brusca para quem queria trabalhar como cineasta.

 

TM - Hoje, como você vê Marajó no tempo que você chegou aqui?

EW - No período em que cheguei, não sabia nada sobre micronacionalismo, mas li tudo o que podia para aprender. Marajó era uma nação dourada. Tudo ali brilhava, era atividade real, projetos novos apareciam todos os dias na lista, além da liberdade que o país dava a quem queria trabalhar e fazer. Muita gente participando ativamente, um país onde não havia falta de cidadãos para ocupar cargos governamentais. Existiam desavenças claro, e a grande rixa contra o Sacro Império de Reunião, mas era uma nação com uma estrutura incrível.

 

TM - Na sua opinião, como está Marajó hoje em dia?

EW - Responder só sobre Marajó seria limitar-me muito, e talvez até desmerecer a nação que vejo com bons olhos. O micromundo encontra-se estagnado. Por mais que falem que não seja essa a causa do problema, nações multiplicam-se a cada dia e isso atrapalha o desenvolvimento de atividade. A República de Marajó, em sua época de ouro como citei na outra resposta, esbanjava cidadãos para nomear em cargos do governo e havia até disputas para conseguir um desses cargos, hoje procura gente qualificada para ocupá-los. Assim como qualquer outro país que classifique-se lusófono.

 

TM - Após esse tempo fora de Marajó e com um olhar externo, como você acredita que Marajó estará daqui a alguns anos?

EW - Antes de mais nada, por mais que falem que não há possibilidades de BOOMs micronacionais, vejo muitas pessoas que não tem a menor idéia nem nunca ouviram falar do que é micronação. Com isso temos um BOOM potencial, basta simplesmente chegar nessas pessoas. Explicar isso é primordial para que possa expressar minha opinião sobre um futuro marajoara. Não depende só de Marajó, mas sim do micromundo. Eu tenho fé de que, daqui a 2 anos, Marajó esteja com uma população considerável, como nos ditos "tempos dourados", e que não só a República mas outros países estejam nessa situação.

 

TM - Fazendo um Top Histórico Marajoara de todos os tempos, destaque para nós:

 

- 03 Pontos Positivos: A fundação idealizada e realizada por Juanita e Pablo Castañeda, a liberdade e a diversidade de opiniões de cidadãos e a renovação do governo ocorrida em 2001.

 

- 03 Pontos Negativos: Pretória, citado por muitos como escândalo que desestruturou totalmente Marajó, lista marajo.com, sem arquivo de mensagens e muita história jogada fora e o fechamento da FrePASo, algo que senti mesmo estando distante, talvez por ser um de seus membros fundadores.

 

- 03 Personalidades Marajoaras Importantes: Juanita Castañeda, pela idealização e trabalho que desenvolveu nessa bela nação, Marcus Motta, por esfregar na cara de todo mundo que o páis precisava se renovar (opinião não compartilhada por muitos) e Rodolfo Winotz, por ter realizado a mudança. 3 pessoas que devem ser citadas em qualquer arquivo histórico marajoara.

 

TM - Fazendo um "ping-pong" sobre Edward Wood, o que você nos diria sobre:

 

1 - Seu melhor momento pessoal: No micronacionalismo em geral foi ter, sem publicidade alguma, o Reino de Valquíria na Época após 40 dias de fundação. Em Marajó, quando recebi o Aruaque.

 

2 - Seu pior momento pessoal: A Copa do Mundo em Valquíria (na mesma época minha namorada sofreu um aborto expontâneo) Nem foi um momento tão ligado ao micromundo mas foi péssimo. Mas para colocar aqui um momento ruim 100% micronacional assinalo o estouro de Pretória. Uma decepção pra quem era ativo.

 

3 - Um projeto seu em Marajó, que agradou e deu certo: não lembro de nada que possa colocar aqui. Desenvolvi diversos projetos na República mas nada totalmente "solo".

 

4 - Um projeto seu em Marajó, que era bom, e que mereceria ser reativado: não me vem nada na cabeça agora, mas acredito que a Frente Popular de Ação Social, conhecida como FrePASo, deveria retornar.

 

5 - Um grande amigo marajoara que nunca mais você o encontrou: fiz muitos amigos em Marajó que nunca mais vi ou falei... Edusantz, Natália Luna, Peter von Boyer, Arthur Wurgens (não lembro se era esse mesmo o sobrenome), Juanita Castañeda, Waldir Bambino, Ary Salgueiro, Daniel Spencer, Mauro Gimeni...

 

6 - Uma histórica mancada sua: minha saída de Marajó... se fosse hoje, teria ficado mais um tempo na República.

 

TM - Edward, mais uma vez, muito obrigado pela sua participação. E para finalizar, que recado você deixaria para todos os leitores do Tradição Marajoara?

EW - É uma grande honra para mim participar de um projeto como o Tradição Marajoara, que traz um pouquinho da história de Marajó para o micromundo. Que a sociedade marajoara prossiga com seus ideais de um micronacionalismo melhor e que trabalhem por esses ideais! O micromundo precisa de cada um de vocês!

 


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.:: Edição 12 - 23 de Agosto de 2003 ::.

 

Jornalista Responsável: Wagner Bacciotti Campodonio

 

Entrevistado: Edward Wood

 

A revista Tradição Marajoara foi criada pelo Projeto Tradição, do Ministério do Trabalho e Integração Social (MTIS) da República de Marajó, desde o governo 2003.1. Com este informativo, visamos homenagear os marajoaras, ou ex-marajoaras, que já fazem parte de nossa história. E ao mesmo tempo, levar aos demais marajoaras e micronacionalistas de outras micronações um melhor conhecimento sobre a pessoa homenageada, e por consequência, sobre Marajó.


 

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