.:: Tradição Marajaora ::.


República de Marajó, 23 de Outubro de 2003

Edição 13


 

.:: Editorial ::.

 

           Daniel Spencer é um marajoara amado e odiado. Sua declarações nem sempre são bem recebidas na lista nacional, em outras vezes, Daniel consegue a unanimidade em torno de sua opinião.

           Este jaruara, apaixonado por sua cidade-natal, sabe como aproveitar seu potencial, e não é a toa que foi fundador de umas das maiores corporações na área de comunicação de todo o mundo micronacional, que era a holdin Spencer Corp. E pelo que vocês vão perceber nesta interessante entrevista, Spencer pretende investir novamente nesta área em Marajó.

           Daniel nunca que poderia ficar de fora desta galeria histórica que é o Tradição Marajoara. Com muitas história para contar, algumas impublicáveis que Spencer prefere nem tocar no assunto, esta entrevista é mais uma viagem no tempo de nossa história, através deste personagem característico, e que nos leva a diversas reflexões sobre nosso momento aual e o nosso futuro.

 

.:: Entrevista ::.

 

Tradição Marajoara - Olá Spencer, obrigado por colaborar com a revista Tradição Marajoara. Você chegou em Marajó em que período? E agora, por quê dediciu voltar?

Daniel Spencer Pioner - Gostaria, primeiramente, de dizer que me sinto lisongeado com a honra de participar da TM, e também surpreso, uma vez que retornei ao micromundo a menos de uma semana. Bem, respondendo suas perguntas, eu ingressei no mundo micronacional por Marajó em junho de 1999. Estava pesquisando sobre Avalon na internet e parei no site da micronação. Toda aquela perspectiva de simular um país dentro do meu computador chamou muito a minha atenção e não demorou para começar a acompanhar a realidade micronacional através de um período da extinta Malídia, daí a escolher minha terra natal foi um pulo. No período em que cheguei, Marajó ainda era principado e estava passando pelo plebiscito que a transformou em República. Confesso que boiei durante praticamente todo o primeiro mês, em especial pelo grau de politização dos debates. Tinha expectativas mais virtualistas da vida micronacional =) Decidi voltar pela saudade e vontade de trabalhar pela ilha. Marajó nunca mais teve uma iniciativa privada forte e eu acho isso é o tipo de coisa que auxilía no fortalecimento do país. O PDM do presidente Crasnek foi lançado e é necessário empreendedorismo para alavancar o projeto. Pretendo fazer aí a minha parte.

 

TM - Quais foram os seus cargos ou empresas mais importantes em Marajó?

DSP - Cargos não lembro todos. Tive uma vida política muito irregular devido as várias saídas. Fui Senador pelo extinto PDM (Partido Democrata Marajoara), Ministro dos Esportes e Lazer e diplomata. Foi através da diplomacia que cheguei ao cargo de Ministro das Relações Exteriores ano passado na Gestão de Filipe Depardier. Na área empresarial tinha a holding Spencer Corp. que controlava as empresas do grupo. Destaques para a ENN (Entertainment News Network), Financial Times (primeiro jornal sobre economia e política, atualizado diariamente no seu início) e O PasQuiM, que passei a administrar após a aquisição do Grupo X.

 

TM - Quais são seus projetos pessoais para o futuro em Marajó? E como e quando pretende realizá-los?

DSP - Tenho como projeto reativar a atividade empresarial da ilha. Marajó tem carência na área de, digamos, indústria de base: Comunicação, Web e Publicidade. É este tripé que gera a sustentabilidade da economia micronacional. O projeto em sí é simples e óbvio, criação de empresas nas áreas citadas para suprir a demanda. É claro que é necessário um mínimo de planejamento. Não se cria uma empresa de publicidade para depois criar um jornal. Tem de haver uma ordem natural das coisas. Sei que vai ser difícil porque o tempo disponível às atividades micronacionais para viabilizar tem de ser grande, mas confio no sucesso.

 

TM - Hoje, como você vê a Marajó do tempo que você chegou aqui pela primeira vez?

DSP - Vejo com um gostoso saudosismo, fruto de um tempo em que havia mobilização nacional em prol do desenvolvimento do país. Não haviam apenas idéias, havia trabalho. Organizavam-se as instituições republicanas e Marajó ia se consolidando na posição de líder micronacional. É claro que embora a forma de governo mudara, o mesmo não ocorrera com a classe dominante e o poder e a influência continaram na mão daqueles que já a detinham nos tempos de Principado. Mas, sinceramente, não vejo de outra forma a transição para a república e seu fortalecimento. As pessoas que estavam no topo, lá estavam pelo seu trabalho desde o princípio e continuaram trabalhando arduamente pelo bem-estar e desenvolvimento da realidade marajoara.

 

TM - Na sua opinião, como está Marajó hoje em dia?

DSP - Como disse anteriormente cheguei a pouco tempo. Estando, portanto, impossiblitado de fazer uma análise mais profunda da realiadade marajoara. O que pude concluir ao longo destes dias é que o poder hoje está mais acessível, embora Marajó sofra pela fata de estrutura política. Os partidos que existem estão mal organizados e atividade empresarial quase extinta. A falta de mão-de-obra é outro fator que contribui para a atual situação. Apesar disso, me surpreendi pela atividade e o processo de readequação das leis ao novo cenário, feito pelo Legislativo, que é importantíssimo para o sucesso de Marajó no futuro.

 

TM - Após esse tempo fora de Marajó e com um olhar mais experiente, como você acredita que Marajó estará daqui a alguns anos?

DSP - Prosperidade, essa é a perspectiva a médio e longo prazo. É claro que é difícil fazer projeções para períodos muito a frente, em especial pela velocidade com que as coisas ocorrem no micromundo. Mas não trata-se apenas da visão de um otimista, acho que este será o rumo natural das coisas uma vez que percebe-se um comprometimento sério das pessoas com o crescimento do país. Vontade e atividade há por parte de muitos. Alavancar o desenvolvimento pleno; tanto na área estatal quanto na área privada, tanto na política quanto no social; contribui para o ressurgimento da nacionalidade, da identidade, na população, e iniciativas como o Plano de Desenvolvimento serão catalisadores naturais deste processo. Fortalecendo assim o regime democrático e a democracia é o caminho para a prosperidade.

 

TM - Fazendo um Top Histórico Marajoara de todos os tempos, destaque para nós:

 

- 03 Pontos Positivos: A República, o Rompimento com Campos Bastos e o Caso Pretória - pela renovação que proporcionou à vida política administrativa.

 

- 03 Pontos Negativos: Fracasso da OLAM, o mal estruturado Poder Judiciário e o Caso Pretória - desta vez pela repercussão e estigma criado no cenário internacional.

 

- 03 Personalidades Marajoaras Importantes: Juanita Castañeda, Rodolfo Winotz e Jorge Apache.

 

TM - Fazendo um "ping-pong" sobre Daniel Spencer Pioner, o que você nos diria sobre:

 

1 - Seu melhor momento pessoal: Início de 2000, quando dei gás a um projeto que tinha, a Spencer Corp, através da criação da ENN e do Financial Times.

 

2 - Seu pior momento pessoal: Acho que meu pior momento pessoal foi o que estive ausente. Por mais que determinadas posições políticas te façam passar por apertos, saias-justas, nada é comparado a saudade que bate quando se está longe da terra-mãe. Podem não ter sidos o meu pior  momento para os outros, mas com certeza foi o pior para mim.

 

3 - Um projeto seu em Marajó, que agradou e deu certo: Sinceramente nunca fiz nada sozinho, exceto minhas empresas. Sempre busquei compartilhar minhas idéias de forma que não atribuo projetos que desenvolvi como sendo meus.

 

4 - Um projeto seu em Marajó, que era bom, e que mereceria ser reativado: Câmaras de Integração Bilateral.

 

5 - Um grande amigo marajoara que nunca mais você o encontrou: Edward Wood. Após sua saída de Marajó quase não nos encontramos, até mesmo porque me ausentei diversas vezes do micromundo desde então.

 

6 - Uma histórica mancada sua: Aceitar a chancelaria Marajoara ano passado. Havia retornado a menos de um mês e, embora despontasse como um diplomata ativo, não estava pronto para a responsabilidade de uma chancelaria. Para complicar ainda mais, no dia de minha posse um incidente envolvendo uma persona non grata e um diplomata oranger pôs em cheque a capacidade, que não tinha, de intermediar conflitos e diferenças ideológicas dentro de meu ministério. Mas não me arrependo, agregou muita experiência a minha vida ao longo dos poucos meses a frente do Ministério das Relações Exteriores.

 

TM - Spencer, mais uma vez, muito obrigado pela sua participação. E para finalizar, que recado você deixaria para todos os leitores do Tradição Marajoara?

DSP - Mais uma vez, agradeço pelo prestígio. Aos leitores, deixo um pensamente de Fernado Pessoa: "Quando quis tirar a máscara, estava pregada à cara. Quando a tirei e me vi no espelho, já tinha envelhecido.".

 


.:: Tradição Marajoara ::.

 

.:: Edição 13 - 23 de Outubro de 2003 ::.

 

Jornalista Responsável: Wagner Bacciotti Campodonio

 

Entrevistado: Daniel Spencer Pioner

 

A revista Tradição Marajoara foi criada pelo Projeto Tradição, do Ministério do Trabalho e Integração Social (MTIS) da República de Marajó, desde o governo 2003.1. Com este informativo, visamos homenagear os marajoaras, ou ex-marajoaras, que já fazem parte de nossa história. E ao mesmo tempo, levar aos demais micronacionalistas em geral um melhor conhecimento sobre a pessoa homenageada, e por consequência, sobre Marajó.


 

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