Arthur Schopenhauer - (1788-1860)- Filósofo alemão

Filósofo alemão do século XIX. Filósofo irracionalista e sua filosofia é romântica. Sua obra principal é O Mundo Como Vontade e Representação, embora o seu livro Parrega e Paralipomenoa (1851) seja o mais conhecido. Friedrich Nietzsche tem Schopenhauer como o filósofo que mais o influenciou. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e a filosofia indiana na metafísica alemã. Ele, entretanto, foi conhecido por seu pessimismo e entendia o Budismo como uma confirmação dessa visão, fazendo então que Nietzsche criticasse o Budismo como uma doutrina que, insatisfeita com as mazelas do mundo, requer a auto-mortificação em nome de uma moral artificial.



A LIBERDADE DA AUTO-SUFICIÊNCIA





Quanto mais uma pessoa tem em si, tanto menos os outros podem ser alguma coisa para ela.
Um certo sentimento de auto-suficiência é o que impede os indivíduos de riqueza e valor intrínseco de fazerem os sacrifícios importantes, exigidos pela vida em comum com os outros, para não falar em procurá-la às custas de uma considerável auto-abnegação. O oposto disso é o que torna os indivíduos comuns tão sociáveis e acomodáveis: para eles, é mais fácil suprotar os outros do que eles mesmo.
Acrescente-se a isso que aquilo que possui um valor real não é apreciado no mundo, e aquilo que é apreciado não tem valor. A prova e consequência disso estão no retraimento de todo o homem digno e distinto. Assim sendo, será genuína sabedoria de vida de quem possui algo de justo em si mesmo, se, em caso de necessidade, souber limitar as suas próprias carências, a fim de preservar ou ampliar a sua liberdade, isto é, se souber contentar-se com o menos possível para a sua pessoa nas relações inevitáveis com o universo humano.

Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho. E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras. Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.

-Arthur Schopenhauer- (De Aforismos para a Sabedoria de Vida)






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